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Archive for the ‘Cogumelos’ Category

Não gosto de desperdício. De deitar fora talos de beterraba, água de cozer legumes, molhos que sobram no fundo das panelas, cascas de laranjas, limões e toranjas (desde que descobri como é fácil aproveitá-las). Quando faço assados ou estufados tendo a guardar os molhos, as águas, tudo o que possa ser reutilizado, acrescentando sabor e nutrientes a sopas, arroz ou outros pratos. O desperdício faz-me verdadeiramente confusão.

Foi por isso que quando, no fim do jantar, vi que tinha sobrado imenso molho deste frango, decidi guardá-lo no frigorífico e reutilizá-lo.

Dois dias depois, hora de almoço e eu sem ideias. Sem carne ou peixe no frigorífico. Peguei no molho e resolvi improvisar um biryani. Sinceramente, não sei se foi feito como devia, da forma tradicional, correcta ou mais adequada. Nem me preocupei em saber. Improvisei, fui fazendo, juntando isto e aquilo à medida da minha vontade. E ficou bom, que era o importante.

Biryani I

Num tacho, cozi arroz basmati (eu já tinha algum cozido, cozi mais um pouco para ter quantidade suficiente; caso não haja sobras de arroz, pode cozer-se o arroz no próprio molho), em água e sal. Quando estava quase no ponto, escorri e reservei.

Numa panela com um fio de azeite, alourei uma cebola em cubos pequenos, dois dentes de alho picados e um quarto de pimento vermelho em cubos. Deixei alourar um pouco e acrescentei então uma cenoura pequena em cubinhos, meia courgette também em cubos e um alho francês em meias-luas finas. Juntei um tomate pequeno, bem maduro, cortado em cubos, e 100ml de caldo de legumes. Juntei sal, cominhos em pó e um pouco de paprika, tapei e deixei cozinhar cinco minutos.

Juntei alguns cogumelos brancos, o molho guardado e mexi bem. Quando estava tudo no ponto (meio cozido, meio crocante) acrescentei o arroz. Misturei tudo muito bem e deixei que os sabores se misturassem e o arroz ficasse bem quente. Servi então, polvilhado de castanha de caju picada.

 

Biryani II

Nós gostamos muito destas refeições de arroz com legumes e o toque indiano do molho deu a este prato um sabor especial. Ficou apurado, saboroso e saudável, cheio de legumes e sem carne. Sabem-nos bem estas refeições assim, não menos nutritivas mas mais saudáveis, sem abdicar do sabor – comer comida só porque é saudável, ignorando que qualquer refeição deve, acima de tudo, ser saborosa, é um mau princípio.

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Cá gostamos de sabores fortes. Comida com presença, com personalidade, daquela que nos leva a viajar pelo longe e a distância, nem que seja só de boca. Nunca comemos comida com pouco sabor. Tudo leva ervas, especiarias ou outros ingredientes de sabor marcado. Tudo apura, tudo marina, tudo tem sabor.

A repetição tem sentido. Não só preferimos a comida assim, como temos alguma dificuldade em comer com prazer comida com pouco sabor. As nossas papilas já se habituaram à estimulação e não se satisfazem com menos. Não quero dizer que tudo o que cá se come seja picante ou tão forte que não se sentem os sabores de umas coisas e outras. Nada disso. Nos pratos fortes, tão ou mais do que nos outros, os sabores devem complementar-se e realçar-se mutuamente. O equilíbrio é fundamental.

A comida indiana, por tudo o que foi dito acima, é das nossas favoritas. Não sou perita em cozinhá-la, nem nada próximo disso. Vou fazendo algumas experiências, com ajuda de várias fontes, aprendendo com as tentativas, minhas e dos outros. Às vezes, há pratos que são para guardar, para passar ao reportório habitual, de tão bons e fáceis que são.

frango com caju II

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Frango em molho de castanha de caju
(do livro Indian)

Ingredientes

(4 pessoas)

  • 2 cebolas médias
  • 2 colheres sopa de pasta de tomate
  • 50g castanhas de caju (usei umas com piri-piri, que tinha comprado por engano)
  • 1 colher chá de sementes de cominhos
  • 1 colher chá de sementes de coentros
  • ½ colher chá de cardamomo (as sementes internas, sem as cascas)
  • 1 colher chá de alho ralado
  • 1 colher chá de chilli em pó
  • 1 colher sopa de sumo de limão
  • ¼ colher chá de açafrão-da-índia (curcuma)
  • 1 colher chá de sal
  • 1 colher sopa de iogurte natural
  • 2 colheres sopa de óleo
  • 2 colher sopa de coentros frescos picados
  • 1 colher sopa de sultanas (não usei)
  • 450g de frango, sem osso, sem pele e cortado em cubos
  • 175g de cogumelos brancos
  • 300ml de água

Comece por preparar as especiarias: coloque uma frigideira robusta no fogão, em lume médio, e torre ligeiramente as sementes de cominhos, coentros, cardamomo e pimenta. Quando começar a sentir-lhes o cheiro, retire-as para um almofariz e triture até obter um pó. (em alternativa a estas especiarias, pode utilizar 1 ½ colher chá de garam masala pré-preparado). Reserve.
Corte as cebolas em quartos e coloque-as num processador ou no copo da varinha mágica. Processe durante 1 minuto. Junte a pasta de tomate, as castanhas de caju, as especiarias trituradas, o alho, chilli, sumo de limão, açafrão-das-índias, sal e iogurte e processe durante 1-1½ minutos.

Numa panela, aqueça o óleo (não o substitua por azeite – nesta receita é melhor usar um óleo de sabor mais neutro) em lume médio. Junte a mistura processada e frite durante 2 minutos, baixando o fogo se necessário. Acrescente metade dos coentros picados, as sultanas (se usar) e o frango e continue a fritar mais 1 minuto. Junte os cogumelos, a água e deixe ferver. Cubra então e cozinhe, em fogo baixo, durante 10 minutos.

Após este tempo, verifique se o frango já está cozinhado e o molho grosso. Cozinhe por mais algum tempo, se necessário. Se precisar de engrossar o molho, cozinhe mais uns minutos com a panela destapada.

Sirva polvilhado com os restantes coentros e, se quiser, para dar um toque crocante, com um punhado de castanhas de caju.

frango com caju III

Cá em casa serviu-se com arroz basmati e com um pão folhado que costumo comprar no supermercado do El Corte Inglês. Julgo que são uma espécie de parathas e costumo prepará-las de forma muito simples: um pouco de manteiga por cima (se for manteiga de alho, tanto melhor) e coentros e cominhos triturados. Vai a forno quente até “pufar” e está pronto.

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Esta semana tem sido complicada. Sem tempo para nada. Ao jantar repetem-se velhos favoritos ou faz-se uma massa rápida, para despachar. Os almoços são ainda mais rápidos, fruta e sopa, sobras do jantar de ontem. Cozinhar só para mim continua a ser uma chatice.

Mas hoje não havia sopa. Nem sobras de ontem. Nem nada que fosse rápido e imediato. Havia, sim, ainda um pouco da massa dos falafel de há uns dias, à espera de tempo para ser enrolada, passada em pão ralado e congelada. E havia as tortillas do costume. E cogumelos.

hamburger-de-grao-de-bico

Numa colher de sobremesa de azeite e meio dente de alho picado, alourei 3 ou 4 cogumelos em fatias. Quase no final acrescentei o restante alho picado. Reservei. Fiz um hamburger fino com a massa de grão-de-bico e fritei ligeiramente noutra colher de sobremesa de azeite, virando a meio para que dourasse de ambos os lados. Numa tortilla, fiz uma cama de alface, acrescentei duas folhas de hortelã bem picadas, o hamburger, os cogumelos e um cheirinho de parmesão ralado. Aqueci tudo no grelhador das tostas mistas e pronto – almoço.

hamburger-de-grao-de-bico-iii

Comi acompanhado de uma chávena de chá verde com jasmim, frio. Foi rápido, saboroso e nutritivo. Agora vou ali comer um kiwi e pronto, já estou almoçada.

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Já me debati longamente, no blog e fora dele, sobre os pratos deliciosos que dão péssimas fotografias. No que ao blog diz respeito, mais longamente ainda me debati sobre a sua publicação. A conclusão pessoal a que cheguei foi que não devia excluir uma receita deliciosa só porque a fotografia não é boa. Afinal, o blog é sobre comida, boa comida de preferência.

Claro que já todos sabemos que os olhos também comem – e eu como muito com os olhos. Dificilmente compro um livro de receitas, por exemplo, que não tenha fotografias. Claro que isto não é regra – se o livro for mesmo muito bom e não tiver fotografias, paciência, compro-o na mesma. É por isso que quando tenho receitas com más fotografias escolho publicar só aquelas que são mesmo muito boas.

É o caso deste frango. Foi inspirado nesta receita de frango à espanhola, mas fiz-lhe tantas alterações que já não é exactamente o mesmo prato. Portanto fica a referência à inspiração e, a seguir, a minha versão.

frango-com-feijao

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Frango com feijão e cogumelos no forno

Ingredientes
(para quatro pessoas)

  • 2 peitos de frango, cortados a meio (4 grandes cubos de peito de frango, portanto)
  • 100g de bacon em cubos pequenos
  • 1 cebola grande
  • 3 dentes de alho
  • 1 lata de tomate pelado
  • 2 latas de feijão
  • 12 cogumelos brancos cortados em quatro
  • 2 colheres sopa de farinha
  • 1 colher sopa de paprika
  • 300ml de caldo de legumes (ou galinha)
  • azeite
  • sal

Misture a farinha, a paprika e uma pitada generosa de sal e passe o frango nesta mistura, cobrindo-o homogeneamente. Num tacho baixo, aqueça 2 colheres de sopa de azeite e frite nelas o frango, de ambos os lados, até que esteja dourado, mas sem que cozinhe completamente. Retire e reserve.

No mesmo tacho, com mais um pouco de azeite, frite o bacon e a cebola até que esta esteja dourada. Acrescente o alho bem picado e refogue mais um pouco. Junte em seguida os cogumelos e deixe fritar ligeiramente. Adicione o feijão, os tomates desfeitos e o caldo. Acerte o sal, acrescente paprika se desejar e deixe levantar fervura.

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Numa travessa de forno disponha o frango reservado e por cima o refogado de feijões e cogumelos, bem como todo o molho. Se quiser, acrescente agora um ramo pequeno de alecrim. Leve ao forno por aproximadamente 40 minutos (pode ser menos, se achar que está a ficar demasiado seco, ou pode ser mais, se os peitos forem muito grossos). Sirva acompanhado de pão alentejano ou de arroz branco.

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Cá em casa serviu-se acompanhado de arroz branco, já que um dos “pratos” favoritos do Zé é arroz ensopado no molho do que quer que seja. Os feijões que usei não eram de lata, mas daqueles bons, comprados na feira e debulhados à mão, que estavam guardados no meu congelador desde Setembro passado. Cozi-os, guardei alguns no frigorífico e fui usando.

Este assado é delicioso e talvez ficasse ainda melhor se feito estilo cassoulet, na panela de ferro desde o fogão até ao forno. Da próxima é assim que conto fazê-lo.  Vou ainda acrescentar o sugerido ramo de alecrim, coisa que não fiz. Ainda assim, o cheiro pela casa era delicioso e o frango ficou húmido e saboroso, com a paprika a dar um toque fumado muito agradável.

A fotografia… bem, é a possível. Espero que o relato compense e que desperte a vontade de experimentar que a fotografia, infelizmente, não desperta.

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Dei muitas voltas à cabeça e ao supermercado à procura da fórmula mágica. Pensei em várias coisas e em nada em concreto. Isto é ainda mais difícil do que eu previa, pensei de dois em dois segundos. Queria fugir ao óbvio e imediato. Queria fazer mil coisas diferentes. Vim para casa com os ingredientes para fazer uma coisa e acabei por fazer outra. Mas a experiência correu bem e portanto aqui está: a primeira proposta 4 por 6!

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Almôndegas de frango e espinafres sobre penne em puré de cenoura e cogumelos salteados

Ingredientes:

  • 350g de penne (eu usei o tricolor porque não tinha outro, mas o normal é mais barato)
  • 400g de frango (peito ou bife)
  • 300g de espinafres (congelados ou frescos, aqueles que forem mais baratos)
  • 350g de cenouras
  • 6 dentes de alho
  • 175g de cogumelos brancos frescos
  • 2 colheres sopa de tomilho seco
  • 1 colher sopa de alho em pó
  • 1 colher sopa de farinha
  • sal
  • azeite

Se usarem espinafres congelados, descongelem-nos primeiro e escorram-nos muito bem para retirar o excesso de água (podem guardar essa água para acrescentar a uma próxima sopa, terá concerteza nutrientes dos espinafres).

Começar por cozer o penne em bastante água e sal. Numa outra panela, cozer as cenouras, cortadas em rodelas grossas, com dois dentes de alho, sal e uma pitada de tomilho. Quando estiverem tenras mas não demasiado, retirar para o processador ou o copo da varinha mágica e passar, cenouras e alho, até obter um puré. Diluir com alguma da água da cozedura, até obter um molho espesso. Reservar.

Numa frigideira com um fio de azeite e um dente de alho picado fino, saltear os cogumelos cortados em lâminas finas. Acrescentar uma pitada de sal e outra de tomilho e deixar cozinhar. Quando estiverem prontos, retirar da frigideira e reservar.

Na mesma frigideira, com um fio de azeite e dois dentes de alho finamente picados, saltear ligeiramente os espinafres, folhas grosseiramente cortadas, até que murchem. Reservar. Cortar o frango em pedaços pequeninos ou picar ligeiramente no processador. Misturar os espinafres com o frango. Acrescentar ½ colher de sopa de tomilho, ½ colher de sopa de alho em pó, uma pitada de sal e a farinha. Misturar bem. Fazer pequenas bolas, ligeiramente achatadas, e fritar, de ambos os lados, na mesma frigideira, com muito pouco azeite. Retire as almôndegas e coloque na frigideira o molho de cenoura. Acrescente o restante alho em pó e tomilho e mexa bem. Acerte o sal e, se necessário, acrecente um pouco mais da água onde cozeu as cenouras (água que, se sobrar, poderá também guardar para uma próxima sopa, preservando assim os nutrientes que nela existirem). Acrescente os cogumelos e a pasta já cozida. Envolva bem e sirva em prato fundo, com as almôndegas por cima.

Como a refeição já tinha sido algo pesada, servi kiwi à sobremesa. Maduros são deliciosos e doces, para além de terem mais vitamina C do que qualquer citrino e quantidades importantes de magnésio, ferro e potássio.

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Esta primeira vez não foi fácil. Sentei o Zé ao Excel na cozinha e fizemos contas e acrescentos e reduções. Ele foi uma ajuda essencial! Pesámos ingredientes, cortámos ideias pela raíz e reduzimos tudo ao imprescindível. Conseguimos alimentar 4 pessoas com 6 euros, numa refeição completa e equilibrada, com fontes de proteína (frango e cogumelos), hidratos de carbono (a massa) e gorduras saudáveis (o azeite), cheia de nutrientes importantes como ferro, vitamina A e C, magnésio e potássio. As contas finais, com o tomilho e o alho em pó, batem nos 6€ certos. Portanto, missão cumprida! No preço e no sabor!

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Dica de poupança: não é totalmente verdade que os vegetais frescos sejam mais saudáveis que os congelados. Muitas vezes, nos grandes supermercados, os frescos foram apanhados ainda meio verdes e amadurecidos de forma artificial, para que nos cheguem às mãos no ponto. Em contrapartida, os congelados foram apanhados no ponto certo e congelados de imediato, garantindo que mantêm todas as suas propriedades e todo o seu sabor. Além de serem, na maior parte dos casos, mais baratos. Assim, podemos comprar sem complexos espinafres, ervilhas, favas, milho, couves de bruxelas, todos congelados, que duram mais tempo e custam menos.  O mesmo já não se aplica, em termos de poupança, às misturas de legumes, à cebola e alho pré-cortados e às batatas.

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Que é como quem diz, vêm umas atrás das outras. Há uns dias, andava eu a passear no supermercado, a tentar planear um jantar de família, quando vi uns lindos cogumelos Portobello, a piscar-me o olho da prateleira. Lembrei-me logo deste post da querida e talentosa Marizé e trouxe-os comigo para casa.

Inspirei-me nos da Marizé, que se inspirou nos da Elvira, e improvisei o quanto baste. De inspiração em inspiração, ficou pronto o jantar.

portobellos-recheados

Numa frigideira e um fio de azeite salteei dois dentes de alho muito muito picadinhos. Acrescentei bacon cortado em cubos pequeninos, os pés dos Portobello e mais 4 cogumelos brancos, picados. Juntei pão esfarelado (não é pão ralado, são ), temperei com sal e manjericão seco e deixei refogar um pouco. Acrescentei nozes em pedacinhos e recheei os cogumelos. Por cima, cubos de mozzarella e mais um fio de azeite. Foram ao forno a 180ºC até estarem cozinhados e dourados.

Para acompanhar, salada de rúcula temperada com azeite e vinagre balsâmico e umas batatas de forno de que vos falo amanhã.

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A receita agradou mais a uns que a outros. Cá em casa não somos loucamente fãs de cogumelos e os Portobello têm um sabor mais forte e mais evidente do que aquele ao qual estamos habituados. O molho das batatas que acompanharam o prato ajudou bastante, porque os cogumelos ficaram um pouco secos. A repetir, talvez com outro recheio, mas a aproveitar a grande vantagem de serem uma fonte de proteínas tremendamente completa e substituirem, facilmente, a carne.

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Olá, bem vindos ao Caos na Cozinha. Visto que a chefe máxima se encontra perdida lá por terras do tio Sam, resolvi aproveitar para dar o golpe e raptar o blog por algumas receitas.

Agora que o Outono está a chegar, chegam com ele as novas cores da estação, e o roxo parece marcar presença em todas as lojas de roupa. Talvez tenha sido isso que me tenha influenciado a comprar, na última ronda semanal pelo supermercado, uma beringela.

Nunca fui fã de beringelas: a consistência, o sabor… há ali qualquer coisa que nunca me atraiu, mas naquele dia, por qualquer razão, veio-me à ideia fazer beringela recheada para o jantar.

E assim foi: cortei a beringela em metades, e com muito cuidado, fui retirando a polpa até ficar apenas cerca de meio centímetro de espessura junto da casca. Um bocadinho de sumo de limão para o interior não ficar negro, e reservei, enquanto fazia o recheio.

Num tacho juntei azeite, cebola, muito alho, um tomate muito maduro, cenoura aos cubos e juntei a beringela, cortada aos pedaços. Adicionei um pouco de vinho branco e sal, e deixei refogar, enquanto punha a soja granulada de molho e cortava aos cubos a courgette.

Assim que a beringela ficou mole, juntei a soja escorrida, um pouco de molho de soja e os já habituais cominhos. Uns minutos ao lume, e finalmente a minha parte favorita – a prova. Infelizmente, foi aqui que começou o desastre. O gosto da beringela, forte de mais, sobrepunha-se aos restantes, e tornava o recheio intragável para o meu paladar. Foi assim necessário juntar muito molho de soja e cominhos até desaparecer quase todo o sabor da beringela. Um desperdício, poderão dizer alguns, mas algo que para mim parecia ser a única solução.

Resolvida a crise imediata, juntei ao recheio a courgette cortada aos cubos e, no final, os cogumelos frescos e o milho doce. Recheei com este preparado as metades da beringela, e terminei com requeijão, antes de levar ao forno por meia hora.

No prato, as metades da beringela recheada, com uma bela salada de canónigos, tomate caseiro e tirinhas de tomate seco, estavam lindas. Já na boca, mais uma vez o gosto da beringela era forte demais, tendo acabado por comer só o recheio e deixado a beringela intacta no prato.

De qualquer forma, mesmo sendo esta uma experiência falhada, gostei da apresentação, e irei de certeza repetir o prato – desde que a beringela seja usada apenas para decoração.

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A vontade de pizza é algo que me acontece muitas vezes. Estar a pensar no jantar e aperceber-me de como me apetece aquela base de massa, um bom e simples molho de tomate, queijo por cima… Quando isto acontece quase em cima da hora de jantar é que é complicado. Normalmente não há massa pronta em casa (desde que me converti à massa caseira), não há tempo de a fazer e não há nenhuma padaria aberta para comprar um bocado.

Nestas alturas há duas opções: ou se desiste da pizza (ha!) ou se improvisa. Eu, teimosa como sou, e já sabendo que, com pizza no pensamento nada mais me deixará satisfeita, improvisei. Duas vezes! Este é, portanto, um post a duas partes.

Da primeira vez tinha um rolo de massa folhada no frigorífico. Pensei que umas calzones de massa folhada talvez funcionassem bem e decidi arriscar.

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Calzones de massa folhada

Ingredientes:

  • 1 rolo de massa folhada
  • 2 a 3 colheres sopa molho de tomate
  • 1 cebola
  • azeitonas pretas
  • cogumelos
  • queijo mozzarella
  • 1 ovo
  • azeite
  • orégãos

Salteei a cebola, em meias luas finas, num fio de azeite, até dourar. Reservei. Abri a massa folhada e cortei o círculo em quatro partes iguais. Em cada uma delas coloquei um pouco de molho de tomate (frio, de preferência), cogumelos em pedaços, um pouco da cebola, pedaços das azeitonas, queijo e orégãos. Fechei com a clara de ovo, pincelei com a gema e levei ao forno a 160ºC até dourar.

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Servi com salada de rúcula, cenoura, pimento vermelho e pepino, temperada com azeite e vinagre balsâmico. A textura ficou muito boa e como a massa folhada que eu uso é muito pouco gordurosa (em comparação com as versões congeladas, que escorrem gordura ao assar) ficou muito sequinha e saborosa. Não era a melhor pizza do mundo. Mas era melhor que nenhuma!

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Quando estou sozinha e tenho paciência/fome/vontade, arrisco mais na cozinha. Ter só o meu paladar para agradar torna tudo mais fácil em termos de liberdades criativas. Vou cozinhando ao sabor da minha boca, provando, acrescentando, experimentando.

Na semana passada, o Zé teve de ficar em Lisboa uma noite, a trabalho. E eu com tantos cogumelos para gastar…

Eu e os cogumelos nem sempre tivemos uma relação pacífica. Foi uma daquelas coisas de que fui aprendendo a gostar. Hoje gosto razoavelmente, mas dos frescos. Cogumelos em lata não. Sabem mal, têm uma textura horrível e uma cor ainda pior. Mas tenho quase sempre em casa cogumelos frescos, porque são uma excelente fonte de proteínas com baixas gorduras (ao contrário da carne e dos ovos). Como faço muitas refeições sem carne ou peixe, os cogumelos são excelentes substitutos.

E era o caso na semana passada: uma embalagem quase inteira de cogumelos a pedir uso. A inspiração veio daqui, com livres adaptações e variações, já que os ingredientes que havia em casa eram ligeiramente diferentes. E, descobri eu a meio, afinal não tinha cogumelos que chegassem. Eles encolhem sempre imenso!

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Assado de batatas e cogumelos

Ingredientes

  • 300g cogumelos brancos
  • 4 batatas grandes
  • 1 cebola grande
  • 1 lata de tomate pelado
  • 200g queijo mozzarella ralado
  • ervas frescas (manjericão, tomilho, orégãos…)
  • azeite
  • alho
  • sal

Numa panela com água a ferver, cozi as batatas descascadas e cortadas em fatias largas e relativamente grossas (meio centímetro). Retirei quando estavam cozidas mas não demasiado.

Numa frigideira com um fio de azeite, alourei um dente de alho e juntei os cogumelos fatiados. Deixei cozinhar bem e quando estavam praticamente prontos, acrescentei sal e tomilho fresco (pode ser seco também). Reservei.

Na mesma frigideira, já sem os cogumelos (ou noutra, se quiser fazer as duas coisas ao mesmo tempo), alourei, num fio de azeite, a cebola cortada em meias luas finas. Deixei-a ficar bem douradinha e reservei.

Preparei um molho de tomate simples: alourei alguns dentes de alho em azeite, juntei o tomate pelado partido em pedaços, sal e deixei reduzir. Quase no final, acrescentei folhas de manjericão fresco, rasgadas (se não tiver, pode usar do seco ou orégãos, como alternativa).

Agora a montagem: num recipiente que possa ir ao forno, coloquei uma fina camada de molho de tomate, seguida de uma de batata-molho de tomate-queijo-cogumelos-batata-molho de tomate-queijo-cebola-batata-molho de tomate-queijo-forno! Foi ao forno a 180º, até o queijo estar derretido e ligeiramente dourado.

Este prato é óptimo porque pode fazer-se com as variações que se quiser. A receita original não leva a camada de cebola, mas eu acrescentei-a porque, afinal, não tinha cogumelos suficientes. E deu-lhe um sabor muito interessante. Podem variar-se as ervas, variar-se o molho, variar-se as camadas, o queijo, enfim, tudo. E pode ter-se tudo pronto com antecedência e colocar no forno só quase à hora de jantar. Pode servir de acompanhamento ou ser uma refeição por si só. Não faz o prato mais bonito, depois de servido. Mas é muito, muito bom!

Eu comi o meu acompanhado da minha primeira experiência com as porottas da Agdá. A experiência não foi muito bem sucedida e por isso não vos falo dela – porque não desisti e só a quero partilhar quando a conseguir fazer na perfeição!

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Eu sei que o São Valentim já foi há muito tempo. Mas como acho que o amor deve ser celebrado não só nesses dias, acho que qualquer dia pode ser, também, desculpa para um jantar especial. E resolvi, então, que ainda ia a tempo de partilhar esta receita convosco!

Sempre fui uma desgraça a dar títulos a fosse o que fosse. Às minhas composições nos tempos de escola, aos poemas nos tempos de adolescente, aos trabalhos nos tempos de faculdade. O título era sempre a última coisa e sempre a mais difícil. Raras eram as vezes em que surgia do nada, como por artes mágicas, encaixando como uma luva ao que ali se escrevia. Menos raras eram as vezes em que o título dava mais trabalho do que tudo o resto – trabalho, poema, composição. Sempre que podia, ficava sem título. Pena é que normalmente não podia…

Mas este era um jantar especial – e um jantar destes pede um título. E aqui ando eu, a escrever e re-escrever este post, à espera que faça mais sentido, e à espera que um título surja magicamente, a piscar, cheio de luzinhas coloridas, na minha cabeça. Enquanto não surge, escrevo, apago, re-escrevo, apago. Suspiro.

Gostava de dar nomes aos pratos como a Jenna dava às suas tortas, no filme Waitress. Este frango podia chamar-se “Frango entre o corredor da fruta e o dos detergentes” ou “Frango quero estrangular a senhora da charcutaria que está na conversa em vez de me atender”. Porque este foi um prato desenhado enquanto andava pelo supermercado, às compras. Misturei A com B, juntei C e depois tirei, porque achei que não resultava. Queijo não, o Zé não ia gostar. Nozes podia ser, mas não há. Telefono à mãe: mãe, ainda tens nozes? Posso ir roubar-te algumas? Garantidas as nozes, que mais usar? Há lá cogumelos, iam bem… E com arroz? Não, não me parece… Legumes salteados? Podia ser… Dá mais trabalho, não sei se tenho tempo. Aquelas batatas da Aninhas é que iam bem. É isso, batatas! Quando fui para a cozinha sabia exactamente o que queria fazer. Foi como seguir uma receita que soubesse de memória.

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Frango desesperado por um nome

Ingredientes (para 2 pessoas)

  • 2 peitos de frango (ou bifes)
  • 4 cogumelos grandes
  • um punhado de nozes partidas em pedaços
  • 8 fatias de bacon, fininhas
  • azeite
  • sal

Dentro de um saco de plástico (truque que aprendi, há muitos anos, com a Ana Maria Braga) bati os peitos de frango até os deixar bem fininhos (mas sem buracos e sem ameaçar desfazerem-se). Numa frigideira com um fiozinho de azeite, salteei os cogumelos partidos em bocados pequeninos. Quando já estavam relativamente cozinhados, acrescentei as nozes e uma pitada de sal. Recheei os peitos de frango batidos com esta mistura e enrolei-os, apertando bem. Enrolei os peitos de frango nas tiras de bacon e coloquei-os numa travessa de ir ao forno, com a “abertura” virada para baixo. Levei-os ao forno, a 160ºC, até que o frango estivesse cozinhado, mas sem deixar que ficasse seco (coisa que pode acontecer muito facilmente quando se cozinha o peito).

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Servi acompanhado de batatinhas, que cozi levemente (deixando-as ainda duras), com a casca, e levei depois ao forno, numa cama de azeite e alho picado, e com salada de rúcula e tomates-cereja.

Ficou um prato muito saboroso, com uma mistura de sabores muito interessante. Para além disso, é relativamente fácil e rápido e pode ser preparado com antecedência – guardando-se as trouxinhas no frigorífico, já prontas e na travessa. As próprias batatas podem ser cozidas com antecedência e ir ao forno com o frango (mas menos tempo, uma vez que ficam prontas mais rapidamente). Com a minha actual paixão pelo alecrim, acredito que, quando repetir este prato, irei acrescentar alecrim ao recheio. Acho que o resultado será ainda mais perfumado.

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Queria aproveitar para agradecer as 100.000 visitas que o blog teve, durante o seu 1 ano e 2 meses de vida. É muito bom saber que há quem perca algum do seu tempo a ler aquilo que nós fazemos – e que gosta o suficiente para voltar. Obrigada! E boa semana!

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