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Archive for the ‘Gelado’ Category

das coisas intemporais

Quando éramos pequenos, os gelados eram coisa de Verão, arrumada das cabeças com a chegada das primeiras castanhas. Hoje somos menos estanques e há coisas que atravessam o ano imunes aos caprichos do termómetro e dos ventos. Comemos gelados fora de época e até parece que sabem melhor, com um leve travo de travessura.

Há uns meses, a Werther’s Original desafiou-me a criar uma receita usando os seus caramelos. Confesso, andei semanas com a cabeça às voltas, a tentar decidir como os usar. Como criar em volta de algo que só me apetecia comer assim, uns atrás dos outros?

Um dia lembrei-me: gelado! Uma tela quase neutra, sobre a qual pudesse brilhar um molho morno de caramelo salgado. Perfeito em qualquer altura do ano. Escolhi os caramelos cremosos, com recheio, e fui para a cozinha.

gelado e caramelo

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Gelado de nata e molho de caramelo salgado

 

gelado

  • 400ml natas frescas (bem frias)
  • ½ lata leite condensado
  • 150g bolachas de especiarias

molho

  • 135g caramelos cremosos recheados Werther’s Original
  • natas frescas (aprox. 100ml)
  • ½ colher chá de flor de sal

 

Comece por preparar o gelado. Forre uma forma de bolo inglês com película aderente (para facilitar o empratamento) e reserve.
Bata as natas como para fazer chantili. Levemente, envolva o leite condensado nas natas batidas. Acrescente as bolachas grosseiramente partidas e envolva-as bem. Transfira o gelado para a forma previamente forrada e leve ao congelador por um mínimo de 6h.

Para o molho, derreta os caramelos num tacho em lume baixo, mexendo frequentemente para não queimar. Quando tudo estiver derretido, retire do fogo e acrescente natas até obter a consistência desejada (50-100ml). Polvilhe com a flor de sal e envolva bem (pode usar mais ou menos sal, de acordo com o seu gosto pessoal). O molho pode ser preparado com antecedência e reaquecido na hora de servir.

Para servir, desenforme o gelado para um prato e sirva o molho morno, num recipiente à parte, para que o gelado não derreta. Corte fatias e regue generosamente com o caramelo salgado.

gelado e caramelo II.

O molho de caramelo salgado é o complemento perfeito deste gelado. Mas é versátil e pode acompanhar um crumble de maçã, por exemplo, ou um brownie de chocolate, preferencialmente servido com uma colher de natas batidas. Pode fazer-se em maior quantidade e guardar no frigorífico, num frasco bem fechado, aquecendo ligeiramente antes de servir.

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Gosto de gelados de gelo, de pauzinho, de comer às trincas em dias muito quentes, quando nos escorrem pelo pescoço se demoramos mais tempo. Lembro-me regularmente dos Fás, aqueles gelados com sabores muito artificiais, que vinham dentro de tubos de plástico que tínhamos de abrir com os dentes e que se chupássemos muito intensamente ficavam só gelo branco, a saber a nada. Lembro-me de serem os únicos gelados que havia na serra para onde vamos desde os meus 3 anos, na lojinha pequenina no meio do insuportável calor de Agosto.

Entretanto os gelados de gelo mudaram e acompanharam os nossos paladares um bocadinho mais exigentes, que também já não se contentavam com um Fá de coca-cola. Por cá apareceram mais assertivamente os sorvetes, primos finos do gelado de pauzinho. Do outro lado do mar conheci a People’s Pops, que mistura chás e ervas a purés de frutas frescas, com pouco açúcar e muita criatividade. Os maravilhosos picolés da Fer do Chucrute com Salsicha ajudaram a atear o fogo à minha vontade de experimentar.

peach pops 2.

Gelado de pêssegos assados com gengibre

6 gelados pequenos

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Corte a meio 3 pêssegos bem lavados e retire-lhes o caroço. Disponha as metades, lado cortado para cima, num recipiente de forno. Na cavidade de cada um ponha meia colher de chá de açúcar amarelo e meia colher de chá de gengibre fresco ralado. Leve a assar por 30 minutos ou até que os pêssegos estejam macios e levemente caramelizados.

Com a varinha mágica, triture os pêssegos (casca e tudo) e o gengibre (se quiser retire parte do gengibre da cavidade dos pêssegos antes de triturar, para não ficar tão forte). Acrescente mais açúcar amarelo a gosto – lembre-se que ao congelar o doce vai ficar mais suave.

Distribua a mistura pelas formas e leve ao congelador até solidificar.

peach pops 1.

O sabor dos pêssegos, assados e levemente caramelizados, combina na perfeição com o gengibre. Estes levaram uma quantidade significativa de gengibre (aproximadamente 2cm de gengibre fresco), pelo que ficaram fortes e deixam na boca, no fim, um travo picante estranho (para um gelado) mas muito agradável. Têm sido companheiros deliciosos nestas tardes abrasadoras.

As formas não são as mais bonitas, mas são simples, práticas e baratas – encontrei-as no Ikea. Os gelados ficaram a parecer pequenas cenourinhas, imagem que me despertou imediatamente a imaginação, que já fervilha com novas ideias.

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E que melhor forma de regressar do que com o 4 por 6? Estou atrasada na rentrée, já devia ter postado há duas semanas. Mas nessa altura estava eu a banhos de sono e descanso por terras alentejanas, sem cozinha. Mas mais vale tarde que nunca e eu sei que a Pipoka, a Laranjinha, a Marizé e a Suzana deram as boas vindas a Setembro com receitas maravilhosas.

Eu por cá ainda estou um bocadinho em modo de férias. E a sentir estes dias de fim de Verão com mais prazer do que os de Agosto. Por isso resolvi trazer para a mesa esta vontade de prolongar o calor.

4por6

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Em Junho, num almoço em NY, fomos ao restaurante The Modern, no Museum of Modern Art. E lá comi um gazpacho que me deixou feliz, feliz. E com vontade de repetir. NY fica longe, mas por cá também se pode fazer gazpacho. Especialmente nesta altura, quando os tomates estão a explodir de maduros, sobretudo os coração de boi, doces e saborosos. Esta receita não é a do The Modern – é uma adaptação. Mas se feita com os ingredientes certos, igualmente saborosa.

Gazpacho a la Modern

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Gazpacho com azeite de manjericão e amêndoas

Ingredientes

  • 500g  tomates bem maduros
  • 250g pepino
  • 300g pimento vermelho
  • 1 cebola média
  • 4 dentes de alho
  • 40g amêndoas com pele
  • 10g manjericão fresco
  • 50ml azeite
  • sal
  • água gelada (se necessário)

Comece por preparar o azeite de manjericão – idealmente, no dia anterior. Pique o manjericão finamente, com uma faca, e coloque-o num frasco. Cubra com o azeite, tape e deixe repousar umas horas. Quanto mais horas, mais pronunciado será o sabor do manjericão.

Num tabuleiro de forno, disponha as amêndoas, com pele. Leve ao forno a 150º C, até que estejam torradas. Deixe arrefecer e reserve.

No liquidificador ou no copo da varinha mágica coloque os tomates cortados em pedaços, o pimento, metade do pepino, a cebola e o alho. Junte duas colheres de sopa do azeite de manjericão e uma pitada de sal. Triture tudo, até obter uma papa – se necessário, acrescente água gelada para obter a consistência de uma sopa. Prove, acerte o sal e guarde no frigorífico por 2 horas.

Corte a outra metade do pepino em cubos pequenos e leve ao frigorífico, para que fique bem gelado.

Na altura de servir, mexa bem a sopa. Sirva em pratos fundos, com os cubos de pepino, as amêndoas torradas e gotas de azeite de manjericão. Acompanhe com torradas pinceladas com azeite.

Para sobremesa, uma variação de um dos meus gelados favoritos.

.Sorvete de banana

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Frogurt de banana

Ingredientes

  • 3 bananas maduras (aprox. 450g)
  • 2 iogurtes gregos ou naturais
  • 125ml de leite gordo

No liquidificador ou copo da varinha mágica, triture todos os ingredientes. Se quiser, acrescente açúcar (como as bananas maduras são normalmente muito doces, não costumo juntar açúcar). Leve à sorveteira, de acordo com as instruções ou, caso não tenha sorveteira, ao congelador, mexendo de hora a hora para que se torne cremoso e não forme cristais de gelo.

 

As contas:

4 por 6 14 Setembro 09

 

Dica de poupança: agora que o Verão está a acabar, há, sobretudo nas feiras e mercados, agricultores cheios de vontade de vender o que lhes resta da produção da estação. E há tomates maduros, deliciosos, a preços muito convidativos. É a altura ideal para comprar grandes quantidades e fazer molho de tomate, que pode congelar para pizzas e pastas futuras, ou mesmo tomate seco para abrilhantar molhos e saladas ou para oferecer aos amigos.

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Going bananas!

Quando estivemos nos Estados Unidos em Setembro, trouxemos uma sorveteira para a KitchenAid. Não é que desse muito jeito carregá-la de lá para cá, mas era consideravelmente mais barata lá e por isso trouxemos. Cheguei eu toda entusiasmada a casa, decidida a preparar os melhores gelados, ajudada pelo talentoso David Lebovitz – afinal, gelados são os doces favoritos do Zé, aqueles que ele come todos os dias do ano, se puder e não estiver com dor de garganta. Eu tinha de dominar essa arte! Mas, dizia eu, cheguei toda entusiasmada. Arranjei espaço no congelador para o trambolho que tem de lá ficar 15h e até me dispus mentalmente a abdicar de uma das gavetas para manter a sorveteira sempre gelada. 15h depois vamos testar a coisa – e a coisa não encaixa. Garantiu-nos o senhor que era universal, mas depois de falar com o apoio ao cliente americano, percebemos que era universal, sim senhora, dentro dos Estados Unidos. As batedeiras europeias têm um encaixe diferente. Porquê? Não faço ideia.

Frustrações e tristezas à parte, o trambolho ficou encostado até ao fim do mês passado, altura em que os simpáticos senhores da Lusomax, a representante portuguesa de várias marcas de renome, nos arranjaram o adaptador que permite que as sorveteiras, das quais realmente só existe um modelo, encaixem nas batedeiras não americanas. De novo o entusiasmo, de novo uma gaveta a menos no congelador. Mas desta vez, haveria gelado!

Eu queria começar por um de banana, um dos meus favoritos desde pequena e daqueles que não se encontra em todo o lado. Lembro-me perfeitamente do copo com duas bolas, uma de banana e outra de limão, comido no Esquimó, à beira-mar. Aquele gelado de banana faz parte das minhas memórias. Mas o Zé não parecia muito feliz com a ideia de gelado de banana. E como havia morangos em casa, apesar de ainda não ser a época deles, decidimos começar por um dos favoritos dele: gelado de morango. Não houve tempo para fotografias, mas o gelado era delicioso. E rápido. E fácil. E muito melhor que qualquer um que se possa comprar.

Ido o Zé para San Diego, eu e a sorveteira sozinhas em casa, é desta que faço gelado de banana, penso eu. E fiz. Em duas versões – gelado e frozen yogurt. Ambas boas, mas diferentes: o primeiro mais cremoso, o segundo com o toque ácido do iogurte. Prefiro o primeiro, que sabe a banana e a mais nada.

sorvete-de-banana

A receita é a mais fácil do mundo e é da Fer, que durante meses nos encheu os olhos gulosos com os seus gelados de frutas e as suas combinações deliciosas (ainda vou fazer o gelado de morango e manjericão que ela fez!).

No copo da varinha mágica, 1/2 medida de leite integral, 1 medida de natas, 2 bananas maduras e um pouco de açúcar amarelo. Bater tudo, provar, acertar o açúcar. Levar à sorveteira durante 15 minutos e comer, comer, comer. O gelado sai de lá no ponto em que eu gosto dele, cremoso. Há quem diga que se deve deixar o gelado no congelador umas duas horas, para ficar mais duro e amadurecer os sabores. Mas eu comi uma bola logo ali, cremosa e boa, e guardei o resto para comer depois.

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Não é o sorvete de banana do Esquimó. Mas é delicioso, mesmo assim. E a sorveteira abre portas de sabores sem fim. É uma espécie de caldeirão de bruxa, com possibilidades infinitas, misturas e ideias alquímicas a surgir a todo o momento e a fazer-me sentir quase um Jean-Baptiste Grenouille com vontade de fazer gelado da maçaneta da porta.

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