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Archive for the ‘Muffin’ Category

Hoje é o dia em que milhares de pessoas por todo o mundo se juntam à volta do forno. Mais do que lambuzar os dedos e mostrar dotes culinários, é um dia que se faz pela partilha – das coisas boas, dos afectos, dos momentos doces. É um dia bom para motivar os mais reticentes, empurrá-los para a cozinha e deixá-los provar que jeito todos temos e que tudo o resto se aprende.

World Baking Day

Hoje é o World Baking Day e eu não quis deixar de participar. Porque poucas coisas cheiram tanto a casa como um bolo no forno ou um pão acabado de assar.

pb&j muffins 2.

Muffins de manteiga de amendoim e compota de framboesa

(receita adaptada daqui)

12 muffins grandes

  • 210g farinha
  • 100g açúcar amarelo
  • 1 colher chá de fermento
  • 1 colher chá de bicarbonato de sódio
  • ½ colher chá de sal
  • 1 colher chá de extracto de baunilha
  • 60ml óleo vegetal
  • 260g manteiga de amendoim cremosa
  • 1 ovo grande
  • 235ml leite
  • 160g compota de framboesa

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte ou forre com forminhas de papel um tabuleiro de muffins ou 12 formas individuais. Reserve.

Num recipiente grande, misture a farinha, açúcar, fermento, bicarbonato e o sal. Faça um buraco no centro e adicione o ovo, extracto de baunilha, óleo, manteiga de amendoim e leite, mexendo bem até que a massa fique homogénea.

Encha as formas de muffin até 1/3 da sua altura. Com uma colher levemente untada com óleo, faça uma concavidade na massa e coloque 2 colheres de chá de compota. Acrescente mais massa, até que as formas estejam cheias até 2/3.

Leve ao forno por 18-20 minutos ou até que um palito inserido na massa saia limpo (se atravessar a zona da compota sairá sempre húmido).

pb&j muffins 1.

Estes muffins jogam com a tradicional combinação de peanut butter & jelly de que os americanos tanto gostam e deixaram-me intrigada mal os vi. Até há pouco tempo era um par que, à partida e sem ter provado, me deixava reticente. Um dia resolvi misturá-las entre duas bolachas e percebi o encanto – o salgado da manteiga de amendoim com o doce da compota fazem um jogo de sabores muito interessante e diferente. No original, a compota é, na verdade, geléia de uva, mas a improvisação é a mãe da criatividade e compota de framboesa funciona muito bem. São uns muffins densos, óptimos para um pequeno-almoço volante de dias atarefados ou para saborear numa tarde de domingo como a de hoje, partilhados com amigos gulosos.

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Aprender a gostar de abóbora. Experimentar coisas novas e apaixonar-me perdidamente, cair de quatro, redonda. Repetir a receita, uma e outra vez. Ficar feliz por ainda haver abóbora no congelador, quando há uma semana estava sem saber o que lhe fazer. Agora já sei: muffins. Muffins da Dorie, à sexta ou em qualquer outro dia. E com pequenos pedaços de chocolate, como tesouros escondidos na massa. Porque quase tudo fica melhor com chocolate.

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Muffins de abóbora, nozes e chocolate negro

(levemente adaptados do cada vez mais maravilhoso Baking)

12 muffins

  • 2 medidas de farinha de trigo
  • 2 colheres chá de fermento químico
  • ¼ colher chá de bicarbonato de sódio
  • ¼ colher chá de sal fino
  • 3/4 colher chá de canela em pó
  • 3/4 colher chá de gengibre em pó
  • 1 pitada de noz moscada
  • 115g manteiga sem sal, à temperatura ambiente
  • ½ medida de açúcar branco
  • ¼ medida de açúcar amarelo
  • 2 ovos grandes, à temperatura ambiente
  • ½ colher chá de extracto de baunilha
  • 1 medida de puré de abóbora (preparado como indicado aqui)
  • ¼ medida de buttermilk (¼ medida de leite + 1 colher chá de vinagre)
  • ½ medida de nozes grosseiramente picadas
  • ½ medida de chocolate negro grosseiramente picado

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Prepare um tabuleiro de muffins, untando-o bem ou colocando forminhas de papel. Reserve.

Misture bem, com um garfo ou um batedor de varas, a farinha, o fermento, o bicarbonato, o sal e as especiarias. Reserve.

Com a batedeira, bata a manteiga até que esta fique cremosa. Acrescente os açúcares e bata até obter um creme homogéneo e claro. Acrescente então um ovo de cada vez, batendo sempre para o incorporar na massa. Junte a baunilha.

Reduza a velocidade e adicione o puré de abóbora e o buttermilk. Se a massa talhar não se preocupe – é normal e não vai alterar em nada o resultado final.

Com uma espátula, envolva os ingredientes secos na massa, mexendo só até que desapareça toda a farinha. Acrescente as nozes e o chocolate, envolvendo-os rapidamente e sem bater mais a massa.

Divida-a pelas 12 forminhas – uma colher de gelado é ideal para garantir que todas têm a mesma quantidade de massa e que cozem de forma homogénea. Leve ao forno pré-aquecido por 20 minutos ou até que um palito inserido no centro de um muffin saia seco.

Retire do forno e transfira-os para uma grade. Deixe arrefecer completamente.

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Não estava à espera que fossem tão bons, confesso. Fiquei desconfiada até à primeira trinca, momento de irremediável conversão. Não sei por que insisto em me espantar, quando já devia saber que tudo o que sai das mãos da Dorie é maravilhoso.

Estes muffins em tons quentes de Outono, a espalhar aromas inebriantes pela casa, são dos melhores que já comi. São fabulosos no próprio dia, ainda ligeiramente crocantes, mas aguentam-se lindamente 3-4 dias, se guardados em recipiente hermeticamente fechado.

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Há dias doces de açúcar e outros que o são de surpresas e descobertas. Dias em que nos enchem o colo de coisas bonitas e gestos simpáticos. Há uns meses, a More than Cookies deu-me um desses dias, com um convite impossível de recusar.

A More than Cookies é uma pequena empresa, sem loja física, com produtos de encantar. E as simpáticas meninas que enchem a montra dos sonhos convidaram o Caos para conhecer e experimentar. Fossem os meus armários infinitos, para tantas vontades. Escolhi as fairy cake baking cases, caixinhas para bolos que só podem ser especiais.

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Muffins de mirtilos e streusel

(adaptado de duas receitas do How to cook everything vegetarian, Mark Bittman)

muffins:

  • 3 colheres de sopa de óleo vegetal
  • 250g farinha de trigo
  • 50g açúcar
  • ½ colher chá de sal
  • 3 colheres chá de fermento
  • 1 ovo
  • 1 medida de leite
  • 1 medida de mirtilos

streusel:

  • 50g açúcar amarelo
  • 1 colher chá de canela
  • 1 medida de nozes finamente picadas
  • 2 colheres de sopa de manteiga derretida

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Prepare as formas de muffins (num tabuleiro raso ou de muffins, se forem formas redondas) e reserve.

Streusel: misture todos os ingredientes, tentando que a manteiga humedeça o máximo possível dos ingredientes secos. Reserve.

Muffins: misture os ingredientes secos numa tigela e reserve. Noutro recipiente, bata o ovo com o óleo. Misture os ingredientes secos com a mistura de ovo e envolva rapidamente, sem bater. Se se virem pedacinhos de farinha não faz mal, a massa deve ficar com aspecto encaroçado e não liso. Acrescente à massa metade do streusel previamente preparado e os mirtilos. Envolva ligeira e rapidamente.

Distribua a massa pelas formas preparadas, até 2/3 da altura e sem mexer demasiado a massa. Cubra os muffins com a metade restante do streusel.

Leve ao forno aproximadamente 20 minutos ou até que um palito inserido no centro saia seco. Retire os muffins do forno e deixe arrefecer sobre uma grade.

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Esta receita foi preparada quando ainda havia mirtilos. Estes podem ser omitidos ou substituídos, sem problema. Em caso de omissão, acrescentar raspa de limão à massa parece-me uma alternativa muito saborosa. O streusel, com as nozes (que também podem ser substituídas por outro fruto seco) dá um toque crocante delicioso à receita. E as caixinhas das fadas da More than Cookies elevam um simples lanche a um acontecimento a ser partilhado com alguém especial.

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As minhas vontades costumam fugir dos doces. Deve ser de correr em mim mais sal que açúcar, daquele que me chega no ar do mar em noite de nevoeiro e que é respirado profundamente, para me lembrar de onde vim. Mas há dias em que as vontades me trocam as voltas, como os mergulhos em que nos fogem os pés. Normalmente surgem em épocas de grande esforço mental, que o cérebro é formiguinha e alimenta-se de açúcar. E nestas alturas não me vale nem mar nem sal. Vale-me o chocolate, ainda que muito escuro e pouco doce, que de “nem tanto ao mar nem tanto à serra” se fazem as vontades que me despertam.

Gosto de muffins. Gosto sobretudo da parte de cima, ligeiramente crocante. Como-o pelo oposto: desembrulho-o do papel que o guarda e trinco o fundo, a parte menos interessante. Guardo o melhor para o fim, como o fazem todos os bons gulosos. Gosto ainda mais de muffins com pequenas surpresas, que se encontram no meio da massa como brindes no bolo rei. Faço-os rapidamente e mal os deixo arrefecer, apressada com o improviso de um piquenique, a meio de uma cinzenta tarde de estudo.

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Muffins de cacau com pedaços de chocolate

(receita adaptada daqui)

  • 1 ¾ medida de farinha
  • 2 colheres chá de fermento para bolos
  • ½ colher chá de bicarbonato de sódio
  • 2 colheres sopa de bom cacau
  • ¾ medida de açúcar amarelo, bem pressionado
  • 200g chocolate negro, cortado em pedaços pequenos
  • 1 medida leite
  • 1/3 medida + 2 colheres chá de óleo
  • 1 ovo
  • 1 colher chá de extracto de baunilha

Pré-aqueça o forno a 180ºC.

Prepare 12 formas de muffins, forrando-as com forminhas de papel ou untando-as muito levemente com óleo.

Numa tigela grande, combine os ingredientes secos (chocolate inclusive). Numa outra vasilha, misture todos os ingredientes líquidos. Acrescente então os líquidos aos sólidos e misture rapidamente, apenas o suficiente para os envolver (se mexer/bater demasiado, os muffins não terão a textura certa).

Coloque a massa nas forminhas, enchendo-as até 2/3 da altura. Leve ao forno a assar, até que um palito saia limpo de massa (poderá sair sujo de chocolate derretido!). Isto dependerá do seu forno – verifique a primeira vez ao fim de 15 minutos.

Retire os muffins do forno e retire-os cuidadosamente das formas, colocando-os sobre uma grade para arrefecer. Uma vez frios, guarde-os num recipiente hermeticamente fechado.

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Muffins de cacau e uma chávena de leite frio, num piquenique de fugida na varanda. Meia hora de pausa, com o mar e o sal ao fundo. O cérebro comeu, a alma descansou. O regresso aos livros só podia ser mais produtivo.

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Já não era a primeira vez que me punha a pensar naquelas pessoas que são capazes de se sentar, com papel e lápis, uma calculadora talvez, vá, e inventar receitas de bolos, muffins, cupcakes, eu sei lá. Dessas coisas com química certa, que não se fazem de uma pitada aqui ou ali. Pensava muitas vezes que se compreendesse a química subjacente a cada um desses tipos de preparação, seria capaz, também, de me sentar e criar coisas novas. De combinar sabores como a vontade mandasse. Devia haver um livro sobre isto, pensava eu, invariavelmente enquanto conduzia e as receitas se iam sucedendo na minha cabeça mais depressa que os carros na estrada. Um livro que me ensinasse a proporção das coisas, como é que nunca ninguém se lembrou disto? A divina proporção da química culinária.

Isto é monólogo antigo (eu não falo propriamente sozinha, mas tenho conversas inteiras comigo mesma, dentro da minha cabeça), daquelas coisas que me ocorriam de vez em quando, sempre que via, sei lá, uma receita de muffin que me agradava parcialmente e pensava em trocar a por b mas sem saber muito bem como. E nunca fui daquelas pessoas de lançar mãos ao trabalho sem certezas, correndo o risco de sair tudo estragado. Não pelo medo de errar – esse chateia-me pouco. Pronto, chateia-me qualquer coisa, mas não o suficiente para me impedir de tentar. Mas pelo medo de estragar e desperdiçar ingredientes. Eu sei que foi assim que se inventaram todas as receitas do mundo, que não nasceram de um momento inspirado prontinhas para o papel e para o prato, mas que querem? Manias, não sou capaz de me lançar para fase de testes sem ter uma base relativamente segura de confiança no que de lá vai sair.

Mas, dizia eu, monólogo antigo. Daqueles que vêm e vão, sem hora marcada nem grande regularidade. Já tinha até comentado com o Zé o quanto eu gostava de perceber essas químicas. E eu a pensar como é que nunca ninguém se tinha lembrado de escrever um livro sobre estas coisas… Até ao dia em que, já não sei bem onde, nem como, descobri que ia ser publicado. E brevemente!

Entretanto publicou-se. Michael Ruhlman, senhor de nome e respeito, atendeu aos meus pedidos (devo ter enviado umas ondas telepáticas quaisquer, chatas e insistentes) e escreveu Ratio. Acrescentei-o logo à wishlist e andava a ver se o comprava. Entretanto, o marido viajou e de Chicago lá me chegou a minha cópia. E é basicamente “Proportion for Dummies“. Porque aquilo é básico. Tão básico que aqui a preguiçosa até lá podia ter chegado, mais coisa menos coisa, sozinha, se se tivesse dado ao trabalho de sentar e perceber. Mas quem é que tem tempo para isso? Não é muito mais fácil que um senhor se tenha dado ao trabalho de sentar, perceber e depois escrever um livro a explicar? Eu achei que sim.

Agora já posso inventar. Tenho as fórmulas básicas para pão, pasta, bolos vários, massas de tarte, panquecas e várias outras coisas. O livro, de subtítulo “The simple codes behind the craft of everyday cooking” é uma ajuda preciosa para quem gosta de fazer mais do que seguir receitas. Arriscar, inventar, misturar sabores nunca antes misturados. Bem, quase todos. Cá em casa garanto-vos que não vamos chegar ao extremo de fazer queques de chocolate com bacon, como eu já vi por essa blogosfera fora.

Para experimentar o livro e ver se era realmente de confiança, resolvi fazer uma receita muito simples, sem ousadias, só para começar. Fiz muffins de limão, vulgares mas muito saborosos. A proporção resultou. Da próxima já faço, sei lá, muffins de limão com azeite de alecrim. Ou outra coisa qualquer.

 muffins de limão I

Muffins de limão

  • 225g farinha
  • 225g leite
  • 113g açúcar
  • 113g manteiga (derretida)
  • 113g ovos (2 ovos grandes)
  • 2 colheres chá de fermento
  • 1 colher chá de sal
  • raspa e sumo de 1 limão pequeno

A proporção dos muffins e pães rápidos é 2 partes de farinha, 2 partes líquido, 1 parte ovo e 1 parte gordura. O açúcar varia com a receita, mas não deve ultrapassar 1 parte.

Pré-aquecer o forno a 175ºC. Misturar farinha, açúcar, sal e fermento. Num outro recipiente, misturar leite, ovos e manteiga. Bater com um batedor de varas até obter uma mistura homogénea. Juntar aos ingredientes secos e misturar com o batedor de varas o suficiente apenas para combinar. Acrescentar então a raspa e sumo de limão.

Untar formas de muffin com manteiga ou óleo (eu prefiro um nadinha de óleo, porque deixa os muffins mais leves). Deitar a massa nas formas (rende aproximadamente 10 muffins) e levar ao forno por aproximadamente 30 minutos ou até que um palito inserido no centro saia limpo.

muffins de limão II

Como eu disse, os muffins não tinham nada de extraordinário. Mas eram simples e bons, óptimos para o lanche ou para o pequeno-almoço. E são tão húmidos que se aguentam muito bem durante uns dias, desde que guardados num recipiente hermeticamente fechado.

O livro mostrou-me que a receita funciona. Agora é só fechar os olhos e misturar. Muffins de morango com manjericão? De queijo e pimento assado? É só deixar a cabeça ir! Estar por dentro dos segredos das proporções culinárias abre um mundo de possibilidades!

 

A Elise, do maravilhoso Simply Recipes, também leu e gostou. Podem ler review dela aqui

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Muffins de zucchini

Sou esquisita e implico com algumas coisas. Como com este legume, por exemplo. Não sei se lhe chame zucchini ou courgette ou abobrinha. Nenhum destes nomes é português de Portugal: zucchini é italiano, courgette é francês, abobrinha português do Brasil. Ou será que por cá também é abobrinha? E eu, que até uso muitas expressões não portuguesas, que não tenho problemas com dizer abat-jour (mas alguns com abajur), download ou oi, perco-me em deambulações mentais sobre a courgette (ou o zucchini!) e a/o sanduíche.

A primeira vez que li que tinha havido alguém a lembrar-se de fazer um bolo com courgette pensei que havia loucos para tudo. Mas a coisa não morreu ali e começou a espalhar-se pela blogosfera. As modas são assim, pensei eu. Afinal, só esse pensamento justifica que, nos últimos meses, os blogues americanos tenham sido inundados por receitas de cupcakes de chocolate com bacon, caramelos de bacon e nojices semelhantes, todas com bacon. Nojices digo eu, do alto do meu preconceito: afinal, nunca provei. Quem sabe, se calhar até é bom (bleargh!).

Durante uns meses deixei que o preconceito contra a courgette nos bolos mandasse. E esqueci-me disso. Mas os blogues têm servido para me ensinar muita coisa e uma delas foi que não posso, nunca, negar sem experimentar. Eu nunca fui menina de dizer “não gosto” sem provar – e por isso provei.

Era Domingo à tarde, um daqueles domingos preguiçosos. Enquanto preparava o post do dia seguinte reparei que estava a ficar com o stock de receitas em baixa (é o que acontece quando se tem a pretensão de escrever no blog todos os dias…). Ao mesmo tempo era o dia ideal para a cozinha. Mas só havia um ovo em casa e eu não estava mesmo nada com vontade de sair. Receitas com um ovo ou receita nenhuma. E apeteciam-me muffins.

Abri o del.icio.us e abri o separador de muffins. Estes eram logo os segundos da lista. Mas eu não queria cranberries e não tinha chocolate em casa, para as chocolate chips. A cabeça começou rapidamente a trabalhar e dela sairam duas ideias: uma outonal, com maçã caramelizada e especiarias, e outra mais neutra, com cacau e uma pitada de café, para agradar à minha cara metade, mais esquisita neste mundo dos doces. A receita é parecida com a original, mas com algumas alterações para se prestar às minhas variações.

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Muffins de zucchini


Ingredientes

  • 1 ½ medidas de farinha
  • 1 medida de açúcar amarelo
  • 1 medida de zucchini ralado (medida bem cheia e comprimida)
  • 1 ovo
  • ¼ medida de manteiga derretida
  • ½ colher chá de bicarbonato de sódio
  • ½ colher chá de fermento
  • ¼ colher chá de sal

Muffins de cacau:

  • 1 colher sopa de cacau
  • 1 colher chá de café instantâneo
  • 1/2 medida de pedacinhos de chocolate (eu não tinha, mas fizeram falta)

Muffins de maçã:

  • 2 maçãs pequenas
  • 1 colher sopa de manteiga
  • 2 colheres sopa de açúcar
  • ¼ colher chá de extracto de baunilha
  • 1 pitada de canela
  • 1 pitada de noz-moscada

Na batedeira, bati o ovo com o açúcar. Juntei a manteiga e o zucchini e bati bem. Adicionei farinha, fermento, sal e bicarbonato e bati novamente. Dividi a massa em duas partes iguais. Numa incorporei o cacau e o café (e os pedacinhos de chocolate, se os tivesse) e na outra a maçã caramelizada (que previamente havia cortado em cubinhos pequeninos e dourado em manteiga; quando já estava cozinhada, juntei o açúcar e deixei caramelizar ligeiramente; retirei a maçã e juntei um bocadinho de água para “deglazear” a frigideira; deixei reduzir e juntei este caramelo também à massa), a baunilha, a canela e a noz moscada.

Levei ao forno, pré-aquecido a 170ºC, em formas untadas com óleo (muito, muito, muito pouco). Deixei assar cerca de 20 minutos ou até que um palito saia limpo. Repousaram nas formas 5 minutos e depois passei-os para uma grade, onde arrefeceram completamente. A receita rendeu 8 muffins.

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Os muffins de cacau não eram muito interessantes. Faltava-lhes sabor, qualquer coisa que fizesse deles mais do que um simples bolinho de chocolate. Talvez os pedaços de chocolate no meio da massa lhes dêem mais graça. Serviram o seu propósito, no entanto: o Zé gostou deles.

Os muffins de maçã, por outro lado, estavam deliciosos. A mistura do zucchini na massa torna-a muito húmida e fofa e o sabor das especiarias, muito leve, e da maçã caramelizada fizeram deste o meu muffin favorito, a partir desse dia. E eu não digo isto de qualquer coisa! Estes muffins são mesmo muito bons! Claro que o Zé não gostou, mas eu fiquei feliz por ter antecipado isso. Assim, havia muffins para todos os gostos e nenhum dos dois ficou desiludido! Eu até fiquei assim hesitantemente feliz por poder ficar com os quatro muffins de maçã todos para mim!

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Eu posso dizer, com alguma vergonha mas não muita, que não sou a pessoa mais aventureira na cozinha. Não gosto do desperdício e tenho sempre medo que seja o que for que eu arrisque saia mal e me obrigue a deitar tudo ao lixo. Por isso mantenho-me por receitas mais ou menos seguras, com pouco de novo.

Este medo é particularmente flagrante no capítulo doces. Aí sigo as receitas à risca! Cozinhar doces é um processo químico, mais do que físico, e qualquer alteração dos ingredientes pode provocar estragos irreparáveis ao produto final.

Mas aos poucos, bem devagarinho, tenho vindo a conquistar terreno a este meu medo e a sonhar alternativas que, às vezes, arrisco pôr em prática. Nem sempre correm bem, claro. Mas felizmente, até agora, ainda não tive de deitar nada fora.

Como já disse muitas vezes, eu sou de fases. E nessas fases vicio em determinados alimentos, ingredientes, sabores. Uso-os em tudo, sonho com misturas deles com outros ingredientes e fico perdida a imaginar essas combinações de sabores. Neste momento estou assim com o alecrim e o pistachio. Lembro-me perfeitamente de não gostar de pistachio (como de não gostar de alecrim, mas essa é história para outro post). Achava o sabor muito forte e estranho e as casquinhas difíceis de abrir. Desisti durante muitos anos. Até que, há uns meses atrás, um primo meu, numa festa, disse adorar pistachios. E, saiba alguém explicar porquê, eu decidi provar outra vez. E pronto, estava feito o estrago. Foi a descoberta de um novo sabor – fiquei apaixonada. E desde então é pistachio por todo o lado.

Nos últimos dias, o sonho de pistachio andou à volta de muffins e cookies. Na minha cabeça, misturei pistachio e limão num muffin fofinho e delicioso. Depois de muitas voltas, de procurar receitas básicas sobre as quais pudesse trabalhar esta mistura de sabores, de ler e reler e imaginar o processo, fui para a cozinha. E fiz esta receita:

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Mini-muffins de limão e pistachio

Ingredientes

  • 100g farinha de trigo
  • 50g açúcar
  • 1 colher chá fermento
  • 1/2 colher chá sal
  • 50g manteiga
  • sumo e raspas de meio limão
  • meia chávena de pistachios
  • 1 ovo

Pré-aqueci o forno a 180ºC. Misturei a farinha, o sal e o fermento. Juntei-lhes o açúcar e os pistachios partidos em pedaços não muito pequenos. Reservei. Derreti a manteiga e juntei-lhe o sumo de limão, as raspas e o ovo. Bati. Com um garfo, incorporei os líquidos nos secos, mas sem bater – a massa deve ficar heterogénea (mas com a farinha bem incorporada). Levei ao forno cerca de 18minutos, até estarem dourados.

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Esta receita é de mini-muffins porque eu só tinha forminhas de papel médias. E a receita é metade da receita-base original, porque assim, se alguma coisa corresse mal, era menos o que ia para o lixo.

Não ficaram impossíveis de comer. Nem sequer ficaram maus. Mas não ficaram aquilo que eu queria. O sabor do limão mascarou completamente o sabor dos pistachios, de tal forma que só me pude arrepender de ter gasto meia chávena de uma forma tão idiota. Ainda ponderei, enquanto os fazia, eliminar o limão da receita e juntar-lhe alecrim. Mas pareceu-me demasiado arriscado para o meu nível de confiança. Um dia destes, quem sabe…

Estes, como muffins de limão ficaram bastante bons, ainda que excessivamente densos. Na verdade, o resultado não foi exactamente o de um muffin, mas sim de algo intermédio entre o muffin e o cookie. Eu diria que essa densidade se deve ao facto de terem sido feitos em doses pequenas e, como tal, terem secado mais. A repetir, fá-lo-ia em formas de tamanho normal para muffin, que me permitissem um resultado mais leve e fofo. E não juntaria os pistachios. Mas é com os erros que se aprende, não é?

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