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Archive for the ‘Limão’ Category

pequenas trincas

O Verão atrasado faz-me bem ao fim da gravidez. As pernas incham menos, o ar falta-me só quando um pé se entala atrás das costelas e nem o estudo interminável dá tanto sono, que os dias queriam-se de ronha mas o mundo não pára de girar.

Estes são os meses da abundância nas árvores e arbustos e, deles, nas bancas do mercado. A cozinha enche-se das cores quentes dos damascos maduros, das cerejas crocantes de saco, dos mirtilos pelos quais se fazem, cá em casa, alguns quilómetros todos os anos. A fruta é a minha guloseima maior, aquela pela qual trocava todas as outras. Ainda que, de vez em quando, raramente, vá apetecendo transformá-la noutras pequenas trincas.

tiny cakes II

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Bolinhos de fruta

(ligeiramente adaptado da Bon Appetit de Junho 2013)

10 bolinhos

  • 1 medida de farinha de trigo
  • 1 ½ colher chá de fermento
  • 85g manteiga com sal, à temperatura ambiente
  • 1/3 medida de açúcar
  • 1 ovo grande
  • 1 colher sopa de raspa de limão
  • ½ colher chá de extracto de baunilha
  • 1/3 medida de leite
  • 2 damascos e 5 morangos pequenos (ou outra fruta a gosto)
  • 2 colheres sopa de açúcar amarelo, para polvilhar

Pré-aqueça o forno a 175ºC. Unte 10 formas de muffins com spray de óleo vegetal ou com manteiga. Reserve.

Misture a farinha e o fermento numa tigela. Reserve.

Na batedeira, bata a manteiga e o açúcar até obter um creme leve (aprox. 2 minutos). Acrescente o ovo, a raspa de limão e a baunilha e bata até estar bem misturado.

Com a batedeira em baixa velocidade, adicione, alternadamente, os ingredientes secos e o leite, começando e acabando com os secos. Divida a massa pelas formas de muffin, enchendo-as apenas 1/3. Acrescente as fatias de damasco ou os morangos, polvilhe com o açúcar amarelo e leve ao forno por 15-20 minutos.

Transfira os bolinhos para uma grade e deixe arrefecer completamente.

tiny cakes III

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Está a ficar calor. Os dias são grandes e como o sol se põe mais tarde, ficamos com a sensação que o trabalho acaba mais cedo. Apetece preguiçar na varanda, sentar no chão da sala com os pés descalços a apanhar os últimos raios de sol. Apetece juntar amigos, invariavelmente na cozinha, onde acabamos sempre. Partilhar um jarro de sangria gelada ou de mojitos, coisas boas para ir petiscando enquanto conversamos ou estamos ali, só, na companhia uns dos outros.

Estamos na época dos abacates. Nos mercados têm aparecido bem maduros e eu tenho feito guacamole quase todas as semanas. O abacate em si diz-me pouco, não lhe acho grande graça. Mas devidamente temperado torna-se um petisco a que não consigo resistir.

Li muitas receitas, inspirei-me aqui e ali. Até que cheguei à minha, aquela que preenche todos os meus requisitos. As medidas não são muito precisas porque dependem dos abacates. Como em tudo na cozinha, é preciso provar, provar e provar outra vez, até que esteja tudo no ponto, naquele equilíbrio de sabores que transforma os vários ingredientes numa entidade que é mais que a soma das partes.

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Guacamole

  • 3 abacates
  • ½ pimento vermelho pequeno
  • ½ cebola média
  • 1 molho de coentros
  • 1 lima ou 1 limão
  • cominhos
  • piri-piri
  • sal

Comece por cortar os abacates a meio e tirar-lhes o caroço. Com uma colher, retire a polpa dos abacates para um recipiente e desfaça-a com um garfo.

Pique o pimento e a cebola finamente. Acrescente aos abacates e misture bem. Acrescente o sumo de uma lima (ou de um limão médio). Prove e veja se é preciso mais – a acidez do citrino deve equilibrar o sabor rico do abacate.

Acrescente meia colher de chá de cominhos, meia de piri-piri e meia de sal. Prove e acrescente mais, a gosto. Lembre-se que os nachos com que normalmente se come o guacamole são salgados, por isso não abuse do sal.

Pique os coentros (pode usar os talos, picando-os muito bem – eu uso) e acrescente ao guacamole, misturando bem.

Sirva com nachos e algo fresco para beber.

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O guacamole fica delicioso servido com nachos. Mas se sobrar, é excelente para sanduíches: barre o pão com um pouco de guacamole, acrescente fiambre de frango ou frango grelhado e leve na marmita, para um almoço rápido e fácil.

Cá em casa, às vezes, jantamos uma taça de guacamole e um cesto de nachos, com um jarro de granizado de fruta e um bocadinho de rum. É rápido e fácil e óptimo para comer no chão da sala, em frente à televisão, enquanto vemos um filme. Acho que vamos repetir a dose este fim-de-semana!

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A vida desenrola-se debaixo dos nossos pés e às vezes puxa-nos o tapete sem darmos por ela. E ficamos ali, perdidos, sem perceber para onde foi o caminho que seguíamos, para onde nos fugiram tão rapidamente os pés. E para onde foram aqueles que amávamos tão perdida e incondicionalmente. Lentamente, a medo, pomo-nos de pé outra vez. Testamos o chão, as águas e os pulmões, a ver se ainda sabemos respirar. Desfazemos fio a fio o nó no estômago, secamos o sal e guardamos só a saudade.

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E retomamos as rotinas. O pão que amassamos à mão. Os legumes que escolhemos, um a um. Descascam-se as favas que já há, cozem-se os feijões congelados do fim do Verão passado. E deixa-se o sol entrar, pouco a pouco. Aquecer-nos a alma, devagarinho.

Este bolo é assim, doce e amargo. Queria um bolo de limão, de sabor forte, e encontrei-o no blog da Fer. É leve, muito húmido e complexo, com as amêndoas como nota de contraste.

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Bolo de limão e amêndoa

(receita no Chucrute com Salsicha)

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  • 125g manteiga à temperatura ambiente
  • 125g açúcar
  • 3 ovos
  • 125g amêndoas moídas (ou farinha de amêndoa)
  • 60g farinha de trigo
  • 1 colher chá de fermento
  • sumo e raspa de 2 limões pequenos

Pré-aqueça o forno a 180ºC e unte uma forma (de preferência de fundo removível) com manteiga e polvilhe com farinha.

À mão ou na batedeira, bata bem a manteiga e o açúcar, até obter um creme claro e praticamente homogéneo. Separe os ovos, gemas para um lado e claras para outro. Adicione as gemas ao creme, uma de cada vez, e bata bem.

Noutro recipiente, misture bem a farinha (eu não peneirei, mas a receita recomenda), as amêndoas moídas (eu usei amêndoas com casca, que triturei na hora) e o fermento. Adicione ao creme de ovos e envolva bem. Acrescente o sumo e as raspas de limão.

À parte, bata as claras em castelo bem firme. Incorpore delicadamente na massa, sem bater para não retirar o ar.

Transfira a massa para a forma previamente preparada e leve a assar – aproximadamente 30 minutos, até que o bolo esteja dourado e um palito inserido na massa saia limpo. Retire do forno e deixe arrefecer uns minutos, sobre uma grade (para que o fundo da forma também arrefeça). Desenforme com cuidado e deixe arrefecer novamente sobre a grade.

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Este é um bolo forte, com um sabor amargo que se impõe. Para nós, tinha demasiado limão, porque os únicos que havia cá em casa eram grandes – daí a recomendação de que se usem limões pequenos, na receita. Mas se gostarem perdidamente de limão, experimentem aumentar a quantidade de limão.

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Finalmente, o regresso. Que saudades desta cozinha. Das experiências, mesmo das menos bem sucedidas. Vamos ver se consigo voltar a alguma regularidade, que me faz tanta falta.

Infelizmente, não foi só o blog que deixei ao abandono. O 4 por 6 também sofreu com a minha falta de tempo. Mas  este projecto é composto por outras meninas, muito mais responsáveis e criativas do que eu, e manteve-se de boa saúde. Muito obrigada, Elvira, Laranjinha, Marizé, Suzana e Pipoka.

E é o 4 por 6 que me traz de volta hoje, ainda a meio da época de exames mas já a sonhar com uns dias de férias que vêm aí. Esta receita foi preparada há umas semanas, mas mal a provei soube que era óptima para o 4 por 6. Pode ser feita no momento ou no dia anterior, é nutritiva e quase vegetariana e, sobretudo, é muito saborosa.

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Chilli de 3 feijões

  • 1 lata pequena de feijão branco
  • 1 lata pequena de feijão preto
  • 1 lata pequena de feijão vermelho
  • 100g de bacon cortado em cubos pequenos
  • 2 cenouras médias
  • 1 pimento vermelho médio
  • 1 cebola grande
  • 4 dentes de alho
  • 2 tomates médios maduros
  • 150g polpa de tomate
  • 1 folha de louro
  • 1 colher café de cominhos em pó
  • 1 colher café de paprika
  • ½ colher café de piri-piri
  • 1 colher café de orégãos
  • sal
  • azeite

Num tacho grande, refogue num fio de azeite a cebola e o alho picados. Quando estiverem ligeiramente translúcidos, acrescente o bacon em cubos e deixe alourar um pouco. Junte a cenoura e o pimento, ambos em cubinhos pequenos, e deixe refogar 1 ou 2 minutos. Acrescente então os tomates cortados em cubos, a folha de louro e restantes especiarias e mexa bem. Dilua a polpa de tomate num pouco de água e acrescente também ao tacho. Mexa, junte sal e prove. Acerte o sal e as especiarias, baixe o lume, tape e deixe cozinhar 5 minutos.

Entretanto, escorra bem os feijões e lave-os em água corrente. Escorra novamente e coloque-os na panela. Acerte a quantidade de água (se quiser com mais molho, junte mais água), o sal e deixe cozinhar 10-15 minutos.

Sirva com arroz branco e salada de alface e hortelã, cortadas em tiras fininhas e temperadas com azeite e sumo de limão.

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Aqui, usei feijão em lata, que é, sem dúvida, o mais fácil de usar. Mas não é o mais económico nem o mais saudável, por isso se tiver tempo demolhe e coza feijão seco. Pode até aproveitar para cozer em excesso e congelar o restante, em porções individuais.

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Laranja com calda de cravinho

  • 4 laranjas
  • 2 cravinhos
  • 50g açúcar amarelo

Descasque as laranjas. Corte as cascas em pedaços e remova a parte branca, a mais amarga. Ferva as cascas durante 5 minutos. Num tacho pequeno, dilua o açúcar em igual quantidade de água. Junte as cascas fervidas e os cravinhos e deixe reduzir até fazer um xarope.

Entretanto, corte as laranjas em rodelas finas. Quando a calda estiver pronta, coe para retirar as cascas e o cravinho e deite por cima das laranjas. Leve ao frigorífico até à hora de servir.

Esta laranja é receita do meu pai. Costuma aparecer à nossa mesa todos os anos, no Natal – e foi por isso que me lembrei dela. É excelente comida no dia em que é feita, mas fica ainda melhor se passar uns dias na calda, no frigorífico. (lamento não ter fotografia, mas não consegui nenhuma apresentável)

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As contas:

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Dica de poupança: o congelador pode ser o nosso melhor amigo – congele sobras de vinho em sacos de cubos de gelo para usar em molhos e refogados; cabeças e espinhas de peixe (sem cozinhar) para fazer caldo, as partes dos legumes que não comemos para caldo de legumes. E para poupar tempo, pode fazer este chilli de 3 feijões a dobrar e congelar metade, para um dia em que não tenha tempo.

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O ritmo das semanas repete-se. Poucas horas para tanta coisa, muito cansaço para tão pouca vontade de cozinhar. Mas a cozinha é terapia, pelo menos para mim. E já aconteceu muitas vezes pensar fazer algo tão simples como umas torradas esfregadas com alho, cobertas de tomate maduro e regadas a bom azeite e pronto, está o jantar feito, e dar por mim no meio de várias panelas, sertãs e coisas semi-cozinhadas. As mãos e os ingredientes levam-me, às vezes, e no meio deles consigo desligar.

Mas mesmo sendo terapia, nunca há tempo, paciência ou energia para grandes aventuras culinárias, durante a semana. As coisas simples, que se fazem depressa, de preferência com intervalos para mais umas linhas de estudo ou mais uns exercícios, são a salvação dos jantares.

Não sei como é que esta receita nunca veio aqui parar. Acho que pensei várias vezes nela, mas achei sempre que não daria uma boa fotografia. E que era, talvez, um pouco desinteressante. Mas depois de a ter feito três vezes em três semanas, de me ter sabido sempre tão bem e de se fazer tão depressa, achei que não podia continuar a deixá-la fora do Caos.

Não é novidade para quem me lê que nós por cá gostamos muito de comidas bem temperadas. E durante uns anos comprámos daqueles kits de comida mexicana, uns para burritos e outros para fajitas. Eram bons, traziam os temperos todos e eram fáceis. Quantos jantares de burritos fizemos com os amigos! O divertido que era estarmos todos à volta da mesa a tentar enrolar a tortilla sem que a carne fugisse, o tomate caísse e o molho nos ensopasse os dedos.

Entretanto passou-nos. Mas a comida mexicana continua a apetecer cá por casa. Os kits nunca mais comprámos (embora eu deva dizer que acho que nunca serei capaz de fazer um tempero para burrito tão bom como o deles), mas as fajitas continuam a aparecer à nossa mesa. Daqui e dali, de uma receita e de outra, construí o meu tempero e agora faço-as eu, sem kit nem pacote. Só as tortillas é que continuam a ser das compradas, que não há máquina nem paciência para as abrir tão fininhas.

Fajitas

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Fajitas de frango
(para 2 pessoas)

  • 2 bifes de frango
  • 1 pimento vermelho
  • 1 cebola grande
  • 1 colher chá de paprika
  • 1 colher chá de cominhos
  • ½ colher chá de piri-piri em pó (ou mais, se quiser)
  • 1 colher chá de orégãos
  • sumo de 1 limão
  • sal

Para servir:

  • 6 tortillas
  • queijo ralado (eu prefiro mozzarella)

Comece por cortar o frango em tiras finas e compridas. Coloque num recipiente, regue com o sumo do limão e adicione as especiarias e sal. Misture tudo muito bem, para que todos os pedaços de frango tenham uma leve capa de especiarias e deixe marinar umas horas (pode deixar de um dia para o outro; eu, em desespero de causa, deixo marinar 30 minutos).

Corte o pimento em tiras finas e a cebola em gomos. Numa frigideira larga, aqueça um generoso fio de azeite e frite ligeiramente cebola e pimento, até que comecem a ficar um pouco moles e a cebola se mostre dourada. Retire para um prato e reserve.

Acrescente um bocadinho mais de azeite à frigideira e frite as tiras de frango, cerca de 1 minuto de cada lado. Junte a cebola e o pimento reservados, uma pitada de sal e mexa bem. Acrescente um pouco de água, de forma a fazer algum molho, mas mesmo só um bocadinho. Deixe cozinhar mais uns minutos (tendo o cuidado de não cozinhar demasiado o frango, para que não fique seco), acerte o sal se necessário e retire para um recipiente.

As tortillas devem apenas ser aquecidas. Costumo empilhar as seis e levar 1 minuto ao microondas.

Para comer, coloca-se a tortilla no prato, por cima um pouco da mistura de frango, pimento e cebola, polvilha-se com o queijo ralado e dobra-se a tortilla – mais ou menos como mostra o Jack.

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Em menos de nada está o jantar pronto. E é uma refeição completa. Costumo acompanhar com uma salada, que vamos petiscando entre trincas e malabarismos para não deixar que a fajita se desmanche.

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os últimos morangos

Esta semana ainda havia morangos na praça. Mais caros, mais pequenos, mas ainda doces e sumarentos. Com sabor a morango e aquele cheiro irresistível.

Achei que os morangos eram a forma perfeita de dizer adeus ao Verão. Já chove, já está mais fresco. Mas ainda se sentem, aqui e ali, uns minutos do tempo mais quente e preguiçoso que agora nos deixa. Não é o adeus à sorveteira, que essa trabalha o ano todo, cá por casa. É um até já ao Verão, aos dias grandes e à pele morna.

Sorvete de morango

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Sorvete de morango

  • 500g morangos (se já não encontrar frescos, pode usar morangos congelados)
  • raspa de ½ limão
  • açúcar a gosto
  • 1 gole de vodka

Com a varinha mágica, triture bem os morangos. Prove e acrescente o açúcar que achar necessário. Lembre-se que ao congelar os sabores tornam-se mais suaves e, logo, menos doces. Mas não abuse do açúcar – os melhores morangos comem-se ao natural. Acrescente a raspa de limão e a vodka, que vai aumentar a cremosidade do sorvete, ao baixar o ponto de congelação dos cristais de gelo.

Misture tudo muito bem e leve à sorveteira, seguindo as instruções do manual.

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Coma na varanda, de olhos fechados, a desafiar a chuva que teima em começar a cair. Se houver ainda Verão na nossa boca, talvez seja Verão cá fora, ainda. Nem que por uns minutos apenas.

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Já não era a primeira vez que me punha a pensar naquelas pessoas que são capazes de se sentar, com papel e lápis, uma calculadora talvez, vá, e inventar receitas de bolos, muffins, cupcakes, eu sei lá. Dessas coisas com química certa, que não se fazem de uma pitada aqui ou ali. Pensava muitas vezes que se compreendesse a química subjacente a cada um desses tipos de preparação, seria capaz, também, de me sentar e criar coisas novas. De combinar sabores como a vontade mandasse. Devia haver um livro sobre isto, pensava eu, invariavelmente enquanto conduzia e as receitas se iam sucedendo na minha cabeça mais depressa que os carros na estrada. Um livro que me ensinasse a proporção das coisas, como é que nunca ninguém se lembrou disto? A divina proporção da química culinária.

Isto é monólogo antigo (eu não falo propriamente sozinha, mas tenho conversas inteiras comigo mesma, dentro da minha cabeça), daquelas coisas que me ocorriam de vez em quando, sempre que via, sei lá, uma receita de muffin que me agradava parcialmente e pensava em trocar a por b mas sem saber muito bem como. E nunca fui daquelas pessoas de lançar mãos ao trabalho sem certezas, correndo o risco de sair tudo estragado. Não pelo medo de errar – esse chateia-me pouco. Pronto, chateia-me qualquer coisa, mas não o suficiente para me impedir de tentar. Mas pelo medo de estragar e desperdiçar ingredientes. Eu sei que foi assim que se inventaram todas as receitas do mundo, que não nasceram de um momento inspirado prontinhas para o papel e para o prato, mas que querem? Manias, não sou capaz de me lançar para fase de testes sem ter uma base relativamente segura de confiança no que de lá vai sair.

Mas, dizia eu, monólogo antigo. Daqueles que vêm e vão, sem hora marcada nem grande regularidade. Já tinha até comentado com o Zé o quanto eu gostava de perceber essas químicas. E eu a pensar como é que nunca ninguém se tinha lembrado de escrever um livro sobre estas coisas… Até ao dia em que, já não sei bem onde, nem como, descobri que ia ser publicado. E brevemente!

Entretanto publicou-se. Michael Ruhlman, senhor de nome e respeito, atendeu aos meus pedidos (devo ter enviado umas ondas telepáticas quaisquer, chatas e insistentes) e escreveu Ratio. Acrescentei-o logo à wishlist e andava a ver se o comprava. Entretanto, o marido viajou e de Chicago lá me chegou a minha cópia. E é basicamente “Proportion for Dummies“. Porque aquilo é básico. Tão básico que aqui a preguiçosa até lá podia ter chegado, mais coisa menos coisa, sozinha, se se tivesse dado ao trabalho de sentar e perceber. Mas quem é que tem tempo para isso? Não é muito mais fácil que um senhor se tenha dado ao trabalho de sentar, perceber e depois escrever um livro a explicar? Eu achei que sim.

Agora já posso inventar. Tenho as fórmulas básicas para pão, pasta, bolos vários, massas de tarte, panquecas e várias outras coisas. O livro, de subtítulo “The simple codes behind the craft of everyday cooking” é uma ajuda preciosa para quem gosta de fazer mais do que seguir receitas. Arriscar, inventar, misturar sabores nunca antes misturados. Bem, quase todos. Cá em casa garanto-vos que não vamos chegar ao extremo de fazer queques de chocolate com bacon, como eu já vi por essa blogosfera fora.

Para experimentar o livro e ver se era realmente de confiança, resolvi fazer uma receita muito simples, sem ousadias, só para começar. Fiz muffins de limão, vulgares mas muito saborosos. A proporção resultou. Da próxima já faço, sei lá, muffins de limão com azeite de alecrim. Ou outra coisa qualquer.

 muffins de limão I

Muffins de limão

  • 225g farinha
  • 225g leite
  • 113g açúcar
  • 113g manteiga (derretida)
  • 113g ovos (2 ovos grandes)
  • 2 colheres chá de fermento
  • 1 colher chá de sal
  • raspa e sumo de 1 limão pequeno

A proporção dos muffins e pães rápidos é 2 partes de farinha, 2 partes líquido, 1 parte ovo e 1 parte gordura. O açúcar varia com a receita, mas não deve ultrapassar 1 parte.

Pré-aquecer o forno a 175ºC. Misturar farinha, açúcar, sal e fermento. Num outro recipiente, misturar leite, ovos e manteiga. Bater com um batedor de varas até obter uma mistura homogénea. Juntar aos ingredientes secos e misturar com o batedor de varas o suficiente apenas para combinar. Acrescentar então a raspa e sumo de limão.

Untar formas de muffin com manteiga ou óleo (eu prefiro um nadinha de óleo, porque deixa os muffins mais leves). Deitar a massa nas formas (rende aproximadamente 10 muffins) e levar ao forno por aproximadamente 30 minutos ou até que um palito inserido no centro saia limpo.

muffins de limão II

Como eu disse, os muffins não tinham nada de extraordinário. Mas eram simples e bons, óptimos para o lanche ou para o pequeno-almoço. E são tão húmidos que se aguentam muito bem durante uns dias, desde que guardados num recipiente hermeticamente fechado.

O livro mostrou-me que a receita funciona. Agora é só fechar os olhos e misturar. Muffins de morango com manjericão? De queijo e pimento assado? É só deixar a cabeça ir! Estar por dentro dos segredos das proporções culinárias abre um mundo de possibilidades!

 

A Elise, do maravilhoso Simply Recipes, também leu e gostou. Podem ler review dela aqui

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Em primeiro lugar tenho de pedir desculpas: o 4 por 6 deveria ter ido para o ar ontem, mas com as confusões da Páscoa não foi possível. Vai para o ar hoje, atrasado mas, espero, ainda assim delicioso!

4por6

Se há coisa que cá em casa se faz (e se come!) bem, é pizza. Não variamos muito – aliás, não variamos quase nada. Não gostamos de pizzas com muitos ingredientes, preferimos as mais simples, duas ou três coisas por cima, massa caseira, molho também. Fazemos pizza pelo menos uma vez por semana e por isso achámos que seria boa ideia criar uma pizza equilibrada e nutritiva, saborosa e que alimentasse 4 pessoas a baixo custo. Bem feita, uma pizza é uma refeição completa!

Começámos por trabalhar no molho – é a melhor forma de introduzir legumes na pizza, sem grandes alterações de paladar, tornando-a mais rica nutricionalmente. Fizemos um molho com vários legumes, molho esse que pode ser feito em quantidades maiores e congelado em porções individuais, para usar com pizzas ou pastas, ser base de almôndegas ou até barrar sanduíches.

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Pizza com molho de legumes

Massa:

  • 2 e ¼ medidas de farinha (um pouco menos que 500g)
  • ½ colher sopa de fermento biológico
  • ½ colher sopa de sal fino
  • ½ colher sopa de açúcar
  • 1/8 medida de azeite
  • 1 medida mal cheia de água morna
  • 1 pitada de orégãos secos

A massa pode ser feita à mão ou na máquina de fazer pão. É muito mais fácil nesta última, que além de amassar fornece uma temperatura óptima para a massa levedar. Mas à mão também não é difícil. Esta massa tem a grande vantagem de poder ser feita a dobrar e congelada. Pode ser tornada ainda mais nutritiva e saudável se se usar uma mistura de farinha branca e integral.

Misturam-se os ingredientes secos muito bem. Acrescentam-se água e azeite e amassa-se até formar uma bola. Depois é preciso tender durante 3 ou 4 minutos – como a pizza não é coisa que precise de crescer muito, a massa não precisa de ser amassada durante muito tempo. Deixa-se levedar, em lugar quente e seco, durante 1 ou 2 horas (ou durante a noite no frigorífico, retirando 1 hora antes de usar).

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Molho:

  • 1 beringela pequena (ou meia grande)
  • 1 courgette pequena
  • 2 tomates maduros
  • 3 dentes de alho
  • ½ pimento vermelho
  • sal
  • azeite
  • manjericão seco

Liga-se o forno a 200ºC. Corta-se a courgette em quartos no sentido do comprimento, a beringela em rodelas grossas e o pimento em pedaços grandes. Dá-se dois golpes em cruz no cimo dos tomates. Colocam-se os legumes todos num tabuleiro de forno, mais os 3 dentes de alho não descascados (evita que se queimem). Duas ou três gotas de azeite em cima de cada pedaço, acrescenta-se uma pitada de sal grosso e outra de manjericão. O tabuleiro vai ao forno até tudo estar assado.

Pelam-se então os tomates e o pimento, descascam-se os alhos e coloca-se tudo no copo da varinha mágica. Uma colher de sopa de azeite, mais um bocadinho de sal e manjericão e passa-se tudo muito bem. Está pronto o molho.

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Recheio:

  • 1 cebola grande
  • 70g de bom chouriço de carne
  • 1 bola de mozzarella fresca
  • 40g de rúcula
  • orégãos

Mantém-se o forno ligado a 200ºC. Numa frigideira, aloura-se a cebola cortada em meias luas, num fio de azeite. Quando estiver dourada e ligeiramente tostada, retira-se do lume e reserva-se. Estende-se a massa num tabuleiro de forno levemente polvilhado com farinha, formando um grande rectângulo (ou divide-se em quatro e fazem-se quatro pequenas pizzas individuais). Espalha-se molho de tomate por cima (pode não ser preciso todo, a pizza fica melhor se não levar excesso de molho), o chouriço cortado em meias-luas finas. Acrescenta-se a cebola alourada e a mozzarella, rasgada em pedaços. Polvilha-se com orégãos e vai a assar até a massa estar dourada e o queijo derretido e levemente tostado.

À parte, tempera-se a rúcula com um fio de azeite, sal e orégãos (muito pouco tempero). Retira-se a pizza do forno e coloca-se a rúcula por cima. Corta-se em quatro e está pronta a comer!

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A pizza caseira costitui uma refeição equilibrada e muito versátil. Pode ser feita com quase tudo, trocando o chouriço por bacon ou pedaços de frango desfiado que tenha sobrado de uma outra refeição. Em vez de rúcula pode levar agriões ou canónigos, cogumelos em vez da cebola. E estas alterações de que falei podem ser feitas quase sem alterações de preço.

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Para a sobremesa, morangos frescos e maduros, sem adição de açúcar e polvilhados com raspa de um limão.

 

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Vamos a contas:

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Dica de poupança: Quase tudo na nossa cozinha se recicla. Tentar tirar o máximo proveito de tudo o que entra em nossa casa é não só bom para o bolso como ainda é uma óptima contribuição para o ambiente. O pão seco, por exemplo, pode ser todo guardado e, com a ajuda de um processador, transformado em pão ralado. Pode ainda torná-lo mais interessante com a adição de ervas aromáticas secas ou de alho em pó. Assim, em vez de o comprar no supermercado, temos em casa pão ralado, mais fresco e com os sabores que mais nos agradam, praticamente a custo zero.

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Era hora de almoço e a barriga a dar horas. Não havia sopa, não havia pão, não havia das tortillas que há sempre. Não me apetecia ter trabalho e o estômago queixava-se.

A cabeça fugiu para uma salada de orzo que tinha visto e as mãos puseram água a ferver. Entretanto, a meio do caminho, lembrei-me que havia arroz no frigorífico, que tinha sobrado e que era preciso comer – detesto deitar comida fora. O orzo transformou-se assim, em arroz, e a salada foi-me saindo das mãos sem a cabeça pensar muito.

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Numa frigideira com um fio de azeite e um dente de alho picado bem fininho, salteei ligeiramente dois corações de couve, comprados na praça, de couves que não tinham crescido e começaram a espigar. Cortei-os em tiras fininhas e passei-os no azeite. Uma cenoura em palitos igualmente finos, diagonais, e uns minutos de calor, não muito para que se mantivessem crocantes. Entrou o arroz, uma medida mal cheia. Pouco tempo na frigideira, só para lhe tirar o frio do frigorífico e o deixar absorver os sabores. Passei tudo para uma taça e reservei. A frigideira voltou ao fogo e nela umas amêndoas, com casca, cortadas em lâminas grosseiras, para que torrassem ligeiramente. Amêndoas para a taça, mais umas quatro azeitonas descaroçadas e picadas. Duas colheres bem cheias de azeite, sumo de meio limão, muita salsa picada (da próxima vez, hortelã em vez de salsa). Bater até emulsionar e deitar sobre a salada. Misturar bem, uma pitada de flor de sal e servir.

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A salada soube-me a sol na pele, a países quentes do médio oriente. Comi sentada ao sol, livro na mão, acompanhada de um sumo de ananás com hortelã, o meu preferido.

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Ando há umas semanas a hesitar publicar este post. Não que a receita não valha a pena – na verdade é das melhores tartes que já fiz. Mas as fotografias, senhores, as fotografias… Que desastre! A falta de luz, a falta de cenário, a falta de paciência. Tratei-as da maneira possível, mas achei que não podia deixar de partilhar a receita. E quando a fizer outra vez, melhores fotografias virão.

Fiz esta tarte para levar para um jantar com amigos. Queria algo leve, com fruta, e a minha cabeça juntou bocados de receitas já feitas num puzzle que resultou delicioso.

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Tarte de manga e mascarpone

Ingredientes

  • 1 dose de massa de tarte
  • 200ml puré de manga (fresco ou de lata – usei de lata porque não encontrei mangas suficientemente maduras)
  • 250g mascarpone
  • 200ml natas
  • raspa de 1 limão
  • 1 colher chá de sumo de limão
  • ¼ medida de açúcar
  • 6 vagens de cardamomo
  • 1 manga para decorar (opcional; eu queria, mas não encontrei nenhuma madura o suficiente)

Fiz a massa e deixei-a descansar, já estendida na tarteira, no frigorífico. Entretanto, fiz o creme de mascarpone, que a minha cabeça foi buscar a esta receita. Acrescentei-lhe ainda, para além da raspa de limão,  uma pitada considerável das sementes de cardamomo trituradas no pilão. Guardei-o no frigorífico, coberto, para que os sabores se desenvolvessem.

Num tacho pequeno, aqueci o puré de manga, juntei-lhe o resto do cardamomo moído, uma colher de sopa mal cheia de raspas de limão e o sumo de limão. Deixei reduzir um pouco, para que ficasse mais grosso. Reservei para que arrefecesse.

Entretanto, assei a massa, coberta de papel de alumínio e feijões secos. Nos últimos minutos, retirei o alumínio e os feijões e deixei dourar ligeiramente – este tipo de massa fica mais agradável se não assar demasiado, uma vez que fica mais leve e areada. Deixei arrefecer e recheei: o puré de manga por baixo, o creme de mascarpone por cima (o meu creme estava um pouco líquido e acabei por o bater um pouco na batedeira, para lhe dar mais corpo). Queria decorar com fatias de manga, mas como as únicas que encontrei estavam verdes, desisti. Acabei por decorar com um pouco do puré de manga, mas realmente as decorações artísticas dos doces não são o meu forte.

tarte-de-manga

A tarte ficou deliciosa. Muito leve e perfumada, com o toque do limão e do cardamomo a dar-lhe um sabor ligeiramente exótico. É óptima para fazer no Verão, mas devo dizer que no Inverno não nos soube nada mal.

Não fotografei a tarte original, porque era de noite e a luz estava ainda pior. Mas com as sobras de creme, puré e massa fiz uma, pequenina, para fotografar. E mesmo assim, que desgraça. Mas a minha boca gulosa agradeceu!

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