Feeds:
Artigos
Comentários

Arquivos para a Categoria ‘Paprika’

Há muitos, muitos anos os meus pais pegaram em nós, pequenas, e levaram-nos à EuroDisney. E ficámos no hotel dos cowboys: quartos com beliches, colchas com cactos, cordas penduradas do tecto, fardos de palha pelo caminho. Lá, no hotel dos cowboys, aprendi que há gente que come feijões ao pequeno-almoço. Feijões com bom aspecto, num molho espesso com ar de tomate, mas que não se encaixam, ainda hoje, na minha primeira refeição do dia.

Ainda assim, fomos atrás daqueles feijões ao almoço, quando andávamos a passear na Frontierland, a terra do velho oeste lá do parque. E encontrámo-los, a eles e às batatas em gomos cozinhadas com casca e ao frango e às costelinhas em molho barbeque. Que molho era aquele? Não sabíamos, mas lambuzámos boca e dedos, deliciados.

Eu e o meu pai ficámos fãs. Volta e meia lá apareciam em casa latas de feijão da Hellman’s, com ar de terem saído daquelas panelas de ferro preto que os cowboys usam nos filmes, sobre a fogueira, no meio do nada. Não sabiam tão bem como a nossa cabeça imaginava, mas à falta de alternativa, tinham de chegar. Até agora.

.

Frango e feijões em molho barbecue

(ligeiramente adaptado daqui)

  • 1 lata grande de feijão branco
  • 1 cebola
  • ½ pimento vermelho e ½ pimento verde
  • 100ml de molho barbecue (compro o meu no supermercado do El Corte Ingles)
  • 1 colher sopa de vinagre de vinho tinto
  • 1 colher sopa de xarope de bordo (ou mel)
  • 2 colheres chá de mostarda
  • paprika fumada
  • piri-piri
  • 1 folha de louro
  • sal
  • 2 peitos de frango pequenos
  • azeite

Pré-aqueça o forno a 160ºC.

Numa vasilha, misture o molho barbecue, o vinagre, o xarope de bordo e a mostarda numa tigela.

Pique a cebola e os pimentos. Num tacho que possa ir ao forno, aqueça um fio de azeite e refogue-os até que a cebola esteja translúcida. Escorra e lave o feijão e acrescente-o ao tacho, juntamente com o louro. Por cima, o molho, uma pitada generosa de paprika fumada, uma mais discreta de piri-piri. Misture bem e deixe cozinhar 10 minutos. Tempere então com sal. Aninhe bem os peitos de frango entre os feijões, para que fiquem bem cobertos pelo molho. Se tiver pouco molho, pode acrescentar um bocadinho de água.

Tape a panela e leve ao forno pré-aquecido, por 40-50 minutos. Sirva com fatias de pão rústico, torradas.

 

Read Full Post »

Apesar da instabilidade do tempo, já não me apetecem os pratos quentes e pesados. As sopas, os estufados, os pratos de forno servidos a escaldar. A boca já pede Verão, refeições leves, ideias frescas. Mesmo que ainda vá chovendo, aqui e ali. E mesmo que o sol teime em não aparecer.

Este prato foi adaptado da Bon Appetit de Janeiro 2011. Vinha num post de fim de férias, uma família regressada a casa, nos EUA, depois de uns dias em Itália. Estavam cansados, irritados com o regresso às rotinas – e o pai resolveu sossegar corpos e espíritos com uma recordação da costa de Amalfi, em forma de jantar.

.

Pasta amalfitana com calamares

(6 pessoas)

  • ¼ medida de farinha
  • ¼ medida de amido de milho
  • 1 colher chá de sal
  • ½ colher chá de fermento
  • ¼ colher chá de piri-piri
  • ¼ colher chá de paprika
  • 500g de lulas limpas e cortadas em anéis
  • azeite + óleo para fritar (em partes iguais)
  • spaguetti integral
  • sumo de limão
  • coentros frescos
  • quartos de limão
Forre um tabuleiro com várias folhas de papel de cozinha. Numa tigela, misture farinha, amido de milho, sal, fermento, piri-piri e paprika.  Mergulhe as lulas na mistura de farinha e reserve.
Coza o spaguetti (eu usei integral), em água e sal. Quando estiver al dente, escorra bem e reserve.
Aqueça o óleo e o azeite numa panela, até que esteja bem quente. Frite os anéis de lula até que estejam dourados e crocantes – 2 a 3 minutos. Com uma escumadeira, remova-os, escorrendo bem, e transfira para o tabuleiro com o papel absorvente.
Quando todas as lulas estiverem fritas, coloque a pasta num recipiente fundo, para ir à mesa, e tempere com 3 colheres de sopa de sumo de limão, um fio muito leve de azeite, uma pitada de alho em pó e parte dos coentros, picados. Coloque os calamares por cima e polvilhe com os restantes coentros. Sirva com quartos de limão.
.
Nós, que não somos grandes fãs de lulas, gostámos bastante. A pasta, quase fria, liga lindamente com as lulas crocantes e com o amargo dos coentros e o ácido do limão. Nunca estivemos em Amalfi. Mas se é assim que se come por lá, temos boas razões para planear uma viagem.

Read Full Post »

Finalmente, o regresso. Que saudades desta cozinha. Das experiências, mesmo das menos bem sucedidas. Vamos ver se consigo voltar a alguma regularidade, que me faz tanta falta.

Infelizmente, não foi só o blog que deixei ao abandono. O 4 por 6 também sofreu com a minha falta de tempo. Mas  este projecto é composto por outras meninas, muito mais responsáveis e criativas do que eu, e manteve-se de boa saúde. Muito obrigada, Elvira, Laranjinha, Marizé, Suzana e Pipoka.

E é o 4 por 6 que me traz de volta hoje, ainda a meio da época de exames mas já a sonhar com uns dias de férias que vêm aí. Esta receita foi preparada há umas semanas, mas mal a provei soube que era óptima para o 4 por 6. Pode ser feita no momento ou no dia anterior, é nutritiva e quase vegetariana e, sobretudo, é muito saborosa.

.

Chilli de 3 feijões

  • 1 lata pequena de feijão branco
  • 1 lata pequena de feijão preto
  • 1 lata pequena de feijão vermelho
  • 100g de bacon cortado em cubos pequenos
  • 2 cenouras médias
  • 1 pimento vermelho médio
  • 1 cebola grande
  • 4 dentes de alho
  • 2 tomates médios maduros
  • 150g polpa de tomate
  • 1 folha de louro
  • 1 colher café de cominhos em pó
  • 1 colher café de paprika
  • ½ colher café de piri-piri
  • 1 colher café de orégãos
  • sal
  • azeite

Num tacho grande, refogue num fio de azeite a cebola e o alho picados. Quando estiverem ligeiramente translúcidos, acrescente o bacon em cubos e deixe alourar um pouco. Junte a cenoura e o pimento, ambos em cubinhos pequenos, e deixe refogar 1 ou 2 minutos. Acrescente então os tomates cortados em cubos, a folha de louro e restantes especiarias e mexa bem. Dilua a polpa de tomate num pouco de água e acrescente também ao tacho. Mexa, junte sal e prove. Acerte o sal e as especiarias, baixe o lume, tape e deixe cozinhar 5 minutos.

Entretanto, escorra bem os feijões e lave-os em água corrente. Escorra novamente e coloque-os na panela. Acerte a quantidade de água (se quiser com mais molho, junte mais água), o sal e deixe cozinhar 10-15 minutos.

Sirva com arroz branco e salada de alface e hortelã, cortadas em tiras fininhas e temperadas com azeite e sumo de limão.

.

Aqui, usei feijão em lata, que é, sem dúvida, o mais fácil de usar. Mas não é o mais económico nem o mais saudável, por isso se tiver tempo demolhe e coza feijão seco. Pode até aproveitar para cozer em excesso e congelar o restante, em porções individuais.

.

Laranja com calda de cravinho

  • 4 laranjas
  • 2 cravinhos
  • 50g açúcar amarelo

Descasque as laranjas. Corte as cascas em pedaços e remova a parte branca, a mais amarga. Ferva as cascas durante 5 minutos. Num tacho pequeno, dilua o açúcar em igual quantidade de água. Junte as cascas fervidas e os cravinhos e deixe reduzir até fazer um xarope.

Entretanto, corte as laranjas em rodelas finas. Quando a calda estiver pronta, coe para retirar as cascas e o cravinho e deite por cima das laranjas. Leve ao frigorífico até à hora de servir.

Esta laranja é receita do meu pai. Costuma aparecer à nossa mesa todos os anos, no Natal – e foi por isso que me lembrei dela. É excelente comida no dia em que é feita, mas fica ainda melhor se passar uns dias na calda, no frigorífico. (lamento não ter fotografia, mas não consegui nenhuma apresentável)

.

As contas:

.

Dica de poupança: o congelador pode ser o nosso melhor amigo – congele sobras de vinho em sacos de cubos de gelo para usar em molhos e refogados; cabeças e espinhas de peixe (sem cozinhar) para fazer caldo, as partes dos legumes que não comemos para caldo de legumes. E para poupar tempo, pode fazer este chilli de 3 feijões a dobrar e congelar metade, para um dia em que não tenha tempo.

Read Full Post »

O ritmo das semanas repete-se. Poucas horas para tanta coisa, muito cansaço para tão pouca vontade de cozinhar. Mas a cozinha é terapia, pelo menos para mim. E já aconteceu muitas vezes pensar fazer algo tão simples como umas torradas esfregadas com alho, cobertas de tomate maduro e regadas a bom azeite e pronto, está o jantar feito, e dar por mim no meio de várias panelas, sertãs e coisas semi-cozinhadas. As mãos e os ingredientes levam-me, às vezes, e no meio deles consigo desligar.

Mas mesmo sendo terapia, nunca há tempo, paciência ou energia para grandes aventuras culinárias, durante a semana. As coisas simples, que se fazem depressa, de preferência com intervalos para mais umas linhas de estudo ou mais uns exercícios, são a salvação dos jantares.

Não sei como é que esta receita nunca veio aqui parar. Acho que pensei várias vezes nela, mas achei sempre que não daria uma boa fotografia. E que era, talvez, um pouco desinteressante. Mas depois de a ter feito três vezes em três semanas, de me ter sabido sempre tão bem e de se fazer tão depressa, achei que não podia continuar a deixá-la fora do Caos.

Não é novidade para quem me lê que nós por cá gostamos muito de comidas bem temperadas. E durante uns anos comprámos daqueles kits de comida mexicana, uns para burritos e outros para fajitas. Eram bons, traziam os temperos todos e eram fáceis. Quantos jantares de burritos fizemos com os amigos! O divertido que era estarmos todos à volta da mesa a tentar enrolar a tortilla sem que a carne fugisse, o tomate caísse e o molho nos ensopasse os dedos.

Entretanto passou-nos. Mas a comida mexicana continua a apetecer cá por casa. Os kits nunca mais comprámos (embora eu deva dizer que acho que nunca serei capaz de fazer um tempero para burrito tão bom como o deles), mas as fajitas continuam a aparecer à nossa mesa. Daqui e dali, de uma receita e de outra, construí o meu tempero e agora faço-as eu, sem kit nem pacote. Só as tortillas é que continuam a ser das compradas, que não há máquina nem paciência para as abrir tão fininhas.

Fajitas

.

Fajitas de frango
(para 2 pessoas)

  • 2 bifes de frango
  • 1 pimento vermelho
  • 1 cebola grande
  • 1 colher chá de paprika
  • 1 colher chá de cominhos
  • ½ colher chá de piri-piri em pó (ou mais, se quiser)
  • 1 colher chá de orégãos
  • sumo de 1 limão
  • sal

Para servir:

  • 6 tortillas
  • queijo ralado (eu prefiro mozzarella)

Comece por cortar o frango em tiras finas e compridas. Coloque num recipiente, regue com o sumo do limão e adicione as especiarias e sal. Misture tudo muito bem, para que todos os pedaços de frango tenham uma leve capa de especiarias e deixe marinar umas horas (pode deixar de um dia para o outro; eu, em desespero de causa, deixo marinar 30 minutos).

Corte o pimento em tiras finas e a cebola em gomos. Numa frigideira larga, aqueça um generoso fio de azeite e frite ligeiramente cebola e pimento, até que comecem a ficar um pouco moles e a cebola se mostre dourada. Retire para um prato e reserve.

Acrescente um bocadinho mais de azeite à frigideira e frite as tiras de frango, cerca de 1 minuto de cada lado. Junte a cebola e o pimento reservados, uma pitada de sal e mexa bem. Acrescente um pouco de água, de forma a fazer algum molho, mas mesmo só um bocadinho. Deixe cozinhar mais uns minutos (tendo o cuidado de não cozinhar demasiado o frango, para que não fique seco), acerte o sal se necessário e retire para um recipiente.

As tortillas devem apenas ser aquecidas. Costumo empilhar as seis e levar 1 minuto ao microondas.

Para comer, coloca-se a tortilla no prato, por cima um pouco da mistura de frango, pimento e cebola, polvilha-se com o queijo ralado e dobra-se a tortilla – mais ou menos como mostra o Jack.

.

Em menos de nada está o jantar pronto. E é uma refeição completa. Costumo acompanhar com uma salada, que vamos petiscando entre trincas e malabarismos para não deixar que a fajita se desmanche.

Read Full Post »

Cá por casa ainda não há crianças. E este 4 por 6 vem uma semana atrasado relativamente ao dia da criança. Mas enquanto tentava montar o prato para as fotografias ocorreu-me que parecia comida de brincar. De comer a brincar, pelo menos. Um prato assim, desconstruído, de onde apetece beliscar daqui e dali.

4por6

Esta semana portámo-nos um bocadinho mal. Trazemos uma sugestão que é assim quase prima do hamburger com batatas fritas. Que não tem nada de mal, de vez em quando. Nós somos grandes fãs de hamburger com batatas fritas. Mas comer fritos não é muito bom para a saúde, como todos sabemos. Olhem, foi o nosso pecado do dia da criança. Para fazer felizes as crianças que vivem em nós!

4 por 6 0806 II

.

Almôndegas de porco com chips sortidas

Almôndegas

  • 440g carne de porco picada
  • 4 colheres sopa de queijo parmesão (se for do fresco ralado na hora melhor ainda)
  • 3 colheres sopa de bacon ralado (usei o microplane)
  • 1 cenoura grande ralada fina
  • 3 dentes de alho ralados
  • 1 colher café de cominhos
  • 1 colher café de paprika
  • 1 colher chá de sal fino
  • 1 colher café de alecrim em pó (eu desfiz o seco no almofariz)
  • 1 pitada de piri-piri em pó
  • 1 ovo
  • farinha de mandioca para dar liga (ou pão ralado)

Num recipiente grande, colocar a carne de porco, as especiarias, parmesão, alho, bacon, cenoura e misturar tudo muito bem – primeiro com um garfo, depois com as mãos. Acrescentar o ovo e misturar. Ir adicionando aos poucos a farinha de mandioca (que usei por não haver pão ralado em casa) até conseguir uma massa moldável.

Moldar pequenas bolas (eu prefiro almôndegas pequeninas, daquelas que dão uma trinca, duas no máximo), que podem ser congeladas. Estes ingredientes fazem aproximadamente 45 pequenas almôndegas (sendo que, por pessoa, eu recomendo 10 para adultos e 8 para crianças).

Prefiro cozinhar as almôndegas descongeladas, sobretudo se não as vou cozinhar em molho (como faria para preparar um prato de pasta e almôndegas em molho de tomate). Portanto descongelei-as. Pincelei uma frigideira grande e anti-aderente com uma colher chá de azeite e quando estava quente acrescentei as almôndegas, que fritei/grelhei dos dois lados, até estarem cozinhadas por dentro mas não secas.

 .
Chips sortidas

  • 2 batatas grandes
  • 1 batata doce grande
  • 2 beterrabas médias

Com a ajuda do mandolim, cortei todos os tubérculos em fatias finas. Coloquei-os em água gelada durante cinco minutos. Escorri, sequei-os bem e fritei em óleo bem quente. Quando prontas, sequei-as bem em papel absorvente e temperei com flor de sal e orégãos.

.

Salada de alface e nozes

  • 1 alface média
  • 1 punhado de nozes
  • 5 colheres sopa de azeite
  • 2 colheres sopa de vinagre de vinho tinto
  • 1 colher chá de mostarda
  • sal

Lavei as folhas de alface, sequei-as bem e cortei-as em fatias finas. Acrescentei as nozes cortadas em metades e temperei com uma vinagrete feita com o azeite, o vinagre e a mostarda, bem batidos até formarem uma emulsão. Misturei bem e polvilhei com flor de sal.

4 por 6 0806 I

Cá em casa não somos os maiores fãs de almôndegas. Nunca as compramos já prontas. Nunca as comemos em restaurantes. Isso porque achamos que as almôndegas são sempre mal feitas. As dos restaurantes são feitas com restos de carne e, por isso, já perdem em sabor e qualidade. As congeladas… bem, essas não sei o que se passa com elas, mas a verdade é que não sabem bem. Por isso preferimos fazer as nossas. É muito fácil e num curto espaço de tempo fazem-se almôndegas suficientes para várias refeições, que se podem congelar e guardar para quando for mais conveniente. E se forem bem feitas e bem temperadas podem ser deliciosas. Estas são muito saborosas!

Os chips sortidos foram uma surpresa. A batata doce muito saborosa, a beterraba também. E as de batata, as normais, são sempre deliciosas. Eu também sou daquelas que tem um fraco por batatas fritas. Das boas, que das congeladas dispenso.

.

Para a sobremesa, cerejas de saco, as minhas favoritas, rijas e sumarentas e doces. Vieram directamente de Resende, do Festival da Cereja, onde os meus pais foram no dia 31 de Maio.

E as contas:

4 por 6 08-06

As cerejas não eram bem estas, mas até foram mais baratas. As contas estão feitas para as 45 almôndegas que consegui, sendo que aqui na receita se usará, no máximo, 40.

Read Full Post »

Já me debati longamente, no blog e fora dele, sobre os pratos deliciosos que dão péssimas fotografias. No que ao blog diz respeito, mais longamente ainda me debati sobre a sua publicação. A conclusão pessoal a que cheguei foi que não devia excluir uma receita deliciosa só porque a fotografia não é boa. Afinal, o blog é sobre comida, boa comida de preferência.

Claro que já todos sabemos que os olhos também comem – e eu como muito com os olhos. Dificilmente compro um livro de receitas, por exemplo, que não tenha fotografias. Claro que isto não é regra – se o livro for mesmo muito bom e não tiver fotografias, paciência, compro-o na mesma. É por isso que quando tenho receitas com más fotografias escolho publicar só aquelas que são mesmo muito boas.

É o caso deste frango. Foi inspirado nesta receita de frango à espanhola, mas fiz-lhe tantas alterações que já não é exactamente o mesmo prato. Portanto fica a referência à inspiração e, a seguir, a minha versão.

frango-com-feijao

.

Frango com feijão e cogumelos no forno

Ingredientes
(para quatro pessoas)

  • 2 peitos de frango, cortados a meio (4 grandes cubos de peito de frango, portanto)
  • 100g de bacon em cubos pequenos
  • 1 cebola grande
  • 3 dentes de alho
  • 1 lata de tomate pelado
  • 2 latas de feijão
  • 12 cogumelos brancos cortados em quatro
  • 2 colheres sopa de farinha
  • 1 colher sopa de paprika
  • 300ml de caldo de legumes (ou galinha)
  • azeite
  • sal

Misture a farinha, a paprika e uma pitada generosa de sal e passe o frango nesta mistura, cobrindo-o homogeneamente. Num tacho baixo, aqueça 2 colheres de sopa de azeite e frite nelas o frango, de ambos os lados, até que esteja dourado, mas sem que cozinhe completamente. Retire e reserve.

No mesmo tacho, com mais um pouco de azeite, frite o bacon e a cebola até que esta esteja dourada. Acrescente o alho bem picado e refogue mais um pouco. Junte em seguida os cogumelos e deixe fritar ligeiramente. Adicione o feijão, os tomates desfeitos e o caldo. Acerte o sal, acrescente paprika se desejar e deixe levantar fervura.

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Numa travessa de forno disponha o frango reservado e por cima o refogado de feijões e cogumelos, bem como todo o molho. Se quiser, acrescente agora um ramo pequeno de alecrim. Leve ao forno por aproximadamente 40 minutos (pode ser menos, se achar que está a ficar demasiado seco, ou pode ser mais, se os peitos forem muito grossos). Sirva acompanhado de pão alentejano ou de arroz branco.

.

Cá em casa serviu-se acompanhado de arroz branco, já que um dos “pratos” favoritos do Zé é arroz ensopado no molho do que quer que seja. Os feijões que usei não eram de lata, mas daqueles bons, comprados na feira e debulhados à mão, que estavam guardados no meu congelador desde Setembro passado. Cozi-os, guardei alguns no frigorífico e fui usando.

Este assado é delicioso e talvez ficasse ainda melhor se feito estilo cassoulet, na panela de ferro desde o fogão até ao forno. Da próxima é assim que conto fazê-lo.  Vou ainda acrescentar o sugerido ramo de alecrim, coisa que não fiz. Ainda assim, o cheiro pela casa era delicioso e o frango ficou húmido e saboroso, com a paprika a dar um toque fumado muito agradável.

A fotografia… bem, é a possível. Espero que o relato compense e que desperte a vontade de experimentar que a fotografia, infelizmente, não desperta.

Read Full Post »

Como já vos disse, sobrou muito porco. Das várias coisas que fiz com ele, esta foi uma das mais saborosas. É um prato que faço normalmente, quando tenho de improvisar o jantar, e que nos sabe muito bem. Além disso, é fácil e rápido e pode ser feito com sobras de qualquer tipo de carne ou com um peito de frango que ande perdido pelo frigorífico – nós temos muitas vezes esse problema, uma vez que somos dois e as embalagens normalmente trazem três peitos.

enchilada-de-porco-i

.

Enchiladas de porco e feijão preto

Numa frigideira grande, com um fio de azeite, alourei bastante alho e uma cebola picada. Juntei uns cubinhos de bacon e um tomate maduro, cortado em cubos. Acrescentei um bocadinho de polpa de tomate e meia lata, das pequenas, de feijão preto. Temperei com sal, piri-piri, cominhos, alho em pó e uma pitada de paprika. Deixei apurar e misturei duas medidas de porco desfiado, desligando o fogo em seguida. Com este refogado, recheei duas daquelas tortillas que tenho sempre em casa, enrolando-as e fechando as pontas para dentro do rolo. Coloquei-as numa travessa de forno e reguei com uma mistura feita com a varinha mágica: um tomate maduro, um fiozinho de azeite, orégãos, sal e uma pitada minúscula de cominhos. Por cima, mozzarella ralado ou esfarelada à mão. Vai ao forno a 200ºC, até estar dourado.

.

Esta receita é excelente porque, se acompanhada por uma salada, é completa e não muito pesada. Sabe mesmo bem naquelas noites de sofá, em que ao jantar se segue um filme ou dois e longas e exaustivas doses de fazer nenhum.

.

(apesar de muito boas, as enchiladas são horríveis de fotografar. Bem piores que as massas! Por isso desculpem-me por não incluir nenhuma fotografia do interior, mas não consegui nenhuma apresentável)

Read Full Post »

A minha querida abóbora, que ficava tão bonita na minha varanda e que intrigava a Nina diariamente, teve de ser comida. Estive quase, quase a desistir dela como alimento e a guardá-la como decoração, companhia nos fins de tarde que (agora já não) passo na varanda.

De abóbora debaixo do braço, vou para a cozinha. Abri-la não foi fácil! Tirada polpa e sementes, metade foi cortada em fatias (de casca e tudo!) e a outra metade em cubos. As fatias foram para o forno, médio, pinceladas de cominhos, coentros, paprika, alho e azeite. Os cubos foram simplesmente cozidos em água, bem escorridos e triturados.

As especiarias perfumaram a casa e deixaram-me a sonhar com sopa a saber a Outono. E foi o que fiz para o jantar. E  aproveitando o embalo, inscrevo a receita no Rei da Colher, que é, desta vez, o Rei Coentro.

.

Sopa de abóbora e especiarias

Ingredientes

  • 500g de abóbora assada no forno (receita acima)
  • 2 alhos-franceses grandes
  • 2 cebolas grandes
  • 2 dentes de alho
  • água
  • azeite
  • sal
  • 1 colher sopa de sementes de coentros
  • 1 colher chá de sementes de cominhos
  • 1 colher chá de paprika
  • ½ colher chá alecrim seco
  • 1 colher chá de alho assado seco (ou alho em pó normal)

Num tacho grande, alourei em azeite as cebolas e os alhos, picados. Juntei o alho francês cortado em meias luas e a abóbora em pedaços. Uma pitada de sal, um copo pequeno de água e deixei cozinhar em lume brando.

Num almofariz coloquei os coentros, os cominhos e o alecrim e esmaguei bem, até estarem reduzidos a pó. Juntei a paprika e o alho e misturei.

Quando os legumes já estavam cozidos, passei a sopa muito bem, acrescentando a água necessária para fazer um creme. Acertei o sal e juntei, também, metade da mistura de especiarias do almofariz. Levei ao fogão até ferver e desliguei.

Servi a sopa e por cima, já na tigela, uma pitada da mistura de especiarias.

A sopa é deliciosa e extremamente aromática. O doce da abóbora contrasta na perfeição com as especiarias, especialmente com os coentros e com o alho assado. Pode ainda acrescentar-se umas folhas de coentros frescos, por cima – eu não tinha em casa e, como tal, não fiz a experiência, mas tenho a certeza de que ficará muito saboroso e que o contraste será ainda mais interessante. Pode também acrescentar-se um bocadinho de chilli à mistura de especiarias, para um toque picante.

É uma sopa com sabor a Outono, que aquece corpo e alma e faz sonhar com países distantes. Viajar nos sabores é sempre um imenso prazer.

Read Full Post »

Hoje o tempo está outra vez encoberto. Temos começado os dias assim e depois é sempre surpresa: uns abrem e o sol aparece, outros continuam cinzentos e frescos. Nunca se sabe se apetece salada ou sopa.

Eu gosto de sopa sempre. Mesmo no Verão. E queria uma sopa que fosse toda ela uma refeição, para um jantar rápido e leve. E há muito que queria introduzir mais as lentilhas na dieta cá de casa.

.

Quando eram novos, vinte e poucos anos, os meus pais trabalharam uns meses na Alemanha. E lá, contam eles, foram mais ou menos obrigados a comer, vez e vez e mais vez, lentilhas e salsichas. Conclusão: salsichas alemãs e lentilhas nunca entraram em nossa casa. De cada vez que se fala em lentilhas ouve-se um “bleargh” partilhado. Por este motivo, a primeira vez que comi lentilhas já devia ter, eu, os vinte e poucos anos que eles tinham. Lembro-me que as provei num restaurante Hare Krishna que há no Porto e que serve almoços. Gostava muito de lá ir. E gostava muito da sopa de lentilhas.

Esta sopa não tem e nunca teve como objectivo ser como a sopa de lá. Mas tinha de ser uma sopa interessante, que deixasse o Zé tão entusiasmado com as lentilhas como eu. Pronto, tanto como eu não. Mas o suficiente para não haver “bleargh” nem nariz torcido.

.

Nesse dia – em que eu sabia que queria sopa para o jantar, mas nem tinha ainda pensado muito nisso – andava a passear pelo TasteSpotting, um paraíso voyeurista para foodies, quando dei de caras com esta sopa. Tirando a bolota de iogurte ou natas, era perfeita (sim, nós não gostamos muito dessa coisa dos lacticínios na sopa). E resolvi experimentá-la.

.

Sopa de Lentilhas

Ingredientes

  • 4 dentes de alho picadinhos
  • 1 cenoura grande, cortada em pedaços (não muito grandes, não muito grossos)
  • 1 tomate grande, maduro
  • 3 colheres sopa polpa de tomate (a receita pede pasta de tomate, eu não tinha)
  • 1l caldo de legumes
  • 200g lentilhas vermelhas
  • 1 colher chá cominhos (usei em sementes, que triturei no momento)
  • 1 colher chá paprika
  • 1 colher chá paprika doce (usei o nosso pimentão doce)
  • azeite
  • sal

Numa panela, alourei o alho no azeite. Juntei a cenoura e cozinhei durante uns minutos. Acrescentei as especiarias e cozinhei mais um minuto. Adicionei o tomate e a polpa, mexendo bem, e cozinhei ainda mais um minuto. As lentilhas e o caldo entraram a seguir, acertei o sal, baixei o lume e deixei cozinhar 30 a 40 minutos, até que todos os ingredientes estivessem bem cozidos e o caldo grosso.

Servi acompanhada de fatias de pão com manteiga de alho e mozzarella, polvilhadas de orégãos e alho assado desidratado, torradas no forno até estarem moreninhas.

A sopa é deliciosa, extremamente aromática e cheia de sabor. Não só não ouvi nenhum bleargh, como ouvi muitos hmmms! A sopa agradou, as torradas também e o jantar foi um sucesso! Esta é, sem dúvida, uma adição ao meu reportório de sopas, a repetir muitas e muitas vezes!

Read Full Post »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 262 outros seguidores