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Archive for the ‘Alecrim’ Category

Foi na nossa cidade que a comemos pela primeira vez, quando arrastei o Zé pelas ruas e avenidas fora até à Sullivan Street Bakery (que, só para baralhar, já não fica na Sullivan Street). É a padaria do famoso Jim Lahey e do seu no-knead bread. O meu marido, o maior fã de pão que conheço, achou que valeu a pena o esforço das pernas para consolo do estômago e trouxemos connosco muitas coisas boas, que comemos num almoço improvisado pela rua fora.

Algum tempo depois soube que ia sair o livro, o único que alguma vez comprei em pré-encomenda e que chegou cá a casa ainda quente da prensa. O no-knead bread continua a ser o nosso pão favorito. E a imensidão de coisas que se podem fazer com aquela massa, tão simples, é fascinante. Esta é só uma delas – e é maravilhosa.

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Pizza patate
Ingredientes:

  • meia receita de massa de pizza (abaixo)
  • 800g água morna
  • 24g sal refinado
  • 1kg batatas
  • 100g cebola picada
  • 1/3 medida de azeite
  • alecrim fresco

Numa tigela média, misture a água e o sal, mexendo bem até estar completamente dissolvido. Com um mandolim, corte as batatas em fatias muito finas e coloque-as directamente na água salgada, para que não oxidem. Deixe de molho durante, pelo menos, 1h30 (ou coloque no frigorífico e deixe até 12h), até que as rodelas estejam moles.

Pré-aqueça o forno a 250ºC, com uma grade no meio (a prateleira do forno). Estenda a massa (que deve estar à temperatura ambiente) num tabuleiro quadrado untado com azeite.

Escorra bem as batatas e, com as mãos, esprema-as, retirando o máximo de água possível. Seque-as entre dois panos ou entre folhas de papel absorvente. Numa tigela, misture as batatas bem secas com a cebola e o azeite (e pimenta, se quiser).

Espalhe a mistura de batata sobre a massa, até às extremidades (não deixe a beirinha como nas pizzas tradicionais). Nas pontas, ponha mais batata que no centro, já que é uma zona que assa mais depressa. Polvilhe com o alecrim.

Asse por 30-35 minutos, até que as batatas estejam douradas e a massa comece a afastar-se das laterais. Sirva quente ou à temperatura ambiente.

(pode substituir parte das batatas por batata doce e omitir o alecrim, para uma versão alternativa)

Massa de pizza:

  • 500g farinha de pão
  • 10g fermento biológico seco
  • 5g sal refinado
  • 3g açúcar
  • 300g água à temperatura ambiente

Numa tigela, misture a farinha, o fermento, o sal e o açúcar. Acrescente a água e, com uma colher de pau, mexa até estar tudo misturado. Cubra a tigela e deixe repousar à temperatura ambiente até que dobre de volume – aproximadamente 2h.

Com um rapador, retire a massa da tigela para uma superfície enfarinhada. Forme uma bola e divida em dois. Deixe repousar mais 30min.

Está pronta a usar.

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Os amigos viram-na como um bicho estranho e torceram o nariz. Até à primeira trinca. O sabor das batatas com o alecrim faz desta pizza um petisco diferente e delicioso. O Zé é fã e já a fizemos várias vezes. É óptima para um lanche ajantarado, num fim de tarde preguiçoso de Domingo. Veio da nossa cidade e agora também já faz parte da nossa cozinha.

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Cá por casa ainda não há crianças. E este 4 por 6 vem uma semana atrasado relativamente ao dia da criança. Mas enquanto tentava montar o prato para as fotografias ocorreu-me que parecia comida de brincar. De comer a brincar, pelo menos. Um prato assim, desconstruído, de onde apetece beliscar daqui e dali.

4por6

Esta semana portámo-nos um bocadinho mal. Trazemos uma sugestão que é assim quase prima do hamburger com batatas fritas. Que não tem nada de mal, de vez em quando. Nós somos grandes fãs de hamburger com batatas fritas. Mas comer fritos não é muito bom para a saúde, como todos sabemos. Olhem, foi o nosso pecado do dia da criança. Para fazer felizes as crianças que vivem em nós!

4 por 6 0806 II

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Almôndegas de porco com chips sortidas

Almôndegas

  • 440g carne de porco picada
  • 4 colheres sopa de queijo parmesão (se for do fresco ralado na hora melhor ainda)
  • 3 colheres sopa de bacon ralado (usei o microplane)
  • 1 cenoura grande ralada fina
  • 3 dentes de alho ralados
  • 1 colher café de cominhos
  • 1 colher café de paprika
  • 1 colher chá de sal fino
  • 1 colher café de alecrim em pó (eu desfiz o seco no almofariz)
  • 1 pitada de piri-piri em pó
  • 1 ovo
  • farinha de mandioca para dar liga (ou pão ralado)

Num recipiente grande, colocar a carne de porco, as especiarias, parmesão, alho, bacon, cenoura e misturar tudo muito bem – primeiro com um garfo, depois com as mãos. Acrescentar o ovo e misturar. Ir adicionando aos poucos a farinha de mandioca (que usei por não haver pão ralado em casa) até conseguir uma massa moldável.

Moldar pequenas bolas (eu prefiro almôndegas pequeninas, daquelas que dão uma trinca, duas no máximo), que podem ser congeladas. Estes ingredientes fazem aproximadamente 45 pequenas almôndegas (sendo que, por pessoa, eu recomendo 10 para adultos e 8 para crianças).

Prefiro cozinhar as almôndegas descongeladas, sobretudo se não as vou cozinhar em molho (como faria para preparar um prato de pasta e almôndegas em molho de tomate). Portanto descongelei-as. Pincelei uma frigideira grande e anti-aderente com uma colher chá de azeite e quando estava quente acrescentei as almôndegas, que fritei/grelhei dos dois lados, até estarem cozinhadas por dentro mas não secas.

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Chips sortidas

  • 2 batatas grandes
  • 1 batata doce grande
  • 2 beterrabas médias

Com a ajuda do mandolim, cortei todos os tubérculos em fatias finas. Coloquei-os em água gelada durante cinco minutos. Escorri, sequei-os bem e fritei em óleo bem quente. Quando prontas, sequei-as bem em papel absorvente e temperei com flor de sal e orégãos.

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Salada de alface e nozes

  • 1 alface média
  • 1 punhado de nozes
  • 5 colheres sopa de azeite
  • 2 colheres sopa de vinagre de vinho tinto
  • 1 colher chá de mostarda
  • sal

Lavei as folhas de alface, sequei-as bem e cortei-as em fatias finas. Acrescentei as nozes cortadas em metades e temperei com uma vinagrete feita com o azeite, o vinagre e a mostarda, bem batidos até formarem uma emulsão. Misturei bem e polvilhei com flor de sal.

4 por 6 0806 I

Cá em casa não somos os maiores fãs de almôndegas. Nunca as compramos já prontas. Nunca as comemos em restaurantes. Isso porque achamos que as almôndegas são sempre mal feitas. As dos restaurantes são feitas com restos de carne e, por isso, já perdem em sabor e qualidade. As congeladas… bem, essas não sei o que se passa com elas, mas a verdade é que não sabem bem. Por isso preferimos fazer as nossas. É muito fácil e num curto espaço de tempo fazem-se almôndegas suficientes para várias refeições, que se podem congelar e guardar para quando for mais conveniente. E se forem bem feitas e bem temperadas podem ser deliciosas. Estas são muito saborosas!

Os chips sortidos foram uma surpresa. A batata doce muito saborosa, a beterraba também. E as de batata, as normais, são sempre deliciosas. Eu também sou daquelas que tem um fraco por batatas fritas. Das boas, que das congeladas dispenso.

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Para a sobremesa, cerejas de saco, as minhas favoritas, rijas e sumarentas e doces. Vieram directamente de Resende, do Festival da Cereja, onde os meus pais foram no dia 31 de Maio.

E as contas:

4 por 6 08-06

As cerejas não eram bem estas, mas até foram mais baratas. As contas estão feitas para as 45 almôndegas que consegui, sendo que aqui na receita se usará, no máximo, 40.

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Há dias em que ser foodblogger é chato. Chato, pronto. Porque não é sempre que há paciência para cozinhar, parar tudo, montar cenário, fotografar e só depois, então, comer. Às vezes apetece ir logo para a mesa, sem pensar em ângulos, luz, background ou apresentação. Mas depois há o grilo falante, que nos “puxa” as orelhas: mas não achas que esta receita é boa para o blog? Que outras pessoas vão gostar? Deixa de ser preguiçosa, vá!

E eu deixo. Monto tudo, tiro dezenas de fotografias, todas à mesma coisa, faço esperar o marido e o estômago. Às vezes não vale a pena. Quase sempre, mais de 2/3 das fotografias são lixo. Mas é assim, é preciso tirar dezenas para conseguir aquela que vale a pena, que fica mesmo bem, que nos satisfaz.

Estas bolachas foram, até hoje, o meu maior dilema fotográfico. Fi-las num dia à noite, em que estava sozinha, para acompanhar uma sopa quente e reconfortante. A luz da noite é sempre uma desgraça para fotografar e, por isso, resolvi tratar das fotografias das bolachas no dia seguinte. Elas aguentavam-se bem e assim sempre tinha luz do dia.

Mas no dia seguinte só me apetecia, lá está, aquecer uma sopa, pegar nas bolachas e almoçar. Pensar em ter de as fotografar estava a fazer-me considerar não almoçar – guardo-as para amanhã, ainda estão boas e pode ser que a paciência fotográfica esteja de volta. É aborrecido, quando isto acontece. Quando só nos apetece pegar na bolacha, na sopa, na salada e comer, esquecer que existe blog, receita ou fotografia.

Mas o grilo, mais uma vez, falou mais alto. E eu levantei-me, montei as coisas, pus a sopa a aquecer e lá fui, máquina em punho, fotografar as bolachas. Das fotografias, aproveitei uma. Uma só. É quando basta, eu sei. Acho que as outras reflectiram o meu estado de espírito impaciente – e foram todas para o lixo.

bolachas de parmesão

Bolachas de parmesão, alecrim e azeitonas
(receita retirada daqui)

Ingredientes:

  • 1 medida de farinha
  • ½ colher chá de sal
  • 3 colheres sopa de queijo parmesão, finamente ralado
  • 1 colher sopa de alecrim fresco picado
  • 2 colheres sopa de azeitonas pretas, em fatias finas
  • 2 dentes de alho ralados
  • 3 colheres sopa de azeite
  • ¼ medida de natas
  • 1 colher sopa de leite (se necessário)
  • sal marinho para polvilhar

Pré-aqueça o forno a 200ºC.

Misture bem todos os ingredientes secos – farinha, sal, alecrim, parmesão, azeitonas e alho. Adicione o azeite e, com um garfo, misture tudo até que toda a massa tenha aspecto de migalhas.

Acrescente as natas e, com a mão, envolva. Se a massa estiver muito seca, acrescente um pouco de leite.

Estenda a massa numa folha de papel vegetal, que caiba na sua assadeira, até obter um rectângulo fino (pode usar um silpat em vez do papel vegetal). Pode precisar de enfarinhar o rolo à medida que vai trabalhando. Com uma faca ou cortador de massa, corte o rectângulo grande noutros mais pequenos, mas sem os separar – este passo é só para que, ao arrefecer, seja mais fácil partir a massa nas bolachas individuais. Salpique com sal marinho (ou outro à sua escolha) e leve ao forno até que estejam douradas.

Retire para cima de uma grade e deixe arrefecer.

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Eu assei as minhas no silpat e não fiquei muito feliz com o resultado. A cozedura não é igual, as bolachas não douram de forma homogénea. Por isso, prefiro estender a massa sobre papel vegetal, colocar numa assadeira e assar assim. Por mais prático que seja o silpat – e é -, em termos de forno não é a mesma coisa.

As bolachas são muito saborosas e são um excelente acompanhamento de uma sopa, esmigalhadas sobre uma salada ou mesmo servidas com tapenade de azeitona ou outro paté. São certamente receita a repetir, sobretudo dado o alívio de saber que da próxima as posso comer logo, sem ter de arranjar paciência para as fotografar. Foodblogger, às vezes, sofre!

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Já há algum tempo que deixei de cozinhar ao domingo à noite, de duas em duas semanas, a receita de 4 por 6 a ser publicada no dia seguinte. Era sempre uma correria, um stress, um não saber bem que fazer, os dois sentados na cozinha, um de computador, outra de faca. Comecei a guardar receitas que ia fazendo e que me pareciam encaixar-se nos princípios da ideia: receitas simples, baratas, equilibradas.

4por6

Confesso também que tenho tido muito menos tempo do que há umas semanas atrás e que, por causa disso, tenho repescado algumas receitas. Mas faço-o com critério e tento escolher sempre coisas que encaixem em termos da refeição como um todo e que, para além disso, sejam das minhas favoritas. Não há mal nenhum em recordar coisas boas e eu não sou nada apologista de não repetir receitas. Aliás, acho que, mesmo com os milhões de coisas novas que ainda não experimentei e que vou encontrando todos os dias pelo mundo culinário fora, nunca deixarei de comer arroz de atum, sopa de lentilhas ou lasanha de carne.

Para começar, a receita repetida: uma salada de legumes grelhados, fresca e bem temperada, como se querem as saladas. Gosto muito dela – para além de ser muito versátil, pode ser preparada com antecedência. Grelham-se todos os legumes e guardam-se no frigorífico, numa caixa bem fechada, até à altura de usar. Aguentam-se uns dois, três dias assim.

Salada de legumes grelhados II

Salada de legumes grelhados

Ingredientes

  • 1 beringela média
  • 2 courgettes pequenas (são mais saborosas e tenras)
  • 1 pimento vermelho médio
  • 1 alface pequena
  • azeitonas pretas
  • azeite
  • vinagre balsâmico
  • sal
  • alecrim
  • hortelã

Corte a beringela, as courgettes e o pimento em tiras não muito grossas. Coloque-as numa vasilha e regue-as com um duas colheres sopa de azeite, sal grosso e alecrim picado. Envolva bem e grelhe (no forno, no grelhador de fogão ou no das tostas), de ambos os lados, até que estejam tenras mas não completamente cozidas. Retire, deixe arrefecer um pouco e corte em pedaços mais pequenos. Reserve.

Lave bem a alface, seque muito bem e corte em tiras. Coloque nos pratos, fazendo camas para os restantes vegetais.

Faça uma vinagrete com azeite, vinagre balsâmico e acrescente-lhe três ou quatro folhas de hortelã finamente picadas. Coloque então os legumes grelhados sobre a cama de alface, regue com a vinagrete e polvilhe com as azeitonas descaroçadas e cortadas em rodelas finas.

Salada de legumes grelhados I

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Para prato principal, uma receita adaptada, outra vez, da Olive de Maio 2009. Acho que nunca uma revista me prendeu desta forma nem me fez fazer tantas receitas de um só número. Estou rendida.

A receita original usa ovos escalfados, coisa de que não sou muito fã. Então resolvi pegar nos ingredientes e fazer uma espécie de huevos rotos, de que gostamos muito.

4 por 6 25 Maio I

Ovos rotos

Ingredientes:

  • 600g de batatas novas
  • 80g de bom chouriço (usei um de Barrancos muito saboroso)
  • 6 ovos
  • salsa
  • azeite
  • sal

Comece por preparar as batatas: corte-as ao meio e, se muito grandes, em quartos (eu usei batata nova, do género das fingerling). Coza-as então em água temperada com sal, até que estejam tenras mas nã completamente cozidas. Escorra bem e reserve.

Numa frigideira larga, aqueça 3 colheres sopa de azeite e frite as batatas que cozeu, virando para que dourem de todos os lados. Acrescente o chouriço cortado em tiras finas e deixe fritar 1 minuto, mexendo de vez em quando. Abra um espaço no centro, acrescente 1 ou 2 colheres de azeite e estrele os ovos, deixando a clara tostar ligeiramente dos lados, mas sem que a gema fique rígida. Desfaça-os então, com a ajuda de duas colheres de pau, e misture-os com as batatas e o chouriço. Sirva de imediato, polvilhado de salsa picada.

4 por 6 25 Maio II

Não sendo propriamente saudável, deve ser comida em pequenas quantidades (e daí a inclusão de uma salada tão substancial, como entrada). Mas os sabores misturam-se e combinam tão bem que, ocasionalmente, é um pecado perdoável, uma pequena indulgência. Sabe-me sempre a Espanha, a tapas comidas em noite quente.

Para sobremesa, ainda há espaço no orçamento para umas cerejas, nacionais, que já andam por aí, doces e a saber a Verão.

E venham então as contas:

4 por 6 25 Maio

Não estão incluídos a salsa, o alecrim e a hortelã porque vêm directamente dos vasos na minha varanda. Os ovos incluídos são um pouco mais caros do que os ovos mais baratos do Continente porque são ovos de galinhas criadas em liberdade e ao ar livre. Normalmente compro ovos caseiros aos lavradores que encontro no mercado. Quando, por alguma razão, tenho de os comprar no supermercado, evito sempre os de aviário. Além de não serem tão nutritivos, são postos por galinhas engaioladas, que vivem em condições deploráveis. O sofrimento animal mexe muito comigo e, portanto, prefiro os ovos das galinhas felizes, como diz a Fer.

 

(nota: nas fotografias, a salada de legumes grelhados tem, para além de alface, rúcula. Aqui, por uma questão de preço, omiti a rúcula. Mas se houver espaço no orçamento, poderá incluí-la. Pode, inclusivé, enriquecer a salada, diminuindo a quantidade de alface e misturando outros verdes, como espinafres, canónigos, rúcula ou agriões)

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outra focaccia

A receita é a mesma daqui e acho que não preciso, nunca mais, de outra receita. Apesar do trabalho, dos muitos períodos de espera, esta focaccia vale a pena. A espera. O trabalho. O ter de planear com cerca de quatro horas de antecedência.

O método continua a ser o da batota, que a máquina do pão é tão competente no amassar que acho injusto privá-la disso. Além de que não suja bancadas, não enche tudo de farinha, não cola massa de pão entre a aliança e o dedo. É eficiente e limpinha!

Focaccia com alho II

O segredo desta focaccia em especial – e foi por isso que resolvi falar nela outra vez – é a cobertura. Queria-a mais simples, sem os tomates cereja, cebola e bacon da outra vez. Era para acompanhar uma sopa, um caldo verde daqueles bons. Queria basicamente pão com um ligeiro sabor.

Por isso, com a ajuda do microplane (uma daquelas ferramentas de cozinha nada inúteis – o meu é de ralo médio e uso-o para tudo, dos queijos e chocolates ao alho, gengibre e casca de limão), ralei um dente de alho e cobri-o de azeite. Deixei o azeite ganhar o sabor do alho durante os três tempos de crescimento da massa, já fora da máquina de pão. Antes do último descanso, cobri a massa com umas colheres deste azeite (sem o alho, para que não queime ao assar), folhas de alecrim e flor de sal. Meia hora depois foi ao forno. Ao sair, mais azeite, agora sim com o alho ralado, enquanto a focaccia ainda está quente. O azeite e o alho vão impregnar a focaccia, que vai absorver um e ganhar o sabor do outro. Depois é só partir e comer.

Focaccia com alho

Para esta, prefiro deixá-la mais fininha e assá-la um pouco mais. Fica ligeiramente mais crocante do que fofa, deliciosa e perfumada. E apesar de italiana, combinou lindamente com o nosso caldo verde.

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5 horas e 1/2

O mundo dos assados não é muito explorado cá em casa. Nós usamos o forno frequentemente, sobretudo para assar pão ou pizzas caseiras, os ocasionais biscoitos e os ainda menos frequentes bolos. Mas assados, daqueles com carne (ou peixe), molho, batatinhas, não fazemos muito. Para grande pena do meu marido, devo dizê-lo.

E não fazemos por motivos simples: eu sabia que nenhum assado feito por mim estaria, algum dia, à altura da vitela assada de Arouca ou do frango assado que a minha mãe faz todos os Domingos. E como não gosto de ser apenas mediana, decidi nunca entrar nesse mundo.

A coragem voltou quando vi uma receita num exemplar da revista Fine Cooking, que o Zé me trouxe de San Diego. Coincidentemente, na mesma semana vi outra receita parecida, no programa “Jamie at Home”, do Jamie Oliver. Parecia que os astros estavam a tentar dizer-me qualquer coisa. E como podia eu ser a esposa primorosa que procuro ser (e quem me conhece bem está agora a rebolar às gargalhadas) sem saber fazer o prato que o meu marido mais gosta? Imagens de uma dona de casa, de bandolete e saia rodada, com uma travessa de assado na mão, a abrir, sorridente, a porta ao marido que chega do trabalho invadiram-me logo ali. Eu tinha de estar à altura, não fosse aparecer-lhe uma flausina de assado na mão e levar-me o marido!

O primeiro problema era descortinar a que parte do porco se referia a receita. Não percebo absolutamente nada de cortes de carne em português, quanto mais em inglês! Com esforço e ajuda do senhor Licínio, o senhor do talho, lá descobri que o melhor era a pá de porco, sem osso e com a camada superior de gordura, para manter a carne húmida. Voltei para casa feliz e contente. A receita pedia que o porco fosse temperado com sal e pimenta e deixado pelo menos uma noite no frigorífico, coberto. Eu queria fazer o assado nesse dia, não havia tempo a perder! E por isso não fiz salga prévia, não deixei marinar. Na hora do forno, esfreguei-o bem com sal e lá fomos nós! Forno a 150ºC e o porco a assar, gordura para cima, durante 4 horas e 1/2.

Voltei para o escritório e fiquei de nariz à espreita. O cheiro começou a invadir a casa mais ou menos 1h depois de ter começado a corrida. Mais 1h e fui, sorrateira, enfiar dois raminhos de alecrim debaixo do porco, para dar algum sabor, e desfazer umas folhas de salva seca por cima. E esperei.

Findas as 4h e 1/2, tirei o porco do forno. Acrescentei-lhe a companhia de umas poucas batatas (que no código do meu querido marido assado sem batata é como pão sem manteiga), umas cenouras, cebolas em fatias grossas e muitos dentes de alho. 1 copo de vinho branco, outro de água. Polvilhei os acrescentados com sal grosso e mais alecrim, desta picado. Mais 1h de forno.

porco-no-forno

Quando o Zé chegou, toda a casa cheirava maravilhosamente. Quase consegui ver aquela mãozinha de fumo a puxá-lo pelo nariz, da porta até à cozinha. Nesse dia comemos muito. Eu nunca tinha comido um porco assado tão saboroso. E o meu marido tinha finalmente um assado à altura dos assados da vida dele. O porco desfazia-se na boca, tenro e saboroso, com um toque leve de alecrim. Quando o Zé me disse que entrava directamente para o top5 dos assados, eu, que de dona de casa dos anos 50 tenho muito, muito pouco, tive vontade de o esperar, assado numa mão, chinelos na outra, sorriso e bandolete, todos os dias dali para a frente.

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nota: esta é a receita que o Eduardo fez no Inter-blogs. A versão do menu que eu construí para ele substituía a batata por castanha e eliminava a sálvia.

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Há muito que queria fazer um gratinado de batata cá em casa. Um potato gratin, assim saboroso, bem temperado. Os ingredientes fizeram-me sempre hesitar: leva natas, leite, bechamel, queijo, o Zé não vai gostar. Mas decidi arriscar. Aliei o gratinado de batata ao isco de um bife (coisa rara nesta casa), assim numa lei das compensações um pouco graxista, como quem diz: eu sei que isto não te apetece nada, mas deixa-me lá experimentar que eu acompanho-o com um rico bife. E pronto, carta branca.

Ao contrário do que faço com a maioria das coisas que quero experimentar, aqui não procurei nenhuma receita. Não li, não pesquisei, não fiz nada. Improvisei, inventei, fiz como me pareceu que resultaria. E resultou.

potato-gratin

Com o mandolim, cortei batatas em fatias não muito finas. Cortei também meia courgette, que acrescentei só na camada superior. Usei o resto do bechamel que me sobrara da lasanha, mais uma vez diluído em leite e temperado com alecrim fresco bem picado. Em recipientes individuais, fiz camadas de batata, com as fatias ligeiramente sobrepostas, e sobre cada camada uma ou duas colheres de sobremesa do bechamel diluído, alecrim fresco picado, alho ralado e sal grosso. A última camada levou batata e courgette alternadamente, muito mais bechamel (para cobrir quase tudo), alecrim e sal, um fio de azeite e mozzarela ralada (eu usei fresca porque era a que tinha em casa). Foram ao forno a 190ºC até as batatas estarem cozidas (um garfo espeta até ao fundo sem dificuldade) e depois a 220ºC para ficar tostadinho. As laterais queimaram porque o bechamel borbulhou, subiu e depois desceu. Mas eram a parte mais saborosa!

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Eu gostei muito, o Zé não desgostou. Ponto positivo, já que ambos tinhamos a certeza de que ele iria odiar. O bife estava completamente indigno de nota e relevo – acho que ainda não sei comprar ou cozinhar um bife como nós gostamos (mas eu chego lá!). A salada era uma variação da coleslaw, com couve roxa, cenoura, pepino e courgette crua, temperada com azeite, balsâmico e alecrim e a sua crocância complementou lindamente a suavidade do gratinado. A experimentar outra vez, talvez, desta com um bife bem alto e suculento.

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Seja porque estou a chegar do ginásio e não me apetece mais nada, seja porque não quero cozinhar só para mim, ultimamente tenho feito almoços muito leves e rápidos, que me deixam sem fome mas não pesada.

Um destes dias, com uma alface e rúcula no frigorífico mas sem vontade das saladas costumeiras, abri a caixa fria em busca de inspiração. De lá saíram uma beringela, uma courgette, um pimento vermelho, azeitonas pretas e as já mencionadas folhas verdes.

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Cortei umas quatro ou cinco fatias finas de courgette e de beringela, umas 3 de pimento vermelho e temperei-as todas, num prato, com azeite, alecrim (muito pouco!), sal e alho em pó. No grelhador de prensa, aquele em que fazíamos tostas mistas quando chegávamos a casa depois das discotecas, grelhei as fatias dos legumes, com a prensa fechada para ser mais rápido. Quando já estavam levemente grelhados mas sem estarem completamente cozidos (uns 2 ou 3 minutos, se tanto) retirei-os do grelhador, cortei-os em pedaços mais pequenos e retornei-os ao prato de tempero, onde ainda havia um pouco de azeite e ervas. Juntei-lhes umas folhas de hortelã finamente picadas e misturei bem. Entretanto lavei a alface, sequei-a bem e cortei-a em tiras. Juntei-lhe um pouco de rúcula e mais hortelã bem picada. Temperei com um fio de azeite e outro de balsâmico e uma pitada de sal. Coloquei estes verdes num prato e, sobre eles, os legumes grelhados e 3 ou 4 azeitonas, o suficiente para dar sabor às garfadas.

salada-de-legumes-grelhados-ii

Comi na varanda, ao sol que se fazia sentir, apesar do frio. O sabor da hortelã avivou-se com o calor dos legumes e todo o prato libertava um suave perfume que me enchia as narinas enquanto comia. A repetir, sem dúvida. Deliciosa!

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É um bocadinho frustrante que a macarronada mais saborosa que já fiz tenha sido, também, a mais feia. É verdade, à partida, que massa e molho não serão as coisas mais fáceis de fotografar. Um monte um pouco indistinto de pasta, molho e o que mais for não é o cenário mais fotogénico. Mas estava tão boa, tão boa que não pude deixar de partilhar.

Ontem por cá foi dia de tempestade. Choveu torrencialmente durante grande parte do dia, caiu granizo e o frio era mais que muito. Ir às compras estava, portanto, fora de questão. O que fazer para o jantar com o que havia em casa? Não ia ser fácil…

Descongelei 3 hamburgers daqueles de supermercado, que comprámos uma vez no desespero de fazer uma refeição rápida e de que gostámos tão pouco que ficaram abandonados no congelador. Ia fazer almôndegas, estava decidido. E molho de legumes assados. E pasta. Hmmm…

macarronada1

Macarronada com molho de legumes assados e almôndegas

Ingredientes

Molho:

  • 1 beringela média
  • ½ pimento vermelho
  • 1 lata de tomates inteiros
  • 8 dentes de alho
  • azeite
  • sal
  • alecrim
  • orégãos

Almôndegas:

  • 300g carne picada (eu usei os ditos hamburgers)
  • ½ medida de parmesão ralado na hora
  • 1 colher sopa de alho em pó
  • 1 pitada de chilli
  • 1 pitada de cominhos
  • 1 pitada de orégãos
  • 1 punhado de nozes picadas

Comecei por assar os legumes para o molho: pré-aqueci o forno a 200ºC e num tabuleiro dispus a beringela, com casca, cortada em cubos, o pimento cortado em pedaços do mesmo tamanho e os tomates da lata, bem escorridos, inteiros. Reguei com azeite, temperei com sal, orégãos e alecrim e levei a assar. Pus os dentes de alho num recipiente de vidro e reguei com água a ferver, para lhes tirar a casca. Em seguida, alourei-os ligeiramente em azeite, com todo o cuidado para não deixar queimar, e quando estavam dourados juntei à frigideira 30ml de água e uma colher de sopa de vinagre balsâmico. Deixei caramelizar e reservei. (se não quiserem ter este trabalho podem assar uma cabeça de alho inteira no forno, sem descascar e apenas com o topo cortado). Quando os legumes estavam prontos coloquei-os no copo da varinha mágica. Juntei-lhes o alho e o líquido da lata dos tomates. Bati bem e reservei.

Num recipiente desfiz os hamburgers. Juntei o queijo ralado, o alho em pó, as especiarias e as nozes bem picadas e misturei até ficar o mais homogéneo possível. Com as mãos, enrolei pequenas almôndegas (bite size). Na frigideira onde caramelizei o alho, fritei as almôndegas em duas colheres de sopa de azeite, até estarem praticamente cozinhadas e com zonas crocantes, da fritura. Acrescentei o molho (pode ser preciso acrescentar aqui um pouco de água, caso o molho seja demasiado espesso) e deixei cozinhar mais uns dois ou três minutos.

Entretanto tinha cozido bavette, que regressou à panela depois de bem escorrida. Sobre ela, despejei o molho e as almôndegas e envolvi tudo muito bem. Servi polvilhado de orégãos e de parmesão ralado (este só no meu prato).

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Era impossível tirar uma fotografia decente deste prato. O molho, a massa, as almôndegas, tudo era uma pilha mais ou menos indistinta e fumegante no prato. Resolvi tirar na mesma, só porque sim. E depois de provar não resisti à partilha: de três hamburgers horríveis saíram almôndegas deliciosas, cheias de sabor, com o crocante da frigideira e das nozes a contrastar com as texturas mais suaves da pasta e do molho. E o molho era também delicioso. Claro que teria ficado ainda melhor se feito com tomates frescos, mas não estamos na época deles e os que por aí andam não têm sabor nenhum. Não é o molho mais rápido, mas todo o trabalho que dá é compensado: o sabor intenso dos legumes assados, o alecrim e o doce do alho caramelizado fizeram deste um molho todo especial. Óptimo para uma macarronada daquelas boas, só massa e molho, sem necessidade de mais nada. Se bem que aqui as almôndegas abrilhantaram a festa! Não sobrou uma para contar história e o ar deliciado com que o Zé as comeu disse tudo!

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Apesar de mais sossegado, o meu recente amor pelo alecrim não desapareceu. Já não o uso em tudo, já há pratos em que me incomoda o seu sabor tão forte e dominante. Mas ainda vou fazendo experiências, umas com melhor resultado do que outras.

Tinha visto no site da revista Good Food (revista que tenho comprado sempre que encontro e da qual gosto bastante) uma receita de frango com alecrim que me tinha ficado na memória. Mas era apenas frango, em molho de tomate e alecrim, e eu queria acrescentar-lhe alguma coisa, fazer do prato uma refeição mais completa. Sem saber bem o quê, passeei pela zona dos legumes do supermercado. Encontrei umas couves de Bruxelas bonitas, verdinhas e decidi arriscar.

Importante acrescentar que não me lembrava – e ainda não lembro – da última vez que tinha comido couves de Bruxelas. Sei que me tinham parecido amargas e horríveis, mas pensei ser reflexo do meu paladar infanto-juvenil e que, agora, de paladar muito mais aberto e educado, me saberiam certamente melhor. O Zé seria talvez um risco maior ainda, mas eu sei que ele prova de tudo. E era a altura de dar uma oportunidade às couves de Bruxelas, lá em casa.

Esta receita, no original, era feita com coxas de frango desossadas, parte do bicho de que não somos particularmente fãs. Como era um estufado, queria uma carne mais grossa, para que não secasse tanto. Não havia peitos, infelizmente, e eu acabei por trazer bifes de frango. Não foi a decisão mais inteligente. A receita original pode ser vista aqui.

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Frango com alecrim e couves de Bruxelas

Ingredientes

  • 4 coxas de frango desossadas
  • 12 couves de Bruxelas
  • 1 cebola vermelha
  • dentes de alho
  • 1 lata de tomate pelado
  • 50 ml de vinho tinto
  • azeite
  • alecrim
  • sal

Numa panela com um pouco de azeite, aloure o frango de todos os lados. Acrescente algumas folhas de alecrim picadinhas, mexa para que envolvam o frango e retire para um prato, reservando. Entretanto dê uma leve cozedura às couves de Bruxelas, em água com sal e alecrim.

Na mesma panela, com um pouco mais de azeite, aloure a cebola cortada em meias-luas finas e quando já estiver mole e dourada acrescente o alho em lâminas, mais algum alecrim picado e as couves de Bruxelas. Frite tudo durante uns segundos, para libertar os aromas. Acrescente os tomates e o vinho e deixe ferver. Devolva o frango à panela e deixe cozinhar até que o mesmo esteja cozido, mas com o cuidado de não deixar que fique demasiado seco.

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O prato cheirava deliciosamente. À falta de vinho tinto tinha usado vinho branco e tinha omitido anchovas e alcaparras, ingredientes que nunca houve cá em casa (talvez tenha de remediar isso das alcaparras; de anchovas não gosto mesmo) e sabia que o resultado não seria igual. Mesmo assim o cheiro acordava o apetite. Sentámo-nos, prato com frango e arroz branco (não há nada que o meu marido prefira a acompanhar pratos com molho do que o arroz branco, que pode encharcar à vontade e comer deliciado), as couves de Bruxelas com ar inocente. Uma garfada, duas trincas. O sabor amargo das couves é insuportável. Ficaram de lado, as minhas e as dele, e gozamos o frango sem couves, frango que apesar de seco (não eram coxas…) tinha ficado muito saboroso.

Nunca tinha cozinhado as ditas couvinhas. Não sei, portanto, se foi erro de cozinhar de menos e se mais tempo lhes teria tirado o amargor do coração. Porque as folhas de fora eram tenras e nada amargas. Guardaram-se as couves para uma outra versão da recorrente sopa de lentilhas, onde perderam a amargura e se misturaram lindamente aos outros sabores. E eu fiquei a pensar: será que há truque para as couves de Bruxelas?

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