kuchen de ameixa
Novembro 2, 2011 por Mariana
Sou uma pessoa de ideias fixas e de memória comprida. Se há alguma coisa que me prende o olho e me deixa curiosa, dificilmente a esqueço. Fica guardada cá dentro num cantinho qualquer, empurrada para o fundo pelas intermináveis linhas de micróbios e sintomas e medicamentos que começo a ter de saber de cor. E de vez em quando vêm cá acima respirar e atormentar a minha cabeça com vontades de tardes na cozinha.
Este bolo vi-o há anos, na já extinta revista Gourmet. Tive o misto de sorte e azar de a assinar no seu último ano de vida e de poder, ainda que por pouco tempo, deliciar-me mensalmente. Era uma revista muito bem feita, nas letras e nas imagens. Faz-me falta, confesso. Até porque foi amor de pouca dura. Felizmente não morreu completamente e resiste, ainda que virtualmente, aqui.
O bolo deixou-me a sonhar estes anos todos. Voltava e fugia e nunca acontecia sair do meu forno. Mas as ameixas – as últimas! – do mercado acordaram a memória. E hoje houve, finalmente, kuchen de ameixa cá em casa.

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Kuchen de ameixa
(revista Gourmet, Agosto 2009)
- 1 pacote (10g) de fermento biológico
- 50ml água morna
- 2 medidas + 2 colheres sopa de farinha de trigo
- 1 medida de açúcar
- ½ colher chá de sal
- ½ medida de iogurte grego, à temperatura ambiente
- 1 ovo grande, aquecido em água morna durante 5 minutos
- 1 ½ colher chá de raspa de limão
- 1 colher chá de extracto de baunilha
- 112g + 28g manteiga sem sal, à temperatura ambiente
- 4 ameixas maduras mas firmes
No recipiente da batedeira, misture o fermento e a água morna e deixe repousar durante 5 minutos, até formar bolhas à superfície (se não houver formação de bolhas, o fermento não está bom).
Acrescente 2 medidas de farinha, 2/3 medida de açúcar, o sal, iogurte, ovo, raspa de limão e baunilha à mistura de fermento e bata, em velocidade baixa, durante 1 minuto. Corte as 112g de manteiga em cubos pequenos e acrescente-os um de cada vez à massa, batendo bem entre cada um para incorporar. Bata então em velocidade média até obter uma massa lisa e brilhante (cerca de 5 minutos). Com uma espátula de silicone, rape as paredes da tigela. Polvilhe com as 2 colheres de sopa de farinha e cubra com um pano. Deixe repousar num local morno, até que dobre de tamanho (cerca de 2 horas).
Espalhe as 28g de manteiga no fundo de uma forma de 22cm de diâmetro. Polvilhe com o 1/3 de açúcar restante. Corte as ameixas ao meio e cada metade em 5-6 fatias. Disponha-as na forma, em camada única.
Misture delicadamente a massa, para incorporar a farinha polvilhada. Espalhe então, uniformemente, sobre as ameixas. Cubra com película aderente (mas deixe umas zonas abertas, para entrar ar para que a massa possa crescer) e novamente com o pano. Deixe levedar até dobrar de tamanho, aproximadamente 1 ½ horas.
Pré-aqueça o forno a 180ºC, com uma grade a meia altura. Asse a kuchen até que esteja dourada e um palito inserido no centro saia limpo (30-35 minutos). Retire do forno e deixe arrefecer na forma durante 5 minutos. Inverta-a então para uma grade ou para um prato e deixe arrefecer completamente.
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A kuchen é leve e não muito doce. Tem um sabor que evoca as fogaças frescas ou os folares da Páscoa, mas a textura é completamente diferente. A acidez das ameixas dá-lhe uma complexidade maior, que primeiro estranhei mas que depois me fez gostar ainda mais.
A Gourmet sugere servir acompanhada de iogurte grego, adoçado. Eu servi assim, sozinha. Às fatias. E distribui a kuchen pelas aldeias, que as coisas boas são ainda melhores quando partilhadas.
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Ficou com excelente aspecto! Ainda bem que foi um pensamento de assalto recorrente, valeu a pena ter saído do forno
Para além do aspecto, posso (com)provar que o sabor também é óptimo… Ou seja, um gosto para diversos sentidos! E, sorte a minha, foi um mimo bem agradável numa tarde de feriado cheio de trabalho… Obrigado
E que assim perdure sempre, a tua memória.
Para que te continues a lembrar destas coisas boas. Que delícia.
A Gourmet deixou mesmo saudades…
Bjs
Também eu tenho receitas de há anos que aguardam o seu momento.
Esta kuchen está com um aspecto magnifico, que melhor maneira de dizer adeus ás ameixas de que eu gosto tanto?
Beijinhos
Que rica cozinha, de caos não tem nada.. só provoca o caos nas minhas papilas gostativas!!!
Que belo aspecto!!!
bjus
Hummm que delicia esse bolinho… ja fiz um parecido mas nao era com ameixas… imagino que esse nao se torne nada enjoativo!!!
Que bom… o teu blog tem receitas muito, mas mesmo muito boas!!!
Beijocas
http://tachosvspanelas.blogspot.com
este bolo interessou-me mt =). que belo aspecto a pedir um cházinho..
bjs
Só mesmo por curiosidade, porque é que em Portugal se escreve “a kuchen”, palavra que aparentemente se generalizou em Portugal para bolos de massa levedada? Em Português é “o bolo” e em alemão também é “o bolo”, ie, der Kuchen, e quando adotaram “cake” para bolos salgados também optaram pelo artigo da palavra traduzida…será que é porque alguns parecem tartes?
Pois, sinceramente não faço ideia. O meu alemão só chega para batata, maçã, comboio e elevador
É capaz de ser erro meu, é. E é um erro irritante, ainda por cima. Como aquela gente que diz the la trattoria.
Obrigada pelo aviso!
Não é la trattoria? Eu juraria a pés juntos….bolas, lá se vai a minha presunção…
Claro que é la trattoria. Mas não é THE la trattoria, como se ouve na boca de muito bom americano. Porque assim fica the the, não é?
Podes manter a presunção!