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Archive for the ‘Banana’ Category

E que melhor forma de regressar do que com o 4 por 6? Estou atrasada na rentrée, já devia ter postado há duas semanas. Mas nessa altura estava eu a banhos de sono e descanso por terras alentejanas, sem cozinha. Mas mais vale tarde que nunca e eu sei que a Pipoka, a Laranjinha, a Marizé e a Suzana deram as boas vindas a Setembro com receitas maravilhosas.

Eu por cá ainda estou um bocadinho em modo de férias. E a sentir estes dias de fim de Verão com mais prazer do que os de Agosto. Por isso resolvi trazer para a mesa esta vontade de prolongar o calor.

4por6

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Em Junho, num almoço em NY, fomos ao restaurante The Modern, no Museum of Modern Art. E lá comi um gazpacho que me deixou feliz, feliz. E com vontade de repetir. NY fica longe, mas por cá também se pode fazer gazpacho. Especialmente nesta altura, quando os tomates estão a explodir de maduros, sobretudo os coração de boi, doces e saborosos. Esta receita não é a do The Modern – é uma adaptação. Mas se feita com os ingredientes certos, igualmente saborosa.

Gazpacho a la Modern

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Gazpacho com azeite de manjericão e amêndoas

Ingredientes

  • 500g  tomates bem maduros
  • 250g pepino
  • 300g pimento vermelho
  • 1 cebola média
  • 4 dentes de alho
  • 40g amêndoas com pele
  • 10g manjericão fresco
  • 50ml azeite
  • sal
  • água gelada (se necessário)

Comece por preparar o azeite de manjericão – idealmente, no dia anterior. Pique o manjericão finamente, com uma faca, e coloque-o num frasco. Cubra com o azeite, tape e deixe repousar umas horas. Quanto mais horas, mais pronunciado será o sabor do manjericão.

Num tabuleiro de forno, disponha as amêndoas, com pele. Leve ao forno a 150º C, até que estejam torradas. Deixe arrefecer e reserve.

No liquidificador ou no copo da varinha mágica coloque os tomates cortados em pedaços, o pimento, metade do pepino, a cebola e o alho. Junte duas colheres de sopa do azeite de manjericão e uma pitada de sal. Triture tudo, até obter uma papa – se necessário, acrescente água gelada para obter a consistência de uma sopa. Prove, acerte o sal e guarde no frigorífico por 2 horas.

Corte a outra metade do pepino em cubos pequenos e leve ao frigorífico, para que fique bem gelado.

Na altura de servir, mexa bem a sopa. Sirva em pratos fundos, com os cubos de pepino, as amêndoas torradas e gotas de azeite de manjericão. Acompanhe com torradas pinceladas com azeite.

Para sobremesa, uma variação de um dos meus gelados favoritos.

.Sorvete de banana

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Frogurt de banana

Ingredientes

  • 3 bananas maduras (aprox. 450g)
  • 2 iogurtes gregos ou naturais
  • 125ml de leite gordo

No liquidificador ou copo da varinha mágica, triture todos os ingredientes. Se quiser, acrescente açúcar (como as bananas maduras são normalmente muito doces, não costumo juntar açúcar). Leve à sorveteira, de acordo com as instruções ou, caso não tenha sorveteira, ao congelador, mexendo de hora a hora para que se torne cremoso e não forme cristais de gelo.

 

As contas:

4 por 6 14 Setembro 09

 

Dica de poupança: agora que o Verão está a acabar, há, sobretudo nas feiras e mercados, agricultores cheios de vontade de vender o que lhes resta da produção da estação. E há tomates maduros, deliciosos, a preços muito convidativos. É a altura ideal para comprar grandes quantidades e fazer molho de tomate, que pode congelar para pizzas e pastas futuras, ou mesmo tomate seco para abrilhantar molhos e saladas ou para oferecer aos amigos.

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Banana cream pie

Quando estivemos em NY em Setembro passado, armamo-nos em nova-iorquinos e fomos cumprir o ritual dos domingos de manhã: brunch e palavras cruzadas do NYTimes. Escolhemos o Bubby’s de Tribeca e fomos muito bem servidos. Eu armei-me ainda mais em nova-iorquina e pedi um Bloody Mary, coisa que TODA a gente estava a beber e que é tradição de pequeno-almoço, confesso que não percebo porquê – a minha ficou toda no copo, depois dos dois goles experimentais. É verdadeiramente horrível.

Mas voltemos ao brunch. Comemos biscuits (que são uns meios-irmãos dos scones) com geléia e as costumeiras panquecas com bacon e hash browns. Ainda houve espaço para sobremesa e pedi uma que queria muito provar: banana cream pie. Ora, como conta a experiência, eu não gosto de coisas com banana. A menos que a banana não seja cozinhada e aí então está bem. Era o caso. Veio uma fatia gigante de tarte (com os americanos é tudo à grande!), da qual comi o que consegui. Era deliciosa! A massa leve, o creme baunilhado, as fatias de banana, o chantilly e, por cima, nozes torradas e caramelizadas. Era boa, muito, muito boa.

Andei muito tempo com a tarte na memória da boca, aquela parte do cérebro que acorda de vez em quando com vontade de comer coisas remotas, estranhas ou que não se encontram aqui por perto. Entretanto passou o tempo e passou-me a vontade. Até que chegou cá a casa o livro da Dorie Greenspan, que é agora a minha bíblia dos doces: Baking: from my home to yours. Lá, no meio de muitas outras coisas deliciosas, uma receita de banana cream pie a tentar os mais resistentes. A fotografia, por si só, já engorda. Mesmo!

Mas eu tinha de experimentar. E o Zé que não gosta de doces! Uma tarte inteira só para mim era suicídio calórico. E não havia nem uma festazita no horizonte para servir de desculpa. Tive de resolver o problema: cortei a receita e fiz duas tartezinhas pequeninas, só para mim. E lambuzei-me toda!

 banana-cream-pie-i

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Banana cream pie
(Baking: from my home to yours, Dorie Greenspan)

Ingredientes

  • 1 receita desta massa, assada e fria
  • 3 bananas maduras, mas firmes

 

Creme

  • 2 medidas de leite gordo
  • 6 gemas
  • ½ medida de açúcar mascavado claro, peneirado
  • ¹⁄³ medida de amido de milho, peneirado
  • ½ colher chá de canela
  • 1 pitada de noz moscada
  • 1 pitada de sal
  • 1 colher chá de extracto de baunilha
  • 3 colheres sopa de manteiga sem sal, gelada, cortada em pedacinhos

 

Cobertura

  • 1 medida + 2 colheres sopa de natas
  • 2 colheres sopa de açúcar de confeiteiro, peneirado
  • 1 colher chá de extracto de baunilha

Leve o leite a ferver. Entretanto, numa panela, bata as gemas com o açúcar, amido de milho, canela, noz moscada e sal até estar tudo bem misturado num creme grosso. Batendo sem parar (com o batedor de varas), deite em fio ¼ de medida do leite quente – isto irá temperar as gemas, para que não encarocem. Depois, batendo sempre, junte o resto do leite, em fio. Leve a panela ao fogão, a fogo médio, e batendo sempre deixe aquecer até ferver. Ferva, ainda a bater, durante 1 ou 2 minutos. Retire do fogo.

Incorpore o extracto de baunilha. Deixe repousar 5 minutos. Junte a manteiga, mexendo até que esteja totalmente incorporada e o creme esteja sedoso. Coloque a vasilha numa outra cheia de cubos de gelo e mexa lentamente até que o creme esteja completamente frio.

Descasque as bananas e corte-as em diagonais com 0.5cm de espessura.

Bata o creme vigorosamente, para o homogeneizar, e despeje cerca de ¼ sobre a base da tarte. Cubra com metade das bananas. Repita, adicionando uma camada fina de creme, o resto das bananas e terminando com uma última camada de creme.

Bata as natas até que comecem a engrossar. Junte o açúcar de confeiteiro e a baunilha e continue a bater até formar picos firmes. Deite o chantilly sobre a tarte e espalhe-o cuidadosamente.

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As minhas não levaram, mas umas nozes caramelizadas por cima combinam lindamente. E as minhas ficaram muito trapalhonas: fiz muito creme e pouco chantilly e a proporção ficou um bocadinho desequilibrada.

Este creme não é exactamente igual ao da tarte que eu comi em NY – esse não levava canela nem noz moscada e tinha, certamente, mais baunilha. E, sinceramente, depois de provar as duas, acho que prefiro a versão apenas baunilhada – e quando voltar a fazer esta tarte vou retirar a canela e noz moscada e acrescentar as sementes de ½ vagem de baunilha.

De uma forma ou de outra, esta é uma tarte muito saborosa, com muitos cremes e muitas calorias. Mas de vez em quando também é preciso!

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Going bananas!

Quando estivemos nos Estados Unidos em Setembro, trouxemos uma sorveteira para a KitchenAid. Não é que desse muito jeito carregá-la de lá para cá, mas era consideravelmente mais barata lá e por isso trouxemos. Cheguei eu toda entusiasmada a casa, decidida a preparar os melhores gelados, ajudada pelo talentoso David Lebovitz – afinal, gelados são os doces favoritos do Zé, aqueles que ele come todos os dias do ano, se puder e não estiver com dor de garganta. Eu tinha de dominar essa arte! Mas, dizia eu, cheguei toda entusiasmada. Arranjei espaço no congelador para o trambolho que tem de lá ficar 15h e até me dispus mentalmente a abdicar de uma das gavetas para manter a sorveteira sempre gelada. 15h depois vamos testar a coisa – e a coisa não encaixa. Garantiu-nos o senhor que era universal, mas depois de falar com o apoio ao cliente americano, percebemos que era universal, sim senhora, dentro dos Estados Unidos. As batedeiras europeias têm um encaixe diferente. Porquê? Não faço ideia.

Frustrações e tristezas à parte, o trambolho ficou encostado até ao fim do mês passado, altura em que os simpáticos senhores da Lusomax, a representante portuguesa de várias marcas de renome, nos arranjaram o adaptador que permite que as sorveteiras, das quais realmente só existe um modelo, encaixem nas batedeiras não americanas. De novo o entusiasmo, de novo uma gaveta a menos no congelador. Mas desta vez, haveria gelado!

Eu queria começar por um de banana, um dos meus favoritos desde pequena e daqueles que não se encontra em todo o lado. Lembro-me perfeitamente do copo com duas bolas, uma de banana e outra de limão, comido no Esquimó, à beira-mar. Aquele gelado de banana faz parte das minhas memórias. Mas o Zé não parecia muito feliz com a ideia de gelado de banana. E como havia morangos em casa, apesar de ainda não ser a época deles, decidimos começar por um dos favoritos dele: gelado de morango. Não houve tempo para fotografias, mas o gelado era delicioso. E rápido. E fácil. E muito melhor que qualquer um que se possa comprar.

Ido o Zé para San Diego, eu e a sorveteira sozinhas em casa, é desta que faço gelado de banana, penso eu. E fiz. Em duas versões – gelado e frozen yogurt. Ambas boas, mas diferentes: o primeiro mais cremoso, o segundo com o toque ácido do iogurte. Prefiro o primeiro, que sabe a banana e a mais nada.

sorvete-de-banana

A receita é a mais fácil do mundo e é da Fer, que durante meses nos encheu os olhos gulosos com os seus gelados de frutas e as suas combinações deliciosas (ainda vou fazer o gelado de morango e manjericão que ela fez!).

No copo da varinha mágica, 1/2 medida de leite integral, 1 medida de natas, 2 bananas maduras e um pouco de açúcar amarelo. Bater tudo, provar, acertar o açúcar. Levar à sorveteira durante 15 minutos e comer, comer, comer. O gelado sai de lá no ponto em que eu gosto dele, cremoso. Há quem diga que se deve deixar o gelado no congelador umas duas horas, para ficar mais duro e amadurecer os sabores. Mas eu comi uma bola logo ali, cremosa e boa, e guardei o resto para comer depois.

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Não é o sorvete de banana do Esquimó. Mas é delicioso, mesmo assim. E a sorveteira abre portas de sabores sem fim. É uma espécie de caldeirão de bruxa, com possibilidades infinitas, misturas e ideias alquímicas a surgir a todo o momento e a fazer-me sentir quase um Jean-Baptiste Grenouille com vontade de fazer gelado da maçaneta da porta.

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Ano novo, vida nova. Mas essa minha vida nova começou já em Outubro, ainda que só agora me esteja a adaptar verdadeiramente a ela. O regresso ao ginásio era necessário apesar de desagradável. Nunca gostei de ginásio, de fazer exercício. Não me importo de o fazer se estiver distraída, mas o ritual de fazer o saco, ir enfiar-me num ginásio cheio de gente para fazer coisas horríveis e desagradáveis em frente a 300 outras pessoas, suar, ficar toda vermelha ao fim de 2 minutos (esteja a fazer o mais pesado ou o mais leve dos exercícios), tomar banho, vestir-me num balneário gelado, meia molhada, com o cabelo a pingar, para vir embora, desfazer o saco e no dia seguinte recomeçar tudo outra vez nunca foi a minha ideia de diversão. E não entendo os maluquinhos do ginásio, aqueles que vão para lá antes do trabalho ou no fim do dia, felizes e contentes, que saem de lá como se tivesse sido a melhor hora do dia e não faltam nem que seja feriado – sinceramente, para mim são pessoas com sérios problemas e eu recomendaria acompanhamento psicológico urgente.

À luz deste meu luminoso humor para tudo o que se relaciona com o ginásio, é óbvio que as sessões naquelas máquinas de tortura, com nada além do mp3 para evitar o enforcamento voluntário numa delas, estavam foram de questão. Portanto havia que encontrar alternativas que me fizessem desgostar um pouco menos do faz saco-tira roupa-veste roupa-corre sua sofre-toma banho-veste roupa-foge dali. E encontrei. Tenho feito coisas diferentes, como andar de bicicleta dentro de água (hidrobike) ou misturar tai chi, pilates e yoga, tudo regado a muito banho turco no fim e a um bom duche de água quase fria. E encontrei um ginásio com aulas sem ser ao fim da tarde, para poder fugir às multidões – apesar de apanhar as criancinhas das aulas de natação dos infantários – porque é que não há educadores homens para os corrermos todos do balneário das mulheres??

E com isso tenho saído de casa de manhã (ou ao fim dela), em direcção a coisas menos stressantes, que funcionam para mim e fazem do ginásio algo mais próximo do prazer  suportável que do sofrimento. Portanto, alguns pequenos-almoços têm sido reforçados, uma vez que não vou comer nada até à hora de almoço ou que o almoço vai ser tardio. E esta tem sido uma opção muito agradável nestes dias de agarrar no saco e sair porta fora.

breakfast

Comprei no supermercado do El Corte Ingles um balde de 1litro de iogurte grego (que ficou muito mais barato do que os potinhos individuais, além de mais ecológico em termos de embalagens). No copo da varinha mágica, bati 2 colheres de sopa generosas de iogurte grego, 1 banana e 1 colher de sobremesa de compota de pêssego do Verão passado. Passei para uma taça e polvilhei 3 nozes partidas em pedaços. Comi sentada à janela, a ver a chuva cair lá fora, e a contemplar o raio da ideia de ir para o ginásio com este temporal.

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Banananãaaaaaaao

Há alturas em que devemos mesmo dar ouvidos ao nosso instinto. Aquela vozinha cá de dentro, tipo grilo falante, que nos diz, baixinho: Tu não vais gostar disso.

O pão de banana – o banana bread – é uma receita muito popular nos EUA. Vem em quase todos os livros, está em quase todos os blogs americanos, aparece em filmes, séries de televisão, enfim, uma celebridade culinária. E eu quis experimentá-lo.

Ora, eu adoro banana. Adoro gelado de banana. Mas eu já sabia que a banana cozida não era bem para mim. E era isso que o grilo dizia: tu não vais gostar. Mas há vezes em que eu sou mais teimosa do que ele e tenho mesmo de bater com a cabeça para saber que: pois, realmente não gosto.

Saí internet fora em busca de uma receita. Tinha de ser provada e aprovada e por isso, depois de ler umas dezenas delas, acabei por escolher a da Elise, porque as receitas dela são sempre de confiança. E fui para a cozinha.

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Banana Bread

Ingredientes:

  • 3 ou 4 bananas maduras, amassadas (usei 3)
  • 1/3 medida de manteiga derretida
  • 3/4 medida açúcar amarelo
  • 1 ovo batido
  • 1 colher chá baunilha (usei essência)
  • 1 colher chá bicarbonato de sódio
  • 1 pitada de sal
  • 1 e 1/2 medidas de farinha
  • 1/2 medida de pecans picadas

Pré-aqueci o forno a 175ºC. Numa vasilha, bati as bananas amassadas com a manteiga. Juntei o açúcar, o ovo e a baunilha. Polvilhei com o sal e o bicarbonato e misturei bem. Acrescentei a farinha e, depois de bem misturada, as pecans, que envolvi ligeiramente.

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Estava tudo a correr bem. A massa cheirava divinamente e os bocadinhos que lhe fui roubando eram deliciosos. Ainda acrescentei pecans, para dar um crocante ao resultado final e no fim, posto o bolo no forno, rapei e lambi a taça como há muito tempo não o fazia. A massa é mesmo, mesmo boa.

Ora, bolo no forno vim até ao computador, passear um bocado pelos vossos blogs, ler e-mails, enfim, passar o tempo. Até que começou a chegar da cozinha um cheiro forte e enjoativo. E a voz na cabeça: vês? É assim que cheira a banana assada! Eu disse-te que não ias gostar! E eu pensei que isso era dantes, que agora o meu paladar estava muito mais aberto e eclético e que concerteza me ia saber muito bem.

Pão pronto, tiro do forno e desenformo sobre uma grade, para arrefecer. Entretanto, começo a arrumar a cozinha. Tive de desistir. O cheiro era de tal forma forte e enjoativo que não consegui estar na cozinha. Ainda assim continuei, teimosa: Deve ser por estar quente, assim que arrefecer fica menos forte e eu já vou gostar.

Já estão a ver onde isto vai dar, não estão? Parti, provei e não comi mais de um terço de uma fatia. Odiei. Como sabia, desde o início, que odiaria.

O pão foi todo oferecido e diz quem provou que estava muito bom. Partilho convosco porque acredito que a receita seja realmente boa. A esquisitinha sou eu. Gostava de dizer, com convicção, que gosto de tudo e como de tudo. Mas não gosto. E não como. Mas pelo menos provo!

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