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Archive for the ‘Noz’ Category

Aprender a gostar de abóbora. Experimentar coisas novas e apaixonar-me perdidamente, cair de quatro, redonda. Repetir a receita, uma e outra vez. Ficar feliz por ainda haver abóbora no congelador, quando há uma semana estava sem saber o que lhe fazer. Agora já sei: muffins. Muffins da Dorie, à sexta ou em qualquer outro dia. E com pequenos pedaços de chocolate, como tesouros escondidos na massa. Porque quase tudo fica melhor com chocolate.

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Muffins de abóbora, nozes e chocolate negro

(levemente adaptados do cada vez mais maravilhoso Baking)

12 muffins

  • 2 medidas de farinha de trigo
  • 2 colheres chá de fermento químico
  • ¼ colher chá de bicarbonato de sódio
  • ¼ colher chá de sal fino
  • 3/4 colher chá de canela em pó
  • 3/4 colher chá de gengibre em pó
  • 1 pitada de noz moscada
  • 115g manteiga sem sal, à temperatura ambiente
  • ½ medida de açúcar branco
  • ¼ medida de açúcar amarelo
  • 2 ovos grandes, à temperatura ambiente
  • ½ colher chá de extracto de baunilha
  • 1 medida de puré de abóbora (preparado como indicado aqui)
  • ¼ medida de buttermilk (¼ medida de leite + 1 colher chá de vinagre)
  • ½ medida de nozes grosseiramente picadas
  • ½ medida de chocolate negro grosseiramente picado

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Prepare um tabuleiro de muffins, untando-o bem ou colocando forminhas de papel. Reserve.

Misture bem, com um garfo ou um batedor de varas, a farinha, o fermento, o bicarbonato, o sal e as especiarias. Reserve.

Com a batedeira, bata a manteiga até que esta fique cremosa. Acrescente os açúcares e bata até obter um creme homogéneo e claro. Acrescente então um ovo de cada vez, batendo sempre para o incorporar na massa. Junte a baunilha.

Reduza a velocidade e adicione o puré de abóbora e o buttermilk. Se a massa talhar não se preocupe – é normal e não vai alterar em nada o resultado final.

Com uma espátula, envolva os ingredientes secos na massa, mexendo só até que desapareça toda a farinha. Acrescente as nozes e o chocolate, envolvendo-os rapidamente e sem bater mais a massa.

Divida-a pelas 12 forminhas – uma colher de gelado é ideal para garantir que todas têm a mesma quantidade de massa e que cozem de forma homogénea. Leve ao forno pré-aquecido por 20 minutos ou até que um palito inserido no centro de um muffin saia seco.

Retire do forno e transfira-os para uma grade. Deixe arrefecer completamente.

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Não estava à espera que fossem tão bons, confesso. Fiquei desconfiada até à primeira trinca, momento de irremediável conversão. Não sei por que insisto em me espantar, quando já devia saber que tudo o que sai das mãos da Dorie é maravilhoso.

Estes muffins em tons quentes de Outono, a espalhar aromas inebriantes pela casa, são dos melhores que já comi. São fabulosos no próprio dia, ainda ligeiramente crocantes, mas aguentam-se lindamente 3-4 dias, se guardados em recipiente hermeticamente fechado.

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Continuamos na despedida do Verão, com o Outono já a dar ares de ter chegado em força. Os tomates vieram atrasados este ano, dizem-me. Ainda vão durar 2 semanas. Faço planos para aproveitar ao máximo estes últimos quilos, já que tomate fresco outra vez só para o ano.

As despedidas vão-se misturando com a necessidade de coisas rápidas. Com o Outono voltaram também as aulas, num ano que se espera mais tranquilo mas, simultaneamente, mais desafiante e interessante. Que bom é aprender coisas novas todos os dias. E para manter o cérebro estimulado, que a preguiça é coisa a que me habituo facilmente, aprendo também na cozinha.

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Massa com molho de tomate e pimento assado

(2 pessoas)

  • 200g spaguetti
  • 40g bacon, em cubos pequeninos
  • 1 cebola, em cubos pequeninos
  • 1 tomate coração de boi grande e bem maduro
  • ½ frasco de pimentos vermelhos assados (ou mais ou menos, a gosto)
  • 3 dentes de alho
  • 1 medida de nozes
  • 2 punhados de rúcula
  • piri-piri em flocos (ou em pó)
  • azeite
  • sal

Coza a massa em água temperada de sal, até estar quase al dente. Faça isto enquanto faz o molho, para melhor sincronia dos tempos de cozedura e a massa não ficar demasiado cozida.

Numa frigideira seca, frite o bacon levemente. Retire e reserve. Na mesma frigideira, sem limpar, aloure a cebola num fio de azeite. Moa meia colher de chá flocos de piri-piri (ou acrescente seco) para cima da cebola e mexa bem.

Enquanto a cebola aloura, triture, com a varinha mágica, o tomate, os pimentos e os dentes de alho, até obter um molho grosso. Quando a cebola estiver dourada, acrescente este molho à frigideira. Reduza para fogo médio e cozinhe 2-3 minutos. Acrescente o bacon e as nozes grosseiramente picadas.

Escorra a massa e junte-a ao molho, ainda na frigideira. Junte 2-3 colheres da água de cozedura e mexa bem, para que toda a massa seja envolvida pelo molho. Deixe engrossar (30 segundos a 1 minuto devem ser suficientes; mais não, para que a massa não fique demasiado mole) e sirva com folhas de rúcula e um fio de azeite cru.

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Este prato tem um leve sabor fumado, do bacon e dos pimentos, que nos agradou muito. É daquelas macarronadas de deixar lábios e pratos manchados de vermelho e uma sensação mista de sabores familiares e novos, como se a avó italiana que nunca tivemos resolvesse, de repente, dar um toque diferente a um velho conhecido. Conquistou-nos pelo estômago e ganhou lugar nos eternos retornos da nossa cozinha.

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Há dias doces de açúcar e outros que o são de surpresas e descobertas. Dias em que nos enchem o colo de coisas bonitas e gestos simpáticos. Há uns meses, a More than Cookies deu-me um desses dias, com um convite impossível de recusar.

A More than Cookies é uma pequena empresa, sem loja física, com produtos de encantar. E as simpáticas meninas que enchem a montra dos sonhos convidaram o Caos para conhecer e experimentar. Fossem os meus armários infinitos, para tantas vontades. Escolhi as fairy cake baking cases, caixinhas para bolos que só podem ser especiais.

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Muffins de mirtilos e streusel

(adaptado de duas receitas do How to cook everything vegetarian, Mark Bittman)

muffins:

  • 3 colheres de sopa de óleo vegetal
  • 250g farinha de trigo
  • 50g açúcar
  • ½ colher chá de sal
  • 3 colheres chá de fermento
  • 1 ovo
  • 1 medida de leite
  • 1 medida de mirtilos

streusel:

  • 50g açúcar amarelo
  • 1 colher chá de canela
  • 1 medida de nozes finamente picadas
  • 2 colheres de sopa de manteiga derretida

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Prepare as formas de muffins (num tabuleiro raso ou de muffins, se forem formas redondas) e reserve.

Streusel: misture todos os ingredientes, tentando que a manteiga humedeça o máximo possível dos ingredientes secos. Reserve.

Muffins: misture os ingredientes secos numa tigela e reserve. Noutro recipiente, bata o ovo com o óleo. Misture os ingredientes secos com a mistura de ovo e envolva rapidamente, sem bater. Se se virem pedacinhos de farinha não faz mal, a massa deve ficar com aspecto encaroçado e não liso. Acrescente à massa metade do streusel previamente preparado e os mirtilos. Envolva ligeira e rapidamente.

Distribua a massa pelas formas preparadas, até 2/3 da altura e sem mexer demasiado a massa. Cubra os muffins com a metade restante do streusel.

Leve ao forno aproximadamente 20 minutos ou até que um palito inserido no centro saia seco. Retire os muffins do forno e deixe arrefecer sobre uma grade.

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Esta receita foi preparada quando ainda havia mirtilos. Estes podem ser omitidos ou substituídos, sem problema. Em caso de omissão, acrescentar raspa de limão à massa parece-me uma alternativa muito saborosa. O streusel, com as nozes (que também podem ser substituídas por outro fruto seco) dá um toque crocante delicioso à receita. E as caixinhas das fadas da More than Cookies elevam um simples lanche a um acontecimento a ser partilhado com alguém especial.

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Há pessoas que nos fogem quando estamos mesmo a começar a conhecê-las. Leva-as a vida o trabalho os pais o amor o avião para o outro lado do mar. Não chegam a ser nossas pessoas, porque não houve tempo para isso. Ficam-nos lá ao fundo, guardadas nas memórias de outros tempos, com um “se” ao peito. Se tivesse havido tempo. Se não tivesse havido avião. Se ela voltasse.

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A Nancy fugiu pouco tempo depois de a conhecer. Ainda trocámos cenas no teatro e umas conversas poucas, mas foi o suficiente para ficar com pena de a perder tão cedo. A Nancy foi para a (ainda não) minha cidade, do outro lado do mar.

E um dia, as novas tecnologias – que são tão ponto de encontro como o sr. Henrique Mendes – trouxeram-me a Nancy outra vez. E um outro dia, a Nancy voltou. Para cá, tão pertinho. E porque os regressos se comemoram com abraços e com gargalhadas que se ouvem, fizemos um jantar. Um jantar de acção de graças, que a Nancy não tinha tido. Um jantar para agradecer, um dia para agradecer – que ideia genial, esta dos americanos.

Planeámos, dividimos tarefas e no fim saiu tudo trocado. Não houve peru, não houve molho de arandos. Não houve batata assada com marshmallow por cima (yuck.). Mas houve abraços e gargalhadas e porco assado e puré e tarte de abóbora e muitos à mesa. E houve este bolo.

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Bolo de cenoura

(adaptado de Baking, de Dorie Greenspan)

bolo

  • 1 medida farinha de trigo
  • 1 colher chá de fermento em pó
  • 1 colher chá de bicarbonato
  • 1 colher chá de canela em pó
  • ½ colher chá de sal
  • 1 ½ medidas de cenoura ralada (bem apertadas)
  • 1 medida de nozes grosseiramente picadas
  • ½ medida de coco ralado
  • ½ medida de açúcar branco + ½ medida de açúcar amarelo
  • ½ medida de óleo
  • 2 ovos grandes

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte com manteiga uma forma redonda (a minha não tinha furo) e polvilhe com farinha. Reserve.

Com um garfo, misture a farinha, o fermento, o bicarbonado, a canela e o sal. Numa outra vasilha, misture as cenouras raladas, as nozes e o coco.

Com a batedeira, bata bem os açúcares com o óleo, em velocidade média, até que esteja o mais liso possível. Acrescente então os ovos, um a um, e continue a bater. Reduza a velocidade para o mínimo e acrescente a mistura de farinha, mas bata só até que os ingredientes secos desapareçam. Com uma colher de pau ou um salazar, envolva então a mistura de cenoura na massa, levemente.

Leve ao forno por 40-50 minutos ou até que um palito inserido no bolo saia sem vestígios de massa crua (húmido sairá sempre e é assim que se quer este bolo). Retire do forno e deixe arrefecer 10 minutos. Desenforme então e deixe arrefecer completamente sobre uma grade.

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creme

  • 180g queijo mascarpone (pode usar queijo creme)
  • 70g manteiga sem sal, à temperatura ambiente
  • ¼ medida de xarope de ácer (o maple syrup das panquecas) – pode substituir por mel ou por mais açúcar
  • ½ medida de açúcar em pó

Na batedeira, bata bem o queijo com a manteiga, até que fique suave e cremoso. Acrescente o xarope de ácer aos poucos, se possível alternando com colheres do açúcar em pó (alternar líquidos e sólidos ajuda a dissolver melhor). Bata bem, até que o creme fique sedoso.

Quando o bolo estiver completamente frio, cubra-o com o creme. Polvilhe com nozes ainda mais partidas do que as do bolo e sirva a amigos gulosos.

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Fiz muitas alterações a este bolo. Era um bolo de 3 camadas e eu cortei a receita e fiz uma só. Cortei no creme, também, e reduzi-lhe muito o açúcar. Também introduzi o xarope de ácer, porque achei que o sabor ia combinar muito bem com o bolo – e felizmente não me enganei.
O bolo é muito bom – dos melhores que tenho feito. Há anos que queria fazer um verdadeiro carrot cake, à americana. E não me desiludiu. Também fica muito bom sem creme, só bolo. Com uma chávena de chá e um livro eu já sou uma mulher feliz.

A Nancy é agora uma das minhas pessoas. Já não é um se e está cá dentro guardada. Ainda bem que o mundo dá, efectivamente, tantas voltas.

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.nota: 1 medida equivale a 1 chávena com 210-220ml de capacidade.

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pão mesmo que chova

Já não chove, como nas fotografias. Parece que a Primavera chegou e sente-se que veio com vontade. Por cá, já havia saudades do sol na pele, do cheiro que o mundo tem quando está calor. Mas pão faz-se sempre, chova ou faça sol. E come-se ainda mais sempre, só ou acompanhado – uma fatia barrada com manteiga, outra roubada de passagem e comida assim, somente. Pão mesmo que chova e que troveje.

Não é novidade para quem lê o Caos que eu gosto muito de fazer pão. É um prazer, é uma terapia. E é uma delícia, sempre. Mas é também uma forma de marcar posição e de bater o pé. De mostrar, a mim e a quem me quer ler, que pão é farinha, água, sal e fermento. E outras coisas, se quisermos, mas que não são precisas. Num país como o nosso, com tanto e tão bom pão, com tanta tradição e tantas receitas maravilhosas, é chocante e deixa-me francamente furiosa que muito do pão que se vende seja, na verdade, tão pouco pão. Que tenha tantos químicos, conservantes, melhorantes, espessantes. Experimentem visitar a padaria de qualquer super ou hipermercado e ler os rótulos. Mesmo o pão quente, acabado de sair, daquele que é feito quase a todas as horas, tem aditivos. E não vamos entrar, sequer, pelo reino dos pães de forma, de hamburger e de cachorro que duram semanas na despensa – isso não é pão.

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Este pão é uma variação sobre a receita já muito falada, aqui no blog e em toda a internet, do no-knead bread, do Jim Lahey. Foi feita com um queijo que descobri quando estivemos em Amsterdam e que nos serviam ao pequeno-almoço. É um gouda com cominhos, as sementes inteiras a salpicar o queijo, e liga maravilhosamente com carnes fumadas. Eu, que não gosto de queijo, consegui convencer o meu marido (que ainda gosta menos do que eu) a regressar com um pedaço na mala.Recentemente redescobri-o no Continente e no supermercado do El Corte Ingles e de vez em quando compro.

Achei que a massa deste pão, que é tão porosa, ia combinar lindamente com cubos do queijo com cominhos e com pedaços de nozes. Adaptei a receita de pão com queijo do livro, juntei-lhe nozes e torci os dedos, à espera.

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No-knead bread com nozes e gouda com cominhos

(adaptado a partir de My Bread)

  • 400g farinha para pão
  • 200g queijo com cominhos, em cubos pequenos
  • 50g nozes em pedaços
  • 1 colher chá sal
  • 3/4 colher chá de fermento biológico
  • 300g água fria

Numa tigela média, misture a farinha, o queijo, as nozes, o sal e o fermento. Adicione a água e misture bem, usando uma colher de pau, até obter uma massa húmida e pegajosa. Cubra a tigela e deixe levedar 12-18h (quanto mais tempo deixar, mais arejada será a massa).

Quando a primeira fase tiver terminado, enfarinhe uma superfície e transfira para lá a massa, sem rasgar. Com os dedos enfarinhados, molde muito levemente uma bola, dobrando as pontas para baixo. Polvilhe com muito pouca farinha, cubra com um pano e deixe repousar 2h (até dobrar de tamanho).

1h30 depois, pré-aqueça o forno a 220ºC e coloque lá dentro uma panela de ferro ou de barro, com tampa.

No fim das 2h, transfira cuidadosamente o pão para dentro da panela. Faça-lhe dois golpes no topo, para que possa expandir-se. Cubra a panela com a tampa, reduza a temperatura do forno para 200ºC e deixe cozinhar 30 minutos.

Ao fim de meia hora, retire a tampa da panela e deixe cozinhar mais 15-30 minutos, até que o pão esteja dourado (o tempo vai depender da sua preferência por pão mais ou menos tostado).

Retire do forno com muito cuidado e deixe arrefecer sobre uma grade por, pelo menos, 1h. Se o cortar antes, o miolo do pão estará húmido e pegajoso, porque o pão acaba de cozer fora do forno, enquanto arrefece.

Quando arrefecer, é só cortar e comer. Se sobrar, guarde-o bem fechado, numa caixa ou num saco, para que não seque.

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Este pão é significativamente mais forte do que a sua versão simples. O queijo derrete e penetra na massa, espalhando o sabor dos cominhos por todo o pão. Os pedaços à superfície torram ligeiramente e reforçam o sabor das nozes, que são boas e pequenas surpresas no meio das fatias.

Fazer pão é juntar coisas simples, sem segredo, e ver magia acontecer. Sem precisar dos pós modernos, que mantêm fresco o que já devia ter secado ou apodrecido há muito. É guardar o pão bem fechado, comê-lo enquanto fresco e fazer torradas quando seca. É aproveitar cada bocadinho e usar as sobras como pão ralado ou croutons. E não esperar que dure para sempre.

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Às vezes o meu frigorífico é um armário de restinhos: um bocadinho de um queijo, umas nozes soltas, uma mão cheia de massa de pão. E esses restinhos às vezes não chegam para mais nada e pedem uso e olham-me dos seus cantos, de cada vez que abro o frigorífico. Mas um restinho, dois restinhos, três restinhos juntam-se e fazem um restão, grande e saboroso, que chega para uma refeição. Para um almoço rápido, um lanche elaborado, um jantar leve. Para deixar feliz a barriga e feliz a consciência, por não ter deitado nada fora.

E foi assim que, no outro dia, abri a porta do frigorífico e me deparei com um pedaço da massa de pizza da Hannah, que é aquela que tenho feito ultimamente. Era um pedaço pequeno, que não chegava para uma pizza. (Ou chegava para uma pequenina, mas apeteceu-me variar). Ao lado, umas folhas de rúcula, sozinhas e que, essas sim, não chegavam para uma salada. Umas azeitonas pretas, umas nozes, um naco de queijo, um cheddar suave. Agarrei neles todos e deitei mãos à obra.

pão recheado II

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Pão recheado

Massa de pizza

  • 3 ¾ medidas de farinha
  • 1 colher chá de fermento biológico seco
  • 1 colher chá de sal fino
  • 2 colheres sopa de azeite
  • 1 ½ medidas de água morna (quase fria)

Um bocadinho desta massa, do tamanho de uma laranja. Abri-a bem fininha, numa superfície enfarinhada, numa forma mais ou menos oval. Por cima, o queijo ralado grosso, as azeitonas e as nozes picadas, a rúcula, um fio de azeite, uma pitada de sal e umas folhas de manjericão, rasgadas à mão. Enrolei sem apertar e deixei levedar meia hora, para que a massa ficasse com mais ar.

pão recheado

Pincelei com azeite, dei-lhe umas tesouradas e assei depois em forno pré-aquecido a 200ºC, sobre um tabuleiro de forno também pré-aquecido, até estar inchado e dourado.

Retirei e deixei aquecer sobre uma grade. Depois fatiei e comi. E comi. E comi mais um bocadinho.

pão recheado III

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Estava bom. Muito bom. Aqueles ingredientes desgarrados, com ar de coitadinhos dentro do meu frigorífico mostraram toda a sua gratidão dentro do punhado de massa de pão. E agora agradeço-lhes eu, pela refeição.

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Cá por casa ainda não há crianças. E este 4 por 6 vem uma semana atrasado relativamente ao dia da criança. Mas enquanto tentava montar o prato para as fotografias ocorreu-me que parecia comida de brincar. De comer a brincar, pelo menos. Um prato assim, desconstruído, de onde apetece beliscar daqui e dali.

4por6

Esta semana portámo-nos um bocadinho mal. Trazemos uma sugestão que é assim quase prima do hamburger com batatas fritas. Que não tem nada de mal, de vez em quando. Nós somos grandes fãs de hamburger com batatas fritas. Mas comer fritos não é muito bom para a saúde, como todos sabemos. Olhem, foi o nosso pecado do dia da criança. Para fazer felizes as crianças que vivem em nós!

4 por 6 0806 II

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Almôndegas de porco com chips sortidas

Almôndegas

  • 440g carne de porco picada
  • 4 colheres sopa de queijo parmesão (se for do fresco ralado na hora melhor ainda)
  • 3 colheres sopa de bacon ralado (usei o microplane)
  • 1 cenoura grande ralada fina
  • 3 dentes de alho ralados
  • 1 colher café de cominhos
  • 1 colher café de paprika
  • 1 colher chá de sal fino
  • 1 colher café de alecrim em pó (eu desfiz o seco no almofariz)
  • 1 pitada de piri-piri em pó
  • 1 ovo
  • farinha de mandioca para dar liga (ou pão ralado)

Num recipiente grande, colocar a carne de porco, as especiarias, parmesão, alho, bacon, cenoura e misturar tudo muito bem – primeiro com um garfo, depois com as mãos. Acrescentar o ovo e misturar. Ir adicionando aos poucos a farinha de mandioca (que usei por não haver pão ralado em casa) até conseguir uma massa moldável.

Moldar pequenas bolas (eu prefiro almôndegas pequeninas, daquelas que dão uma trinca, duas no máximo), que podem ser congeladas. Estes ingredientes fazem aproximadamente 45 pequenas almôndegas (sendo que, por pessoa, eu recomendo 10 para adultos e 8 para crianças).

Prefiro cozinhar as almôndegas descongeladas, sobretudo se não as vou cozinhar em molho (como faria para preparar um prato de pasta e almôndegas em molho de tomate). Portanto descongelei-as. Pincelei uma frigideira grande e anti-aderente com uma colher chá de azeite e quando estava quente acrescentei as almôndegas, que fritei/grelhei dos dois lados, até estarem cozinhadas por dentro mas não secas.

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Chips sortidas

  • 2 batatas grandes
  • 1 batata doce grande
  • 2 beterrabas médias

Com a ajuda do mandolim, cortei todos os tubérculos em fatias finas. Coloquei-os em água gelada durante cinco minutos. Escorri, sequei-os bem e fritei em óleo bem quente. Quando prontas, sequei-as bem em papel absorvente e temperei com flor de sal e orégãos.

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Salada de alface e nozes

  • 1 alface média
  • 1 punhado de nozes
  • 5 colheres sopa de azeite
  • 2 colheres sopa de vinagre de vinho tinto
  • 1 colher chá de mostarda
  • sal

Lavei as folhas de alface, sequei-as bem e cortei-as em fatias finas. Acrescentei as nozes cortadas em metades e temperei com uma vinagrete feita com o azeite, o vinagre e a mostarda, bem batidos até formarem uma emulsão. Misturei bem e polvilhei com flor de sal.

4 por 6 0806 I

Cá em casa não somos os maiores fãs de almôndegas. Nunca as compramos já prontas. Nunca as comemos em restaurantes. Isso porque achamos que as almôndegas são sempre mal feitas. As dos restaurantes são feitas com restos de carne e, por isso, já perdem em sabor e qualidade. As congeladas… bem, essas não sei o que se passa com elas, mas a verdade é que não sabem bem. Por isso preferimos fazer as nossas. É muito fácil e num curto espaço de tempo fazem-se almôndegas suficientes para várias refeições, que se podem congelar e guardar para quando for mais conveniente. E se forem bem feitas e bem temperadas podem ser deliciosas. Estas são muito saborosas!

Os chips sortidos foram uma surpresa. A batata doce muito saborosa, a beterraba também. E as de batata, as normais, são sempre deliciosas. Eu também sou daquelas que tem um fraco por batatas fritas. Das boas, que das congeladas dispenso.

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Para a sobremesa, cerejas de saco, as minhas favoritas, rijas e sumarentas e doces. Vieram directamente de Resende, do Festival da Cereja, onde os meus pais foram no dia 31 de Maio.

E as contas:

4 por 6 08-06

As cerejas não eram bem estas, mas até foram mais baratas. As contas estão feitas para as 45 almôndegas que consegui, sendo que aqui na receita se usará, no máximo, 40.

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Beterraba e laranja

salada-beetorange

É linda, é saudável e é da Fer. É preciso dizer mais alguma coisa?

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Pequeno-almoço reforçado

Ano novo, vida nova. Mas essa minha vida nova começou já em Outubro, ainda que só agora me esteja a adaptar verdadeiramente a ela. O regresso ao ginásio era necessário apesar de desagradável. Nunca gostei de ginásio, de fazer exercício. Não me importo de o fazer se estiver distraída, mas o ritual de fazer o saco, ir enfiar-me num ginásio cheio de gente para fazer coisas horríveis e desagradáveis em frente a 300 outras pessoas, suar, ficar toda vermelha ao fim de 2 minutos (esteja a fazer o mais pesado ou o mais leve dos exercícios), tomar banho, vestir-me num balneário gelado, meia molhada, com o cabelo a pingar, para vir embora, desfazer o saco e no dia seguinte recomeçar tudo outra vez nunca foi a minha ideia de diversão. E não entendo os maluquinhos do ginásio, aqueles que vão para lá antes do trabalho ou no fim do dia, felizes e contentes, que saem de lá como se tivesse sido a melhor hora do dia e não faltam nem que seja feriado – sinceramente, para mim são pessoas com sérios problemas e eu recomendaria acompanhamento psicológico urgente.

À luz deste meu luminoso humor para tudo o que se relaciona com o ginásio, é óbvio que as sessões naquelas máquinas de tortura, com nada além do mp3 para evitar o enforcamento voluntário numa delas, estavam foram de questão. Portanto havia que encontrar alternativas que me fizessem desgostar um pouco menos do faz saco-tira roupa-veste roupa-corre sua sofre-toma banho-veste roupa-foge dali. E encontrei. Tenho feito coisas diferentes, como andar de bicicleta dentro de água (hidrobike) ou misturar tai chi, pilates e yoga, tudo regado a muito banho turco no fim e a um bom duche de água quase fria. E encontrei um ginásio com aulas sem ser ao fim da tarde, para poder fugir às multidões – apesar de apanhar as criancinhas das aulas de natação dos infantários – porque é que não há educadores homens para os corrermos todos do balneário das mulheres??

E com isso tenho saído de casa de manhã (ou ao fim dela), em direcção a coisas menos stressantes, que funcionam para mim e fazem do ginásio algo mais próximo do prazer  suportável que do sofrimento. Portanto, alguns pequenos-almoços têm sido reforçados, uma vez que não vou comer nada até à hora de almoço ou que o almoço vai ser tardio. E esta tem sido uma opção muito agradável nestes dias de agarrar no saco e sair porta fora.

breakfast

Comprei no supermercado do El Corte Ingles um balde de 1litro de iogurte grego (que ficou muito mais barato do que os potinhos individuais, além de mais ecológico em termos de embalagens). No copo da varinha mágica, bati 2 colheres de sopa generosas de iogurte grego, 1 banana e 1 colher de sobremesa de compota de pêssego do Verão passado. Passei para uma taça e polvilhei 3 nozes partidas em pedaços. Comi sentada à janela, a ver a chuva cair lá fora, e a contemplar o raio da ideia de ir para o ginásio com este temporal.

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É um bocadinho frustrante que a macarronada mais saborosa que já fiz tenha sido, também, a mais feia. É verdade, à partida, que massa e molho não serão as coisas mais fáceis de fotografar. Um monte um pouco indistinto de pasta, molho e o que mais for não é o cenário mais fotogénico. Mas estava tão boa, tão boa que não pude deixar de partilhar.

Ontem por cá foi dia de tempestade. Choveu torrencialmente durante grande parte do dia, caiu granizo e o frio era mais que muito. Ir às compras estava, portanto, fora de questão. O que fazer para o jantar com o que havia em casa? Não ia ser fácil…

Descongelei 3 hamburgers daqueles de supermercado, que comprámos uma vez no desespero de fazer uma refeição rápida e de que gostámos tão pouco que ficaram abandonados no congelador. Ia fazer almôndegas, estava decidido. E molho de legumes assados. E pasta. Hmmm…

macarronada1

Macarronada com molho de legumes assados e almôndegas

Ingredientes

Molho:

  • 1 beringela média
  • ½ pimento vermelho
  • 1 lata de tomates inteiros
  • 8 dentes de alho
  • azeite
  • sal
  • alecrim
  • orégãos

Almôndegas:

  • 300g carne picada (eu usei os ditos hamburgers)
  • ½ medida de parmesão ralado na hora
  • 1 colher sopa de alho em pó
  • 1 pitada de chilli
  • 1 pitada de cominhos
  • 1 pitada de orégãos
  • 1 punhado de nozes picadas

Comecei por assar os legumes para o molho: pré-aqueci o forno a 200ºC e num tabuleiro dispus a beringela, com casca, cortada em cubos, o pimento cortado em pedaços do mesmo tamanho e os tomates da lata, bem escorridos, inteiros. Reguei com azeite, temperei com sal, orégãos e alecrim e levei a assar. Pus os dentes de alho num recipiente de vidro e reguei com água a ferver, para lhes tirar a casca. Em seguida, alourei-os ligeiramente em azeite, com todo o cuidado para não deixar queimar, e quando estavam dourados juntei à frigideira 30ml de água e uma colher de sopa de vinagre balsâmico. Deixei caramelizar e reservei. (se não quiserem ter este trabalho podem assar uma cabeça de alho inteira no forno, sem descascar e apenas com o topo cortado). Quando os legumes estavam prontos coloquei-os no copo da varinha mágica. Juntei-lhes o alho e o líquido da lata dos tomates. Bati bem e reservei.

Num recipiente desfiz os hamburgers. Juntei o queijo ralado, o alho em pó, as especiarias e as nozes bem picadas e misturei até ficar o mais homogéneo possível. Com as mãos, enrolei pequenas almôndegas (bite size). Na frigideira onde caramelizei o alho, fritei as almôndegas em duas colheres de sopa de azeite, até estarem praticamente cozinhadas e com zonas crocantes, da fritura. Acrescentei o molho (pode ser preciso acrescentar aqui um pouco de água, caso o molho seja demasiado espesso) e deixei cozinhar mais uns dois ou três minutos.

Entretanto tinha cozido bavette, que regressou à panela depois de bem escorrida. Sobre ela, despejei o molho e as almôndegas e envolvi tudo muito bem. Servi polvilhado de orégãos e de parmesão ralado (este só no meu prato).

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Era impossível tirar uma fotografia decente deste prato. O molho, a massa, as almôndegas, tudo era uma pilha mais ou menos indistinta e fumegante no prato. Resolvi tirar na mesma, só porque sim. E depois de provar não resisti à partilha: de três hamburgers horríveis saíram almôndegas deliciosas, cheias de sabor, com o crocante da frigideira e das nozes a contrastar com as texturas mais suaves da pasta e do molho. E o molho era também delicioso. Claro que teria ficado ainda melhor se feito com tomates frescos, mas não estamos na época deles e os que por aí andam não têm sabor nenhum. Não é o molho mais rápido, mas todo o trabalho que dá é compensado: o sabor intenso dos legumes assados, o alecrim e o doce do alho caramelizado fizeram deste um molho todo especial. Óptimo para uma macarronada daquelas boas, só massa e molho, sem necessidade de mais nada. Se bem que aqui as almôndegas abrilhantaram a festa! Não sobrou uma para contar história e o ar deliciado com que o Zé as comeu disse tudo!

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