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Archive for the ‘Molho de soja’ Category

Comprei a slowcooker um bocadinho por impulso. Lia receitas em blogs americanos e ficava a sonhar com um mundo em que jantares deliciosos de carnes a cair do osso e legumes tenros se faziam sozinhos nas muitas horas que eu passo fora de casa. Vi-a numa promoção irresistível e trouxe-a. Como todas as coisas mil vezes fantasiadas, a realidade deixou-me um bocadinho desiludida. É verdade, cozinha maravilhosamente. Mas não tem temporizador, pelo que as minhas muitas horas de ausência se revelaram demasiadas para a panela preparar sozinha o jantar.

Mas o entusiasmo inicial volta, de vez em quando. Colecciono receitas que farei um dia e trouxe mesmo um livro, da última vez que fui aos EUA. Às vezes, sobretudo ao fim-de-semana, quando lhe posso ir deitando olho, tiro-a do armário e ponho-a a trabalhar. Da última vez fiz frango em adobo, forma de cozinhar típica das Filipinas e que é óptima para frangos do campo, com carne mais dura e muito mais saborosa que a dos pobres franguinhos de aviário.

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Frango em adobo

(receita daqui)

  • 1 colher chá de azeite
  • 1 cebola média
  • 6 dente de alho
  • 3 colheres sopa de açúcar amarelo
  • ½ colher chá de piri-piri em pó
  • 2 folhas de louro
  • ½ medida de caldo de galinha
  • 1/3 medida de molho de soja
  • ¼ medida de vinagre de cidra
  • 1 frango do campo, desmanchado, sem os peitos (peça no talho para o desmancharem e guarde os peitos para outra refeição)
Unte o interior da slowcooker com o azeite. Pique a cebola e o alho e ponha-os na panela, juntamente com o açúcar, o piri-piri e o louro. Acrescente o caldo de galinha, o molho de soja e o vinagre e misture bem.
Retire o excesso de gordura do frango (sobretudo das coxas). Ponha os pedaços de carne na panela e, com uma colher, cubra-os com o molho que está por baixo. Ligue a slowcooker no mínimo e deixe cozinhar por 8h.
Quando o frango estiver pronto, retire-o da panela. Disponha os pedaços de frango numa grade de forno, pousada sobre um tabuleiro. Pré-aqueça o forno, no grill, a 240ºC.
Coe o molho para uma panela e leve-o ao fogão, em fogo médio-alto, mexendo sempre até reduzir para metade.
Quando o forno estiver quente, asse o frango por 2-3 minutos, até estar ligeiramente tostado e crocante.
Sirva com o molho, acompanhado de arroz branco ou legumes ao vapor.
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Não experimentei a receita sem a slowcooker. Mas sugiro, para quem queira, fazer da seguinte forma: ligar o forno a 120ºC. Numa panela que possa, posteriormente, ir ao forno, alourar muito levemente a cebola e o alho no azeite. Acrescentar os líquidos e o frango e cobri-lo com o molho. Tapar a panela e levar ao forno durante 6-8h.
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O frango fica muito tenro e saboroso, com um molho diferente. Servi o meu com arroz branco e polvilhado de cebolinha picada (a rama verde das cebolas novas) e com uma salada de folhas verdes. Eu e a slowcooker fizemos as pazes por mais uns tempos e até estou a investigar a melhor forma de lhe arranjar um temporizador, para a poder usar mais vezes.

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Os livros cá em casa multiplicam-se. Crescem nos cantos, nas prateleiras, debaixo da cama. Escondem-se e amam-se e de livros fazem mais livros. Já não há espaço, empurram-se uns aos outros nas estantes, pegam-se e apertam-se e chateiam-se. Mas no dia em que deixarem de entrar livros cá em casa será sinal do fim do mundo.

Com os livros de cozinha o cenário não é diferente. Apaixono-me por eles, trago-os escondidos, acarinhados, como tesouros. Folheio-os e leio-os até estarmos cansados, eu e eles. Mas – que vergonha! – pouco uso lhes dou. Tenho livros de que nunca fiz uma só receita. Que nunca encheram mais pratos que os das fotografias e os da minha imaginação.

Com a falta de tempo é fácil esquecer o caminho para o blog. Os livros injustiçados serão o meu guia, o meu alento, o meu empurrão para a cozinha.

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Stir fry de frango e manjericão

(do livro Everyday Food: Fresh Flavor Fast)

Ingredientes

(para 4 pessoas)

  • 3 peitos de frango
  • 1 colher sopa de amido de milho
  • 4 colheres sopa de óleo vegetal
  • 1 cebola grande
  • 2 pimentos (1 verde, 1 vermelho)
  • 6 dentes de alho
  • ¼ medida de água
  • 2 colheres sopa de vinagre de arroz
  • 2 colheres sopa de molho de soja
  • folhas de manjericão

Corte o frango em tiras compridas e seque-as muito bem entre folhas de papel absorvente. Envolva o frango no amido de milho, deixando-o bem recoberto.

Leve uma frigideira grande ao fogão, lume forte, com 2 colheres de sopa de óleo. Frite as tiras de frango, virando uma vez, até que estejam ligeiramente douradas. Retire da frigideira e reserve.

Limpe a frigideira com papel absorvente e leve novamente ao fogo. Aqueça o óleo restante e salteie rapidamente o pimento e a cebola, cortados em tiras, mexendo de vez em quando (3-4 minutos). Quando a cebola estiver a ficar dourada, acrescente o alho finamente picado e deixe fritar muito ligeiramente, até que esteja perfumado mas sem queimar (1 minuto).

Junte então a água, o vinagre de arroz, o molho de soja e o frango e mexa bem, para que o molho reduza, o frango e os legumes terminem de cozinhar e fique tudo bem envolvido.

No final, acrescente o manjericão rasgado com os dedos e sirva sobre arroz basmati, cozido apenas em água e sal.

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A cozinha encheu-se de perfumes asiáticos e nós de fome. A preparação, rápida e simples, deu-nos um almoço leve e delicioso, num dia sem tempo a perder. O marido comeu, repetiu e elogiou – a tríade de um sucesso comprovado.

Os livros não guardaram rancor. Do esquecimento, saltaram prontos a mostrar que encantam não só ao serem folheados, mas se os levarmos à prática. Eu rendo-me, folheio-os mais uma e outra vez e escolho o meu próximo guia.

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Nós gostamos muito de noodles. Mas daqueles com muito sabor, porque daquelas coisas estilo sopa com legumes e noodles a boiar já não gostamos tanto. Sabem quase sempre a canja, mesmo que esse sabor esteja disfarçado por outros, mais asiáticos. Parecem sempre feitos em caldo de frango. E como nenhum dos dois gosta de canja, a coisa não passa despercebida.

Mas dos outros, daqueles com gengibre e molho de soja e nem uma pitada de canja, gostamos muito. E eu vou coleccionando receitas, sempre que elas aparecem. Receitas que raramente faço, porque sempre que as fiz em casa não cheguei nem perto dos noodles de que nós gostamos. Parecia faltar sempre qualquer coisa em termos de sabor. Nunca consegui descobrir o quê e as receitas foram-se acumulando, pontas de esperança de que, um dia, haveria noodles decentes a sair da minha cozinha.

Há uns dias, entre umas horas de estudo e outras de sono, quando não havia nada descongelado nem grande vontade de sair de casa, resolvi experimentar outra vez. Fui buscar uma receita ao monte, uma para a qual eu tinha quase todos os ingredientes em casa, e fui para a cozinha.

Noodles & vaca

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Noodles com carne de vaca e ervilhas de quebrar
(adaptado daqui)

Ingredientes (2 pessoas)

  • 300g  carne de vaca cortada em tiras (eu descongelei dois bifes grossos e cortei-os)
  • 300g noodles
  • 300g ervilhas de quebrar
  • 3 colheres sopa molho de soja
  • 3 colheres sopa sake (não tinha, usei vinho branco)
  • 2 colheres sopa molho de chilli doce
  • 1 colher sopa açúcar
  • 1 colher sopa amido de milho
  • 1 colher sopa óleo de sésamo
  • 2 colheres sopa óleo vegetal
  • 3 dentes de alho finamente picados
  • 220ml caldo de legumes
  • cebolinho (ou rebentos de cebola)

Comece por cortar o bife em tiras largas. Numa vasilha, misture 1 colher sopa de cada de molho de soja, vinho branco e molho de chilli doce. Junte o açúcar e bata com um batedor de varas até dissolver. Adicione então o amido de milho e bata mais um pouco, até ter uma mistura homogénea. Por fim o óleo de sésamo e o bife, que deverá ficar a marinar durante 20 minutos. No fim destes, escorra e descarte o resto da marinada.

Coza os noodles em água a ferver durante 1 minuto. Escorra e reserve.

Numa frigideira ou num wok aqueça 1 colher de sopa de óleo e frite o alho ligeiramente, até começar a sentir o seu cheiro. Junte o bife e resista à tentação de lhe mexer, inicialmente: se não lhe mexer ele vai caramelizar ligeiramente e ficar muito mais saboroso. Vire então e deixe caramelizar do outro lado. Transfira para um prato e reserve.

Ponha mais uma colher de sopa de óleo no wok e frite ligeiramente as ervilhas de quebrar, que previamente arranjou e partiu ao meio. Acrescente 100ml de caldo de legumes, reduza para lume brando e cozinhe um pouco – não muito, que as ervilhas de quebrar cozem depressa. Transfira-as para o prato da carne.

Adicione o caldo restante ao wok quente, juntamente com as 2 colheres de molho de soja e de vinho branco e deixe ferver em lume alto. Adicione os noodles e cozinhe até que o líquido tenha praticamente evaporado e a massa esteja coberta com um molho espesso. Devolva a carne e as ervilhas ao wok, envolva tudo e deixe cozinhar mais uns segundos, para que os sabores apurem. Sirva polvilhado com o cebolinho ou rebentos de cebola finamente picados.

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E desta vez ficaram bons. A carne estava muito macia, com aquele sabor ligeiramente doce da caramelização. Os noodles cozeram um bocadinho demais e estavam um pouco moles, mas cheios de sabor. E as ervilhas de quebrar, ainda ligeiramente crocantes, contrastaram na perfeição com os sabores mais ricos do resto do prato.

Parece que, afinal, saem noodles decentes da minha cozinha. Esperemos que não tenha sido uma vez sem exemplo.

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