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Archive for the ‘Cardamomo’ Category

Um bolo que passa de mão em mão, que corre cozinhas e pratos e enche de sorrisos gulosos quem o prova. Da Deb para mim, para a Moira e de volta para mim. Farinha, açúcar, frutas pequenas. Manteiga que suja as mãos que untam o prato que recebe o bolo. Alquimia fácil, sem truque de magia, mas que com magia se parece.

Bolo que se faz em 10 minutos, assa em 30 e se come no piscar de um olho. Bolo que se presta a ideias e invenções, a misturas ousadas de sabores ou ao conforto dos velhos conhecidos. Desta vez, pêssegos pequeninos dados pela Senhora Maria, a velhinha simpática da Ponte, que conta na cara as histórias que já viveu. Que nos recebe sempre com um sorriso, um ralhete de quem já não nos vê há quase um ano. E que nos enche as mãos de frutos, de lenha miúda para a fogueira, as idas à água de conversas. Peguei nos pêssegos, últimos cheiros do Verão, e misturei-lhes cheiros quentes de Outono. Um bolo aromático e delicioso, de despedida.

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Bolo de pêssego, cardamomo e tomilho

  • 85g manteiga sem sal, à temperatura ambiente (e mais um bocadinho para untar o prato)
  • 188g farinha
  • 1 ½ colher chá de fermento
  • ½ colher chá de sal
  • 150g + 2 colheres sopa de açúcar branco
  • 40g açúcar mascavado
  • 1 ovo grande (ou 2 pequenos)
  • 118ml leite
  • 1 colher chá de extracto de baunilha
  • 1 pitada de tomilho seco
  • 2 vagens de cardamomo
  • 400g de pêssegos, descascados e cortados ao meio

Pré-aqueça o forno a 165ºC. Unte com manteiga uma forma de tarte ou um prato de pirex.

Num almofariz, moa o tomilho e o conteúdo das 2 vagens de cardamomo.

Num recipiente, misture a farinha, o fermento e o sal. Acrescente 2 pitadas da mistura de tomilho e cardamomo e reserve.

Com a batedeira, bata bem a manteiga com o açúcar, até obter uma massa pálida e fofa. Adicione o ovo, o leite e a baunilha e bata até estar homogéneo.

Acrescente a mistura de farinha gradualmente, e vá misturando com uma colher de pau. Não bata a massa demasiado.

Deite a massa na forma previamente untada. Disponha os pêssegos, com o lado do corte para baixo, enterrando-os ligeiramente na massa. Ponha-os numa só camada. Polvilhe com as restantes 2 colheres de sopa de açúcar e mais uma pitada de tomilho seco e leve ao forno até que um palito saia seco. Isto vai depender muito do forno – no meu demorou 30 minutos.

 

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Este é um bolo diferente, mais apreciado pelos crescidos. Pode ajustar a quantidade de especiarias, caso seja grande apreciador. A massa fica perfumada e, junto aos pêssegos, ligeiramente cremosa. Uma perfeita sobremesa, que comemos ao almoço do último domingo de Agosto.

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Eu e o Ano Novo não temos uma relação lá muito cordial. Vá para longe ou fique por cá, fica-me sempre uma sensação de perda cá dentro. Coisas minhas, daquelas contra as quais já desisti de lutar porque já percebi que não há que lhes faça.

E depois há coisas que não ajudam. A desculpa que quase toda a gente vê nessa noite para se embebedar. Os vestidos de festa mais próprios para noites de Verão. Os mesmos programas de sempre, nos sítios lotados de sempre, a fazer as coisas de sempre.

O melhor Ano Novo é o da família, mesmo que leve banho de lágrimas logo à chegada e acabe a dois no sofá, com filmes antigos e uma chávena de chocolate quente. Mas mesmo não lutando contra as coisas que me enchem neste dia, faço um esforço por me lembrar e por estar grata pelas coisas boas do ano que termina. Os meus, os sonhos, a vida. E faço-me brindar com prazer, a lágrima já a espreitar, para mandar embora o ano velho com o sorriso que ele merece.

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Cocktail de pêra, cardamomo e prosecco

(receita daqui)

Ingredientes

(para 8 pessoas)

  • 8 vagens de cardamomo
  • 100ml de água
  • ½ medida de açúcar
  • 1 medida de néctar de pêra
  • 1 colher chá de sumo de limão
  • 1 garrafa de Prosecco (ou outro espumante), bem fresco

Num almofariz (ou num saco de plástico bem fechado), moa o cardamomo, até que todas as vagens estejam abertas e as sementinhas pretas esmagadas.

Numa panela pequena, coloque o cardamomo, a água e o acúcar e leve a fogo médio, até ferver. Reduza então para fogo baixo e deixe reduzir durante 10 minutos, até obter um xarope que cubra levemente as costas de uma colher.

Leve novamente a lume médio e junte o néctar de pêra. Deixe ferver e remova, então, o xarope do fogo. Cubra e deixe repousar durante 30 minutos, para que o aroma do cardamomo se infunda no xarope.

Coe então o xarope, para lhe retirar os restos do cardamomo, e coloque num recipiente que possa ser fechado. Adicione o sumo de limão; tape e leve ao frigorífico até que esteja bem frio (o ideal é deixar pelo menos duas horas ou, se possível, de um dia para o outro).

Para servir, coloque 4 colheres de sopa do xarope em cada copo e complete com o Prosecco bem gelado.

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É uma sugestão diferente, perfeita para quem, como nós, não gosta de champanhe mas quer brindar ao fim e ao recomeço. Os sabores quentes do cardamomo e da pêra complementam na perfeição o vinho gelado. Um ou dois e já estou pronta para o novo ano. Feliz Ano Novo!

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Cá gostamos de sabores fortes. Comida com presença, com personalidade, daquela que nos leva a viajar pelo longe e a distância, nem que seja só de boca. Nunca comemos comida com pouco sabor. Tudo leva ervas, especiarias ou outros ingredientes de sabor marcado. Tudo apura, tudo marina, tudo tem sabor.

A repetição tem sentido. Não só preferimos a comida assim, como temos alguma dificuldade em comer com prazer comida com pouco sabor. As nossas papilas já se habituaram à estimulação e não se satisfazem com menos. Não quero dizer que tudo o que cá se come seja picante ou tão forte que não se sentem os sabores de umas coisas e outras. Nada disso. Nos pratos fortes, tão ou mais do que nos outros, os sabores devem complementar-se e realçar-se mutuamente. O equilíbrio é fundamental.

A comida indiana, por tudo o que foi dito acima, é das nossas favoritas. Não sou perita em cozinhá-la, nem nada próximo disso. Vou fazendo algumas experiências, com ajuda de várias fontes, aprendendo com as tentativas, minhas e dos outros. Às vezes, há pratos que são para guardar, para passar ao reportório habitual, de tão bons e fáceis que são.

frango com caju II

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Frango em molho de castanha de caju
(do livro Indian)

Ingredientes

(4 pessoas)

  • 2 cebolas médias
  • 2 colheres sopa de pasta de tomate
  • 50g castanhas de caju (usei umas com piri-piri, que tinha comprado por engano)
  • 1 colher chá de sementes de cominhos
  • 1 colher chá de sementes de coentros
  • ½ colher chá de cardamomo (as sementes internas, sem as cascas)
  • 1 colher chá de alho ralado
  • 1 colher chá de chilli em pó
  • 1 colher sopa de sumo de limão
  • ¼ colher chá de açafrão-da-índia (curcuma)
  • 1 colher chá de sal
  • 1 colher sopa de iogurte natural
  • 2 colheres sopa de óleo
  • 2 colher sopa de coentros frescos picados
  • 1 colher sopa de sultanas (não usei)
  • 450g de frango, sem osso, sem pele e cortado em cubos
  • 175g de cogumelos brancos
  • 300ml de água

Comece por preparar as especiarias: coloque uma frigideira robusta no fogão, em lume médio, e torre ligeiramente as sementes de cominhos, coentros, cardamomo e pimenta. Quando começar a sentir-lhes o cheiro, retire-as para um almofariz e triture até obter um pó. (em alternativa a estas especiarias, pode utilizar 1 ½ colher chá de garam masala pré-preparado). Reserve.
Corte as cebolas em quartos e coloque-as num processador ou no copo da varinha mágica. Processe durante 1 minuto. Junte a pasta de tomate, as castanhas de caju, as especiarias trituradas, o alho, chilli, sumo de limão, açafrão-das-índias, sal e iogurte e processe durante 1-1½ minutos.

Numa panela, aqueça o óleo (não o substitua por azeite – nesta receita é melhor usar um óleo de sabor mais neutro) em lume médio. Junte a mistura processada e frite durante 2 minutos, baixando o fogo se necessário. Acrescente metade dos coentros picados, as sultanas (se usar) e o frango e continue a fritar mais 1 minuto. Junte os cogumelos, a água e deixe ferver. Cubra então e cozinhe, em fogo baixo, durante 10 minutos.

Após este tempo, verifique se o frango já está cozinhado e o molho grosso. Cozinhe por mais algum tempo, se necessário. Se precisar de engrossar o molho, cozinhe mais uns minutos com a panela destapada.

Sirva polvilhado com os restantes coentros e, se quiser, para dar um toque crocante, com um punhado de castanhas de caju.

frango com caju III

Cá em casa serviu-se com arroz basmati e com um pão folhado que costumo comprar no supermercado do El Corte Inglês. Julgo que são uma espécie de parathas e costumo prepará-las de forma muito simples: um pouco de manteiga por cima (se for manteiga de alho, tanto melhor) e coentros e cominhos triturados. Vai a forno quente até “pufar” e está pronto.

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Ando há umas semanas a hesitar publicar este post. Não que a receita não valha a pena – na verdade é das melhores tartes que já fiz. Mas as fotografias, senhores, as fotografias… Que desastre! A falta de luz, a falta de cenário, a falta de paciência. Tratei-as da maneira possível, mas achei que não podia deixar de partilhar a receita. E quando a fizer outra vez, melhores fotografias virão.

Fiz esta tarte para levar para um jantar com amigos. Queria algo leve, com fruta, e a minha cabeça juntou bocados de receitas já feitas num puzzle que resultou delicioso.

tarte-de-manga-ii

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Tarte de manga e mascarpone

Ingredientes

  • 1 dose de massa de tarte
  • 200ml puré de manga (fresco ou de lata – usei de lata porque não encontrei mangas suficientemente maduras)
  • 250g mascarpone
  • 200ml natas
  • raspa de 1 limão
  • 1 colher chá de sumo de limão
  • ¼ medida de açúcar
  • 6 vagens de cardamomo
  • 1 manga para decorar (opcional; eu queria, mas não encontrei nenhuma madura o suficiente)

Fiz a massa e deixei-a descansar, já estendida na tarteira, no frigorífico. Entretanto, fiz o creme de mascarpone, que a minha cabeça foi buscar a esta receita. Acrescentei-lhe ainda, para além da raspa de limão,  uma pitada considerável das sementes de cardamomo trituradas no pilão. Guardei-o no frigorífico, coberto, para que os sabores se desenvolvessem.

Num tacho pequeno, aqueci o puré de manga, juntei-lhe o resto do cardamomo moído, uma colher de sopa mal cheia de raspas de limão e o sumo de limão. Deixei reduzir um pouco, para que ficasse mais grosso. Reservei para que arrefecesse.

Entretanto, assei a massa, coberta de papel de alumínio e feijões secos. Nos últimos minutos, retirei o alumínio e os feijões e deixei dourar ligeiramente – este tipo de massa fica mais agradável se não assar demasiado, uma vez que fica mais leve e areada. Deixei arrefecer e recheei: o puré de manga por baixo, o creme de mascarpone por cima (o meu creme estava um pouco líquido e acabei por o bater um pouco na batedeira, para lhe dar mais corpo). Queria decorar com fatias de manga, mas como as únicas que encontrei estavam verdes, desisti. Acabei por decorar com um pouco do puré de manga, mas realmente as decorações artísticas dos doces não são o meu forte.

tarte-de-manga

A tarte ficou deliciosa. Muito leve e perfumada, com o toque do limão e do cardamomo a dar-lhe um sabor ligeiramente exótico. É óptima para fazer no Verão, mas devo dizer que no Inverno não nos soube nada mal.

Não fotografei a tarte original, porque era de noite e a luz estava ainda pior. Mas com as sobras de creme, puré e massa fiz uma, pequenina, para fotografar. E mesmo assim, que desgraça. Mas a minha boca gulosa agradeceu!

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