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Archive for the ‘Atum’ Category

Não vou voltar a dizer que ando sem tempo, a correr para cá e para lá, a passar horas na biblioteca. Vocês já não devem ter paciência para me ouvir. E também não quero que pareça queixa – não é. Na verdade estou muito feliz, como já não me sentia há muito tempo. E não me chateiam nada as horas na biblioteca, os livros pesados, a falta de tempo. Era exactamente o que eu queria.

Mas as consequências da falta de tempo de que não vou falar, não as sinto apenas eu. O blog tem sofrido com isso. Eu tenho pena, mas vou fazendo o que posso. E o cansaço já começa a ser menos, à medida que o corpo se ajusta, e por isso eu sei que o Caos vai continuar.

4por6

Esta semana foi o 4 por 6 a sofrer. Não houve tempo, simplesmente não houve. E como não quis estar a inventar qualquer coisa à pressa, sem rigor, resolvi ir ao arquivo, repescar uma receita já publicada. Não era o que eu queria, mas é o que eu posso. Mas não se preocupem, que escolhi a dedo. É uma receita que aparece muitas vezes cá em casa, que faço com muito gosto e que nos deixa sempre felizes – o arroz de atum que nos aquece a alma.

Arroz de atum

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Arroz de atum

  • 3 latas de atum natural
  • 220g arroz
  • 200g ervilhas congeladas
  • 300g cenoura
  • 150g polpa de tomate
  • 1 cebola grande
  • 4 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • sal

Comece por fazer um refogado (ou um estrugido, como dizemos cá pelo Norte) com a cebola e o alho, bem picadinhos, e um pouco de azeite. Acrescente a cenoura cortada em cubos pequenos e frite mais um pouco. Quando a cebola estiver bem dourada (cuidado para não queimar o alho!), adicione ao tacho as ervilhas congeladas e a folha de louro. Deixe cozinhar um pouco, destapado.

Escorra o atum e parta-o em pedaços médios. Acrescente-o ao tacho, juntamente com o arroz, e deixe fritar ligeiramente, mexendo de vez em quando. Adicione então a polpa de tomate e a água – o dobro do arroz (em volume: 2 canecas de água para 1 de arroz). Mexa bem, acrescente sal, prove e deixe cozinhar, com a tampa, em fogo baixo.

Se quiser, uns minutos antes de o arroz estar pronto, acrescente uns ovos por cima, para que escalfem no vapor restante.

Sirva só assim ou, se quiser, com uma salada fresca, de tempero leve (ainda há espaço no orçamento para os ovos ou a salada).

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Este arroz é das nossas comidas favoritas. Quando estamos cansados ou a cabeça não consegue pensar em nada para o jantar, a resposta do Zé à pergunta: “Então, que te apetece?” é, quase sempre, “Arroz de atum”. Além de prático, fácil e de só sujar um tacho, é uma refeição completa, com proteína, hidratos de carbono e legumes. Nós não costumamos acrescentar os ovos, porque o Zé não gosta muito.

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Para a sobremesa, um mimo doce, também rápido. A receita encontrei-a num daqueles livros da Vaqueiro, em leque. Achei-a muito interessante e resolvi testar. Não me arrependi!

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Madeleines cappuccino

(“Finger Food”, Saberes e Sabores)

  • 125g açúcar amarelo
  • 100g margarina, mais um pouco para untar a forma
  • 3 ovos
  • 1 saqueta de mistura para cappuccino (usei Café de Vienna, da Nestlé)
  • 150g farinha

Ligue o forno a 190ºC. Unte as formas de madeleines com margarina (se não tiver formas de madeleines, faça pequenos muffins)

Deite o açúcar numa taça, junte a margarina cortada em pedaços e bata com a batedeira até obter um creme. Acrescente as gemas e continue a bater.

Bata as claras em castelo bem firme.

Adicione a mistura para cappuccino à farinha e junte ao creme preparado, alternando com as claras em castelo, misturando sem bater.

Distribua a massa pelas formas e leve ao forno cerca de 15 minutos.

Retire do forno, desenforme e deixe arrefecer sobre uma rede.

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As madeleines são bolinhos fofos e muito saborosos. Para a sobremesa uma ou duas são mais do que suficientes, com a vantagem de que ainda fica com algumas para o pequeno-almoço do dia seguinte.

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As contas:

4 por 6 - 26 out 2009

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Há dias em que cozinhar, por mais paixão que seja, não apetece. Mas o corpo pede alimento e há que o arrastar até à cozinha, abrir portas e caixas, puxar pela cabeça para fazer algo que alimente e dê o menos trabalho possível. A ideia original desta salada era essa. Depressa escalou para algo mais complexo, como acontece quase sempre que me enfio na cozinha. Mas cozinhar relaxa-me e, como tal, passa-me depressa o cansaço, físico e mental, na perspectiva de um bom prato de qualquer coisa.

 

Ingredientes:

  • 2 latas de atum em azeite (de preferência Bom Petisco, porque é o atum português mais amigo do ambiente e mais protector do ecossistema)
  • 6 batatas médias
  • 2 mãos cheias de folhas de espinafre
  • 2 ovos
  • 1 mão de azeitonas pretas
  • alho
  • azeite
  • alecrim
  • sal

Cozi batatas cortadas em gomos, em água salgada e com alecrim. Cozi também dois ovos. Numa chaleira fervi água, que deitei sobre duas mãos bem cheias de folhas de espinafre (não sobre as mãos, claro!), só para as escaldar brevemente. Salteei então esses espinafres, escorridos, em azeite e alho, rapidamentee. Abri duas latas de atum em azeite, escorri uma delas para uma garrafa (não se deve deitar óleos e azeites pela pia, porque contaminam uma enormidade de litros de água) e reservei a outra sem escorrer. Numa vasilha grande, coloquei as batatas já cozidas mas ainda quentes e reguei com um fio de azeite temperado com alho e alecrim – quentes, as batatas absorvem melhor o molho. Deixei arrefecer. Cortei os ovos e uma mão cheia de azeitonas em pedaços pequenos. Quando as batatas estavam frias, misturei tudo: atum, ovos, espinafres, azeitonas e batatas. Reguei com mais um pouco de azeite temperado com alho e alecrim e servi.

Esta salada serviu, como refeição única, duas pessoas. Abrir uma lata de atum, nesta casa, é o chamariz ideal para os meus dois gatos. De maneira que metade de uma das latas é deles. É um mimo ocasional, que eles adoram. Por isso a quantidade de atum poderá ser ajustada.

Este prato é daqueles que se prestam a todas as variações possíveis. Pode levar feijão ou pasta em vez de batata, maionese em vez de azeite, outras ervas que não o alecrim, outros legumes que não o espinafre. O importante é usar o que há em casa, o que se gosta, o que seja fácil e rápido. E criar à nossa medida!

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Comida de Verão

Às vezes, tudo o que apetece é uma comida simples. Simples de fazer, simples de comer. Sem pretensões mas cheia de sabor. Como uns legumes assados e um peixe grelhado.

Os legumes foram temperados com sal grosso, azeite e alecrim e assados no forno bem quente.

O atum fresco foi temperado com especiarias cajun e sal e grelhado na chapa, bem quente também.

Por cima, uma mistura de alho assado (com os legumes), esmagado, e azeite.

Para comer na varanda, a ver a noite chegar. Melhor só se tivesse sido feito sobre brasas!

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Estar sozinha tem algumas vantagens. Vejo o que quero, faço o que quero, como o que quero. E ainda consigo jantar e almoçar na casa do pai e da mãe, dois dias seguidos. Vida boa e preguiçosa!

Mas aqui o cantinho tem-se sentido negligenciado e isso não pode ser. Portanto fui ao fundo do baú – isto é, da pasta onde estão guardadas as fotografias das experiências ainda não postadas – e tirei isto, que me pareceu uma boa receita para o bonito dia que se está a pôr.

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Numa panela com água a ferver, cozi tagliatelle de arroz. Numa frigideira com um fio de azeite, cebolas em meias-luas fininhas e tirinhas de pimento vermelho. Quando estavam moles, acrescentei uma lata de atum (em azeite ou ao natural) e tomates-cereja cortados a meio. Deixei cozinhar para que dos tomates e pimentos se fizesse molho. Servi por cima da massa de arroz, com orégãos secos, e comi sentada na varanda, num dia de sol como o de hoje!

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Quando eu era pequena, as melhores férias do mundo passavam-se no meio da Serra da Freita, numa casinha minúscula sem água canalizada, sem televisão, sem praticamente nada. Ainda me lembro de nem sequer haver luz – nas casas e nas ruas – e dos candeeiros de petróleo que usávamos. Lembro-me do Verão em que pintámos os móveis e do Verão em que se caiou a casa – tanto esmero posto na chaminé deixou-a branquinha e o resto da casa cinzenta porque a cal não chegou. Lembro-me dos amigos que lá tinha, hoje casados e pais de filhos apesar de serem praticamente da minha idade. Lembro-me de ir aos sapos, ao milho, às amoras. Dos banhos de rio, da louça lavada na água corrente, dos peixes e do fantasma das cobras de água. Da água gelada, como ainda hoje o é. Eram férias em que me sujava, em que caía e espetava espinhos nos pés, em que corria livre do nascer ao pôr do sol.

E lembro-me também dos regressos a casa. Dos banhos quentes que sabiam tão bem, depois de uma semana de banhos gelados tomados no rio. E das comidas que se faziam em casa, no dia de regresso. Era, invariavelmente, um domingo à noite, chegávamos tarde e não havia paciência para grandes cozinhados ou muitas coisas em casa. Fazíamos pizza, às vezes, naquelas bases redondas, congeladas, tipo bolacha, com molho caseiro e chouriço vindo da Serra, do porco do ano anterior. E fazíamos arroz de atum com ovos escalfados.

Nunca pensei muito no conceito de comfort food. Mas hoje, em minha casa, sempre que estou mais cansada ou mais em baixo dou por mim com desejos, sempre, de arroz de atum com ovos escalfados. Ovos nem sempre há, mas arroz e atum nunca faltam. Quando eu era pequena, o arroz de atum era feito pelo meu pai. Há muitos anos que não como o arroz de atum dele. A minha versão é diferente, desenvolvida a partir da dele. Não é a verdadeira, mas é, actualmente, a minha comfort food por excelência. Comida de uma tigela, com uma colher, enroscada no sofá. Não há melhor para ânimos cansados ou desanimados. E é tão fácil!

Num tacho médio alouro dois dentes de alho picados, numa dose razoável de azeite. Junto-lhes uma cebola média, em meias-luas muito finas e uma folha de louro. Quando a cebola estiver dourada, junto-lhe meias-luas de cenoura, bem finas também. Duas latas de atum em azeite, parcialmente escorrido (se estiverem bem deprimidos podem juntar mais azeite deste do atum – fica mais calórico mas também fica muito mais saboroso). Meio copo de vinho branco até reduzir. Uma medida de ervilhas congeladas e polpa de tomate, só um bocadinho. Quando estiver tudo já bem envolvido, os sabores bem misturados, junto uma medida de arroz (ultimamente tenho usado o basmati – usei-o num dia em que não havia do outro e o resultado agradou-me muito), que deixo saltear brevemente na mistura. Junto duas medidas e mais um bocadinho de água, acerto o sal, tapo. Quando o arroz estiver quase pronto mas ainda havendo um pouco de água, abro um ovo por pessoa, sobre a superfície do arroz. Este timing depende da forma como gostarem do ovo – eu prefiro-o mais cozido, por isso junto-o mais cedo. Se o quiserem mais líquido, juntem-no mais tarde.

Não é o prato mais fotogénico, por mais que se tente. Mas é daqueles que mais bem me fazem à alma e que como feliz, saboreando também as memórias que me traz.

 

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