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Arquivos para a Categoria ‘Piri-piri’

Há muitos, muitos anos os meus pais pegaram em nós, pequenas, e levaram-nos à EuroDisney. E ficámos no hotel dos cowboys: quartos com beliches, colchas com cactos, cordas penduradas do tecto, fardos de palha pelo caminho. Lá, no hotel dos cowboys, aprendi que há gente que come feijões ao pequeno-almoço. Feijões com bom aspecto, num molho espesso com ar de tomate, mas que não se encaixam, ainda hoje, na minha primeira refeição do dia.

Ainda assim, fomos atrás daqueles feijões ao almoço, quando andávamos a passear na Frontierland, a terra do velho oeste lá do parque. E encontrámo-los, a eles e às batatas em gomos cozinhadas com casca e ao frango e às costelinhas em molho barbeque. Que molho era aquele? Não sabíamos, mas lambuzámos boca e dedos, deliciados.

Eu e o meu pai ficámos fãs. Volta e meia lá apareciam em casa latas de feijão da Hellman’s, com ar de terem saído daquelas panelas de ferro preto que os cowboys usam nos filmes, sobre a fogueira, no meio do nada. Não sabiam tão bem como a nossa cabeça imaginava, mas à falta de alternativa, tinham de chegar. Até agora.

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Frango e feijões em molho barbecue

(ligeiramente adaptado daqui)

  • 1 lata grande de feijão branco
  • 1 cebola
  • ½ pimento vermelho e ½ pimento verde
  • 100ml de molho barbecue (compro o meu no supermercado do El Corte Ingles)
  • 1 colher sopa de vinagre de vinho tinto
  • 1 colher sopa de xarope de bordo (ou mel)
  • 2 colheres chá de mostarda
  • paprika fumada
  • piri-piri
  • 1 folha de louro
  • sal
  • 2 peitos de frango pequenos
  • azeite

Pré-aqueça o forno a 160ºC.

Numa vasilha, misture o molho barbecue, o vinagre, o xarope de bordo e a mostarda numa tigela.

Pique a cebola e os pimentos. Num tacho que possa ir ao forno, aqueça um fio de azeite e refogue-os até que a cebola esteja translúcida. Escorra e lave o feijão e acrescente-o ao tacho, juntamente com o louro. Por cima, o molho, uma pitada generosa de paprika fumada, uma mais discreta de piri-piri. Misture bem e deixe cozinhar 10 minutos. Tempere então com sal. Aninhe bem os peitos de frango entre os feijões, para que fiquem bem cobertos pelo molho. Se tiver pouco molho, pode acrescentar um bocadinho de água.

Tape a panela e leve ao forno pré-aquecido, por 40-50 minutos. Sirva com fatias de pão rústico, torradas.

 

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Quem me lê já deve estar farto de me ouvir cantar louvores aos vegetais e legumes. De me ler a dizer que comemos pouca carne e muita fruta. Mas de vez em quando lá volto eu ao mesmo porque o blog é feito dos nossos dias, das nossas refeições. Não cozinho especialmente para o blog, cozinho para nós. E, do que vamos comendo, o que é bom e novo e interessante é partilhado aqui. É, portanto, normal que os temas se repitam um bocado – afinal, a nossa alimentação tem estes princípios como base, não há volta a dar.

Há uns tempos ouvi falar de uma iniciativa muito interessante: o Meat Free Mondays. Foi criado para sensibilizar as pessoas para o impacto que o elevado consumo de carne tem no ambiente. Propõe que abdiquemos da carne um dia por semana, como forma de proteger a nossa saúde e o meio ambiente. Apenas um dia por semana pode dar um contributo importante para a redução dos efeitos lesivos que a criação de gado e a indústria da carne têm sobre o meio ambiente. Para nós, que comemos pouca carne, um dia por semana não custa nada. Mas mesmo para quem a consome regularmente não parece ser muito difícil. Afinal, é só um dia.

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Pataniscas de legumes com molho agridoce de chili

2 pessoas

  • 1 medida de courgette ralada
  • 1 medida de ervilhas, ligeiramente esmagadas
  • ¼ pimento vermelho em tiras muito finas
  • ½ cebola em meias luas muito finas
  • 1 punhado de coentros picados
  • 2 ovos
  • 6 colheres sopa de farinha
  • 1 colher chá de fermento
  • 1 colher chá de sal
  • 1 pitada de piri-piri
  • óleo para fritar
  • molho agridoce de chili para acompanhar

Misture todos os legumes. Bata levemente os ovos e adicione aos legumes, envolvendo bem. Misture a farinha com o fermento, o sal e o piri-piri. Acrescente à mistura de legumes.

Aqueça uma frigideira anti-aderente. Coloque 1 colher sopa de óleo e coloque 2 colheres de sopa bem cheias de massa (por cada patanisca). Deixe fritar até dourar e vire. Seque-as sobre papel aderente.

Sirva acompanhadas de molho agridoce de chili e uma salada.

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Estas pataniscas são uma excelente opção para uma refeição sem carne. Estão carregadas de legumes, têm pouca gordura e poucos hidratos de carbono e, por terem ovos, têm proteína suficiente para assegurar uma refeição completa.

Nós por cá somos adeptos dos dias sem carne, seja ou não à segunda-feira. E vocês, já aderiram ao Meat Free Monday?

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Os livros são a minha perdição. Deixem-me só um par de havaianas e outro de sapatilhas, troco todos os sapatos do mundo por mais livros. Não acaba nunca a sede que tenho de novas linhas. E partilho da angústia do Almada Negreiros:

Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estou perdido.

Eu também sinto que é uma guerra perdida à partida. Valha-nos o gozo de cada batalha, cada livro terminado e conquistado à imensidão da biblioteca do mundo.

Os livros de cozinha não escapam à minha fome. Perco-me nas imagens, nas linhas, nas sugestões. E apaixono-me e acumulo-os e depois nem sei por onde começar a escolher o jantar. Foi por isso que há pouco mais de duas semanas me rendi definitivamente ao Eat Your Books, um site onde estão indexados milhares de livros e revistas de cozinha e que nos permite pesquisar por ingredientes. Imaginem que tenho camarão, tomate e coentros em casa e quero usá-los para o jantar. O site dá-me uma lista das receitas que existem na minha biblioteca e que usam estes ingredientes. Só tenho de escolher, ir buscar o livro à estante, procurar a receita no índice e ir para a cozinha. Fácil e maravilhoso!

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Camarão em molho picante de tomate

(inspirado no How to Cook Everything)

para 2 pessoas

  • 175g camarão grande, cru (se usar congelado, descongele e seque-o bem com papel absorvente)
  • ½ cebola finamente picada
  • 2 dentes de alho finamente picados
  • 1 tomate coração de boi grande, bem maduro (ou 1 lata pequena de tomate pelado)
  • piri-piri moído na hora (ou em pó)
  • 1 punhado de coentros, com os talos
  • 40ml azeite
  • sal

Numa frigideira grande, comece por alourar a cebola picada no azeite (o azeite deve ser suficiente para cobrir o fundo da frigideira), em lume médio. Moa para cima da cebola o piri-piri e vá mexendo, para não queimar. Acrescente então o camarão e o alho e deixe fritar ligeiramente, até que o camarão esteja levemente rosado mas ainda não cozido. Acrescente os talos dos coentros finamente picados e o tomate, desfeito entre os dedos. Tempere com sal e deixe cozinhar até que o camarão esteja pronto e o molho tenha engrossado.

Sirva polvilhado com coentros picados, acompanhado de arroz basmati cozido em água e sal.

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Se o camarão estiver pronto antes, este é um jantar muito rápido. Uma espécie de camarões al ajillo mais elaborados, podem ser mais ou menos picantes, de acordo com o gosto de cada um. Nós gostamos que nos puxem pela língua, sobretudo nestas noites já mais frias, e que nos lembrem o calor de outras paragens.

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Continuamos na despedida do Verão, com o Outono já a dar ares de ter chegado em força. Os tomates vieram atrasados este ano, dizem-me. Ainda vão durar 2 semanas. Faço planos para aproveitar ao máximo estes últimos quilos, já que tomate fresco outra vez só para o ano.

As despedidas vão-se misturando com a necessidade de coisas rápidas. Com o Outono voltaram também as aulas, num ano que se espera mais tranquilo mas, simultaneamente, mais desafiante e interessante. Que bom é aprender coisas novas todos os dias. E para manter o cérebro estimulado, que a preguiça é coisa a que me habituo facilmente, aprendo também na cozinha.

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Massa com molho de tomate e pimento assado

(2 pessoas)

  • 200g spaguetti
  • 40g bacon, em cubos pequeninos
  • 1 cebola, em cubos pequeninos
  • 1 tomate coração de boi grande e bem maduro
  • ½ frasco de pimentos vermelhos assados (ou mais ou menos, a gosto)
  • 3 dentes de alho
  • 1 medida de nozes
  • 2 punhados de rúcula
  • piri-piri em flocos (ou em pó)
  • azeite
  • sal

Coza a massa em água temperada de sal, até estar quase al dente. Faça isto enquanto faz o molho, para melhor sincronia dos tempos de cozedura e a massa não ficar demasiado cozida.

Numa frigideira seca, frite o bacon levemente. Retire e reserve. Na mesma frigideira, sem limpar, aloure a cebola num fio de azeite. Moa meia colher de chá flocos de piri-piri (ou acrescente seco) para cima da cebola e mexa bem.

Enquanto a cebola aloura, triture, com a varinha mágica, o tomate, os pimentos e os dentes de alho, até obter um molho grosso. Quando a cebola estiver dourada, acrescente este molho à frigideira. Reduza para fogo médio e cozinhe 2-3 minutos. Acrescente o bacon e as nozes grosseiramente picadas.

Escorra a massa e junte-a ao molho, ainda na frigideira. Junte 2-3 colheres da água de cozedura e mexa bem, para que toda a massa seja envolvida pelo molho. Deixe engrossar (30 segundos a 1 minuto devem ser suficientes; mais não, para que a massa não fique demasiado mole) e sirva com folhas de rúcula e um fio de azeite cru.

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Este prato tem um leve sabor fumado, do bacon e dos pimentos, que nos agradou muito. É daquelas macarronadas de deixar lábios e pratos manchados de vermelho e uma sensação mista de sabores familiares e novos, como se a avó italiana que nunca tivemos resolvesse, de repente, dar um toque diferente a um velho conhecido. Conquistou-nos pelo estômago e ganhou lugar nos eternos retornos da nossa cozinha.

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Comprei a slowcooker um bocadinho por impulso. Lia receitas em blogs americanos e ficava a sonhar com um mundo em que jantares deliciosos de carnes a cair do osso e legumes tenros se faziam sozinhos nas muitas horas que eu passo fora de casa. Vi-a numa promoção irresistível e trouxe-a. Como todas as coisas mil vezes fantasiadas, a realidade deixou-me um bocadinho desiludida. É verdade, cozinha maravilhosamente. Mas não tem temporizador, pelo que as minhas muitas horas de ausência se revelaram demasiadas para a panela preparar sozinha o jantar.

Mas o entusiasmo inicial volta, de vez em quando. Colecciono receitas que farei um dia e trouxe mesmo um livro, da última vez que fui aos EUA. Às vezes, sobretudo ao fim-de-semana, quando lhe posso ir deitando olho, tiro-a do armário e ponho-a a trabalhar. Da última vez fiz frango em adobo, forma de cozinhar típica das Filipinas e que é óptima para frangos do campo, com carne mais dura e muito mais saborosa que a dos pobres franguinhos de aviário.

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Frango em adobo

(receita daqui)

  • 1 colher chá de azeite
  • 1 cebola média
  • 6 dente de alho
  • 3 colheres sopa de açúcar amarelo
  • ½ colher chá de piri-piri em pó
  • 2 folhas de louro
  • ½ medida de caldo de galinha
  • 1/3 medida de molho de soja
  • ¼ medida de vinagre de cidra
  • 1 frango do campo, desmanchado, sem os peitos (peça no talho para o desmancharem e guarde os peitos para outra refeição)
Unte o interior da slowcooker com o azeite. Pique a cebola e o alho e ponha-os na panela, juntamente com o açúcar, o piri-piri e o louro. Acrescente o caldo de galinha, o molho de soja e o vinagre e misture bem.
Retire o excesso de gordura do frango (sobretudo das coxas). Ponha os pedaços de carne na panela e, com uma colher, cubra-os com o molho que está por baixo. Ligue a slowcooker no mínimo e deixe cozinhar por 8h.
Quando o frango estiver pronto, retire-o da panela. Disponha os pedaços de frango numa grade de forno, pousada sobre um tabuleiro. Pré-aqueça o forno, no grill, a 240ºC.
Coe o molho para uma panela e leve-o ao fogão, em fogo médio-alto, mexendo sempre até reduzir para metade.
Quando o forno estiver quente, asse o frango por 2-3 minutos, até estar ligeiramente tostado e crocante.
Sirva com o molho, acompanhado de arroz branco ou legumes ao vapor.
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Não experimentei a receita sem a slowcooker. Mas sugiro, para quem queira, fazer da seguinte forma: ligar o forno a 120ºC. Numa panela que possa, posteriormente, ir ao forno, alourar muito levemente a cebola e o alho no azeite. Acrescentar os líquidos e o frango e cobri-lo com o molho. Tapar a panela e levar ao forno durante 6-8h.
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O frango fica muito tenro e saboroso, com um molho diferente. Servi o meu com arroz branco e polvilhado de cebolinha picada (a rama verde das cebolas novas) e com uma salada de folhas verdes. Eu e a slowcooker fizemos as pazes por mais uns tempos e até estou a investigar a melhor forma de lhe arranjar um temporizador, para a poder usar mais vezes.

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Está a ficar calor. Os dias são grandes e como o sol se põe mais tarde, ficamos com a sensação que o trabalho acaba mais cedo. Apetece preguiçar na varanda, sentar no chão da sala com os pés descalços a apanhar os últimos raios de sol. Apetece juntar amigos, invariavelmente na cozinha, onde acabamos sempre. Partilhar um jarro de sangria gelada ou de mojitos, coisas boas para ir petiscando enquanto conversamos ou estamos ali, só, na companhia uns dos outros.

Estamos na época dos abacates. Nos mercados têm aparecido bem maduros e eu tenho feito guacamole quase todas as semanas. O abacate em si diz-me pouco, não lhe acho grande graça. Mas devidamente temperado torna-se um petisco a que não consigo resistir.

Li muitas receitas, inspirei-me aqui e ali. Até que cheguei à minha, aquela que preenche todos os meus requisitos. As medidas não são muito precisas porque dependem dos abacates. Como em tudo na cozinha, é preciso provar, provar e provar outra vez, até que esteja tudo no ponto, naquele equilíbrio de sabores que transforma os vários ingredientes numa entidade que é mais que a soma das partes.

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Guacamole

  • 3 abacates
  • ½ pimento vermelho pequeno
  • ½ cebola média
  • 1 molho de coentros
  • 1 lima ou 1 limão
  • cominhos
  • piri-piri
  • sal

Comece por cortar os abacates a meio e tirar-lhes o caroço. Com uma colher, retire a polpa dos abacates para um recipiente e desfaça-a com um garfo.

Pique o pimento e a cebola finamente. Acrescente aos abacates e misture bem. Acrescente o sumo de uma lima (ou de um limão médio). Prove e veja se é preciso mais – a acidez do citrino deve equilibrar o sabor rico do abacate.

Acrescente meia colher de chá de cominhos, meia de piri-piri e meia de sal. Prove e acrescente mais, a gosto. Lembre-se que os nachos com que normalmente se come o guacamole são salgados, por isso não abuse do sal.

Pique os coentros (pode usar os talos, picando-os muito bem – eu uso) e acrescente ao guacamole, misturando bem.

Sirva com nachos e algo fresco para beber.

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O guacamole fica delicioso servido com nachos. Mas se sobrar, é excelente para sanduíches: barre o pão com um pouco de guacamole, acrescente fiambre de frango ou frango grelhado e leve na marmita, para um almoço rápido e fácil.

Cá em casa, às vezes, jantamos uma taça de guacamole e um cesto de nachos, com um jarro de granizado de fruta e um bocadinho de rum. É rápido e fácil e óptimo para comer no chão da sala, em frente à televisão, enquanto vemos um filme. Acho que vamos repetir a dose este fim-de-semana!

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Apesar da instabilidade do tempo, já não me apetecem os pratos quentes e pesados. As sopas, os estufados, os pratos de forno servidos a escaldar. A boca já pede Verão, refeições leves, ideias frescas. Mesmo que ainda vá chovendo, aqui e ali. E mesmo que o sol teime em não aparecer.

Este prato foi adaptado da Bon Appetit de Janeiro 2011. Vinha num post de fim de férias, uma família regressada a casa, nos EUA, depois de uns dias em Itália. Estavam cansados, irritados com o regresso às rotinas – e o pai resolveu sossegar corpos e espíritos com uma recordação da costa de Amalfi, em forma de jantar.

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Pasta amalfitana com calamares

(6 pessoas)

  • ¼ medida de farinha
  • ¼ medida de amido de milho
  • 1 colher chá de sal
  • ½ colher chá de fermento
  • ¼ colher chá de piri-piri
  • ¼ colher chá de paprika
  • 500g de lulas limpas e cortadas em anéis
  • azeite + óleo para fritar (em partes iguais)
  • spaguetti integral
  • sumo de limão
  • coentros frescos
  • quartos de limão
Forre um tabuleiro com várias folhas de papel de cozinha. Numa tigela, misture farinha, amido de milho, sal, fermento, piri-piri e paprika.  Mergulhe as lulas na mistura de farinha e reserve.
Coza o spaguetti (eu usei integral), em água e sal. Quando estiver al dente, escorra bem e reserve.
Aqueça o óleo e o azeite numa panela, até que esteja bem quente. Frite os anéis de lula até que estejam dourados e crocantes – 2 a 3 minutos. Com uma escumadeira, remova-os, escorrendo bem, e transfira para o tabuleiro com o papel absorvente.
Quando todas as lulas estiverem fritas, coloque a pasta num recipiente fundo, para ir à mesa, e tempere com 3 colheres de sopa de sumo de limão, um fio muito leve de azeite, uma pitada de alho em pó e parte dos coentros, picados. Coloque os calamares por cima e polvilhe com os restantes coentros. Sirva com quartos de limão.
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Nós, que não somos grandes fãs de lulas, gostámos bastante. A pasta, quase fria, liga lindamente com as lulas crocantes e com o amargo dos coentros e o ácido do limão. Nunca estivemos em Amalfi. Mas se é assim que se come por lá, temos boas razões para planear uma viagem.

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O tempo que passo na cozinha diminui drasticamente com a proximidade dos exames. Há umas semanas uns, daqui a umas semanas outros. E pelo meio parece que quase não há tempo para nada. Mas a barriga não faz pausa e exige alimento. Tem sido calada a sopas na maioria dos dias, que dão pouco trabalho, aquecem e alimentam. E de vez em quando a alguma coisa mais especial.

Há uns tempos atrás, o Zé esteve na Austrália a trabalho. E voltou de lá cheio de coisas boas para mim, dentre as quais dois livros do Bill Granger. Confesso que na altura não o conhecia. Mas os livros cativaram-me facilmente, cheios que são de promessas de vida calma e produtos frescos, muitos vindos do mar. E é dele a receita que nos aqueceu um jantar em dia de vida menos apressada.

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Guisado marroquino de peixe

(in Every Day, Bill Granger)

Ingredientes:

(4 pessoas)

  • 1 colher sopa de azeite
  • 1 cebola grande, em fatias finas
  • 1 dente de alho esmagado
  • 2 colheres chá de gengibre fresco ralado
  • 1 colher chá de cominhos
  • 1 colher chá de curcuma (o falso açafrão)
  • 1 pau de canela
  • 1 pitada de piri-piri
  • 400g tomates pelados (de lata)
  • 1 pitada de sal
  • 500g de peixe branco (usei corvina)
  • 400g de grão de bico cozido
  • 2 colheres chá de mel
  • coentros frescos
  • amêndoas

Aqueça o azeite numa panela, em lume médio. Junte a cebola e cozinhe, mexendo ocasionalmente, até que esteja translúcida. Adicione o alho, o gengibre, os cominhos, a curcuma e a canela e cozinhe mais uns 2-3 minutos. Acrescente então o piri-piri, os tomates, o sal e 250ml de água. Cozinhe, mexendo frequentemente, durante 10 minutos. Junte o peixe (cortado em pedaços e limpo de espinhas) e cozinhe durante 5 minutos ou até que o peixe esteja tenro. Adicione o grão de bico e o mel e cozinhe mais uns 5 minutos. Acerte os temperos.

Sirva polvilhado de coentros frescos e amêndoas grosseiramente picadas e acompanhado de arroz basmati, simplesmente cozido em água e sal.

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Este guisado, levemente exótico e quente, mas simultaneamente leve, é perfeito para estas noites frias, em que o vento uiva lá fora e insufla a nossa vontade de calor e conforto. Também deveria ficar muito bom com pedaços de damascos secos, polvilhados por cima, com as amêndoas e os coentros, num contraste perfeito de texturas e sabores. A nós levou-nos a terras distantes, onde o vento empurra a areia e as dunas são a perder de vista.

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Finalmente, o regresso. Que saudades desta cozinha. Das experiências, mesmo das menos bem sucedidas. Vamos ver se consigo voltar a alguma regularidade, que me faz tanta falta.

Infelizmente, não foi só o blog que deixei ao abandono. O 4 por 6 também sofreu com a minha falta de tempo. Mas  este projecto é composto por outras meninas, muito mais responsáveis e criativas do que eu, e manteve-se de boa saúde. Muito obrigada, Elvira, Laranjinha, Marizé, Suzana e Pipoka.

E é o 4 por 6 que me traz de volta hoje, ainda a meio da época de exames mas já a sonhar com uns dias de férias que vêm aí. Esta receita foi preparada há umas semanas, mas mal a provei soube que era óptima para o 4 por 6. Pode ser feita no momento ou no dia anterior, é nutritiva e quase vegetariana e, sobretudo, é muito saborosa.

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Chilli de 3 feijões

  • 1 lata pequena de feijão branco
  • 1 lata pequena de feijão preto
  • 1 lata pequena de feijão vermelho
  • 100g de bacon cortado em cubos pequenos
  • 2 cenouras médias
  • 1 pimento vermelho médio
  • 1 cebola grande
  • 4 dentes de alho
  • 2 tomates médios maduros
  • 150g polpa de tomate
  • 1 folha de louro
  • 1 colher café de cominhos em pó
  • 1 colher café de paprika
  • ½ colher café de piri-piri
  • 1 colher café de orégãos
  • sal
  • azeite

Num tacho grande, refogue num fio de azeite a cebola e o alho picados. Quando estiverem ligeiramente translúcidos, acrescente o bacon em cubos e deixe alourar um pouco. Junte a cenoura e o pimento, ambos em cubinhos pequenos, e deixe refogar 1 ou 2 minutos. Acrescente então os tomates cortados em cubos, a folha de louro e restantes especiarias e mexa bem. Dilua a polpa de tomate num pouco de água e acrescente também ao tacho. Mexa, junte sal e prove. Acerte o sal e as especiarias, baixe o lume, tape e deixe cozinhar 5 minutos.

Entretanto, escorra bem os feijões e lave-os em água corrente. Escorra novamente e coloque-os na panela. Acerte a quantidade de água (se quiser com mais molho, junte mais água), o sal e deixe cozinhar 10-15 minutos.

Sirva com arroz branco e salada de alface e hortelã, cortadas em tiras fininhas e temperadas com azeite e sumo de limão.

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Aqui, usei feijão em lata, que é, sem dúvida, o mais fácil de usar. Mas não é o mais económico nem o mais saudável, por isso se tiver tempo demolhe e coza feijão seco. Pode até aproveitar para cozer em excesso e congelar o restante, em porções individuais.

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Laranja com calda de cravinho

  • 4 laranjas
  • 2 cravinhos
  • 50g açúcar amarelo

Descasque as laranjas. Corte as cascas em pedaços e remova a parte branca, a mais amarga. Ferva as cascas durante 5 minutos. Num tacho pequeno, dilua o açúcar em igual quantidade de água. Junte as cascas fervidas e os cravinhos e deixe reduzir até fazer um xarope.

Entretanto, corte as laranjas em rodelas finas. Quando a calda estiver pronta, coe para retirar as cascas e o cravinho e deite por cima das laranjas. Leve ao frigorífico até à hora de servir.

Esta laranja é receita do meu pai. Costuma aparecer à nossa mesa todos os anos, no Natal – e foi por isso que me lembrei dela. É excelente comida no dia em que é feita, mas fica ainda melhor se passar uns dias na calda, no frigorífico. (lamento não ter fotografia, mas não consegui nenhuma apresentável)

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As contas:

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Dica de poupança: o congelador pode ser o nosso melhor amigo – congele sobras de vinho em sacos de cubos de gelo para usar em molhos e refogados; cabeças e espinhas de peixe (sem cozinhar) para fazer caldo, as partes dos legumes que não comemos para caldo de legumes. E para poupar tempo, pode fazer este chilli de 3 feijões a dobrar e congelar metade, para um dia em que não tenha tempo.

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O ritmo das semanas repete-se. Poucas horas para tanta coisa, muito cansaço para tão pouca vontade de cozinhar. Mas a cozinha é terapia, pelo menos para mim. E já aconteceu muitas vezes pensar fazer algo tão simples como umas torradas esfregadas com alho, cobertas de tomate maduro e regadas a bom azeite e pronto, está o jantar feito, e dar por mim no meio de várias panelas, sertãs e coisas semi-cozinhadas. As mãos e os ingredientes levam-me, às vezes, e no meio deles consigo desligar.

Mas mesmo sendo terapia, nunca há tempo, paciência ou energia para grandes aventuras culinárias, durante a semana. As coisas simples, que se fazem depressa, de preferência com intervalos para mais umas linhas de estudo ou mais uns exercícios, são a salvação dos jantares.

Não sei como é que esta receita nunca veio aqui parar. Acho que pensei várias vezes nela, mas achei sempre que não daria uma boa fotografia. E que era, talvez, um pouco desinteressante. Mas depois de a ter feito três vezes em três semanas, de me ter sabido sempre tão bem e de se fazer tão depressa, achei que não podia continuar a deixá-la fora do Caos.

Não é novidade para quem me lê que nós por cá gostamos muito de comidas bem temperadas. E durante uns anos comprámos daqueles kits de comida mexicana, uns para burritos e outros para fajitas. Eram bons, traziam os temperos todos e eram fáceis. Quantos jantares de burritos fizemos com os amigos! O divertido que era estarmos todos à volta da mesa a tentar enrolar a tortilla sem que a carne fugisse, o tomate caísse e o molho nos ensopasse os dedos.

Entretanto passou-nos. Mas a comida mexicana continua a apetecer cá por casa. Os kits nunca mais comprámos (embora eu deva dizer que acho que nunca serei capaz de fazer um tempero para burrito tão bom como o deles), mas as fajitas continuam a aparecer à nossa mesa. Daqui e dali, de uma receita e de outra, construí o meu tempero e agora faço-as eu, sem kit nem pacote. Só as tortillas é que continuam a ser das compradas, que não há máquina nem paciência para as abrir tão fininhas.

Fajitas

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Fajitas de frango
(para 2 pessoas)

  • 2 bifes de frango
  • 1 pimento vermelho
  • 1 cebola grande
  • 1 colher chá de paprika
  • 1 colher chá de cominhos
  • ½ colher chá de piri-piri em pó (ou mais, se quiser)
  • 1 colher chá de orégãos
  • sumo de 1 limão
  • sal

Para servir:

  • 6 tortillas
  • queijo ralado (eu prefiro mozzarella)

Comece por cortar o frango em tiras finas e compridas. Coloque num recipiente, regue com o sumo do limão e adicione as especiarias e sal. Misture tudo muito bem, para que todos os pedaços de frango tenham uma leve capa de especiarias e deixe marinar umas horas (pode deixar de um dia para o outro; eu, em desespero de causa, deixo marinar 30 minutos).

Corte o pimento em tiras finas e a cebola em gomos. Numa frigideira larga, aqueça um generoso fio de azeite e frite ligeiramente cebola e pimento, até que comecem a ficar um pouco moles e a cebola se mostre dourada. Retire para um prato e reserve.

Acrescente um bocadinho mais de azeite à frigideira e frite as tiras de frango, cerca de 1 minuto de cada lado. Junte a cebola e o pimento reservados, uma pitada de sal e mexa bem. Acrescente um pouco de água, de forma a fazer algum molho, mas mesmo só um bocadinho. Deixe cozinhar mais uns minutos (tendo o cuidado de não cozinhar demasiado o frango, para que não fique seco), acerte o sal se necessário e retire para um recipiente.

As tortillas devem apenas ser aquecidas. Costumo empilhar as seis e levar 1 minuto ao microondas.

Para comer, coloca-se a tortilla no prato, por cima um pouco da mistura de frango, pimento e cebola, polvilha-se com o queijo ralado e dobra-se a tortilla – mais ou menos como mostra o Jack.

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Em menos de nada está o jantar pronto. E é uma refeição completa. Costumo acompanhar com uma salada, que vamos petiscando entre trincas e malabarismos para não deixar que a fajita se desmanche.

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