Cá em casa não comemos muita carne, mas também não comemos muito peixe. Nunca foi coisa de que gostasse muito e não me tenho esforçado para aprender a gostar. Ou para descobrir formas de o cozinhar de que goste verdadeiramente.
O meu peixe favorito não se pode comer (e não é a mesma coisa, já que não tem as qualidades do peixe fresco) e há muitas outras espécies ameaçadas, devido à super-exploração dos oceanos. Há peixes que não devemos comer, de acordo com a lista vermelha de peixes do Greenpeace. E sítios onde não devemos comprar peixe, como a maioria dos nossos super e hiper mercados, ainda segundo o Greenpeace, por não promoverem o consumo sustentável.
Posto tudo isto, o trabalho de aprender a gostar de peixe não fica nada facilitado. E se cedemos à facilidade, estamos a ser ecologicamente irresponsáveis. Mas como quero ser mãe um dia e acredito verdadeiramente que não posso exigir que as minhas crias comam algo que eu me recuse a comer, vou fazendo um esforço: por encontrar receitas, por comprar o peixe certo, no sítio certo, e por gostar. Se a receita for boa, esta última parte é fácil. Este foi o nosso jantar (receita para 2 pessoas):

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Peixe espada em molho mediterrânico
(adaptada daqui)
- 250g de peixe espada preto, cortado em bifes altos (eu pedi bifes, mandaram-me filetes…)
- 1 cebola média
- 2 dentes de alho
- 2 tomates maduros, médios
- ¼ medida de vinho tinto
- ¼ medida de água + 2 colheres sopa de concentrado de tomate
- folhas de manjericão fresco
- azeitonas pretas
- 2 malaguetas pequenas
- sal
- azeite
Numa panela de ferro, salteie, num fio de azeite, a cebola picada, até estar macia e translúcida. Junte o alho finamente picado e deixe fritar ligeiramente, sem queimar. Adicione os tomates cortados em cubos e diminua o fogo, deixando cozinhar uns 10 minutos. Junte então o vinho tinto, o concentrado de tomate dissolvido na água e as malaguetas picadas. Deixe cozinhar mais uns minutos.
Junte as azeitonas fatiadas e o manjericão cortado em tiras finas. Tempere a gosto, com sal. Coloque então o peixe na panela e envolva-o no molho. Tape a panela, baixe o fogo para o mínimo e cozinhe o peixe, 10 a 20 minutos, dependendo da grossura dos filetes (se conseguir bifes, precisará de mais tempo). Tenha o cuidado de não cozinhar demasiado o peixe.
Sirva sobre arroz branco (usei o basmati) e salpicado de manjericão fresco picado. Pode ainda servir com parmesão ralado, como sugerido na receita original.

Optei por terminar a receita no fogão, em vez de o fazer no forno, porque usei a panela de ferro, que distribui bem o calor, e porque como tinha filetes em vez de bifes, queria poder vigiá-los mais de perto, para que não cozinhassem demasiado. Não usei azeitonas, porque o Zé não gosta, mas a meio do jantar lembrei-me delas e fui picar duas ou três para acrescentar ao meu prato e elas fazem, realmente, diferença: combinam lindamente com o molho, com o peixe e acrescentam uma outra camada de sabores diferente e inesperada.
Quanto ao prato, foi aprovado cá em casa e pode aparecer mais vezes. Mas não da próxima vez, porque para essa o meu querido marido já fez saber que ou é a moqueca prometida há semanas ou há sarilho. Lá será moqueca, então.
Nota: o Luís, do blog Outras Comidas, chamou-me a atenção para o facto de o peixe da receita original não ser peixe-espada, mas sim espadarte. Eu li swordfish e a cabeça registou peixe-espada e não tive o cuidado de verificar. Peço desculpas pelo facto – e é, realmente, impossível tirar bifes do peixe-espada. Estas trocas todas tiveram, no entanto, uma vantagem: o peixe-espada preto é de pesca sustentável, o espadarte faz parte da lista vermelha. Portanto, a fazer façam-na com peixe-espada – que eu garanto que fica delicioso. Obrigada, Luís!


Pois eu gosto muito de peixe mas, confesso, não pratico um consumo muito sustentável…
Esta receita pisca-me o olho, com direito a tudo o que pede, ora então, as azeitonas devem mesmo fazer diferença!
Tb gosto muito de moqueca e já não faço há tempos!
Venha ela.
estive a ler os links que deixaste e confesso que enbora tivesse conhecimento da situação do bacalhau, descolnhecia por completo que tantos outros peixes que consumo regularmente se encontram na lista vermelha.
Espadarte, peixe espada, linguado salmão pescada tamboril…
É, de facto, preocupante.
Mais uma vez, obrigada pelo alerta.
Gasparzinha, o peixe espada da lista vermelha é o peixe espada branco. O peixe espada preto, desde que comprado de boa fonte, pode ser consumido.
O peixe espada preto é mais raro de encontrar no continente.
Na Madeira é o peixe mais vulgar.
Eu nunca tinha ouvido falar de bife de peixe espada, sempre ouvi “filete” ou “posta”.
E em relação a gostar de peixe… Como de tudo, adoro peixe ou não fosse neta de pescador.
Ah, e sou capaz de comer peixe cru como quem come amendoins.
Mariana,
gostei da sugestão para o peixe-espada, pois é um daqueles peixes que só sei confeccionar grelhado. É bom poder variar.
Beijinhos.
Susana
… e moqueca é bem boa!
Só não entendi a questão dos bifes. Por mais voltas que dê, do peixe espada só consigo extrair filetes, ou bifes se lhes quiser chamar assim.
A menos que estivesse a seguir uma receita em inglês e tenha traduzido Swordfish por Peixe Espada. Do espadarte é que se tiram bifes…
Fui verificar a receita que citou e é isso mesmo: Swordfish é… espadarte!
Olhe, deixe lá,macabou por criar uma nova receita e com peixe de pesca sustentável!
-Gostei muito achei legal
=) blz massa de+
flw colegas rsrsr
Adorei a receita vou fazer,obrigada bjos