Era um arroz que era para ser sopa. Havia grão-de-bico no frigorífico e ervilhas tortas vindas do mercado há poucos dias. Havia uma grande falta de vontade para cozinhar e um desejo do conforto que só a sopa dá ao estômago.

Numa panela, um fio de azeite. Refoguei uma cebola em cubos e um dente de alho bem picado. Juntei as ervilhas tortas cortadas em pedaços grosseiros. Esfarelei umas folhas secas de sálvia, acrescentei o grão. Meio litro de caldo de legumes e para tornar a sopa mais prato, um bocadinho de arroz.
Um dos meus grandes, grandes problemas na cozinha são as medidas. Acho sempre que a massa é de menos e acaba sempre por ser a mais. O arroz, não fora a medida em que o aprendi a fazer e com a qual calculo, para cima ou para baixo, a quantidade necessária, tem o mesmo destino. Não costumo pôr arroz na sopa. E o meu “a olho” deve ter vindo avariado.
A sopa tornou-se arroz malandro. Cremoso e espesso, não um risotto porque o arroz era do normal, daquele de fazer arroz branco para o Zé comer com o molho, como gosta. Mas tirando isso era quase.

O Zé, como previsto, não gostou. A mim soube-me ao que eu queria e precisava. E no dia seguinte ainda chegou para me dar almoço, impedindo aquele momento de todos os dias de eu-tenho-de-almoçar-mas-não-me-apetece-nada-cozinhar-só-para-mim. Destes improvisos que me facilitam os almoços não poderá nunca haver demasiados.





Além do gosto pelo A Noite Estrelada, tb temos em comum a mão doida para medir massas.
Lá está, no arroz uso sempre a medida que não me falha, mas nas massas, é um ai jesus que nunca sei!
Mas esta “sopinha” parece deliciosa…
Meu deus, que delícia! Há tudo que eu gosto nesse arroz! Receita anotada!