Eu sei que o São Valentim já foi há muito tempo. Mas como acho que o amor deve ser celebrado não só nesses dias, acho que qualquer dia pode ser, também, desculpa para um jantar especial. E resolvi, então, que ainda ia a tempo de partilhar esta receita convosco!
Sempre fui uma desgraça a dar títulos a fosse o que fosse. Às minhas composições nos tempos de escola, aos poemas nos tempos de adolescente, aos trabalhos nos tempos de faculdade. O título era sempre a última coisa e sempre a mais difícil. Raras eram as vezes em que surgia do nada, como por artes mágicas, encaixando como uma luva ao que ali se escrevia. Menos raras eram as vezes em que o título dava mais trabalho do que tudo o resto – trabalho, poema, composição. Sempre que podia, ficava sem título. Pena é que normalmente não podia…
Mas este era um jantar especial – e um jantar destes pede um título. E aqui ando eu, a escrever e re-escrever este post, à espera que faça mais sentido, e à espera que um título surja magicamente, a piscar, cheio de luzinhas coloridas, na minha cabeça. Enquanto não surge, escrevo, apago, re-escrevo, apago. Suspiro.
Gostava de dar nomes aos pratos como a Jenna dava às suas tortas, no filme Waitress. Este frango podia chamar-se “Frango entre o corredor da fruta e o dos detergentes” ou “Frango quero estrangular a senhora da charcutaria que está na conversa em vez de me atender”. Porque este foi um prato desenhado enquanto andava pelo supermercado, às compras. Misturei A com B, juntei C e depois tirei, porque achei que não resultava. Queijo não, o Zé não ia gostar. Nozes podia ser, mas não há. Telefono à mãe: mãe, ainda tens nozes? Posso ir roubar-te algumas? Garantidas as nozes, que mais usar? Há lá cogumelos, iam bem… E com arroz? Não, não me parece… Legumes salteados? Podia ser… Dá mais trabalho, não sei se tenho tempo. Aquelas batatas da Aninhas é que iam bem. É isso, batatas! Quando fui para a cozinha sabia exactamente o que queria fazer. Foi como seguir uma receita que soubesse de memória.

.
Frango desesperado por um nome
Ingredientes (para 2 pessoas)
- 2 peitos de frango (ou bifes)
- 4 cogumelos grandes
- um punhado de nozes partidas em pedaços
- 8 fatias de bacon, fininhas
- azeite
- sal
Dentro de um saco de plástico (truque que aprendi, há muitos anos, com a Ana Maria Braga) bati os peitos de frango até os deixar bem fininhos (mas sem buracos e sem ameaçar desfazerem-se). Numa frigideira com um fiozinho de azeite, salteei os cogumelos partidos em bocados pequeninos. Quando já estavam relativamente cozinhados, acrescentei as nozes e uma pitada de sal. Recheei os peitos de frango batidos com esta mistura e enrolei-os, apertando bem. Enrolei os peitos de frango nas tiras de bacon e coloquei-os numa travessa de ir ao forno, com a “abertura” virada para baixo. Levei-os ao forno, a 160ºC, até que o frango estivesse cozinhado, mas sem deixar que ficasse seco (coisa que pode acontecer muito facilmente quando se cozinha o peito).
.
Servi acompanhado de batatinhas, que cozi levemente (deixando-as ainda duras), com a casca, e levei depois ao forno, numa cama de azeite e alho picado, e com salada de rúcula e tomates-cereja.
Ficou um prato muito saboroso, com uma mistura de sabores muito interessante. Para além disso, é relativamente fácil e rápido e pode ser preparado com antecedência – guardando-se as trouxinhas no frigorífico, já prontas e na travessa. As próprias batatas podem ser cozidas com antecedência e ir ao forno com o frango (mas menos tempo, uma vez que ficam prontas mais rapidamente). Com a minha actual paixão pelo alecrim, acredito que, quando repetir este prato, irei acrescentar alecrim ao recheio. Acho que o resultado será ainda mais perfumado.
.
.
Queria aproveitar para agradecer as 100.000 visitas que o blog teve, durante o seu 1 ano e 2 meses de vida. É muito bom saber que há quem perca algum do seu tempo a ler aquilo que nós fazemos – e que gosta o suficiente para voltar. Obrigada! E boa semana!





Que prato bonito, me deu agua na boca!
Vi esse filme num avião quando regressava dos EUA.
Adorei!
Eu chamaria-lhe de “Involtini de frango com bacon”…
Beijinhos.
Adorei a sua receita, agora nome é complicado hehehe que tal moda à Mariana?!
Bjs
Humm que apetitosa combinação de sabores!
Ainda para mais, com batatinhas “à lagareiro” a acompanhar
)!
“Frango com Nuts & Marshmallows”
Tks
Celebrar o amor todos os dias, devia ser um lema a seguir, assim à mesa, e com uma receita pensada e confeccionada especialmente para agradar só pode resultar em amor eterno.
È assim que espero que resulte com o casal à mesa degustanto este prato-sem-nome.
Bj
Não estou vendo nenhum caos em sua cozinha!!!rsss….
Adorei o blog!! Vou adicionar este lindo caos à minha cozinha bagunçada!!rs…
Bjs!
“Frango quero estrangular a senhora da charcutaria que está na conversa em vez de me atender” — ha ha ha ha!
Adorei, Mariana!
Nao so o titulo, como o texto e a receita, eh claro!
Bem fez, pois todo dia eh dia de comemorar. Eu que detesto qualquer tipo de convenção e limitação, celebro fora de datas como voce.
um beijo,
Pois eu é a primeira vez que por aqui passo e vou voltar mais vezes, pois gostei muito do que vi! A receita do “frango desesperado” parece deliciosa!! Hei-de experimentar um dia destes. Beijos e boa semana!
Aqui em casa celebramos a vida, não é preciso motivo para brindarmos e reunirmos. Sempre preparo o que um ou outro gosta porque aquele dia é o seu dia. Isso tudo é muito bom.
O seu frango parece estar deseperado só para receber um nome porque ele me parece bastante comportado e apetitoso.
Bjs!