Dos sabores que por aqui se aprendem
Maio 6, 2008 por Mariana
Hoje gosto de cuscuz. Mas antes não gostava. Não que ao longo da minha vida tenha comido muito cuscuz. Na verdade, é uma descoberta recente. Em casa dos meus pais nunca o comi. Portanto o cuscuz entrou na minha vida desde que saí de casa e comecei a explorar mais profundamente o universo dos alimentos estranhos. Estranhos porque diferentes, porque desconhecidos. E o cuscuz dentre eles.
Mas dizia eu que não gostava de cuscuz. E acho que era por culpa de não ter aprendido a gostar. Eu acho que os sabores se aprendem e se um sabor novo e diferente entra na nossa boca é preciso ensinar ao cérebro que aquilo é bom. Porque só podemos reconhecer como bom algo que já provámos antes. Ou que seja parecido com algo já provado antes. Senão o cérebro fica, como nós, como a boca, perdido na descoberta da novidade.
À medida que fui descobrindo o cuscuz, então, fui começando a gostar. Claro que ao mesmo tempo fui aprendendo a temperá-lo, a dar-lhe mais sabor e a combiná-lo melhor. O Zé ainda hoje não gosta. E da última vez que fiz cuscuz para os dois, resolvi nunca mais o fazer para ele. Brincou com a colher, empurrou daqui, empurrou dali, bebeu para engolir melhor - enfim, ele claramente não gosta. E depois de três tentativas, acho que chega de tortura. Fica o cuscuz só para mim.
Por ser tão rápido e versátil, costumo fazê-lo para o meu almoço. E normalmente faço a dobrar - isto é, dose para dois. Assim no dia seguinte já tenho almoço. E o cuscuz funciona lindamente quente ou frio, com sabores diferentes conforme a temperatura a que é comido. O cuscuz presta-se a tudo o que está no frigorífico. A minha versão do momento é sempre parecida, mas isso é tanto por falta de imaginação da minha gaveta dos legumes como por ter gostado tanto da combinação de sabores.
Na chaleira, pus água a aquecer. Numa frigideira salteei, num fio de azeite, alho picado. Juntei courgette e cenoura às meias-luas finas e um alho francês em fatias. Às vezes junto espinafres, também. E podem ser mesmo os congelados. Quando os legumes já estão ligeiramente macios, junto um pouco da água quente da chaleira. Tempero com sal, alecrim e menta frescos, picados. Numa tigela ao lado, já está uma medida de cuscuz numa medida de água a ferver. Volto aos legumes. Mexo ligeiramente, junto mais água se for preciso, acerto os temperos. Enquanto cozem, faço o molho: azeite (a olho e a gosto), sumo de um limão, mais menta fresca picada. Mexo vigorosamente, até estar ligeiramente emulsionado. Separam-se os grãos de cuscuz com um garfo e juntam-se os legumes. Nesta altura, juntei também umas 5 ou 6 azeitonas pretas cortadas em pedacinhos. Mistura-se tudo muito bem. Junta-se o molho e mistura-se muito bem outra vez. Está pronto! Divide-se em duas doses e come-se. À colher, que é como sabe melhor!
A outra dose, depois de fria, é guardada no frigorífico para o almoço do dia seguinte. Em que sabe tão bem como quente, senão mesmo melhor. Confesso-me, ainda, dividida!
Eu sei que o alecrim não é propriamente a erva típica do cuscuz. Mas é a minha erva-fetiche do momento, por isso vai alecrim em quase tudo. A verdade é que nesta combinação ficou delicioso e portanto é repetido.


Que blog com layout maravilhoso, parabéns pelo capricho, muito limpo e postagens completas, parabéns!
Mauricio Tocci
http://melhordaozinha.blogspot.com
Que layout maravilhoso do blog: visual limpo e direto.
As postagens estão também bem completas.
Parabéns e beijos
Concordo com você que temos que ‘ensinar o cériebro que tal alimento é bom’, pois senão, não conseguimos sair da rotina, e nos privamos de conhecer outras ‘misturas’, temperos, apresentações, sabores, aromas…
Este seu cuscuz deve ter ficado muito bom….tb gosto de alecrim!
Beijinhos,
É isso aí, nada como experimentar e dar asas à imaginação gastronômica.
O que mais gosto quando cozinho é poder dar asas à imaginação. Cuscuz com alecrim não me parece nada mal.
Costumo fazer o cuscuz com chá.