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Finalmente, o regresso. Que saudades desta cozinha. Das experiências, mesmo das menos bem sucedidas. Vamos ver se consigo voltar a alguma regularidade, que me faz tanta falta.

Infelizmente, não foi só o blog que deixei ao abandono. O 4 por 6 também sofreu com a minha falta de tempo. Mas  este projecto é composto por outras meninas, muito mais responsáveis e criativas do que eu, e manteve-se de boa saúde. Muito obrigada, Elvira, Laranjinha, Marizé, Suzana e Pipoka.

E é o 4 por 6 que me traz de volta hoje, ainda a meio da época de exames mas já a sonhar com uns dias de férias que vêm aí. Esta receita foi preparada há umas semanas, mas mal a provei soube que era óptima para o 4 por 6. Pode ser feita no momento ou no dia anterior, é nutritiva e quase vegetariana e, sobretudo, é muito saborosa.

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Chilli de 3 feijões

  • 1 lata pequena de feijão branco
  • 1 lata pequena de feijão preto
  • 1 lata pequena de feijão vermelho
  • 100g de bacon cortado em cubos pequenos
  • 2 cenouras médias
  • 1 pimento vermelho médio
  • 1 cebola grande
  • 4 dentes de alho
  • 2 tomates médios maduros
  • 150g polpa de tomate
  • 1 folha de louro
  • 1 colher café de cominhos em pó
  • 1 colher café de paprika
  • ½ colher café de piri-piri
  • 1 colher café de orégãos
  • sal
  • azeite

Num tacho grande, refogue num fio de azeite a cebola e o alho picados. Quando estiverem ligeiramente translúcidos, acrescente o bacon em cubos e deixe alourar um pouco. Junte a cenoura e o pimento, ambos em cubinhos pequenos, e deixe refogar 1 ou 2 minutos. Acrescente então os tomates cortados em cubos, a folha de louro e restantes especiarias e mexa bem. Dilua a polpa de tomate num pouco de água e acrescente também ao tacho. Mexa, junte sal e prove. Acerte o sal e as especiarias, baixe o lume, tape e deixe cozinhar 5 minutos.

Entretanto, escorra bem os feijões e lave-os em água corrente. Escorra novamente e coloque-os na panela. Acerte a quantidade de água (se quiser com mais molho, junte mais água), o sal e deixe cozinhar 10-15 minutos.

Sirva com arroz branco e salada de alface e hortelã, cortadas em tiras fininhas e temperadas com azeite e sumo de limão.

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Aqui, usei feijão em lata, que é, sem dúvida, o mais fácil de usar. Mas não é o mais económico nem o mais saudável, por isso se tiver tempo demolhe e coza feijão seco. Pode até aproveitar para cozer em excesso e congelar o restante, em porções individuais.

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Laranja com calda de cravinho

  • 4 laranjas
  • 2 cravinhos
  • 50g açúcar amarelo

Descasque as laranjas. Corte as cascas em pedaços e remova a parte branca, a mais amarga. Ferva as cascas durante 5 minutos. Num tacho pequeno, dilua o açúcar em igual quantidade de água. Junte as cascas fervidas e os cravinhos e deixe reduzir até fazer um xarope.

Entretanto, corte as laranjas em rodelas finas. Quando a calda estiver pronta, coe para retirar as cascas e o cravinho e deite por cima das laranjas. Leve ao frigorífico até à hora de servir.

Esta laranja é receita do meu pai. Costuma aparecer à nossa mesa todos os anos, no Natal – e foi por isso que me lembrei dela. É excelente comida no dia em que é feita, mas fica ainda melhor se passar uns dias na calda, no frigorífico. (lamento não ter fotografia, mas não consegui nenhuma apresentável)

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As contas:

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Dica de poupança: o congelador pode ser o nosso melhor amigo – congele sobras de vinho em sacos de cubos de gelo para usar em molhos e refogados; cabeças e espinhas de peixe (sem cozinhar) para fazer caldo, as partes dos legumes que não comemos para caldo de legumes. E para poupar tempo, pode fazer este chilli de 3 feijões a dobrar e congelar metade, para um dia em que não tenha tempo.

(feliz natal e até já)

Só para vos dizer, de fugida, que não desapareci de vez. Que ainda estou aqui, ainda que sem cozinhar muito nem ter ideias a fervilhar. E que volto depois do ano novo, com as últimas coisas boas que saíram da minha cozinha.

Um feliz natal e um maravilhoso ano novo *

Os aniversários são para comer coisas boas. Também são para celebrar, claro, mas, cá entre nós, os aniversários foram inventados por gente gulosa.

E foi por isso que, como boa gulosa que sou (apesar de preferir os salgados aos doces), não pude recusar o convite da Moira, do Tertúlia de Sabores, para participar nas celebrações do 2º aniversário do seu fantástico blog. A Moira, como boa gulosa que também é, resolveu convidar umas boas mãos cheias de outros gulosos, para juntos fazermos a festa. E que festa que tem sido!

Dei muitas voltas à cabeça e confesso que não estava a ser nada fácil escolher o que cozinhar para circunstância tão especial. Mas um dia, sozinha em casa, ao jantar, fiz um crisp de maçã e mal o provei soube que estava decidido: um crisp quentinho, para dar as boas vindas a Novembro e para celebrar em grande os 2 anos do Tertúlia de Sabores!

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Crisp de maçã
(adaptado daqui)

Recheio

  • 4-5 maçãs vermelhas
  • ½ medida de açúcar amarelo
  • ¼ colher chá de sal

Cobertura

  • 1 ½ medida de farinha
  • 1/3  medida de açúcar amarelo
  • ½ colher chá de canela
  • 1 pitadinha (muito pequenina!) de noz moscada
  • 1 pitadinha (muito pequenina!) de gengibre em pó
  • 110g manteiga derretida
  • ¼ medida de nozes
  • ¼ medida de amêndoas

Pré-aqueça o forno a 180ºC.

Descasque, descaroçe e corte as maçãs em cubos pequenos. Coloque-as numa tigela, misture-lhes o açúcar amarelo e o sal e reserve.

Noutra tigela, misture farinha, açúcar, canela, noz moscada, gengibre, nozes e amêndoas. Acrescente a manteiga derretida e misture bem com um garfo, até que tudo pareça migalhas.

Coloque as maçãs (e todo o sumo que tiverem soltado) num prato de forno. Cubra com as migalhas de cobertura e leve ao forno por 30 minutos (ou um pouco mais, para que o açúcar e os sumos caramelizem ligeiramente), a meio do forno para que o crisp não queime.

Sirva quente ou morno, com ou sem gelado de baunilha.

Enquanto assa, a casa enche-se do aroma das especiarias. O crisp, se ficar um bocadinho mais no forno, fica com um caramelo leve no fundo, com sabor a maçã. Óptimo para comer numa noite chuvosa.

Parabéns à Moira e ao seu Tertúlia de Sabores. Que nos inspire por muitos e muitos mais anos!

Nós gostamos muito de noodles. Mas daqueles com muito sabor, porque daquelas coisas estilo sopa com legumes e noodles a boiar já não gostamos tanto. Sabem quase sempre a canja, mesmo que esse sabor esteja disfarçado por outros, mais asiáticos. Parecem sempre feitos em caldo de frango. E como nenhum dos dois gosta de canja, a coisa não passa despercebida.

Mas dos outros, daqueles com gengibre e molho de soja e nem uma pitada de canja, gostamos muito. E eu vou coleccionando receitas, sempre que elas aparecem. Receitas que raramente faço, porque sempre que as fiz em casa não cheguei nem perto dos noodles de que nós gostamos. Parecia faltar sempre qualquer coisa em termos de sabor. Nunca consegui descobrir o quê e as receitas foram-se acumulando, pontas de esperança de que, um dia, haveria noodles decentes a sair da minha cozinha.

Há uns dias, entre umas horas de estudo e outras de sono, quando não havia nada descongelado nem grande vontade de sair de casa, resolvi experimentar outra vez. Fui buscar uma receita ao monte, uma para a qual eu tinha quase todos os ingredientes em casa, e fui para a cozinha.

Noodles & vaca

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Noodles com carne de vaca e ervilhas de quebrar
(adaptado daqui)

Ingredientes (2 pessoas)

  • 300g  carne de vaca cortada em tiras (eu descongelei dois bifes grossos e cortei-os)
  • 300g noodles
  • 300g ervilhas de quebrar
  • 3 colheres sopa molho de soja
  • 3 colheres sopa sake (não tinha, usei vinho branco)
  • 2 colheres sopa molho de chilli doce
  • 1 colher sopa açúcar
  • 1 colher sopa amido de milho
  • 1 colher sopa óleo de sésamo
  • 2 colheres sopa óleo vegetal
  • 3 dentes de alho finamente picados
  • 220ml caldo de legumes
  • cebolinho (ou rebentos de cebola)

Comece por cortar o bife em tiras largas. Numa vasilha, misture 1 colher sopa de cada de molho de soja, vinho branco e molho de chilli doce. Junte o açúcar e bata com um batedor de varas até dissolver. Adicione então o amido de milho e bata mais um pouco, até ter uma mistura homogénea. Por fim o óleo de sésamo e o bife, que deverá ficar a marinar durante 20 minutos. No fim destes, escorra e descarte o resto da marinada.

Coza os noodles em água a ferver durante 1 minuto. Escorra e reserve.

Numa frigideira ou num wok aqueça 1 colher de sopa de óleo e frite o alho ligeiramente, até começar a sentir o seu cheiro. Junte o bife e resista à tentação de lhe mexer, inicialmente: se não lhe mexer ele vai caramelizar ligeiramente e ficar muito mais saboroso. Vire então e deixe caramelizar do outro lado. Transfira para um prato e reserve.

Ponha mais uma colher de sopa de óleo no wok e frite ligeiramente as ervilhas de quebrar, que previamente arranjou e partiu ao meio. Acrescente 100ml de caldo de legumes, reduza para lume brando e cozinhe um pouco – não muito, que as ervilhas de quebrar cozem depressa. Transfira-as para o prato da carne.

Adicione o caldo restante ao wok quente, juntamente com as 2 colheres de molho de soja e de vinho branco e deixe ferver em lume alto. Adicione os noodles e cozinhe até que o líquido tenha praticamente evaporado e a massa esteja coberta com um molho espesso. Devolva a carne e as ervilhas ao wok, envolva tudo e deixe cozinhar mais uns segundos, para que os sabores apurem. Sirva polvilhado com o cebolinho ou rebentos de cebola finamente picados.

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E desta vez ficaram bons. A carne estava muito macia, com aquele sabor ligeiramente doce da caramelização. Os noodles cozeram um bocadinho demais e estavam um pouco moles, mas cheios de sabor. E as ervilhas de quebrar, ainda ligeiramente crocantes, contrastaram na perfeição com os sabores mais ricos do resto do prato.

Parece que, afinal, saem noodles decentes da minha cozinha. Esperemos que não tenha sido uma vez sem exemplo.

(hoje a cozinha não abre)

Perdoem-me a falta do 4 por 6 de hoje. Perdoem-me a falta de notícias da semana passada, que se vai prolongar por mais esta. É semana de frequências e as minhas obrigações, por estes dias, são lá do outro lado.

pão e circo

Bem, não exactamente. É mais pão e sopa. Mas pão daquele quentinho, mesmo a sair do forno.

Foi este o nosso jantar, um dia desta semana. No dia anterior tinha ido remover um sinal, cirurgia rápida e simples mas que me obrigou a ficar em casa no dia seguinte. E a não fazer esforços, por causa dos pontos. Por isso os cozinhados complicados estavam proibidos. As horas de pé, na cozinha, também (o sinal era na barriga). Resolvi o “problema” de forma rápida e simples.

O pão é o do costume. Nós gostamos muito, faz um pão enorme (que nos dá para vários dias) e sabe deliciosamente, quentinho e barrado com manteiga. A sopa… bem, a sopa foi de improviso.

Depois de ver esta receita da Suzana e esta da Pipoka fiquei com vontade de as provar. Mas ontem não tinha abóbora nenhuma e só tinha um pimento – por isso qualquer uma delas estava fora de questão. Tinha, no entanto, muitos outros legumes no frigorífico e por isso resolvi improvisar.

sopa de legumes assados

Liguei o forno a 180º e assei uma beringela cortada ao meio, duas cebolas inteiras descascadas, uma cabeça de alho inteira e com a casca e um pimento vermelho, tudo regado com um fino fio de azeite. Enquanto os legumes assavam, fiz um caldo de legumes, com cenoura, alho francês, salvia seca e sal.

Quando os legumes estavam assados, descasquei o pimento e os alhos, com uma colher retirei o miolo à beringela e coloquei tudo no copo do liquidificador. Coei o caldo, acrescentei a cenoura, o alho francês e a salvia aos outros legumes e um copo do caldo de legumes. Triturei tudo grosseiramente e passei para um tacho. Acrescentei mais caldo de legumes até ficar com a consistência que eu queria, temperei com sal e deixei no mínimo, durante 30-40 minutos.

Servi polvilhado de alho assado desidratado e com um fio de azeite.

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A sopa tinha um sabor forte e fez um excelente contraste com o pão. Desse já nem é preciso falar. É mesmo daquelas receitas fáceis e que dão sempre certo. Se ainda não o experimentaram não sabem o que estão a perder. Mesmo aqueles de vocês que tenham medo de fazer pão, porque acham que não vai dar certo. Este dá. Mesmo. E amanhã de manhã fará umas excelentes torradas.

os direitos de autor

Confesso que fiquei muito chateada e um pouco envergonhada quando li este post da Ana Elisa. A princípio não parecia nada de novo – alguém tinha usado uma fotografia dela, sem pedir autorização nem sequer atribuir créditos à autora. Roubado, portanto. Nada de novo porque, infelizmente, é uma coisa que acontece todos os dias, pela internet fora. Não só nos blogs de culinária – onde há roubo de receitas e de fotografias, cópias não autorizadas, posts com receitas sem referência da proveniência, num grande desrespeito pela propriedade intelectual – mas em todo o lado. Afinal, pensa meio mundo, se está na internet é da comunidade, pode-se chegar e usar sem pensar duas vezes.

Tudo isto é grave, preocupante e muito triste. Mas, como eu disse, não é novo. Só que ao ler o post da Ana até ao fim e abrir o link dos ladrões (pode ser propriedade intelectual, mas é roubo na mesma) é que percebi que a situação era mais grave ainda. Não se tratava de um blog, como é habitual. De alguém a quem, por mais que custe, até se pode pensar dar o benefício da dúvida – há mesmo muita gente que desconhece a existência da propriedade intelectual e o facto de que o que está na internet não é “de todos”. Tratava-se da Compal, empresa portuguesa líder de mercado. E foi aqui que a vergonha surgiu. Uma empresa portuguesa, líder no seu ramo, que terá certamente um enorme departamento legal, a roubar propriedade intelectual? A roubar uma fotografia a um blog, sem pedir autorização nem atribuir direitos autorais (agora, depois do e-mail da Ana, já está lá uma referência à origem da foto, mas continuam sem pedir autorização)? É, no mínimo, escandaloso. E só tenho pena que a Ana Elisa não tenha decidido processá-los. Era o que eu teria feito.

Coisas destas acontecem, infelizmente, todos os dias. E não vamos mais longe, fiquemo-nos por aqui, por esta micro-esfera dos blogs de culinária. Todos os dias se vêem roubos de propriedade intelectual. Porque copiar uma receita no blog sem citar a fonte é roubo de propriedade intelectual. Seja tirada de um livro, de um outro blog, de um site qualquer. A receita não é vossa? Digam de onde veio. Foi apenas inspirada noutra? Digam qual. Não tem menos valor por isso. Afinal, já muito pouca coisa é verdadeiramente nova, no mundo da cozinha.

E eu acho, sinceramente, que já é altura de haver respeito pelo trabalho dos outros. De se parar com os atalhos, as vias fáceis. E de se deixar de usar a falta de informação como desculpa, numa altura em que, no mundo ocidental, só é mal informado quem quer. Ou quando convém.

4 por 6 – aquecer a alma

Não vou voltar a dizer que ando sem tempo, a correr para cá e para lá, a passar horas na biblioteca. Vocês já não devem ter paciência para me ouvir. E também não quero que pareça queixa – não é. Na verdade estou muito feliz, como já não me sentia há muito tempo. E não me chateiam nada as horas na biblioteca, os livros pesados, a falta de tempo. Era exactamente o que eu queria.

Mas as consequências da falta de tempo de que não vou falar, não as sinto apenas eu. O blog tem sofrido com isso. Eu tenho pena, mas vou fazendo o que posso. E o cansaço já começa a ser menos, à medida que o corpo se ajusta, e por isso eu sei que o Caos vai continuar.

4por6

Esta semana foi o 4 por 6 a sofrer. Não houve tempo, simplesmente não houve. E como não quis estar a inventar qualquer coisa à pressa, sem rigor, resolvi ir ao arquivo, repescar uma receita já publicada. Não era o que eu queria, mas é o que eu posso. Mas não se preocupem, que escolhi a dedo. É uma receita que aparece muitas vezes cá em casa, que faço com muito gosto e que nos deixa sempre felizes – o arroz de atum que nos aquece a alma.

Arroz de atum

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Arroz de atum

  • 3 latas de atum natural
  • 220g arroz
  • 200g ervilhas congeladas
  • 300g cenoura
  • 150g polpa de tomate
  • 1 cebola grande
  • 4 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • sal

Comece por fazer um refogado (ou um estrugido, como dizemos cá pelo Norte) com a cebola e o alho, bem picadinhos, e um pouco de azeite. Acrescente a cenoura cortada em cubos pequenos e frite mais um pouco. Quando a cebola estiver bem dourada (cuidado para não queimar o alho!), adicione ao tacho as ervilhas congeladas e a folha de louro. Deixe cozinhar um pouco, destapado.

Escorra o atum e parta-o em pedaços médios. Acrescente-o ao tacho, juntamente com o arroz, e deixe fritar ligeiramente, mexendo de vez em quando. Adicione então a polpa de tomate e a água – o dobro do arroz (em volume: 2 canecas de água para 1 de arroz). Mexa bem, acrescente sal, prove e deixe cozinhar, com a tampa, em fogo baixo.

Se quiser, uns minutos antes de o arroz estar pronto, acrescente uns ovos por cima, para que escalfem no vapor restante.

Sirva só assim ou, se quiser, com uma salada fresca, de tempero leve (ainda há espaço no orçamento para os ovos ou a salada).

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Este arroz é das nossas comidas favoritas. Quando estamos cansados ou a cabeça não consegue pensar em nada para o jantar, a resposta do Zé à pergunta: “Então, que te apetece?” é, quase sempre, “Arroz de atum”. Além de prático, fácil e de só sujar um tacho, é uma refeição completa, com proteína, hidratos de carbono e legumes. Nós não costumamos acrescentar os ovos, porque o Zé não gosta muito.

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Para a sobremesa, um mimo doce, também rápido. A receita encontrei-a num daqueles livros da Vaqueiro, em leque. Achei-a muito interessante e resolvi testar. Não me arrependi!

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Madeleines cappuccino

(“Finger Food”, Saberes e Sabores)

  • 125g açúcar amarelo
  • 100g margarina, mais um pouco para untar a forma
  • 3 ovos
  • 1 saqueta de mistura para cappuccino (usei Café de Vienna, da Nestlé)
  • 150g farinha

Ligue o forno a 190ºC. Unte as formas de madeleines com margarina (se não tiver formas de madeleines, faça pequenos muffins)

Deite o açúcar numa taça, junte a margarina cortada em pedaços e bata com a batedeira até obter um creme. Acrescente as gemas e continue a bater.

Bata as claras em castelo bem firme.

Adicione a mistura para cappuccino à farinha e junte ao creme preparado, alternando com as claras em castelo, misturando sem bater.

Distribua a massa pelas formas e leve ao forno cerca de 15 minutos.

Retire do forno, desenforme e deixe arrefecer sobre uma rede.

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As madeleines são bolinhos fofos e muito saborosos. Para a sobremesa uma ou duas são mais do que suficientes, com a vantagem de que ainda fica com algumas para o pequeno-almoço do dia seguinte.

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As contas:

4 por 6 - 26 out 2009

O ritmo das semanas repete-se. Poucas horas para tanta coisa, muito cansaço para tão pouca vontade de cozinhar. Mas a cozinha é terapia, pelo menos para mim. E já aconteceu muitas vezes pensar fazer algo tão simples como umas torradas esfregadas com alho, cobertas de tomate maduro e regadas a bom azeite e pronto, está o jantar feito, e dar por mim no meio de várias panelas, sertãs e coisas semi-cozinhadas. As mãos e os ingredientes levam-me, às vezes, e no meio deles consigo desligar.

Mas mesmo sendo terapia, nunca há tempo, paciência ou energia para grandes aventuras culinárias, durante a semana. As coisas simples, que se fazem depressa, de preferência com intervalos para mais umas linhas de estudo ou mais uns exercícios, são a salvação dos jantares.

Não sei como é que esta receita nunca veio aqui parar. Acho que pensei várias vezes nela, mas achei sempre que não daria uma boa fotografia. E que era, talvez, um pouco desinteressante. Mas depois de a ter feito três vezes em três semanas, de me ter sabido sempre tão bem e de se fazer tão depressa, achei que não podia continuar a deixá-la fora do Caos.

Não é novidade para quem me lê que nós por cá gostamos muito de comidas bem temperadas. E durante uns anos comprámos daqueles kits de comida mexicana, uns para burritos e outros para fajitas. Eram bons, traziam os temperos todos e eram fáceis. Quantos jantares de burritos fizemos com os amigos! O divertido que era estarmos todos à volta da mesa a tentar enrolar a tortilla sem que a carne fugisse, o tomate caísse e o molho nos ensopasse os dedos.

Entretanto passou-nos. Mas a comida mexicana continua a apetecer cá por casa. Os kits nunca mais comprámos (embora eu deva dizer que acho que nunca serei capaz de fazer um tempero para burrito tão bom como o deles), mas as fajitas continuam a aparecer à nossa mesa. Daqui e dali, de uma receita e de outra, construí o meu tempero e agora faço-as eu, sem kit nem pacote. Só as tortillas é que continuam a ser das compradas, que não há máquina nem paciência para as abrir tão fininhas.

Fajitas

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Fajitas de frango
(para 2 pessoas)

  • 2 bifes de frango
  • 1 pimento vermelho
  • 1 cebola grande
  • 1 colher chá de paprika
  • 1 colher chá de cominhos
  • ½ colher chá de piri-piri em pó (ou mais, se quiser)
  • 1 colher chá de orégãos
  • sumo de 1 limão
  • sal

Para servir:

  • 6 tortillas
  • queijo ralado (eu prefiro mozzarella)

Comece por cortar o frango em tiras finas e compridas. Coloque num recipiente, regue com o sumo do limão e adicione as especiarias e sal. Misture tudo muito bem, para que todos os pedaços de frango tenham uma leve capa de especiarias e deixe marinar umas horas (pode deixar de um dia para o outro; eu, em desespero de causa, deixo marinar 30 minutos).

Corte o pimento em tiras finas e a cebola em gomos. Numa frigideira larga, aqueça um generoso fio de azeite e frite ligeiramente cebola e pimento, até que comecem a ficar um pouco moles e a cebola se mostre dourada. Retire para um prato e reserve.

Acrescente um bocadinho mais de azeite à frigideira e frite as tiras de frango, cerca de 1 minuto de cada lado. Junte a cebola e o pimento reservados, uma pitada de sal e mexa bem. Acrescente um pouco de água, de forma a fazer algum molho, mas mesmo só um bocadinho. Deixe cozinhar mais uns minutos (tendo o cuidado de não cozinhar demasiado o frango, para que não fique seco), acerte o sal se necessário e retire para um recipiente.

As tortillas devem apenas ser aquecidas. Costumo empilhar as seis e levar 1 minuto ao microondas.

Para comer, coloca-se a tortilla no prato, por cima um pouco da mistura de frango, pimento e cebola, polvilha-se com o queijo ralado e dobra-se a tortilla – mais ou menos como mostra o Jack.

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Em menos de nada está o jantar pronto. E é uma refeição completa. Costumo acompanhar com uma salada, que vamos petiscando entre trincas e malabarismos para não deixar que a fajita se desmanche.

Às vezes o meu frigorífico é um armário de restinhos: um bocadinho de um queijo, umas nozes soltas, uma mão cheia de massa de pão. E esses restinhos às vezes não chegam para mais nada e pedem uso e olham-me dos seus cantos, de cada vez que abro o frigorífico. Mas um restinho, dois restinhos, três restinhos juntam-se e fazem um restão, grande e saboroso, que chega para uma refeição. Para um almoço rápido, um lanche elaborado, um jantar leve. Para deixar feliz a barriga e feliz a consciência, por não ter deitado nada fora.

E foi assim que, no outro dia, abri a porta do frigorífico e me deparei com um pedaço da massa de pizza da Hannah, que é aquela que tenho feito ultimamente. Era um pedaço pequeno, que não chegava para uma pizza. (Ou chegava para uma pequenina, mas apeteceu-me variar). Ao lado, umas folhas de rúcula, sozinhas e que, essas sim, não chegavam para uma salada. Umas azeitonas pretas, umas nozes, um naco de queijo, um cheddar suave. Agarrei neles todos e deitei mãos à obra.

pão recheado II

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Pão recheado

Massa de pizza

  • 3 ¾ medidas de farinha
  • 1 colher chá de fermento biológico seco
  • 1 colher chá de sal fino
  • 2 colheres sopa de azeite
  • 1 ½ medidas de água morna (quase fria)

Um bocadinho desta massa, do tamanho de uma laranja. Abri-a bem fininha, numa superfície enfarinhada, numa forma mais ou menos oval. Por cima, o queijo ralado grosso, as azeitonas e as nozes picadas, a rúcula, um fio de azeite, uma pitada de sal e umas folhas de manjericão, rasgadas à mão. Enrolei sem apertar e deixei levedar meia hora, para que a massa ficasse com mais ar.

pão recheado

Pincelei com azeite, dei-lhe umas tesouradas e assei depois em forno pré-aquecido a 200ºC, sobre um tabuleiro de forno também pré-aquecido, até estar inchado e dourado.

Retirei e deixei aquecer sobre uma grade. Depois fatiei e comi. E comi. E comi mais um bocadinho.

pão recheado III

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Estava bom. Muito bom. Aqueles ingredientes desgarrados, com ar de coitadinhos dentro do meu frigorífico mostraram toda a sua gratidão dentro do punhado de massa de pão. E agora agradeço-lhes eu, pela refeição.

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