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Tenho receitas em lista à espera de dias sem sono e com tempo. Tenho livros e revistas por estrear e muita vontade de novos sabores. Tenho potes com papas de cereais caseiras que vou dando a provar ao meu sempre-em-pé com o maior sorrido do mundo. Tenho muitas saudades e pouco tempo.

o regresso em pezinhos de lã

Dizem que a ausência aumenta os amores fortes e diminui os fracos. Não acreditando muito nisso, confesso a secreta esperança de ainda ter, desse lado, quem se lembre do Caos e por cá vá passando, na esperança de novas minhas. Quase cinco meses, caramba, que saudades!

Por cá vivemos um mundo novo, muito pouco feito de cozinha. Alimentamo-nos à pressa e quase mais por necessidade do que por prazer. Visitamos os velhos favoritos, fáceis e rápidos, feitos quase em piloto automático. E damos voltas a alguns, tornando-os mais nutritivos – como esta sopa, com quinoa para além das lentilhas. Esforçamo-nos por não saltar refeições, mas o pequeno revolucionador de corações gosta pouco de dormir e o cansaço vence-nos repetidamente. Lá chegaremos, nós e ele. E a cozinha regressará, que a vontade já anda à espreita.

bolo de bacalhau 1

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Bolo de bacalhau

(inspirado neste da Laranjinha)

  • 1 posta de bacalhau
  • 100ml azeite
  • 50 ml óleo
  • 4 ovos
  • 150ml buttermilk (150ml leite + 1 colher chá de vinagre branco)
  • 250g farinha
  • 1 colher chá de fermento em pó
  • 12 azeitonas
  • ½ pimento vermelho
  • 1 molho pequeno de coentros, caules e folhas
  • 1 colher chá de sal

Numa panela pequena, confite a posta de bacalhau no azeite, deixando-a cozinhar durante 10 minutos em lume baixo, sem ferver. Retire o bacalhau e deixe ambos arrefecer. Quando estiver frio, desfaça o bacalhau em lascas. Reserve.

Pré-aqueça o forno a 180º. Pincele uma forma de bolo inglês com óleo e reserve.

Pique o pimento em cubos pequenos e reserve. Separe os talos dos coentros das folhas e pique os talos finamente e as folhas grosseiramente. Descaroce as azeitonas e corte em pedaços. Misture o leite e o vinagre e deixe repousar 10 minutos, para fazer o buttermilk.

Num recipiente, misture a farinha, o fermento e o sal. Acrescente o bacalhau, o pimento, as azeitonas e os coentros. Num outro recipiente misture o azeite em que confitou o bacalhau, o óleo, o buttermilk e os ovos. Junte esta mistura aos ingredientes secos e envolva bem, sem bater. Transfira a massa para a forma pré-preparada e asse por 30-40 minutos ou até que um palito inserido no centro saia limpo. 

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Este bolo é muito prático para aproveitar aquelas postas de bacalhau que acabam sozinhas no congelador – cá em casa acontece quase sempre. Em vez do pimento vermelho cru pode usar-se o assado, feito em casa ou de compra; era a minha ideia original, não concretizada por falta de ingredientes. É ideal para comer com uma mão enquanto a outra embala um bebé irrequieto ou, quando regressar o calor, para levar para um piquenique. 

 

Eu queria variar, trazer-vos algo que não fosse um doce, mas por cá anda-se ao sabor de outras marés e o Caos sempre acompanhou esse fluir. Come-se no Caos o que se come cá em casa, sempre foi e será assim.

Este ano, como nos 3 ou 4 passados, fomos buscar mirtilos a Sever do Vouga. Chegam-nos directamente do produtor, pequenas jóias azuis em caixinhas que prometem uma semana de delícias, mais se resistir e conseguir, finalmente, congelar alguns para mais tarde. Nunca consegui, devorámos sempre todos os que comprámos e não partilhámos.

Desta vez, cheia de vontade de coisas novas, resisti e roubei uma chávena deles para fazer este bolo. É um bolo grande, pecaminhoso, feito para muitas bocas, para que se dilua por muitos a desgraça calórica que anuncia. E com ela o prazer partilhado e assim multiplicado.

blueberry coffee cake 2

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Bolo de mirtilos

(adaptado daqui)

  • 225g manteiga com sal, à temperatura ambiente
  • 1 medida açúcar amarelo + 1 medida de açúcar branco
  • 3 ovos, à temperatura ambiente
  • 1 colher chá de extracto de baunilha
  • 200ml de sour cream (usei uma das fórmulas sugeridas pela Fer)
  • 2 ½ medidas de farinha
  • 2 colheres chá de fermento
  • ½ colher chá de bicarbonato de sódio
  • 1 pitada de noz moscada
  • 1/3 medida de buttermilk (1/3 medida de leite + 1 colher sopa sumo de limão, deixar repousar 10 minutos)
  • 1 medida de mirtilos frescos

Pré-aqueça o forno a 175ºC. Com spray de óleo vegetal ou com manteiga, unte bem uma forma redonda de buraco no meio (ou uma forma de bundt, se tiver). Reserve.

Com a batedeira, misture bem a manteiga e os açúcares, até obter um creme liso e homogéneo. Adicione os ovos e a baunilha e bata bem. Acrescente o sour cream e bata até ter um creme leve e fofo.

Num outro recipiente, combine todos os ingredientes secos e acrescente-os à massa anterior, misturando só ligeiramente. Adicione o buttermilk e bata até ter uma massa suave.

Com uma espátula, envolva suavemente os mirtilos na massa. Transfira tudo para a forma pré-preparada e leve a assar por 40-50 minutos ou até que um palito inserido no bolo saia limpo.

Retire do forno, deixe arrefecer por 10 minutos e transfira para um prato. Sirva morno ou à temperatura ambiente.

blueberry coffee cake 1

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A receita original tinha uma cobertura de açúcar, que normalmente não me agrada. Não a fiz e gostei muito do resultado. É um bolo húmido e fofo, não excessivamente doce e que aguenta vários dias sem perder a graça. E faz justiça aos mirtilos, acalmando a minha relutância em usar as pequenas frutas azuis, tesouros que só saboreamos 1 semana por ano.

Gosto de gelados de gelo, de pauzinho, de comer às trincas em dias muito quentes, quando nos escorrem pelo pescoço se demoramos mais tempo. Lembro-me regularmente dos Fás, aqueles gelados com sabores muito artificiais, que vinham dentro de tubos de plástico que tínhamos de abrir com os dentes e que se chupássemos muito intensamente ficavam só gelo branco, a saber a nada. Lembro-me de serem os únicos gelados que havia na serra para onde vamos desde os meus 3 anos, na lojinha pequenina no meio do insuportável calor de Agosto.

Entretanto os gelados de gelo mudaram e acompanharam os nossos paladares um bocadinho mais exigentes, que também já não se contentavam com um Fá de coca-cola. Por cá apareceram mais assertivamente os sorvetes, primos finos do gelado de pauzinho. Do outro lado do mar conheci a People’s Pops, que mistura chás e ervas a purés de frutas frescas, com pouco açúcar e muita criatividade. Os maravilhosos picolés da Fer do Chucrute com Salsicha ajudaram a atear o fogo à minha vontade de experimentar.

peach pops 2.

Gelado de pêssegos assados com gengibre

6 gelados pequenos

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Corte a meio 3 pêssegos bem lavados e retire-lhes o caroço. Disponha as metades, lado cortado para cima, num recipiente de forno. Na cavidade de cada um ponha meia colher de chá de açúcar amarelo e meia colher de chá de gengibre fresco ralado. Leve a assar por 30 minutos ou até que os pêssegos estejam macios e levemente caramelizados.

Com a varinha mágica, triture os pêssegos (casca e tudo) e o gengibre (se quiser retire parte do gengibre da cavidade dos pêssegos antes de triturar, para não ficar tão forte). Acrescente mais açúcar amarelo a gosto – lembre-se que ao congelar o doce vai ficar mais suave.

Distribua a mistura pelas formas e leve ao congelador até solidificar.

peach pops 1.

O sabor dos pêssegos, assados e levemente caramelizados, combina na perfeição com o gengibre. Estes levaram uma quantidade significativa de gengibre (aproximadamente 2cm de gengibre fresco), pelo que ficaram fortes e deixam na boca, no fim, um travo picante estranho (para um gelado) mas muito agradável. Têm sido companheiros deliciosos nestas tardes abrasadoras.

As formas não são as mais bonitas, mas são simples, práticas e baratas – encontrei-as no Ikea. Os gelados ficaram a parecer pequenas cenourinhas, imagem que me despertou imediatamente a imaginação, que já fervilha com novas ideias.

pequenas trincas

O Verão atrasado faz-me bem ao fim da gravidez. As pernas incham menos, o ar falta-me só quando um pé se entala atrás das costelas e nem o estudo interminável dá tanto sono, que os dias queriam-se de ronha mas o mundo não pára de girar.

Estes são os meses da abundância nas árvores e arbustos e, deles, nas bancas do mercado. A cozinha enche-se das cores quentes dos damascos maduros, das cerejas crocantes de saco, dos mirtilos pelos quais se fazem, cá em casa, alguns quilómetros todos os anos. A fruta é a minha guloseima maior, aquela pela qual trocava todas as outras. Ainda que, de vez em quando, raramente, vá apetecendo transformá-la noutras pequenas trincas.

tiny cakes II

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Bolinhos de fruta

(ligeiramente adaptado da Bon Appetit de Junho 2013)

10 bolinhos

  • 1 medida de farinha de trigo
  • 1 ½ colher chá de fermento
  • 85g manteiga com sal, à temperatura ambiente
  • 1/3 medida de açúcar
  • 1 ovo grande
  • 1 colher sopa de raspa de limão
  • ½ colher chá de extracto de baunilha
  • 1/3 medida de leite
  • 2 damascos e 5 morangos pequenos (ou outra fruta a gosto)
  • 2 colheres sopa de açúcar amarelo, para polvilhar

Pré-aqueça o forno a 175ºC. Unte 10 formas de muffins com spray de óleo vegetal ou com manteiga. Reserve.

Misture a farinha e o fermento numa tigela. Reserve.

Na batedeira, bata a manteiga e o açúcar até obter um creme leve (aprox. 2 minutos). Acrescente o ovo, a raspa de limão e a baunilha e bata até estar bem misturado.

Com a batedeira em baixa velocidade, adicione, alternadamente, os ingredientes secos e o leite, começando e acabando com os secos. Divida a massa pelas formas de muffin, enchendo-as apenas 1/3. Acrescente as fatias de damasco ou os morangos, polvilhe com o açúcar amarelo e leve ao forno por 15-20 minutos.

Transfira os bolinhos para uma grade e deixe arrefecer completamente.

tiny cakes III

O mundo gira e há coisas que vamos deixando para trás, mesmo sem querer. Por cá, ultimam-se preparativos para a chegada do novo membro da família, daqui a um mês. Aprendemos novas línguas, entramos em mundos desconhecidos e vamos desbravando estes terrenos lentamente. Cozinha-se o essencial, para alimentar o corpo que a alma anda alimentada de outros sonhos. Fazemos planos para um futuro que é já amanhã e esperamos que o tempo seja generoso com as paixões antigas.

chocolate loaf I

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Bolo simples de cacau

(adaptado daqui)

  • ¾ medida de açúcar amarelo
  • ½ medida de açúcar branco
  • 1 medida de cacau
  • 1 ½ medidas de farinha de trigo
  • 1 ½ colher chá de bicarbonato de sódio
  • ¾ colher chá de fermento
  • 1 colher chá de sal
  • 3 ovos médios
  • ¾ medida de buttermilk (a mesma medida de leite+1 colher sopa vinagre, esperar 10 minutos para talhar)
  • ½ medida de óleo
  • 1 colher chá de extracto de baunilha
  • 1 colher chá de café em pó

Pré-aqueça o forno a 175ºC. Unte uma forma rectangular com óleo (muito pouco!) e polvilhe com cacau. Reserve.

Coloque o açúcar amarelo no recipiente da batedeira. Acrescente o cacau, farinha, açúcar branco, bicarbonato, fermento, sal e café e misture bem com um garfo. Num outro recipiente bata bem os ovos, acrescente o buttermilk, óleo e baunilha e misture com um batedor de varas até estar homogéneo.

Ligue a batedeira no mínimo e vá adicionando, lentamente, os líquidos aos secos, mexendo só até que esteja tudo misturado. Transfira a massa para a forma pré-preparada e leve ao forno por 40 minutos (o original sugeria 1h) ou até que um palito inserido no centro saia limpo.

Retire do forno e deixe arrefecer na forma por 15 minutos. Transfira depois para uma grade e deixe arrefecer completamente.

Hoje é o dia em que milhares de pessoas por todo o mundo se juntam à volta do forno. Mais do que lambuzar os dedos e mostrar dotes culinários, é um dia que se faz pela partilha – das coisas boas, dos afectos, dos momentos doces. É um dia bom para motivar os mais reticentes, empurrá-los para a cozinha e deixá-los provar que jeito todos temos e que tudo o resto se aprende.

World Baking Day

Hoje é o World Baking Day e eu não quis deixar de participar. Porque poucas coisas cheiram tanto a casa como um bolo no forno ou um pão acabado de assar.

pb&j muffins 2.

Muffins de manteiga de amendoim e compota de framboesa

(receita adaptada daqui)

12 muffins grandes

  • 210g farinha
  • 100g açúcar amarelo
  • 1 colher chá de fermento
  • 1 colher chá de bicarbonato de sódio
  • ½ colher chá de sal
  • 1 colher chá de extracto de baunilha
  • 60ml óleo vegetal
  • 260g manteiga de amendoim cremosa
  • 1 ovo grande
  • 235ml leite
  • 160g compota de framboesa

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte ou forre com forminhas de papel um tabuleiro de muffins ou 12 formas individuais. Reserve.

Num recipiente grande, misture a farinha, açúcar, fermento, bicarbonato e o sal. Faça um buraco no centro e adicione o ovo, extracto de baunilha, óleo, manteiga de amendoim e leite, mexendo bem até que a massa fique homogénea.

Encha as formas de muffin até 1/3 da sua altura. Com uma colher levemente untada com óleo, faça uma concavidade na massa e coloque 2 colheres de chá de compota. Acrescente mais massa, até que as formas estejam cheias até 2/3.

Leve ao forno por 18-20 minutos ou até que um palito inserido na massa saia limpo (se atravessar a zona da compota sairá sempre húmido).

pb&j muffins 1.

Estes muffins jogam com a tradicional combinação de peanut butter & jelly de que os americanos tanto gostam e deixaram-me intrigada mal os vi. Até há pouco tempo era um par que, à partida e sem ter provado, me deixava reticente. Um dia resolvi misturá-las entre duas bolachas e percebi o encanto – o salgado da manteiga de amendoim com o doce da compota fazem um jogo de sabores muito interessante e diferente. No original, a compota é, na verdade, geléia de uva, mas a improvisação é a mãe da criatividade e compota de framboesa funciona muito bem. São uns muffins densos, óptimos para um pequeno-almoço volante de dias atarefados ou para saborear numa tarde de domingo como a de hoje, partilhados com amigos gulosos.

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