Quando decidimos ir passar o ano a Londres (assim muito em cima do joelho, um mês antes, mais coisa menos coisa) surgiu logo o problema: e onde vamos jantar? Lembrei-me de espreitar o site do Fifteen, já a esperar que fosse estupidamente caro e que a coisa ficasse por ali. Mas não era. E se jantássemos no primeiro turno (entre as 18h e as 19h30) era ainda mais barato. Conversámos, ligámos, marcámos. E esperámos ansiosamente.
Encontrámos o sítio facilmente. Chegámos lá e sentaram-nos num sítio agradável e fora do centro da sala, o que fez com que me sentisse mais à vontade para tirar fotografias. Serviram-nos logo uma flute de Prosecco e uma tábua de frios: focaccia com alecrim, azeite para mergulhar, azeitonas italianas e salame artesanal. O menu era fixo, com 4 escolhas para cada prato, todas elas muito chamativas.
Começámos pelo canapé que é assinatura da casa: um scallop (que é primo da vieira, mas não é bem a mesma coisa) crudo, curado em lima, com romã, côco, gengibre e shiso cress (não encontrei a tradução, mas é uma erva rasteira). Era muito saboroso quando todos estes sabores se misturavam na boca. E era o verdadeiro amuse bouche, servido numa colher e saboreado de uma só vez.
Insalate: Daqui eu passei à mozzarella de búfala com clementinas, presunto de Parma, balsâmico e mais umas folhas verdes sem tradução. A conjugação dos sabores era interessante, mas nada de transcendental.

Os meninos comeram polenta com caranguejo, funcho e aioli de caranguejo, e carpaccio de veado com pickles de chanterelles, tomilho, rúcula, parmesão e azeite.
Primi: Eu e o Zé comemos um delicioso gnocchi com ragu de cordeiro, gremolata de alecrim e lascas de parmesão que estava perfeito. O Jorge comeu tagliatelle de massa fresca com lagostins escoceses, anchovas, chilli, alho, vinho branco e bottarga di muggine (que são ovas de peixe curadas) e segundo ele também estava perfeito.
Secondi: Eu continuei com alabote pescado à linha no Atlântico, frito, servido com puré de abóbora, bróculos roxos, pancetta crocante e molho de chilli-balsâmico. Era agradável mas nada de extraordinário, mais uma vez. O puré combinava muito bem com o peixe e a pancetta dava um toque salgado e crocante interessante.

Os meninos foram os dois para Brasata al Bresaola – perna de vaca escocesa cozinhada durante 8 horas em vinho tinto e especiarias, servido com puré de aipo trufado, espinafres e molho verde. A carne estava deliciosa, a desfazer-se no prato e na boca.
Dolci: mais um restaurante que se redime na sobremesa. Nada até aqui era mau, mas nada era verdadeiramente surpreendente. Mas a minha sobremesa foi. Escolhi panna cotta com gelatina de ruibarbo, acompanhada de ruibarbo escaldado em champanhe e biscotti de pistachio e passas. Eu nunca tinha provado ruibarbo e andava doida para experimentar. Foi a oportunidade perfeita e não desiludiu: o amargo do ruibarbo com o doce da panna cotta fizeram desta uma das melhores sobremesas que já comi.

Os rapazes escolheram semifreddo de chocolate negro com pêras sicilianas escaldadas em vinho e uma espécie de biscoito marmoreado (marbled shortbread). Era uma sobremesa agradável mas um pouco densa e forte demais.
Acompanhámos tudo isto com um vinho toscano de Montalcino, que não era o Brunello mas era, segundo o somelier, o irmão mais novo dele. Era muito, muito bom. Nós andamos a ficar mal habituados com isto dos vinhos. Temos tido a incrível sorte de provar vinhos maravilhosos (como um Quinta da Leda na véspera de Natal e um Barca Velha no dia de Natal) e isso faz com que seja mais difícil gostar de vinhos menos bons.
Concluindo: o Fifteen é um restaurante muito agradável, com duas salas muito simpáticas – o restaurante e a trattoria. Nós ficámos no restaurante, de onde se consegue ver a cozinha a funcionar. Tivemos uma empregada super simpática e o somelier que nos ajudou a escolher o vinho era igualmente simpático. A comida era muito boa e muito bem preparada, mas faltou a surpresa, o deslumbramento, o wow factor de que íamos à espera. Com o café serviram-nos os piores chocolates do mundo, uma massa de chocolate mole com pistachios e passas pelo meio, verdadeiramente desagradável. Apesar disso, valeu a pena a experiência, foi um excelente último jantar do ano, na melhor das companhias. E dali fomos a pé até ao London Eye, onde vimos rebentar os fogos, dissemos adeus ao ano velho e demos as boas vindas ao ano novo!





Olá Mariana!!!
Depois de ler o teu post não fiquei minimamente surpreendida!!
Parece-me um restaurante criado para um programa de televisão onde o Jamie Oliver faz mais uma das suas boas acções!
(http://www.mirror.co.uk/news/tm_objectid=16357445&method=full&siteid=94762&headline=jamie-oliver–the-silencer-of-the-lamb–name_page.html)...
…Muito show off e pouco trabalho….
Apesar de tudo, fico contente pela passagem de ano ter corrido bem e nos poderes relatar a tua experiência!!
Um beijinho!!!
Tenho imensa pena que o link que eu pus não fique visivel…
“Jamie Oliver: The silencer of the Lamb”…
Olá Mariana,
Costumo seguir o teu blog do qual gosto muito. No dia dos meus anos (21 Dez) estava em Londres e escolhi este mesmo restaurante pr almoçar, como marquei pouco tempo antes só consegui na trattoria, concordo com tudo o que escreveste, no meu caso a comida era boa mas não memorável, até consegui comer o pior rissoto da vida, saboroso mas completamente aguado
Beijinhos
Já que a comida não marcou pela diferença viva a pausa merecida, a viagem partilhada, as visitas aos locais apetecidos, a entrada do ano em beleza!
E a constipação foi para descansares da viagem!:)
Vês? Só coisas positivas!
Hi! Thanks for the tip, I’ll definitely try that.
…”onde o Jamie Oliver faz mais uma das suas boas acções”…
Só se fôr uma “boa acção” de marketing!
Na verdade, ambas as coisas. Marketing, claro, por razões óbvias. Mas boa acção também, felizmente. Todas as receitas do Fifteen revertem para a fundação e o Fifteen é, mesmo, um programa que funciona – e bem – e que recupera jovens com vidas complicadas e passados problemáticos e os prepara, de forma prática, para um futuro na área da restauração. Por mais que discordemos de muito do que Oliver faz e diz, também é importante reconhecer o que ele faz de bom.
Oi, Mariana, que passeio fantástico. Sabe que tenho shisso plantado aqui? (quer dizer, faz tempo que não o vejo no meio da Mata Atlântica que tem se transformado meu quintal, depois de uns dias de chuva). Beijos,
N
Muito bom ! E parabéns por fotografar ! As fotos ficaram muito boas !!
Ah! Uma daquelas folhas da salada parecem ser de beterraba precoce !! ( Estou dando uma de Neide! rsrs)
Abs.
Da próxima vez que vieres a Londres e quiseres um bom italiano, há várias opções (um bocadinho menos trendy mas mais ‘italianas’ no verdadeiro sentido da palavra). O melhor de todos é o Ciao Bella (http://www.ciaobellarestaurant.co.uk/) pirosissimo mas mesmo muito bom! Outro muito bom é o essenza, em notting hill (http://www.essenza.co.uk/) e outro muito bom e muito giro é o osteria basilico (http://www.osteriabasilico.co.uk/). Mas para comer bem em Londres, e ver que a comida tradicional inglesa afinal nem merece merece a má reputação que tem, nada como o St. Johns (http://www.stjohnrestaurant.co.uk/) ou um pub como o Holy Bush, em Camden. Podes ainda ir ao fish and chips onde vai o Oliver, o George’s Fish Bar em Notting Hill (tão feio quanto bom!), onde é muito frequente vê-lo!
Ah! E o vinho que vocês beberam era certamente um ‘Rosso di Montalcino’, em alguns casos inclusivamente melhor do que o Brunello, que tem muita fama e o preço extremamente inflacionado por causa da reputação (tal como o barolo ou o sassicaia). O Brunello não é mais do que uma variante antiga do moderno sangiovese! Este rosso é particularmente bom:
Rosso di Montalcino DOC
Sesti, Castello di Argiano 2006