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Archive for the ‘Mozzarella’ Category

Há receitas que teimam em ficar mal nas fotografias e que acabam por nos vencer pelo cansaço. Há dias em que nada parece estar no ponto exacto – a luz é má e eléctrica, o enquadramento uma desgraça e nem o prato ajuda. Junte-se a isso a fome que espera pelo fim da sessão  e a falta de paciência de quem não faz disto vida e o resultado só pode ser fraco.

E depois fico ali, naquele limbo entre as más fotografias e as excelentes receitas. As menos boas esquecem-se, não fazem falta. Mas as boas, aquelas que nos agarraram pelo nariz e pelo estômago, merecem ser partilhadas. Mesmo que as fotografias, em sessões sucessivas, não lhes façam justiça.

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Beringelas à grega

(adaptado de How to roast a lamb, Michael Psilakis)

para 4 pessoas

  • 4 beringelas pequenas, cortadas ao meio
  • 250g carne de vaca picada
  • 1 cebola pequena, finamente picada
  • 2 folhas de louro
  • 2 colheres sopa de pasta de tomate
  • 80ml vinho tinto
  • 800ml água
  • 1 colher chá de tomilho seco
  • 2 colheres chá de canela
  • azeite
  • sal
  • queijo mozzarella ralado
  • um punhado de ervas frescas (hortelã, salsa e cebolinho)

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Faça cortes diagonais na polpa das beringelas, em cruz. Pincele-as com azeite e tempere com sal e um bocadinho de canela. Embrulhe cada meia beringela em papel de alumínio e leve a assar até que estejam tenras, 30-40 minutos. Retire do forno e, com uma colher, tire a polpa da beringela, tendo cuidado para não furar a pele. Pique a polpa retirada e reserve.

Num tacho grande, em fogo médio-alto, frite ligeiramente a cebola, em azeite (2-3 minutos). Acrescente a carne e deixe corar, mexendo frequentemente. Adicione a polpa das beringelas, o louro, 1 colheres de chá de canela e a pasta de tomate. Mexa continuamente durante 1 a 2 minutos. Junte o vinho tinto ao tacho e mexa bem. Deixe evaporar todo o álcool. Acrescente então a água, o tomilho, 1 colher de chá de sal e deixe ferver. Reduza então o fogo, cubra parcialmente o tacho e deixe cozinhar até que o molho esteja quase seco, 60-65 minutos. Verifique e mexa com frequência.

Pré-aqueça o forno a 175ºC. Ponha as beringelas num recipiente e recheie-as com o molho de carne. Cubra com o queijo ralado e leve ao forno durante 15 minutos, até que a cobertura esteja dourada. Retire, regue com um fio de azeite (ou com a gordura que tenha ficado no fundo da travessa) e polvilhe com as ervas frescas picadas.

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Cá em casa este prato foi uma aposta arriscada. Sou a única fã de canela da nossa mesa e, para não abusar, reduzi um bocadinho as quantidades da receita original. Para nós ficou óptima assim – tanto que se eu não lhe dissesse que tinha canela, ele não adivinhava, apesar de ela estar, inquestionavelmente, ali e de ser muito responsável pelo sabor final deste prato.

É uma receita leve, se servida com uma salada. Ou mais substancial, se acompanhada de arroz. De uma forma ou de outra, é uma boa ideia para as beringelas que já andam por aí e que vão continuar a aparecer até Outubro.

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O ritmo das semanas repete-se. Poucas horas para tanta coisa, muito cansaço para tão pouca vontade de cozinhar. Mas a cozinha é terapia, pelo menos para mim. E já aconteceu muitas vezes pensar fazer algo tão simples como umas torradas esfregadas com alho, cobertas de tomate maduro e regadas a bom azeite e pronto, está o jantar feito, e dar por mim no meio de várias panelas, sertãs e coisas semi-cozinhadas. As mãos e os ingredientes levam-me, às vezes, e no meio deles consigo desligar.

Mas mesmo sendo terapia, nunca há tempo, paciência ou energia para grandes aventuras culinárias, durante a semana. As coisas simples, que se fazem depressa, de preferência com intervalos para mais umas linhas de estudo ou mais uns exercícios, são a salvação dos jantares.

Não sei como é que esta receita nunca veio aqui parar. Acho que pensei várias vezes nela, mas achei sempre que não daria uma boa fotografia. E que era, talvez, um pouco desinteressante. Mas depois de a ter feito três vezes em três semanas, de me ter sabido sempre tão bem e de se fazer tão depressa, achei que não podia continuar a deixá-la fora do Caos.

Não é novidade para quem me lê que nós por cá gostamos muito de comidas bem temperadas. E durante uns anos comprámos daqueles kits de comida mexicana, uns para burritos e outros para fajitas. Eram bons, traziam os temperos todos e eram fáceis. Quantos jantares de burritos fizemos com os amigos! O divertido que era estarmos todos à volta da mesa a tentar enrolar a tortilla sem que a carne fugisse, o tomate caísse e o molho nos ensopasse os dedos.

Entretanto passou-nos. Mas a comida mexicana continua a apetecer cá por casa. Os kits nunca mais comprámos (embora eu deva dizer que acho que nunca serei capaz de fazer um tempero para burrito tão bom como o deles), mas as fajitas continuam a aparecer à nossa mesa. Daqui e dali, de uma receita e de outra, construí o meu tempero e agora faço-as eu, sem kit nem pacote. Só as tortillas é que continuam a ser das compradas, que não há máquina nem paciência para as abrir tão fininhas.

Fajitas

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Fajitas de frango
(para 2 pessoas)

  • 2 bifes de frango
  • 1 pimento vermelho
  • 1 cebola grande
  • 1 colher chá de paprika
  • 1 colher chá de cominhos
  • ½ colher chá de piri-piri em pó (ou mais, se quiser)
  • 1 colher chá de orégãos
  • sumo de 1 limão
  • sal

Para servir:

  • 6 tortillas
  • queijo ralado (eu prefiro mozzarella)

Comece por cortar o frango em tiras finas e compridas. Coloque num recipiente, regue com o sumo do limão e adicione as especiarias e sal. Misture tudo muito bem, para que todos os pedaços de frango tenham uma leve capa de especiarias e deixe marinar umas horas (pode deixar de um dia para o outro; eu, em desespero de causa, deixo marinar 30 minutos).

Corte o pimento em tiras finas e a cebola em gomos. Numa frigideira larga, aqueça um generoso fio de azeite e frite ligeiramente cebola e pimento, até que comecem a ficar um pouco moles e a cebola se mostre dourada. Retire para um prato e reserve.

Acrescente um bocadinho mais de azeite à frigideira e frite as tiras de frango, cerca de 1 minuto de cada lado. Junte a cebola e o pimento reservados, uma pitada de sal e mexa bem. Acrescente um pouco de água, de forma a fazer algum molho, mas mesmo só um bocadinho. Deixe cozinhar mais uns minutos (tendo o cuidado de não cozinhar demasiado o frango, para que não fique seco), acerte o sal se necessário e retire para um recipiente.

As tortillas devem apenas ser aquecidas. Costumo empilhar as seis e levar 1 minuto ao microondas.

Para comer, coloca-se a tortilla no prato, por cima um pouco da mistura de frango, pimento e cebola, polvilha-se com o queijo ralado e dobra-se a tortilla – mais ou menos como mostra o Jack.

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Em menos de nada está o jantar pronto. E é uma refeição completa. Costumo acompanhar com uma salada, que vamos petiscando entre trincas e malabarismos para não deixar que a fajita se desmanche.

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Em primeiro lugar tenho de pedir desculpas: o 4 por 6 deveria ter ido para o ar ontem, mas com as confusões da Páscoa não foi possível. Vai para o ar hoje, atrasado mas, espero, ainda assim delicioso!

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Se há coisa que cá em casa se faz (e se come!) bem, é pizza. Não variamos muito – aliás, não variamos quase nada. Não gostamos de pizzas com muitos ingredientes, preferimos as mais simples, duas ou três coisas por cima, massa caseira, molho também. Fazemos pizza pelo menos uma vez por semana e por isso achámos que seria boa ideia criar uma pizza equilibrada e nutritiva, saborosa e que alimentasse 4 pessoas a baixo custo. Bem feita, uma pizza é uma refeição completa!

Começámos por trabalhar no molho – é a melhor forma de introduzir legumes na pizza, sem grandes alterações de paladar, tornando-a mais rica nutricionalmente. Fizemos um molho com vários legumes, molho esse que pode ser feito em quantidades maiores e congelado em porções individuais, para usar com pizzas ou pastas, ser base de almôndegas ou até barrar sanduíches.

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Pizza com molho de legumes

Massa:

  • 2 e ¼ medidas de farinha (um pouco menos que 500g)
  • ½ colher sopa de fermento biológico
  • ½ colher sopa de sal fino
  • ½ colher sopa de açúcar
  • 1/8 medida de azeite
  • 1 medida mal cheia de água morna
  • 1 pitada de orégãos secos

A massa pode ser feita à mão ou na máquina de fazer pão. É muito mais fácil nesta última, que além de amassar fornece uma temperatura óptima para a massa levedar. Mas à mão também não é difícil. Esta massa tem a grande vantagem de poder ser feita a dobrar e congelada. Pode ser tornada ainda mais nutritiva e saudável se se usar uma mistura de farinha branca e integral.

Misturam-se os ingredientes secos muito bem. Acrescentam-se água e azeite e amassa-se até formar uma bola. Depois é preciso tender durante 3 ou 4 minutos – como a pizza não é coisa que precise de crescer muito, a massa não precisa de ser amassada durante muito tempo. Deixa-se levedar, em lugar quente e seco, durante 1 ou 2 horas (ou durante a noite no frigorífico, retirando 1 hora antes de usar).

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Molho:

  • 1 beringela pequena (ou meia grande)
  • 1 courgette pequena
  • 2 tomates maduros
  • 3 dentes de alho
  • ½ pimento vermelho
  • sal
  • azeite
  • manjericão seco

Liga-se o forno a 200ºC. Corta-se a courgette em quartos no sentido do comprimento, a beringela em rodelas grossas e o pimento em pedaços grandes. Dá-se dois golpes em cruz no cimo dos tomates. Colocam-se os legumes todos num tabuleiro de forno, mais os 3 dentes de alho não descascados (evita que se queimem). Duas ou três gotas de azeite em cima de cada pedaço, acrescenta-se uma pitada de sal grosso e outra de manjericão. O tabuleiro vai ao forno até tudo estar assado.

Pelam-se então os tomates e o pimento, descascam-se os alhos e coloca-se tudo no copo da varinha mágica. Uma colher de sopa de azeite, mais um bocadinho de sal e manjericão e passa-se tudo muito bem. Está pronto o molho.

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Recheio:

  • 1 cebola grande
  • 70g de bom chouriço de carne
  • 1 bola de mozzarella fresca
  • 40g de rúcula
  • orégãos

Mantém-se o forno ligado a 200ºC. Numa frigideira, aloura-se a cebola cortada em meias luas, num fio de azeite. Quando estiver dourada e ligeiramente tostada, retira-se do lume e reserva-se. Estende-se a massa num tabuleiro de forno levemente polvilhado com farinha, formando um grande rectângulo (ou divide-se em quatro e fazem-se quatro pequenas pizzas individuais). Espalha-se molho de tomate por cima (pode não ser preciso todo, a pizza fica melhor se não levar excesso de molho), o chouriço cortado em meias-luas finas. Acrescenta-se a cebola alourada e a mozzarella, rasgada em pedaços. Polvilha-se com orégãos e vai a assar até a massa estar dourada e o queijo derretido e levemente tostado.

À parte, tempera-se a rúcula com um fio de azeite, sal e orégãos (muito pouco tempero). Retira-se a pizza do forno e coloca-se a rúcula por cima. Corta-se em quatro e está pronta a comer!

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A pizza caseira costitui uma refeição equilibrada e muito versátil. Pode ser feita com quase tudo, trocando o chouriço por bacon ou pedaços de frango desfiado que tenha sobrado de uma outra refeição. Em vez de rúcula pode levar agriões ou canónigos, cogumelos em vez da cebola. E estas alterações de que falei podem ser feitas quase sem alterações de preço.

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Para a sobremesa, morangos frescos e maduros, sem adição de açúcar e polvilhados com raspa de um limão.

 

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Vamos a contas:

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Dica de poupança: Quase tudo na nossa cozinha se recicla. Tentar tirar o máximo proveito de tudo o que entra em nossa casa é não só bom para o bolso como ainda é uma óptima contribuição para o ambiente. O pão seco, por exemplo, pode ser todo guardado e, com a ajuda de um processador, transformado em pão ralado. Pode ainda torná-lo mais interessante com a adição de ervas aromáticas secas ou de alho em pó. Assim, em vez de o comprar no supermercado, temos em casa pão ralado, mais fresco e com os sabores que mais nos agradam, praticamente a custo zero.

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Como já vos disse, sobrou muito porco. Das várias coisas que fiz com ele, esta foi uma das mais saborosas. É um prato que faço normalmente, quando tenho de improvisar o jantar, e que nos sabe muito bem. Além disso, é fácil e rápido e pode ser feito com sobras de qualquer tipo de carne ou com um peito de frango que ande perdido pelo frigorífico – nós temos muitas vezes esse problema, uma vez que somos dois e as embalagens normalmente trazem três peitos.

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Enchiladas de porco e feijão preto

Numa frigideira grande, com um fio de azeite, alourei bastante alho e uma cebola picada. Juntei uns cubinhos de bacon e um tomate maduro, cortado em cubos. Acrescentei um bocadinho de polpa de tomate e meia lata, das pequenas, de feijão preto. Temperei com sal, piri-piri, cominhos, alho em pó e uma pitada de paprika. Deixei apurar e misturei duas medidas de porco desfiado, desligando o fogo em seguida. Com este refogado, recheei duas daquelas tortillas que tenho sempre em casa, enrolando-as e fechando as pontas para dentro do rolo. Coloquei-as numa travessa de forno e reguei com uma mistura feita com a varinha mágica: um tomate maduro, um fiozinho de azeite, orégãos, sal e uma pitada minúscula de cominhos. Por cima, mozzarella ralado ou esfarelada à mão. Vai ao forno a 200ºC, até estar dourado.

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Esta receita é excelente porque, se acompanhada por uma salada, é completa e não muito pesada. Sabe mesmo bem naquelas noites de sofá, em que ao jantar se segue um filme ou dois e longas e exaustivas doses de fazer nenhum.

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(apesar de muito boas, as enchiladas são horríveis de fotografar. Bem piores que as massas! Por isso desculpem-me por não incluir nenhuma fotografia do interior, mas não consegui nenhuma apresentável)

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A mesma massa de sempre, molho de tomate, pimento vermelho assado até a pele ficar bem preta, bacon e mozzarella. Variações simples, recheio rápido e delicioso. Adoro pizza!

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Há muito que queria fazer um gratinado de batata cá em casa. Um potato gratin, assim saboroso, bem temperado. Os ingredientes fizeram-me sempre hesitar: leva natas, leite, bechamel, queijo, o Zé não vai gostar. Mas decidi arriscar. Aliei o gratinado de batata ao isco de um bife (coisa rara nesta casa), assim numa lei das compensações um pouco graxista, como quem diz: eu sei que isto não te apetece nada, mas deixa-me lá experimentar que eu acompanho-o com um rico bife. E pronto, carta branca.

Ao contrário do que faço com a maioria das coisas que quero experimentar, aqui não procurei nenhuma receita. Não li, não pesquisei, não fiz nada. Improvisei, inventei, fiz como me pareceu que resultaria. E resultou.

potato-gratin

Com o mandolim, cortei batatas em fatias não muito finas. Cortei também meia courgette, que acrescentei só na camada superior. Usei o resto do bechamel que me sobrara da lasanha, mais uma vez diluído em leite e temperado com alecrim fresco bem picado. Em recipientes individuais, fiz camadas de batata, com as fatias ligeiramente sobrepostas, e sobre cada camada uma ou duas colheres de sobremesa do bechamel diluído, alecrim fresco picado, alho ralado e sal grosso. A última camada levou batata e courgette alternadamente, muito mais bechamel (para cobrir quase tudo), alecrim e sal, um fio de azeite e mozzarela ralada (eu usei fresca porque era a que tinha em casa). Foram ao forno a 190ºC até as batatas estarem cozidas (um garfo espeta até ao fundo sem dificuldade) e depois a 220ºC para ficar tostadinho. As laterais queimaram porque o bechamel borbulhou, subiu e depois desceu. Mas eram a parte mais saborosa!

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Eu gostei muito, o Zé não desgostou. Ponto positivo, já que ambos tinhamos a certeza de que ele iria odiar. O bife estava completamente indigno de nota e relevo – acho que ainda não sei comprar ou cozinhar um bife como nós gostamos (mas eu chego lá!). A salada era uma variação da coleslaw, com couve roxa, cenoura, pepino e courgette crua, temperada com azeite, balsâmico e alecrim e a sua crocância complementou lindamente a suavidade do gratinado. A experimentar outra vez, talvez, desta com um bife bem alto e suculento.

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Ser operada ao joelho, por mais simples que seja a coisa (e foi) e não traga complicações (que não trouxe), traz sempre – e ainda bem – algumas vantagens. Afinal, não são todos os fins-de-semana a dois que têm quatro dias! E estes foram quatro dias cheios de mimos, de séries e filmes que vimos enterrados no sofá e de comidas fáceis, fonte de conforto para estes dias cheios de chuva.

Normalmente cá em casa a cozinheira de serviço sou eu. Não só porque tenho um reportório mais alargado, mas também porque o faço com prazer (e porque sou mais rápida – se vos dissesse o tempo que o amor da minha vida leva a picar uma cebola…). À semana, nos dias em que ele chega a horas decentes, vamos os dois para a cozinha – eu preparo o jantar enquanto ele esvazia a máquina da louça lavada e a enche da suja, enquanto contamos ao outro o dia que passou.

Este fim-de-semana fomos os dois para a cozinha. Ele queria cozinhar e eu fui dar apoio e instruções. Cozinhámos chilli con carne, prato recorrente cá em casa, por ser fácil, rápido e delicioso. Fazer um prato a quatro mãos pode demorar mais tempo do que a duas, mas é, também, uma experiência muito mais divertida. Eu ofereci-me para picar todas as cebolas, cenouras e pimentos, porque sabia que, para o Zé, isso seria a parte mais demorada da equação. Ele fez tudo o resto, seguindo as instruções. Eu só aproveitei uma ou outra altura em que ele não estava a olhar para provar e acertar os temperos. Um prato destes não tem nada de complicado, mas convêm provar muitas vezes ao longo da preparação, para garantir o melhor sabor. E para isso, infelizmente, não há instruções. O treino de fazer educa a língua e o dedo nas pitadas disto ou daquilo. O primeiro chilli do meu marido estava delicioso e rendeu duas refeições neste fim-de-semana longo.

lasanha

Ontem fomos novamente os dois para a cozinha. O Zé andava com vontade de comer lasanha, mas como nunca comemos uma lasanha congelada de que gostássemos (tanto que já desistimos de experimentar) tinha de ser a minha lasanha. Aprendi a fazê-la há alguns anos, mas a receita foi, entretanto, evoluindo e tomando forma própria. Hoje é a minha lasanha, que não tem absolutamente nada que saber, mas que é aquela que nos sabe melhor.

O ragú leva muitos legumes, dos que houver à mão. Pode levar courgette, alho francês, com jeito e bem picadinhos talvez até bróculos. Este levou cenoura e pimentos vermelhos, 1:1 com a carne. Cebola e alho na panela, com azeite. Os legumes, a carne, o tomate. Sal e orégãos e deixa-se cozinhar em lume brando pelo máximo de tempo possível (quanto mais tempo, melhor saberá – desta vez, o nosso só teve direito a 30 minutos, o que é pouco) e no lume mais baixo possível. Manjericão fresco picado já no fim, depois de desligado o fogão.

O resto é ainda mais fácil. Um tabuleiro de forno, um pacote de massa seca (da que não requer pré-cozedura), um pacote de bechamel, mozzarella ralada em casa. Tenho o hábito de diluir o bechamel com leite – o de pacote costuma ser muito espesso e assim poupo nas calorias, porque nunca uso o pacote todo. Junto orégãos a esta mistura. No fundo do tabuleiro, duas colheres do bechamel diluído e por cima a primeira camada de massa. Carne, mais bechamel, queijo. E repete, até acabar a carne. A última camada (aprendi eu depois de várias asneiras) é melhor sendo de carne, bechamel e queijo, sem massa em cima. Assim tudo o que está por baixo coze mais homogeneamente, num forno a 180ºC. Está pronta quando um garfo espetado no meio atravessar com facilidade todas as camadas. Mas deixem a massa ligeiramente al dente, para que não seja uma papa sem graça.

Perguntou o Zé se a receita já estava no blog. Disse-lhe que não, que receita de lasanha toda a gente tem e que esta não tem nada de especial. Mas tem, disse ele. É boa, é simples, é tua. Tem de especial para nós porque é aquela de que nós gostamos. E portanto cá está, a minha lasanha sem nada de especial, mas que é minha, nossa. E que nos sabe tão bem.

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Dezembro é o mês da falta de tempo. Por mais que se estique, puxe e corra nunca dá para tudo. Cá em casa desdobramo-nos em compras feitas ainda em Novembro, noites fugidas para algumas últimas prendas que faltam e a sempre eterna fuga aos shoppings em Dezembro. Cinema? Nem pensar! Fnac? No mês que vem! E as coisas vão sendo feitas, decoradas, compradas e os almoços e jantares comidos.

O almoço, para ajudar, tem sido de pressa e preguiça. Normalmente tento fazer jantar a mais para ter almoço para mim no dia seguinte. Mas às vezes o marido gosta tanto do jantar que não sobra – nunca pensei que cozinhar bem pudesse ter desvantagens além dos óbvios quilos a mais. E às vezes não é comida de sobrar ou não jantámos em casa ou não jantámos ponto. E eu cada vez gosto menos de cozinhar só para mim.

Mas as tentativas de desenrascar qualquer coisa rápida são normalmente muito mais saudáveis e saborosas do que as refeições congeladas de antigamente. E cá em casa havendo bom pão (que há sempre) é fácil resolver o problema!

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Num fio de azeite estrelei um ovo dos dois lados (não gosto da gema muito crua quando é para comer no pão). Escorri bem e sequei em papel de cozinha. No microondas (o electrodoméstico mais inútil desta casa), o truque que aprendi com a Ana Maria Braga nos tempos em que havia GNT e a televisão brasileira era gratuita, cá em Portugal: duas folhas de papel de cozinha e, no meio delas, duas fatias bem fininhas de bacon. Vai ao microondas uns dois minutos e o bacon está sequinho, praticamente sem gordura, e crocante! Muito melhor que frito e muito mais saudável.

Na torradeira adianto o pão, alentejano, que pincelo com o azeite dos tomates secos. Dentro, rúcula, tomate seco do meu, o ovo, o bacon e pedacinhos de mozzarella. Orégãos por cima, a outra metade do pão e prensa nele.

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Uns minutos para a fotografia (que isto de ter blog de culinária não se compadece com as pressas) e a sanduíche foi devorada num instantinho. Mesmo a tempo de sair a correr que, como diria o Coelho Branco da Alice no País das Maravilhas, é tarde!

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Tortillas de trigo frescas, folhas de rúcula, tomate seco feito em casa (acho que nunca mais comprarei tomate seco na vida), pedaços de mozzarella. Um almoço corrido, rápido de fazer e comer que o tempo não pára e a pressa era muita.

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Que é como quem diz, vêm umas atrás das outras. Há uns dias, andava eu a passear no supermercado, a tentar planear um jantar de família, quando vi uns lindos cogumelos Portobello, a piscar-me o olho da prateleira. Lembrei-me logo deste post da querida e talentosa Marizé e trouxe-os comigo para casa.

Inspirei-me nos da Marizé, que se inspirou nos da Elvira, e improvisei o quanto baste. De inspiração em inspiração, ficou pronto o jantar.

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Numa frigideira e um fio de azeite salteei dois dentes de alho muito muito picadinhos. Acrescentei bacon cortado em cubos pequeninos, os pés dos Portobello e mais 4 cogumelos brancos, picados. Juntei pão esfarelado (não é pão ralado, são ), temperei com sal e manjericão seco e deixei refogar um pouco. Acrescentei nozes em pedacinhos e recheei os cogumelos. Por cima, cubos de mozzarella e mais um fio de azeite. Foram ao forno a 180ºC até estarem cozinhados e dourados.

Para acompanhar, salada de rúcula temperada com azeite e vinagre balsâmico e umas batatas de forno de que vos falo amanhã.

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A receita agradou mais a uns que a outros. Cá em casa não somos loucamente fãs de cogumelos e os Portobello têm um sabor mais forte e mais evidente do que aquele ao qual estamos habituados. O molho das batatas que acompanharam o prato ajudou bastante, porque os cogumelos ficaram um pouco secos. A repetir, talvez com outro recheio, mas a aproveitar a grande vantagem de serem uma fonte de proteínas tremendamente completa e substituirem, facilmente, a carne.

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