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Archive for the ‘Bolo’ Category

pequenos prazeres fugazes

Eu queria variar, trazer-vos algo que não fosse um doce, mas por cá anda-se ao sabor de outras marés e o Caos sempre acompanhou esse fluir. Come-se no Caos o que se come cá em casa, sempre foi e será assim.

Este ano, como nos 3 ou 4 passados, fomos buscar mirtilos a Sever do Vouga. Chegam-nos directamente do produtor, pequenas jóias azuis em caixinhas que prometem uma semana de delícias, mais se resistir e conseguir, finalmente, congelar alguns para mais tarde. Nunca consegui, devorámos sempre todos os que comprámos e não partilhámos.

Desta vez, cheia de vontade de coisas novas, resisti e roubei uma chávena deles para fazer este bolo. É um bolo grande, pecaminhoso, feito para muitas bocas, para que se dilua por muitos a desgraça calórica que anuncia. E com ela o prazer partilhado e assim multiplicado.

blueberry coffee cake 2

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Bolo de mirtilos

(adaptado daqui)

  • 225g manteiga com sal, à temperatura ambiente
  • 1 medida açúcar amarelo + 1 medida de açúcar branco
  • 3 ovos, à temperatura ambiente
  • 1 colher chá de extracto de baunilha
  • 200ml de sour cream (usei uma das fórmulas sugeridas pela Fer)
  • 2 ½ medidas de farinha
  • 2 colheres chá de fermento
  • ½ colher chá de bicarbonato de sódio
  • 1 pitada de noz moscada
  • 1/3 medida de buttermilk (1/3 medida de leite + 1 colher sopa sumo de limão, deixar repousar 10 minutos)
  • 1 medida de mirtilos frescos

Pré-aqueça o forno a 175ºC. Com spray de óleo vegetal ou com manteiga, unte bem uma forma redonda de buraco no meio (ou uma forma de bundt, se tiver). Reserve.

Com a batedeira, misture bem a manteiga e os açúcares, até obter um creme liso e homogéneo. Adicione os ovos e a baunilha e bata bem. Acrescente o sour cream e bata até ter um creme leve e fofo.

Num outro recipiente, combine todos os ingredientes secos e acrescente-os à massa anterior, misturando só ligeiramente. Adicione o buttermilk e bata até ter uma massa suave.

Com uma espátula, envolva suavemente os mirtilos na massa. Transfira tudo para a forma pré-preparada e leve a assar por 40-50 minutos ou até que um palito inserido no bolo saia limpo.

Retire do forno, deixe arrefecer por 10 minutos e transfira para um prato. Sirva morno ou à temperatura ambiente.

blueberry coffee cake 1

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A receita original tinha uma cobertura de açúcar, que normalmente não me agrada. Não a fiz e gostei muito do resultado. É um bolo húmido e fofo, não excessivamente doce e que aguenta vários dias sem perder a graça. E faz justiça aos mirtilos, acalmando a minha relutância em usar as pequenas frutas azuis, tesouros que só saboreamos 1 semana por ano.

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pequenas trincas

O Verão atrasado faz-me bem ao fim da gravidez. As pernas incham menos, o ar falta-me só quando um pé se entala atrás das costelas e nem o estudo interminável dá tanto sono, que os dias queriam-se de ronha mas o mundo não pára de girar.

Estes são os meses da abundância nas árvores e arbustos e, deles, nas bancas do mercado. A cozinha enche-se das cores quentes dos damascos maduros, das cerejas crocantes de saco, dos mirtilos pelos quais se fazem, cá em casa, alguns quilómetros todos os anos. A fruta é a minha guloseima maior, aquela pela qual trocava todas as outras. Ainda que, de vez em quando, raramente, vá apetecendo transformá-la noutras pequenas trincas.

tiny cakes II

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Bolinhos de fruta

(ligeiramente adaptado da Bon Appetit de Junho 2013)

10 bolinhos

  • 1 medida de farinha de trigo
  • 1 ½ colher chá de fermento
  • 85g manteiga com sal, à temperatura ambiente
  • 1/3 medida de açúcar
  • 1 ovo grande
  • 1 colher sopa de raspa de limão
  • ½ colher chá de extracto de baunilha
  • 1/3 medida de leite
  • 2 damascos e 5 morangos pequenos (ou outra fruta a gosto)
  • 2 colheres sopa de açúcar amarelo, para polvilhar

Pré-aqueça o forno a 175ºC. Unte 10 formas de muffins com spray de óleo vegetal ou com manteiga. Reserve.

Misture a farinha e o fermento numa tigela. Reserve.

Na batedeira, bata a manteiga e o açúcar até obter um creme leve (aprox. 2 minutos). Acrescente o ovo, a raspa de limão e a baunilha e bata até estar bem misturado.

Com a batedeira em baixa velocidade, adicione, alternadamente, os ingredientes secos e o leite, começando e acabando com os secos. Divida a massa pelas formas de muffin, enchendo-as apenas 1/3. Acrescente as fatias de damasco ou os morangos, polvilhe com o açúcar amarelo e leve ao forno por 15-20 minutos.

Transfira os bolinhos para uma grade e deixe arrefecer completamente.

tiny cakes III

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O mundo gira e há coisas que vamos deixando para trás, mesmo sem querer. Por cá, ultimam-se preparativos para a chegada do novo membro da família, daqui a um mês. Aprendemos novas línguas, entramos em mundos desconhecidos e vamos desbravando estes terrenos lentamente. Cozinha-se o essencial, para alimentar o corpo que a alma anda alimentada de outros sonhos. Fazemos planos para um futuro que é já amanhã e esperamos que o tempo seja generoso com as paixões antigas.

chocolate loaf I

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Bolo simples de cacau

(adaptado daqui)

  • ¾ medida de açúcar amarelo
  • ½ medida de açúcar branco
  • 1 medida de cacau
  • 1 ½ medidas de farinha de trigo
  • 1 ½ colher chá de bicarbonato de sódio
  • ¾ colher chá de fermento
  • 1 colher chá de sal
  • 3 ovos médios
  • ¾ medida de buttermilk (a mesma medida de leite+1 colher sopa vinagre, esperar 10 minutos para talhar)
  • ½ medida de óleo
  • 1 colher chá de extracto de baunilha
  • 1 colher chá de café em pó

Pré-aqueça o forno a 175ºC. Unte uma forma rectangular com óleo (muito pouco!) e polvilhe com cacau. Reserve.

Coloque o açúcar amarelo no recipiente da batedeira. Acrescente o cacau, farinha, açúcar branco, bicarbonato, fermento, sal e café e misture bem com um garfo. Num outro recipiente bata bem os ovos, acrescente o buttermilk, óleo e baunilha e misture com um batedor de varas até estar homogéneo.

Ligue a batedeira no mínimo e vá adicionando, lentamente, os líquidos aos secos, mexendo só até que esteja tudo misturado. Transfira a massa para a forma pré-preparada e leve ao forno por 40 minutos (o original sugeria 1h) ou até que um palito inserido no centro saia limpo.

Retire do forno e deixe arrefecer na forma por 15 minutos. Transfira depois para uma grade e deixe arrefecer completamente.

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É oficial: não tenho jeito nenhum para bolos decorados. Nunca serei competição para quem faz aqueles bolos lindos, como a Teresa do Lume Brando. Eu tento, esforço-me, dou o meu melhor, mas não chega. O meu estilo é claramente o rústico e sempre que tento fazê-los arranjadinhos saem feios e tortos, coitados. Pelo menos saem bons, já não se perde tudo. São bolos para comer de olhos fechados, sempre para pessoas especiais e feitos de coração.

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Bolo de chocolate com recheio de caramelo salgado

bolo

(usei esta receita)

  • 2 medidas + 4 colheres sopa de farinha de trigo
  • ½ medida de cacau em pó (da melhor qualidade possível)
  • 2 ½ colheres chá de bicarbonato de sódio
  • ½ colher chá de sal fino
  • 2 ovos grandes
  • 1 medida de açúcar mascavado claro
  • 1 medida de açúcar branco
  • 1 medida + 4 colheres sopa de leite
  • 2/3 medida de café forte
  • 200g manteiga sem sal, derretida

Pré-aqueça o forno a 180º. Prepare 2 formas redondas, untando-as com manteiga e enfarinhando-as ligeiramente. Reserve.

Peneire a farinha, o cacau, o bicarbonato e o sal para uma tigela. Misture-os bem.

Noutro recipiente, misture o ovo e os açúcares até que fiquem homogéneos. Adicione o leite, o café (ou descafeinado) e a manteiga derretida. Junte os ingredientes secos e misture pouco, apenas até que fique tudo incorporado. Divida a massa igualmente entre as duas formas (ou asse um bolo de cada vez).

Leve ao forno pré-aquecido por 25 minutos ou até que um palito inserido no meio saia limpo. Retire do forno e deixe arrefecer nas formas durante 10 minutos (este é um bolo frágil,  o primeiro arrefecimento ajuda a que não se desfaça). Retire-os então para uma grade, com cuidado, e deixe-os arrefecer completamente.

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recheio de caramelo salgado

(tirado daqui)

  • 1 medida de açúcar branco
  • 1 colher sopa de xarope de glucose (ou de geléia de milho)
  • ½ medida de natas
  • flor de sal
  • 55g manteiga sem sal

Misture o açúcar, xarope de glucose e 1/8 medida de água num tacho, sobre fogo bem alto. Deixe cozinhar, sem mexer, até que a mistura esteja de um dourado escuro. Retire do fogo e, com muito cuidado, acrescente as natas (a mistura vai borbulhar muito!) e misture até estar tudo bem envolvido. Leve novamente ao fogão e cozinhe até que um termómetro de doces leia 114ºC (ou 238F), aproximadamente 2 minutos. Transfira o caramelo para uma tigela e misture meia colher de chá de flor de sal. Deixe arrefecer ligeiramente, 10-15 minutos. Acrescente então a manteiga, 1 colher de sopa de cada vez, mexendo bem para derreter. Deixe arrefecer completamente.

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cobertura

(tirada daqui)

  • 5 colheres sopa de farinha
  • 1 medida de leite
  • 1 colher chá de extracto de baunilha
  • 226g manteiga (à temperatura ambiente)
  • 1 medida de açúcar branco

Num tacho, misture com um batedor de varas o leite e a farinha e leve a fogo médio, mexendo constantemente, até espessar (cuidado para não queimar). Retire do fogo e deixe arrefecer à temperatura ambiente – a cobertura só funciona se esta mistura estiver completamente fria. Acrescente a baunilha e misture bem.

Enquanto a mistura arrefece, bata a manteiga e o açúcar, até obter um creme leve e fofo. Adicione a mistura de leite, farinha e baunilha, já fria, e bata até que o creme pareça chantili.

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montagem

Cubra um dos bolos com o caramelo (poderá não precisar de usar todo – o que sobrar fica óptimo, ligeiramente aquecido, sobre gelado de baunilha). Coloque o segundo bolo por cima e cubra tudo com o creme. Se quiser, reserve um pouco da cobertura, acrescente umas gotas de corante alimentar e decore.

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O blog trouxe-me muitas coisas. Vontades de coisas novas, de descobertas, livros, autores e outros blogues. Mas o blog trouxe-me sobretudo gente. Que me lê, com quem converso e troco ideias e vontades e receitas. Há muito mais gente dentro deste blog do que apenas eu. Todas as pessoas para quem cozinho ou em quem me inspiro. Gente com ideias, que repito ou a partir das quais me lanço na minha aventura. E esta partilha, esta reunião dos que comem e dos que cozinham e dos que gostam de simplesmente ler faz do Caos algo muito maior do que seria se fosse somente o meu caderno de receitas.

Desta gente de que se faz o Caos, chegou-me a Patrícia mãos-de-fada do seu canteiro de Miosotiis. E descobrimos uma admiração comum pela Dorie Greenspan e pelo seu livro Baking. É, certamente, o livro com mais receitas aqui no Caos e a minha lista de vontades parece não diminuir. É daqueles livros que apetece cozinhar de uma ponta à outra e dar a Dorie a provar a quem aparecer.

Foi assim que surgiu o Dorie às Sextas, inspirado no projecto original Tuesdays with Dorie. Queríamos cozinhar a Dorie toda e moldá-la a nós e partilhá-la. E assim, duas vezes por mês, cozinhamos a mesma receita e falamos dela. Sem muitas regras, sem exigências, com toda a liberdade. Para mim, quero vê-lo como um desafio à criatividade. Pegar nas receitas que não me chamam tanto e transformá-las para nós, moldá-las ao nosso paladar. Pôr um pouco de mim neste livro, de que gosto tanto.

A primeira receita escolhida foi bolo de chocolate e armagnac. Mas cá em casa o bolo transformou-se e acabou por se tornar, quase sem querer, um bolo para o meu pai.

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Bolo de Jack Daniels e pedacinhos de cacau torrado

(adaptado de Baking)

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bolo

  • 70g farinha de amêndoa
  • 50g farinha de trigo
  • 1 pitada de sal
  • 60ml whisky
  • 200g chocolate amargo
  • 115g manteiga sem sal
  • 3 ovos grandes
  • 150g açúcar
  • 3 colheres sopa de pedacinhos de cacau torrado

Pré-aqueça o forno a 190ºC. Unte com manteiga uma forma redonda, sem furo. Forre o fundo com papel vegetal (corte um círculo do tamanho da forma) e unte o papel também. Polvilhe com farinha e sacuda o excesso. Reserve.

Misture as farinhas e o sal. Reserve.

Ponha o whisky numa panela (sem anti-aderentes) e acenda-o com um fósforo. Deixe queimar o álcool. Quando a chama estiver a diminuir, transfira-o para um outro recipiente e deixe arrefecer. Reserve.

Misture o chocolate e a manteiga partidos em pedaços e leve a derreter em banho-maria ou no microondas. Mexa regularmente e não aqueça demasiado – a manteiga não deve começar a separar-se. Reserve.

Num recipiente grande, bata as gemas e o açúcar até obter um creme pálido. Com uma espátula de silicone, envolva a mistura de chocolate na dos ovos. Junte seguidamente a mistura das farinhas e envolva. Finalmente, acrescente o whisky já frio.

Bata as claras em castelo firme. Junte-as à massa e envolva levemente, sem bater.

Ponha a massa na forma e leve a assar 28-32 minutos (o meu assou em 28). Retire então do forno e deixe arrefecer 10 minutos sobre uma grade.

Desenforme o bolo com cuidado, retire o papel e ponha-o novamente com o lado de cima para cima. Deixe arrefecer completamente.

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cobertura

  • 80g chocolate negro
  • 3 colheres sopa de açúcar em pó
  • 42g manteiga sem sal, à temperatura ambiente

Parta o chocolate em pedaços e derreta-o em banho-maria ou no microondas. Retire e com um batedor de varas, acrescente, aos poucos, o açúcar e a manteiga, alternados, de forma a obter um creme brilhante. Deixe arrefecer ligeiramente.

Quando o bolo estiver frio, cubra-o com o chocolate, deixando que se espalhe também para os lados. Sirva simples ou acompanhado de natas batidas.

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Este bolo é um brownie para adultos. O whisky e os pedacinhos de cacau, que não são doces e lhe emprestam um crocante muito agradável, fazem dele um doce mais crescido.

O bolo acabou por ser feito a pensar no meu pai – que ainda não o provou. Foi feito com Jack Daniels, o whisky favorito, e com os pedacinhos de cacau, que os meus pais me trouxeram de São Tomé. Ficou encorpado e forte, cheio de personalidade. Cada vez mais parecido com o meu pai.

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Se quiserem saber mais sobre o Dorie às Sextas, é só clicar aqui.

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2011 não foi um ano mau. Teve momentos muito maus e momentos muito bons, como provavelmente todos os anos. Perdi dois bichos, que para mim são mais do que gente, e isso custou muito. Mas ganhei muita coisa também.

Não sou fã da passagem de ano. Não gosto da obrigação de ter de ser feliz com dia marcado, não gosto de dizer adeus a um ano onde tanto do planeado ficou por fazer (mesmo que tanto se tenha, também, chegado a fazer). Mas gosto de cozinhar para os outros, de lhes dar de comer, de os amar em forma de bolo.

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Brownie coberto de caramelo e amendoins

(da minha deusa pasteleira, Dorie Greenspan)

bolo

  • 1 medida farinha de trigo
  • 1 colher chá bicarbonato de sódio
  • ¼ colher chá sal refinado
  • 113g manteiga sem sal
  • 140g chocolate negro
  • 3 ovos grandes
  • ½ medida de açúcar amarelo (bem apertado na medida)
  • ¼ medida de açúcar branco
  • 3 colheres sopa de glucose de milho
  • ½ colher chá de extracto de baunilha

 

Pré-aqueça o forno a 175ºC. Unte com manteiga uma forma redonda sem furo e forre o fundo a papel vegetal. Unte também o papel e enfarinhe toda a forma. Reserve.

Misture bem a farinha, o bicarbonato e o sal. Reserve.

Em banho-maria ou no microondas, derreta a manteiga e o chocolate, juntos, mexendo ocasionalmente. Não deixe aquecer demasiado para a manteiga não se separar. Reserve.

Num recipiente grande, bata os ovos e os açúcares até estarem bem misturados. Acrescente a glucose de milho, seguida da baunilha e bata bem com um batedor de varas (à mão). Acrescente o chocolate e a manteiga derretidos e envolva, ainda com o batedor de varas. Junte então os ingredientes secos e envolva-os suavemente, só até que estejam bem misturados (é importante não bater demasiado).

Ponha a massa na forma previamente preparada e leve ao forno por 40 minutos ou até que um palito saia livre de massa mas ainda ligeiramente húmido. Retire a forma do forno e deixe arrefecer sobre uma grade durante 15 minutos. Desenforme então e reserve.

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cobertura

  • 2 medidas de açúcar branco
  • ½ medida de água
  • 1 ½ colheres sopa de glucose de milho
  • 2/3 medida de natas
  • 30g manteiga, à temperatura ambiente
  • 1 medida de amendoins salgados

Ponha o açúcar, a água e a glucose de milho numa panela e misture bem. Leve a fogo médio-alto e deixe ficar, sem mexer, até obter um caramelo dourado (sem medo da cor: um caramelo demasiado claro não tem sabor; teste a cor deitando uma gota num prato branco). Baixe então o fogo para o mínimo e, com muito cuidado – o caramelo vai borbulhar e saltar – junte as natas e a manteiga. Quando o caramelo acalmar ligeiramente, mexa para envolver tudo homogeneamente. Junte os amendoins e despeje tudo num pirex ou outro recipiente que aguente altas temperaturas. Envolva bem, para que todos os amendoins estejam bem cobertos de caramelo.

Com uma colher grande, transfira os amendoins envolvidos em caramelo para cima do bolo. Vai ter caramelo a mais, mas tente transferir todos os amendoins. No final, despeje algumas colheres de caramelo sobre o bolo, só o suficiente para que os amendoins estejam cobertos. Sirva só ou acompanhado de uma bola de gelado.

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O bolo é um pecado de fim de ano e de boas vindas ao próximo. E a melhor parte é que com as sobras do caramelo, podem fazer um delicioso molho para gelado: derretam o caramelo que sobrou, no microondas ou em banho-maria. À parte, aqueçam quase até ferver 1 medida de natas. Acrescentem as natas ao caramelo derretido e levem a fogo alto, deixando ferver 3 minutos, mexendo sempre com uma espátula de silicone. Guardem em frasco esterilizado e deixem arrefecer à temperatura ambiente, antes de tapar e guardar no frigorífico.

2012 começa, assim, com promessas de caramelo. Feliz Ano Novo!

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Há pessoas que nos fogem quando estamos mesmo a começar a conhecê-las. Leva-as a vida o trabalho os pais o amor o avião para o outro lado do mar. Não chegam a ser nossas pessoas, porque não houve tempo para isso. Ficam-nos lá ao fundo, guardadas nas memórias de outros tempos, com um “se” ao peito. Se tivesse havido tempo. Se não tivesse havido avião. Se ela voltasse.

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A Nancy fugiu pouco tempo depois de a conhecer. Ainda trocámos cenas no teatro e umas conversas poucas, mas foi o suficiente para ficar com pena de a perder tão cedo. A Nancy foi para a (ainda não) minha cidade, do outro lado do mar.

E um dia, as novas tecnologias – que são tão ponto de encontro como o sr. Henrique Mendes – trouxeram-me a Nancy outra vez. E um outro dia, a Nancy voltou. Para cá, tão pertinho. E porque os regressos se comemoram com abraços e com gargalhadas que se ouvem, fizemos um jantar. Um jantar de acção de graças, que a Nancy não tinha tido. Um jantar para agradecer, um dia para agradecer – que ideia genial, esta dos americanos.

Planeámos, dividimos tarefas e no fim saiu tudo trocado. Não houve peru, não houve molho de arandos. Não houve batata assada com marshmallow por cima (yuck.). Mas houve abraços e gargalhadas e porco assado e puré e tarte de abóbora e muitos à mesa. E houve este bolo.

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Bolo de cenoura

(adaptado de Baking, de Dorie Greenspan)

bolo

  • 1 medida farinha de trigo
  • 1 colher chá de fermento em pó
  • 1 colher chá de bicarbonato
  • 1 colher chá de canela em pó
  • ½ colher chá de sal
  • 1 ½ medidas de cenoura ralada (bem apertadas)
  • 1 medida de nozes grosseiramente picadas
  • ½ medida de coco ralado
  • ½ medida de açúcar branco + ½ medida de açúcar amarelo
  • ½ medida de óleo
  • 2 ovos grandes

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte com manteiga uma forma redonda (a minha não tinha furo) e polvilhe com farinha. Reserve.

Com um garfo, misture a farinha, o fermento, o bicarbonado, a canela e o sal. Numa outra vasilha, misture as cenouras raladas, as nozes e o coco.

Com a batedeira, bata bem os açúcares com o óleo, em velocidade média, até que esteja o mais liso possível. Acrescente então os ovos, um a um, e continue a bater. Reduza a velocidade para o mínimo e acrescente a mistura de farinha, mas bata só até que os ingredientes secos desapareçam. Com uma colher de pau ou um salazar, envolva então a mistura de cenoura na massa, levemente.

Leve ao forno por 40-50 minutos ou até que um palito inserido no bolo saia sem vestígios de massa crua (húmido sairá sempre e é assim que se quer este bolo). Retire do forno e deixe arrefecer 10 minutos. Desenforme então e deixe arrefecer completamente sobre uma grade.

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creme

  • 180g queijo mascarpone (pode usar queijo creme)
  • 70g manteiga sem sal, à temperatura ambiente
  • ¼ medida de xarope de ácer (o maple syrup das panquecas) – pode substituir por mel ou por mais açúcar
  • ½ medida de açúcar em pó

Na batedeira, bata bem o queijo com a manteiga, até que fique suave e cremoso. Acrescente o xarope de ácer aos poucos, se possível alternando com colheres do açúcar em pó (alternar líquidos e sólidos ajuda a dissolver melhor). Bata bem, até que o creme fique sedoso.

Quando o bolo estiver completamente frio, cubra-o com o creme. Polvilhe com nozes ainda mais partidas do que as do bolo e sirva a amigos gulosos.

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Fiz muitas alterações a este bolo. Era um bolo de 3 camadas e eu cortei a receita e fiz uma só. Cortei no creme, também, e reduzi-lhe muito o açúcar. Também introduzi o xarope de ácer, porque achei que o sabor ia combinar muito bem com o bolo – e felizmente não me enganei.
O bolo é muito bom – dos melhores que tenho feito. Há anos que queria fazer um verdadeiro carrot cake, à americana. E não me desiludiu. Também fica muito bom sem creme, só bolo. Com uma chávena de chá e um livro eu já sou uma mulher feliz.

A Nancy é agora uma das minhas pessoas. Já não é um se e está cá dentro guardada. Ainda bem que o mundo dá, efectivamente, tantas voltas.

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.nota: 1 medida equivale a 1 chávena com 210-220ml de capacidade.

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