A esta hora estou eu no ar, algures sobre o Atlântico. Mas não podia deixar passar o meu primeiro desafio como Daring Baker em branco! A data da publicação é hoje e como tal deixei o blog literalmente em piloto automático para vos contar, em diferido, a minha aventura.
O desafio deste mês, escolhido pela Meetak e pelo Tony Tahhan, foram os éclairs do Pierre Hermé (a receita está nos blogs deles). Se, à primeira vista, os éclairs não me assustaram muito, o facto de a receita ser do Pierre Hermé já me deixou mais insegura.

Deixei tudo para a última. Como os éclairs são dos bolos favoritos da minha mãe, resolvi fazê-los para o jantar da véspera da nossa viagem. Ou seja, tinha apenas uma hipótese. Se corresse mal, não haveria segunda tentativa.
As coisas começaram a correr relativamente bem. A massa portou-se muito bem até ao momento em que passei para o saco de pasteleiro. Ora eu e o saco de pasteleiro somos conhecidos recentes. Ainda não somos amigos, ainda andamos a medir os limites um do outro. E ele tem a irritante mania de pisar os meus calos. Sem paninhos quentes, posso dizer que os meus pipping skills, como lhes chamam os americanos, são uma verdadeira desgraça. Quando acabo há normalmente massa por todo o lado e o saco está atirado, furiosamente, para dentro da banca. Desta vez foi mais ou menos assim. Acho que até no cabelo tinha massa! Eu tinha decidido fazer dois tipos de éclairs – uns com recheio de chantilly, outros com recheio de creme pasteleiro de chocolate. Assim, fiz uns com forma tradicional de éclair e outros redondinhos. Os redondinhos foram moldados à colher, porque nessa altura já eu me tinha rendido à minha incompetência.
Mal os pus no forno, sentei-me no chão a olhar para eles. Tinha a certeza de que não iam crescer. Quando vi umas bolhas fiquei felicíssima! Fiquei os 20 minutos sentada no chão a olhar para o forno. Estavam tão bonitos! Claro que no fim, cá fora, muitos deles murcharam. Mas não ia ser isso que me ia desanimar!
O passo seguinte era tirar os éclairs do tabuleiro. Ora quando comecei a descolá-los do papel vegetal, percebi que nenhum deles tinha fundo. Quer dizer, ter até tinham: uma finíssima camada de massa, irremediavelmente colada ao papel vegetal. E agora? Agora é fácil: cada dois éclairs tornaram-se um! Como até tinham murchado e tudo não iam ficar assim tão monstruosos. Isto, confesso, já me desanimou um bocadinho…
Mas sigo para bingo. Faço o creme de pasteleiro de chocolate (que era delicioso e bastante fácil) e o glacê de chocolate (mais chato de fazer mas também fácil). A montagem pediu novamente competências de que não sou muito dotada: barrar os éclairs com o glacê não foi fácil. Já recheá-los foi de caras! Qual saco de pasteleiro qual quê, nada que duas boas colheres não resolvam! Afinal, até ia ficar escondido lá dentro, não precisava de estar assim lindo… O chantilly foi igualmente fácil, desde que se recorra ao truque de pôr as natas 10 minutos no congelador.

Uma das coisas mais interessantes destes desafios é a liberdade criativa que nos dão. Aqui tinhamos de usar chocolate pelo menos uma vez (no recheio ou na cobertura) e tudo o resto era livre. Eu resolvi manter os recheios simples, sobretudo por falta de tempo. Mas para dar um toque diferente, cobri os de chantilly com toranja cristalizada que tinha feito na semana anterior e os de chocolate com pistachios salgados picados.
Os éclairs foram levados para casa dos meus pais e comidos à sobremesa. Felizmente, apesar de feios, agradaram muito. Visualmente os pistachios resultaram melhor, mas o sabor praticamente não se notava. Já a toranja agradou apenas à minha mãe (que era o objectivo, já que os de chantilly eram para ela), que adorou o contraste. Eu gostei muito da leveza da massa. E preferi os recheados com chantilly, cuja delicadeza contrastou com o sabor forte do chocolate na cobertura. Os outros eram bons mas bem mais enjoativos.
E foi com uma enorme dor de costas que acabei o meu primeiro desafio. Aprendi bastante e fiz coisas que nunca tinha feito. No fim das contas, foi uma experiência positiva.

Moral da história: as Daring Bakers não se chamam assim só porque é giro. Felizmente, às vezes não é preciso estarem bonitos para serem deliciosos. Mas pelo sim pelo não, vou mas é trazer dois silpats dos states para a próxima vez! Sim, porque ao meu protesto de ter demorado três horas a fazê-los replica logo a minha mãe: “não me digas que não vais fazer outra vez!!” Bom sinal!





Mariana, se não tivesse comentado os percalços pelo caminho, não saberíamos nem deduziríamos, pois estão lindos!
Adoro estes desafios de prepararmos algo que nunca fizemos, mesmo que aconteçam momentos de desespero!
Se o resultado fica bom, os maus momentos se esvaem…
Fui lá ver a receita, mas eles ainda não a colocaram (acho que é por conta do feriado nos EUA…) Depois vou ver…
Super parabéns, viu!
Beijinhos
estão emsmo lindos…concordo com a Laurinha…
e eu prefiro sim os recheados com chantilly…hummm
vou xeretar a receita!bjs
Que grandes aventuras! Mas ficaram muito bonitos! Boas férias!
Mariana, você tem que faz jus ao nome do Blog! Brincadeiras a parte, parabéns pelo resultado final! Nunca me arrisquei em fazer Daring Bakers, quem sabe um dia…
Bjos, Glau
Mas ficaram com belíssimo aspecto e deixaram-me de água na boca!
Boa viagem e boas férias!!
Só pelo facto de arriscares fazer tal delícia merece parabéns, mas também não entendo a questão do aspecto, estão tão bonitos! Não há nenhum truque para descolar os eclairs?
Ainda bem que não sou a única que se senta em frente ao forno
Parabéns pela criatividade e por não ter desanimado, no final o resultado compensou ficaram lindinhos e com uma carinha de quero mais.
Bjs!
Mariana, bem isso é que foi uma verdadeira aventura na cozinha… Mas concordo com as meninas, se não soubessemos dos precalços nunca iríamos imaginar pois o aspecto final está fantástico.
E fiquei tão mas tão contente por saber que não sou a única tontinha a sentar-se em frente ao forno
Olha, faz boa viagem aos States e vem de lá com muitas novidades e coisas boas sim? Eu que gostava tanto de ir lá e tu não me levaste
Beijinhos grandes
Nossa, Mari… Nem acredito que faz tanto tempo que não passo por aqui! O blog tá delicioso como sempre…
Ouvi falar sobre esse desafio no blog do Vitor Hugo, o Prato Fundo. Parece que com ele foi a mesma dificuldade! Não com o saco de confeitar (que eu também sou um desastre), mas com a própria receita… Parece que ela tem alguns problemas, depois dê uma olhada lá.
Beijinhos!
Ai as aventuras da massa choux!! Mariana, ainda bem que continuaste apesar dos ataques do ’saco malvado’, pois ficaram muito bonitos. Votos de óptimas férias por terras do tio Sam.
Bj
Gostei de te ver no chucrute com salsicha e que bem animada estavas… boas férias e diverte-te.
Quanto aos éclairs (peripécias à parte) estão magníficos.
Bjs
Passa no meu blog http://artesideias.blogspot.com/ deixei lá um premo para ti
Beijokas
Adorei seu blog, achei no Portal, as fotos e as receitas estão bem lindas e apetitosas..
Adorei conhecer o ser blog, vim atraves do portal, parabéns pelas fotos e receitas apetitosas
A única coisa doce que entra no meu blog …
Bom dia, Mariana.
Vim aqui deixar um beijinho, dizer-te que acompanho sempre o teu blog, embora não comente muito. Vim também avisar que deixei um miminho para ti lá na minha casinha da blogoesfera.
Um abraço.
Susana B
Oi!
Achei esse blog na lista do Para Cozinhar.
Muito legal, já adicionei nos meus favoritos.
Abraço
Chef Daniel
Pela primeira vez as minhas bolacha Maria de chocolate não me estão a satisfazer totalmente. E os eclair que nem são dos meus bolos preferidos!