Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Grão de bico’ Category

O tempo que passo na cozinha diminui drasticamente com a proximidade dos exames. Há umas semanas uns, daqui a umas semanas outros. E pelo meio parece que quase não há tempo para nada. Mas a barriga não faz pausa e exige alimento. Tem sido calada a sopas na maioria dos dias, que dão pouco trabalho, aquecem e alimentam. E de vez em quando a alguma coisa mais especial.

Há uns tempos atrás, o Zé esteve na Austrália a trabalho. E voltou de lá cheio de coisas boas para mim, dentre as quais dois livros do Bill Granger. Confesso que na altura não o conhecia. Mas os livros cativaram-me facilmente, cheios que são de promessas de vida calma e produtos frescos, muitos vindos do mar. E é dele a receita que nos aqueceu um jantar em dia de vida menos apressada.

.

Guisado marroquino de peixe

(in Every Day, Bill Granger)

Ingredientes:

(4 pessoas)

  • 1 colher sopa de azeite
  • 1 cebola grande, em fatias finas
  • 1 dente de alho esmagado
  • 2 colheres chá de gengibre fresco ralado
  • 1 colher chá de cominhos
  • 1 colher chá de curcuma (o falso açafrão)
  • 1 pau de canela
  • 1 pitada de piri-piri
  • 400g tomates pelados (de lata)
  • 1 pitada de sal
  • 500g de peixe branco (usei corvina)
  • 400g de grão de bico cozido
  • 2 colheres chá de mel
  • coentros frescos
  • amêndoas

Aqueça o azeite numa panela, em lume médio. Junte a cebola e cozinhe, mexendo ocasionalmente, até que esteja translúcida. Adicione o alho, o gengibre, os cominhos, a curcuma e a canela e cozinhe mais uns 2-3 minutos. Acrescente então o piri-piri, os tomates, o sal e 250ml de água. Cozinhe, mexendo frequentemente, durante 10 minutos. Junte o peixe (cortado em pedaços e limpo de espinhas) e cozinhe durante 5 minutos ou até que o peixe esteja tenro. Adicione o grão de bico e o mel e cozinhe mais uns 5 minutos. Acerte os temperos.

Sirva polvilhado de coentros frescos e amêndoas grosseiramente picadas e acompanhado de arroz basmati, simplesmente cozido em água e sal.

.

Este guisado, levemente exótico e quente, mas simultaneamente leve, é perfeito para estas noites frias, em que o vento uiva lá fora e insufla a nossa vontade de calor e conforto. Também deveria ficar muito bom com pedaços de damascos secos, polvilhados por cima, com as amêndoas e os coentros, num contraste perfeito de texturas e sabores. A nós levou-nos a terras distantes, onde o vento empurra a areia e as dunas são a perder de vista.

Read Full Post »

Depois de há duas semanas ter perdido a minha vez (com as aulas a começar, a cozinha ficou um bocadinho ao abandono), regresso hoje com um menu inspirado na cozinha indiana, de que muito gostamos cá por casa. A nós sabe-nos bem em qualquer estação do ano, mas o calor das especiarias é ideal para aquecer nestas noites já mais frescas.

4por6

Para começar, um caril de beringela e grão-de-bico, adaptado daqui. É um prato completo em si mesmo, sem precisar de carne ou peixe – o grão-de-bico é uma excelente fonte de proteínas e é também uma fonte saudável de hidratos de carbono para pessoas com diabetes.

caril beringela e grao de bico

.

Caril de beringela e grão-de-bico

  • 650g beringela
  • 400g grão-de-bico
  • 300g tomate
  • 1 cebola grande
  • 3 dentes de alho
  • 100g polpa de tomate
  • 1 colher chá (bem cheia) de garam masala
  • coentros frescos
  • 220g arroz basmati

Corte a beringela em cubos, sem descascar, e coloque-a num prato. Polvilhe com sal grosso e deixe-a descansar uns 20 a 30 minutos. Depois lave-a bem em água corrente, espremendo ligeiramente, como se os cubos fossem esponjinhas. Reserve.

Pique a cebola e o alho finamente. Numa panela, aqueça um fio de azeite e frite-os até que estejam tenros, mas sem deixar alourar. Acrescente a beringela e metade do garam masala e mexa bem para distribuir as especiarias. Deixe cozinhar uns 5 minutos.

Junte então os tomates, cortados em cubos pequenos (eu não pelei os tomates), a polpa de tomate, o grão-de-bico já cozido, o restante garam masala e sal. Mexa bem, tape e deixe cozinhar durante 20 minutos (poderá ser preciso acrescentar um pouco de água, neste período, fique atento), em lume médio. Prove mais do que uma vez, para ver se é preciso acertar o sal.

Sirva polvilhado com os coentros picados e acompanhado de arroz basmati, cozido apenas em água com sal.

caril beringela e grao de bico II

.

O garam masala é uma mistura de especiarias muito interessante e óptima para ter em casa. Com ele é muito fácil e rápido preparar pratos condimentados – qualquer estufado vulgar se transforma com uma pitada de garam masala.

Relativamente ao grão-de-bico, os preços indicados são para o grão-de-bico seco. Para conseguir 400g de grão cozido necessitei de 210g de grão seco – praticamente metade. Esta dica já foi dada várias vezes, mas é tão boa que não custa nada reforçar: as leguminosas (o feijão, o grão, as lentilhas) são muito mais saborosas, nutritivas e baratas se forem cozidas em casa. E para poupar ainda mais, pode cozer-se uma grande quantidade, repartir em doses mais pequenas e congelar, tendo sempre à mão para uma sopa, um estufado ou um arroz.

.

Para sobremesa, uma sugestão mais fresca, que alguns paladares pedem tréguas depois de um caril. Faz-se em cinco minutos e como tal não é, sequer, uma sobremesa propriamente dita. Mas sabe bem, refresca e termina a refeição lindamente.

mousse de manga light

.

Mousse ligh de manga

  • 4 iogurtes gregos (marca Continente)
  • 100g polpa de manga

Batem-se bem os iogurtes com a polpa de manga. Se quiser, pode acrescentar mais polpa, tendo uma mousse mais doce e ligeiramente mais calórica.

(perdoem-me a falta de qualidade da fotografia – é antiga)

.

Os iogurtes gregos do Continente são um pouco mais líquidos do que outros iogurtes gregos do mercado. Mas são mais baratos, o que é uma vantagem. Para reduzir um pouco a parte líquida, basta deixá-los a escorrer num pano de algodão durante um bocado (quanto mais tempo, mais líquido se drena). Se não houver tempo não faz mal – a mousse fica saborosa na mesma, apenas ligeiramente menos cremosa.

.

As contas:

4 por 6 12-10-2009

.

Esta refeição, completa e leve, é um excelente jantar para um dia da semana, em que o tempo, a paciência e a vontade de cozinhar não nos permitem mais. E apesar de fácil, rápida e barata, é muito saborosa. Para aquecer o corpo e a alma. Namaste.

Read Full Post »

Era um arroz que era para ser sopa. Havia grão-de-bico no frigorífico e ervilhas tortas vindas do mercado há poucos dias. Havia uma grande falta de vontade para cozinhar e um desejo do conforto que só a sopa dá ao estômago.

arroz-de-grao-de-bico

Numa panela, um fio de azeite. Refoguei uma cebola em cubos e um dente de alho bem picado. Juntei as ervilhas tortas cortadas em pedaços grosseiros. Esfarelei umas folhas secas de sálvia, acrescentei o grão. Meio litro de caldo de legumes e para tornar a sopa mais prato, um bocadinho de arroz.

Um dos meus grandes, grandes problemas na cozinha são as medidas. Acho sempre que a massa é de menos e acaba sempre por ser a mais. O arroz, não fora a medida em que o aprendi a fazer e com a qual calculo, para cima ou para baixo, a quantidade necessária, tem o mesmo destino. Não costumo pôr arroz na sopa. E o meu “a olho” deve ter vindo avariado.

A sopa tornou-se arroz malandro. Cremoso e espesso, não um risotto porque o arroz era do normal, daquele de fazer arroz branco para o Zé comer com o molho, como gosta. Mas tirando isso era quase.

arroz-de-grao-de-bico-ii

O Zé, como previsto, não gostou. A mim soube-me ao que eu queria e precisava. E no dia seguinte ainda chegou para me dar almoço, impedindo aquele momento de todos os dias de eu-tenho-de-almoçar-mas-não-me-apetece-nada-cozinhar-só-para-mim. Destes improvisos que me facilitam os almoços não poderá nunca haver demasiados.

Read Full Post »

Esta semana tem sido complicada. Sem tempo para nada. Ao jantar repetem-se velhos favoritos ou faz-se uma massa rápida, para despachar. Os almoços são ainda mais rápidos, fruta e sopa, sobras do jantar de ontem. Cozinhar só para mim continua a ser uma chatice.

Mas hoje não havia sopa. Nem sobras de ontem. Nem nada que fosse rápido e imediato. Havia, sim, ainda um pouco da massa dos falafel de há uns dias, à espera de tempo para ser enrolada, passada em pão ralado e congelada. E havia as tortillas do costume. E cogumelos.

hamburger-de-grao-de-bico

Numa colher de sobremesa de azeite e meio dente de alho picado, alourei 3 ou 4 cogumelos em fatias. Quase no final acrescentei o restante alho picado. Reservei. Fiz um hamburger fino com a massa de grão-de-bico e fritei ligeiramente noutra colher de sobremesa de azeite, virando a meio para que dourasse de ambos os lados. Numa tortilla, fiz uma cama de alface, acrescentei duas folhas de hortelã bem picadas, o hamburger, os cogumelos e um cheirinho de parmesão ralado. Aqueci tudo no grelhador das tostas mistas e pronto – almoço.

hamburger-de-grao-de-bico-iii

Comi acompanhado de uma chávena de chá verde com jasmim, frio. Foi rápido, saboroso e nutritivo. Agora vou ali comer um kiwi e pronto, já estou almoçada.

Read Full Post »

A primeira ronda 4 por 6 terminou na passada sexta-feira. Olhando para todas as ideias publicadas (podem vê-las aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) e para todos os comentários acho que foi uma primeira volta muito bem sucedida, cheia de ideias interessantes, dicas de poupança importantes e, sobretudo, de pratos saborosos. Meninas, parabéns!

.4por62

A segunda volta começa hoje e começa comigo. Como vocês já sabem, cá por casa come-se muito pouca carne. E, portanto, a ideia desta semana reflecte um pouco a nossa alimentação. Para além disso, não há melhor forma de poupar do que fazer algumas refeições vegetarianas: é incrível como o preço por refeição baixa se substituirmos a proteína da carne por uma proteína vegetal. Para além disso, é muito mais sustentável em termos ambientais, já que a produção de carne é muito mais poluente e muito menos eficiente. Se quiserem saber mais sobre dietas menos ricas em carne, espreitem este artigo do NYTimes. É muito interessante.

Mas, dizia eu, a refeição desta semana é vegetariana. Fomos novamente, eu, o Zé e o Excel para a cozinha e de lá saiu isto:

4-por-6-ii

.

Falafel & Couscous

Falafel com courgette

(receita daqui)

  • 400g de grão de bico já cozido
  • 200g de courgette ralada
  • 1 cebola
  • ½ colher chá de paprika
  • ½ colher chá de cominhos
  • ½ colher chá de fermento em pó
  • 1 ovo
  • 1 punhado de folhas de salsa (ou coentros)
  • migalhas de pão (2 pães secos finamente picados no processador)
  • sal

Coloque a cebola, a paprika, os cominhos e o fermento no processador e pulse até estar finamente picado. Junte a courgette e o grão-de-bico e pulse novamente para picar tudo grosseiramente. Finalmente, junte uma pitada de sal e a salsa e pulse o suficiente para que a salsa fique bem picada e distribuída (se os quiser mais desfeitos, pode pulsar mais, mas não é necessário).

Passe a mistura para uma tigela e adicione um ovo ligeiramente batido. Misture bem. Como a massa vai, agora, ficar demasiado húmida, acrescente migalhas de pão suficientes para formar uma massa moldável.

Faça bolas com a massa, passe em mais pão picado (ou em pão ralado, se preferir) e frite em óleo bem quente. Pode também congelá-las antes da fritura, como faria com croquetes.

 

Couscous com legumes grelhados
Ingredientes:

  • 1 beringela grande (400g)
  • 1 pimento vermelho grande (250g)
  • 2 tomates médios (300g)
  • 250g de couscous
  • 2g de hortelã
  • 40g de amêndoas com casca
  • sumo de 1 limão pequeno
  • azeite
  • sal

Corte a beringela em rodelas grossas e o pimento em fatias. Grelhe-os num grelhador (o das tostas mistas ou no grelhador de fogão) até estarem tenros (cuidado, a beringela cozinha muito mais depressa que o pimento). Retire-os para um prato, retire a pele ao pimento, corte-os em pedaços, regue com uma colher de sopa de azeite e reserve. Coloque o couscous numa tigela e despeje sobre ele o dobro do volume de água a ferver (1 chávena de couscous = 2 chávenas de água a ferver). Mexa com um garfo e deixe abrir. Corte os tomates em cubos e adicione aos legumes grelhados. Corte as amêndoas em lâminas e torre-as ligeiramente numa frigideira limpa, bem quente. Adicione aos legumes grelhados. Entretanto, faça o molho: pique finamente a hortelã e coloque-a numa tigela. Acrescente uma pitada de sal fino, o sumo de um limão pequeno e o dobro da quantidade em azeite. Bata bem até emulsionar. Entretanto o couscous já abriu. Misture os legumes e as amêndoas ao couscous e envolva bem. Acrescente o molho e misture.

.4-por-6-ii2

Cá em casa o couscous é ponto de discórdia: eu adoro, o Zé detesta. Mas ontem lá fez o sacrifício, pelo bem do 4 por 6. Os falafel estavam muito bons, crocantes por fora e húmidos por dentro, e muito saborosos. As amêndoas deram ao couscous um toque crocante e a hortelã um toque aromático. Foi uma refeição leve e completa, que não perdeu em nada pelo facto de não ter proteína animal. Aliás, o grão-de-bico é muito rico em proteínas e pobre em gorduras, sendo as que contém, na sua maioria, polinsaturadas (ao contrário da carne).

Como o prato principal foi leve e barato, sobrou ainda espaço, na barriga e no orçamento, para uma sobremesa mais rica:

4-por-6-ii3

.

Soufflé de chocolate
(receita daqui)

Ingredientes:

  • 1 colher sopa de manteiga para untar os ramequins
  • 75g de açúcar mais algum para os ramequins
  • 60g de chocolate de boa qualidade, derretido
  • 3 ovos
  • 1 pitada de sal
  • ¼ colher de chá de cremor tártaro (à venda em algumas farmácias; obrigada Marizé!)

Pré-aqueça o forno a 177ºC. Unte 4 ramequins pequenos com manteiga e polvilhe-os com açúcar, removendo o excesso.

Bata as claras com o sal e o cremor tártaro até que formem picos suaves. Continue a bater e adicione, gradualmente, 1 colher sopa de açúcar (retirado às 75g). Bata até que estejam brilhantes e bem duras. Retire para uma tigela, gentilmente para não quebrar, e reserve.

Bata as gemas com o restante açúcar, até obter uma massa leve e espessa. Adicione o chocolate derretido e misture até que esteja homogéneo. Acrescente uma boa colher das claras e bata bem, para aligeirar a mistura de chocolate. Acrescente as restantes claras e, com uma espátula de borracha, envolva-as suavemente, com movimentos redondos, tentanto ao máximo não as quebrar.

Transfira o preparado para os ramequins, enchendo-os até ao topo. Leve ao forno por 12-14 minutos. Sirva de imediato.

.

Foi a primeira vez que fiz soufflé. E, claro está, plantei-me, rabo no chão, em frente ao forno a vê-los crescer. E cresceram! Mas minutos depois de os tirar do forno já tinham murchado. Felizmente ainda os consegui apanhar, “suflados” e lindos, para a fotografia. Esta receita faz 4 soufflés pequenos, ideais para uma sobremesa ligeira, e são muito fáceis de fazer. E mesmo que não fiquem bonitos, continuam a ser deliciosos.

.

Vamos, então, a contas:

4-por-6-ii-tabela

Na contabilização de preço não estão incluídos o azeite, sal, paprika, fermento e cominhos porque são daquelas coisas que tenho sempre em casa. A salsa não está por esquecimento, mas tenho a certeza que os 0,35€ que sobraram seriam suficientes para colmatar essa falha.

Read Full Post »

Da receita anterior tinha sobrado meia abóbora. Que cheirava divinamente, devo dizer. As ervas com que a assei combinaram muito bem com o doce da abóbora madura.

Esta metade virou sopa. Para uma panela saltou uma cebola picada, que foi refogada em azeite. Dois alhos francês, cortados em rodelas, a abóbora e meia lata, das pequenas, de grão de bico. Um pouco de sal, um copo de água e fica tudo a cozer, em lume brando, durante uns 40 minutos. Passei a sopa, juntei mais água (mas deixando-a cremosa), acertei o sal e juntei a outra meia lata de grão e um pimento laranja pequeno cortado às tirinhas. Deixei o grão cozer só um bocadinho e servi. O pimento contrastou com o doce da abóbora e ficou uma delícia!

Read Full Post »