Há pessoas que nos fogem quando estamos mesmo a começar a conhecê-las. Leva-as a vida o trabalho os pais o amor o avião para o outro lado do mar. Não chegam a ser nossas pessoas, porque não houve tempo para isso. Ficam-nos lá ao fundo, guardadas nas memórias de outros tempos, com um “se” ao peito. Se tivesse havido tempo. Se não tivesse havido avião. Se ela voltasse.
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A Nancy fugiu pouco tempo depois de a conhecer. Ainda trocámos cenas no teatro e umas conversas poucas, mas foi o suficiente para ficar com pena de a perder tão cedo. A Nancy foi para a (ainda não) minha cidade, do outro lado do mar.
E um dia, as novas tecnologias – que são tão ponto de encontro como o sr. Henrique Mendes – trouxeram-me a Nancy outra vez. E um outro dia, a Nancy voltou. Para cá, tão pertinho. E porque os regressos se comemoram com abraços e com gargalhadas que se ouvem, fizemos um jantar. Um jantar de acção de graças, que a Nancy não tinha tido. Um jantar para agradecer, um dia para agradecer – que ideia genial, esta dos americanos.
Planeámos, dividimos tarefas e no fim saiu tudo trocado. Não houve peru, não houve molho de arandos. Não houve batata assada com marshmallow por cima (yuck.). Mas houve abraços e gargalhadas e porco assado e puré e tarte de abóbora e muitos à mesa. E houve este bolo.
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Bolo de cenoura
(adaptado de Baking, de Dorie Greenspan)
bolo
- 1 medida farinha de trigo
- 1 colher chá de fermento em pó
- 1 colher chá de bicarbonato
- 1 colher chá de canela em pó
- ½ colher chá de sal
- 1 ½ medidas de cenoura ralada (bem apertadas)
- 1 medida de nozes grosseiramente picadas
- ½ medida de coco ralado
- ½ medida de açúcar branco + ½ medida de açúcar amarelo
- ½ medida de óleo
- 2 ovos grandes
Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte com manteiga uma forma redonda (a minha não tinha furo) e polvilhe com farinha. Reserve.
Com um garfo, misture a farinha, o fermento, o bicarbonado, a canela e o sal. Numa outra vasilha, misture as cenouras raladas, as nozes e o coco.
Com a batedeira, bata bem os açúcares com o óleo, em velocidade média, até que esteja o mais liso possível. Acrescente então os ovos, um a um, e continue a bater. Reduza a velocidade para o mínimo e acrescente a mistura de farinha, mas bata só até que os ingredientes secos desapareçam. Com uma colher de pau ou um salazar, envolva então a mistura de cenoura na massa, levemente.
Leve ao forno por 40-50 minutos ou até que um palito inserido no bolo saia sem vestígios de massa crua (húmido sairá sempre e é assim que se quer este bolo). Retire do forno e deixe arrefecer 10 minutos. Desenforme então e deixe arrefecer completamente sobre uma grade.
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creme
- 180g queijo mascarpone (pode usar queijo creme)
- 70g manteiga sem sal, à temperatura ambiente
- ¼ medida de xarope de ácer (o maple syrup das panquecas) – pode substituir por mel ou por mais açúcar
- ½ medida de açúcar em pó
Na batedeira, bata bem o queijo com a manteiga, até que fique suave e cremoso. Acrescente o xarope de ácer aos poucos, se possível alternando com colheres do açúcar em pó (alternar líquidos e sólidos ajuda a dissolver melhor). Bata bem, até que o creme fique sedoso.
Quando o bolo estiver completamente frio, cubra-o com o creme. Polvilhe com nozes ainda mais partidas do que as do bolo e sirva a amigos gulosos.
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Fiz muitas alterações a este bolo. Era um bolo de 3 camadas e eu cortei a receita e fiz uma só. Cortei no creme, também, e reduzi-lhe muito o açúcar. Também introduzi o xarope de ácer, porque achei que o sabor ia combinar muito bem com o bolo – e felizmente não me enganei.
O bolo é muito bom – dos melhores que tenho feito. Há anos que queria fazer um verdadeiro carrot cake, à americana. E não me desiludiu. Também fica muito bom sem creme, só bolo. Com uma chávena de chá e um livro eu já sou uma mulher feliz.
A Nancy é agora uma das minhas pessoas. Já não é um se e está cá dentro guardada. Ainda bem que o mundo dá, efectivamente, tantas voltas.
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.nota: 1 medida equivale a 1 chávena com 210-220ml de capacidade.
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Este post é uma tortura, e logo a esta hora da manhã! Só me falta o coco ralado, e tenho de experimentar.
Vale bem a pena, é só o que eu digo. Mais do que mil bombons!
Minha linda,
Tu tens um jeito com as palavras que me preenche assim de uma forma que não sou capaz de explicar. Agradeço às novas (?) tecnologias e a um gosto partilhado por comida termo-nos encontrado neste rectângulo à beira mar plantado. Venha de lá o bolo maravilhoso que isto merece uma celebração à altura.
Uma beijoca e boa semana!
Suzana, as tecnologias trouxeram-me muita coisa boa. Mas dentre essas, as pessoas que me trouxeram e que eu sei que são para sempre são as mais felizes. Acho que já está na altura de planear ir a Lisboa outra vez…
Beijo gigante e boa semana *
Mariana, quando diz “uma medida” é uma chávena?
Que aspecto delicioso
Marta
É sim, Marta. Uma chávena com aproximadamente 210-220ml de capacidade. Mas vou já acrescentar isso em cima, obrigada
Eu utilizo sempre as chávenas medidoras, deve ser isso
obrigada!
Gostei tanto da receita, como do texto
Um beijinho
Teresa
Adorei este bolo de cenoura, ficou com um belissimo aspecto e vou levar a receita para testar na minha cozinha. Espero sair-me à altura
Se é para celebrar, eu alinho, porque esse bolo está com um aspecto divino e merece um brinde às novas tecnologias que nos fazem sentir sempre perto de quem gostamos
Bj
Moira
O teu texto só podia ser mesmo seguido de um bolo assim.
Obrigada por os partilhares connosco.
Bjs
Que bolo mesmo bonito! Deve ser bem gostoso também
E vivam as amizades! Bjinhos
Tem muito bom aspeto, mas eu sou muito intransigente nos bolos de que acho já ter a receita absoluta e definitiva e esse é um deles
Rita, eu também tendo a ser assim. Mas volta e meia lá aparece uma receita que me faz pôr à prova a minha absoluta. Umas vezes avanço, outras fico na minha. Mas eu gosto é de cozinhar e experimentar coisas novas, por isso…
Olá Mariana,
um bolo delicioso a combinar com um texto magnífico.
Um beijinho.
Que maravilha esse bolo de cenoura!!!!
Estou encantada com seu blog !!!!
Um mundo encantado de delicias e bom gosto !!!
Parabénssssssss…
Humm
Que delícia!!!
Boa semana!
Beijão Jê!
Dúvida: como é a consistência do bolo depois de cozido? Húmido ou nem por isso?
Ontem comi no trabalho um que me parecia muito semelhante, com avelãs em vez de nozes e creme de nutella a decorar que estava muito muito bom. E nada enjoativo, pois o bolo em si era “sóbrio”. Bem tentei pedir a receita ao cozinheiro, mas ele é daqueles que não usa receitas, é tudo a “olhómetro”…
Eu não gosto de bolos muito húmidos, mas este, por causa da cenoura, era relativamente húmido, sim. Mas não demasiado. Para mim estava no ponto… Sou péssima a explicar estas coisas.