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Archive for the ‘Natas’ Category

das coisas intemporais

Quando éramos pequenos, os gelados eram coisa de Verão, arrumada das cabeças com a chegada das primeiras castanhas. Hoje somos menos estanques e há coisas que atravessam o ano imunes aos caprichos do termómetro e dos ventos. Comemos gelados fora de época e até parece que sabem melhor, com um leve travo de travessura.

Há uns meses, a Werther’s Original desafiou-me a criar uma receita usando os seus caramelos. Confesso, andei semanas com a cabeça às voltas, a tentar decidir como os usar. Como criar em volta de algo que só me apetecia comer assim, uns atrás dos outros?

Um dia lembrei-me: gelado! Uma tela quase neutra, sobre a qual pudesse brilhar um molho morno de caramelo salgado. Perfeito em qualquer altura do ano. Escolhi os caramelos cremosos, com recheio, e fui para a cozinha.

gelado e caramelo

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Gelado de nata e molho de caramelo salgado

 

gelado

  • 400ml natas frescas (bem frias)
  • ½ lata leite condensado
  • 150g bolachas de especiarias

molho

  • 135g caramelos cremosos recheados Werther’s Original
  • natas frescas (aprox. 100ml)
  • ½ colher chá de flor de sal

 

Comece por preparar o gelado. Forre uma forma de bolo inglês com película aderente (para facilitar o empratamento) e reserve.
Bata as natas como para fazer chantili. Levemente, envolva o leite condensado nas natas batidas. Acrescente as bolachas grosseiramente partidas e envolva-as bem. Transfira o gelado para a forma previamente forrada e leve ao congelador por um mínimo de 6h.

Para o molho, derreta os caramelos num tacho em lume baixo, mexendo frequentemente para não queimar. Quando tudo estiver derretido, retire do fogo e acrescente natas até obter a consistência desejada (50-100ml). Polvilhe com a flor de sal e envolva bem (pode usar mais ou menos sal, de acordo com o seu gosto pessoal). O molho pode ser preparado com antecedência e reaquecido na hora de servir.

Para servir, desenforme o gelado para um prato e sirva o molho morno, num recipiente à parte, para que o gelado não derreta. Corte fatias e regue generosamente com o caramelo salgado.

gelado e caramelo II.

O molho de caramelo salgado é o complemento perfeito deste gelado. Mas é versátil e pode acompanhar um crumble de maçã, por exemplo, ou um brownie de chocolate, preferencialmente servido com uma colher de natas batidas. Pode fazer-se em maior quantidade e guardar no frigorífico, num frasco bem fechado, aquecendo ligeiramente antes de servir.

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adeus aos pêssegos

Eu gosto muito de fruta. Muito mesmo. Tanto que acho que era capaz de viver só de fruta. Até este ano, a única fruta de que não gostava era o figo. Felizmente o Algarve fez-me abrir os olhos e desde lá já devorei alguns quilos deles, deliciada com a descoberta. O paladar também cresce, pois claro.

Gostar tanto de fruta faz com que raramente cozinhe com ela. A verdade é que, para mim,  o resultado final nunca suplanta a maravilha da fruta crua. E é por isso que quase nunca o faço. Os quilos de mirtilos que entraram cá em casa este ano tinham, também, como destino uns muffins e um gelado, mas foram todos comidos crus. Os morangos, os maracujás, as nêsperas, os pêssegos, os figos. Passo o ano à espera deles e sabem-me tão bem ao natural que acabo por ser incapaz de os cozinhar. Mas de vez em quando apetece e lá fujo à regra.

No outro dia tive uma sessão de cozinha cá em casa, com a Cláudia (que viaja amanhã!), e para a sobremesa fizemos a panna cotta do costume, receita da Elvira. Estávamos nós a fazer o coulis de maracujá para acompanhar a panna cotta quando um vizinho fica preso no elevador. Desce escadas liga para o condomínio liga para o apoio sobe escadas… o coullis tinha queimado. Era preciso improvisar.

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Panna cotta com doce de pêssego e tomilho

Ingredientes
(para 4 pessoas)

  • 400ml de natas
  • 1 vagem de baunilha
  • 40g açúcar
  • 3 folhas de gelatina
  • 2 ou 3 pêssegos
  • açúcar a gosto (consoante os pêssegos)
  • tomilho (fresco ou seco)

Comece pela panna cotta, que tem de ir ao frigorífico pelo menos 6 horas.

Num recipiente, hidrate a gelatina num pouco de água e reserve.

Numa panela pequena, misture as natas, o açúcar e as sementes de baunilha (abra a vagem e raspe levemente com o lado rombo da faca para remover as sementes). Junte também a vagem vazia. Leve a fogo brando, mexendo sempre até ferver.

Retire então do fogão e deixe repousar 10 minutos. Retire a fava de baunilha (pode, depois, lavá-la e secá-la e aproveitá-la para fazer açúcar baunilhado ou mesmo extracto de baunilha). Escorra muito bem as folhas de gelatina, retirando-lhes o máximo de água possível. Junte-as às natas, mexendo bem com um batedor de varas (mas sem bater!), para que se dissolva completamente.

Distribua as natas por recipientes individuais e leve ao frigorífico, pelo menos 6 horas.

Corte os pêssegos em pedaços pequenos e coloque numa outra panela. Junte açúcar a gosto (eu juntei 1 colher de sopa mal cheia por cada pêssego) e leve a lume brando para cozinhar, mexendo de vez em quando.

Quando o pêssego já estiver ligeiramente mole, esmague com uma colher, mas sem o desfazer completamente. Junte então o tomilho (se for seco não junte muito, já que o sabor é mais forte) e mexa, envolvendo bem. Deixe cozinhar até obter uma consistência quase de compota.

Sirva frio ou morno, por cima da panna cotta.

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Gosto muito de panna cotta porque se presta a muitas variações. Pode ser aromatizada com sabores que não a baunilha e acompanhada de molhos ou compotas variados. O doce de pêssego foi um contraste perfeito para a panna cotta, com o tomilho a dar um toque especial ao conjunto. Quase apetece agradecer que o vizinho tenha ficado preso no elevador.

Os pêssegos estão a acabar e agora só para o ano. Mas antes ainda vou fazer esta compota, para quando as saudades do Verão me baterem cá dentro.

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4por6A receita de hoje foi feita num daqueles dias da semana passada em que ainda estava sol e calor. Neste momento, da minha janela escorre água e consigo ouvir o vento lá fora. Já não é bem o tempo para saladas, antes para uma sopa quente. Mas a sugestão de hoje, robusta e saborosa, poderá ser a excepção.

 

 

 

4 por 6 11 Maio II

Salada de feijão branco, tomate assado e chouriço
(adaptada da Olive de Maio 2009)

Ingredientes:

  • 1 lata 850g de feijão branco
  • 500g tomates
  • 100g chouriço, fatiado fino
  • 1 cebola grande
  • 1 colher sopa de vinagre balsâmico
  • 1 colher sopa de mel
  • 100g alface
  • 100g espinafres
  • 5g manjericão fresco
  • azeite
  • sal

Algumas notas sobre os ingredientes, antes de começarmos: o feijão pode – e deve! – ser do seco, cozido em casa. Não foi porque não me tinha lembrado de o demolhar e, como tal, o de lata foi a solução. No entanto, o seco é mais saboroso, mais saudável, mais ecológico e mais barato – só vantagens! Como o chouriço vai aqui assumir um papel de destaque, deve ser bom chouriço. Eu usei um de Barrancos, da Selecção do Continente. Os tomates, na receita original, eram tomate-cereja. Mas como esses são muito mais caros e raramente nacionais, usei antes tomates portugueses, pequeninos e bem maduros.

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Corte os tomates ao meio (ou em quartos, se forem demasiado grandes) e disponha-os num tabuleiro de forno. Tempere com sal, azeite e orégãos e leve a assar por aproximadamente 20min. Quando estiverem prontos, retire-os do forno e reserve.

Lave então os feijões e escorra muito bem. Coloque-os numa vasilha grande e reserve.

Frite o chouriço, cortado em tiras finas e não muito largas, numa frigideira anti-aderente, sem adição de gordura, até que esteja ligeiramente crocante. Reserve.

Limpe a frigideira com um papel de cozinha e aqueça 4 colheres de sopa de azeite. Junte a cebola, picada ou cortada em gomos finos, e deixe cozinhar ligeiramente, até que esteja dourada. Acrescente então o vinagre e reduza. Junte o mel e mexa bem para emulsionar. Tempere de sal e despeje este molho sobre os feijões e misture bem.

Leve a frigideira novamente ao fogo e, numa colher de sopa de azeite, salteie ligeiramente as folhas de espinafre, só para as cozinhar ligeiramente. Acrescente-as ao feijão.

Corte a alface em tiras finas e junte também ao feijão. Acrescente o chouriço e os tomates reservados e mexa novamente. Corte o manjericão em tiras muito finas e junte à salada. Mexa novamente e sirva.

4 por 6 11 Maio

Esta salada, de sabores fortes, é deliciosa. Os tomates não devem ser assados em demasia, para que sejam ainda sumarentos e acrescentem o seu sumo ao molho da salada. Não tenho mais feedback que o meu para vos dar, porque a fiz num dia em que o Zé não estava. Mas confiem em mim – é muito boa!

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Para sobremesa, outra receita repescada. Não me levem a mal, mas as tentativas de fazer dieta não se compatibilizam muito bem com sobremesas… Além disso, esta é tão boa que merece um bis!

4 por 6 11 Maio III

Bloody panna cotta

Ingredientes:

Panna cotta

  • 200ml de natas líquidas
  • 1/2 vagem de baunilha
  • 20g de açúcar
  • 1 (ou 2) folhas de gelatina incolor e sem sabor

Compota de toranja vermelha

  • 1 toranja vermelha grande
  • 3 colheres sopa de açúcar

Comece por hidratar as folhas d gelatina num pouco de água. Reserve.

Numa panela pequena, misture as natas, as sementes de baunilha (ou, em alternativa, duas colheres de chá de extracto de baunilha), a fava de baunilha e o açúcar. Leve a lume brando e mexa sempre, devagar, até ferver. Retire do fogo e deixe repousar 10 minutos. Retire então a fava de baunilha (se a tiver usado). Escorra muito bem a gelatina, retirando-lhe o máximo de água possível. Junte-a às natas e mexa bem, para que se dissolva completamente. Coloque em recipientes individuais e leve ao frigorífico até endurecer (pelo menos 4 horas).

Enquanto espera, prepare a compota. Descasque a toranja e retire todas as peles dos gomos. Não se preocupe com mantê-los inteiros, não há problema que se desfaçam. Não é um trabalho agradável nem fácil, mas tem 4 horas para o fazer. Num tacho pequeno, leve a toranja e o açúcar a lume brando, mexendo ocasionalmente. Quando tiver adquirido a consistência de uma compota espessa, retire do tacho para um recipiente de vidro e deixe arrefecer.

Antes de servir as panna cottas, coloque sobre cada uma uma generosa colher de sopa de compota.

Esta foi a segunda panna cotta que fiz cá em casa. Fi-la a medo, achando que o Zé não ia gostar da compota. Mas o sabor fresco da panna cotta combinou tão bem com o doce meio ácido da toranja que não houve resmungos, só sons de satisfação e colheres a bater nos copos!

 

Vamos então a contas:

 

4 por 6 - 11.05

A única coisa que falta nas minhas contas é a vagem de baunilha. Já as encontrei a preços muito variados e posso afiançar que as que se encontram no Continente, da marca Vahiné, são das mais caras que já vi. As melhores que comprei encontrei-as numa loja Celeiro, mas já comprei muito boas noutros sítios e consideravelmente mais baratas.

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Dica de poupança: vale a pena investir em algumas vagens de baunilha para algumas receitas. Mas as vagens são bens demasiado caros e preciosos para usar uma vez e deitar fora. Há várias coisas que pode fazer para extrair cada micrograma de sabor. Por exemplo, a vagem usada nesta receita. Pode lavá-la rapidamente em água corrente e deixá-la secar muito bem, guardando-a depois num frasco pequeno, cheio de açúcar, e fazer o seu próprio açúcar baunilhado. Pode, em alternativa, fazer o seu próprio extracto de baunilha, seguindo as instruções da Cinara.

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Encontrar formas interessantes de comer dentro de um orçamento limitado é um desafio. Mas pode ser um desafio interessante, se olharmos para ele assim. A criatividade é a nossa ferramenta mais importante, aqui. Mais do que saber onde comprar barato, aproveitar promoções ou aproveitar ao máximo tudo o que entra na nossa cozinha. Porque sem criatividade, acabamos a comer as mesmas coisas semana após semana após semana. E por mais saboroso que seja o prato, acaba por cansar.

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Por isso quando vi esta receita, que me pareceu tão simples, fiz logo umas contas rápidas para ver se a conseguia incluir na minha próxima sugestão 4 por 6. E consegui!

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Tiras de porco à chinesa com arroz basmati

Ingredientes:

  • 500g bifes ou bifanas de porco (com pouca gordura)
  • ½ pimento vermelho grande ou 1 pequeno
  • 4 ou 5 cebolas verdes (spring onions) ou 1 alho francês
  • 3 colheres sopa de compota de pêssego (ou de alperce ou de laranja)
  • 2 colheres sopa de mel
  • 1 colher sopa de molho de soja
  • 1 colher chá de óleo de sésamo
  • 1 colher chá de gengibre ralado
  • 1 dente de alho ralado
  • 1 malagueta pequena
  • sal
  • óleo
  • 200g arroz basmati

Comece por preparar a marinada: misture a compota, o mel, o molho de soja, o óleo de sésamo, o gengibre e o alho ralados e a malagueta finamente picada. Junte uma pitada ou duas de sal e misture bem. Corte então a carne em tiras e mergulhe-a na marinada, envolvendo bem cada pedaço. Deixe repousar 15 a 20 minutos.

Entretanto corte o pimento em tiras finas e as cebolas verdes em fatias diagonais. Reserve 1/4 das cebolas para polvilhar na altura de servir.

Aqueça uma colher de sopa de óleo numa frigideira. Quando o óleo estiver bem quente coloque a carne com toda a marinada que houver na vasilha. O truque, segundo a receita original, é não mexer demasiado, para que a carne cozinhe e o molho caramelize. Quando vir, pelas laterais das tiras, que a carne está a começar a ficar branca, vire. Acrescente agora o pimento e as cebolas verdes e deixe cozinhar. De vez em quando mexa e envolva tudo muito bem. Tenha cuidado para não cozinhar demasiado o porco, já que este pode ficar com textura de borracha.

Sirva com arroz basmati, cozido em água e sal (de acordo com as instruções da embalagem). Pode aromatizar o arroz com um pouco de gengibre, mas eu prefiro-o com um sabor mais neutro, a contrastar com os sabores fortes da marinada do porco.

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A carne estava muito saborosa e a marinada foi definitivamente aprovada cá em casa. Os pimentos e as cebolas verdes acrescentaram um contraste crocante e fresco e o arroz basmati, apesar de neutro, tem sempre aquele sabor especial. O Zé adorou e eu sei que esta receita, fácil e rápida, vai aparecer mais vezes à nossa mesa.

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Para a sobremesa, uma receita repetida, mas que faz uso dos morangos que andam por aí, tão doces e suculentos. Pode usá-la para aproveitar aqueles morangos quase passados ou para comer os verdes, ainda pouco doces.

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Strawberry Fool

  • 400g morangos
  • 200ml natas
  • 200g iogurte grego
  • açúcar em pó (a gosto)

Ponha os morangos cortados em quartos numa taça e polvilhe com açúcar em pó (a quantidade vai depender da doçura dos morangos, mas é aconselhável que os deixem bem docinhos, já que as natas e o iogurte não vão levar açúcar). Deixe macerar meia hora, no frigorífico. Triture-os então com a varinha mágica (ou com um garfo, se gostar de pedaços mais inteiros, como eu) até obter um puré.

Bata as natas até estarem quase em chantili. Acrescente o iogurte e bata novamente, misturando tudo muito bem. Junte então o puré de morango e misture à mão, até que esteja o mais homogéneo possível. Distribua por taças ou chávenas bonitas e leve ao frigorífico cerca de duas horas.

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Vamos, então, a contas:

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Todos os ingredientes da marinada encontravam-se já na minha cozinha. Foi, portanto, por aproximação que apresentei o preço dos mesmos. Não encontrei preço do gengibre nem do óleo de sésamo. O primeiro é barato e a quantidade usada é tão pequena que o valor é quase irrisório. O óleo de sésamo é mais caro e encontra-se sobretudo nas lojas de produtos naturais e dietéticos, mas é um bom investimento, já que, se guardado no frigorífico, dura imenso tempo e é excelente para dar sabor a pratos rápidos preparados no wok, como stir fries.

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Dica de poupança: o açúcar em pó é sempre mais caro do que o açúcar normal. Além disso, é raramente usado e pode acabar por se estragar, mesmo sendo vendido em pacotes mais pequenos. Se tiver em casa um moínho de café, daqueles eléctricos (ou mesmo um bom processador) pode fazer açúcar em pó a partir do açúcar branco comum e evitar a desnecessária diferença de preço, bem como ficar com mais um pacote na cozinha. Quando precisar novamente, é só pesar o açúcar cristal e moer bem no moínho de café.

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Bloody panna cotta

Há muito tempo que queria repetir esta receita de panna cotta da Elvira, que já tinha feito sem grande sucesso fotográfico. A receita é deliciosa, super fácil (aliás, mais fácil impossível) e o resultado é muito atraente.

Tinha alguns morangos reservados para fazer o coulis, mas de repente deixou de me apetecer coulis de morangos. Apetecia-me qualquer coisa diferente e pensei fazer um coulis de outra fruta. Olho para a fruteira e vejo umas maravilhosas toranjas vermelhas que tinha comprado para fazer uma salada de citrinos. E decidi: vou fazer coulis de toranja.

Pois… Tentar, eu tentei. Descasquei a toranja muito bem descascada, tirei a pele aos gomos e tudo, desfiz tudo muito bem para dentro de um tacho pequeno, polvilhei com três generosas colheres de sopa de açúcar (afinal, toranja não é morango e convém levar mais açúcar) e liguei o fogão.

Rapidamente percebi que dali nunca sairia um coulis. Mas já agora, pensei eu, levemos isto até ao fim. O açúcar há-de caramelizar e pode ser que saia alguma coisa interessante. E saiu! Meia hora em lume baixo, mexendo ocasionalmente, e consegui uma pequena dose de compota de toranja vermelha, espessa, caramelizada, deliciosa.

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Panna cotta de baunilha com compota de toranja vermelha

Ingredientes (para duas pessoas)

Panna cotta

  • 200ml de natas líquidas
  • 1/2 vagem de baunilha
  • 20g de açúcar
  • 1 (ou 2) folhas de gelatina incolor e sem sabor

Compota de toranja vermelha

  • 1 toranja vermelha grande
  • 3 colheres sopa de açúcar

Num recipiente, hidratar a gelatina num pouco de água. Reservar. Numa panela pequena, misturar as natas, as sementes da baunilha (abrindo-a e raspando com o lado rombo da faca), a fava de baunilha e o açúcar. Levar a lume brando, mexendo sempre, até ferver. Retirar do fogão e deixar repousar 10 minutos. Retirar então a fava de baunilha. Escorrer muito bem a gelatina, retirando-lhe o máximo de água possível, e juntar às natas, mexendo bem para que se dissolva totalmente. Colocar em recipientes individuais e levar ao frigorífico várias horas, até endurecer (a Elvira recomenda 6 horas).

Com as panna cottas no frigorífico, prepara-se a compota. Descascar a toranja e retirar todas as peles dos gomos (a ideia é, mesmo, que se desfaçam). Isto é chato e demora um bocadinho (para além de se ficar com sumo de toranja quase até aos cotovelos). Num tacho pequeno, levar a lume brando a toranja e o açúcar e mexer até que este esteja totalmente dissolvido. Depois, deixar em lume baixo para reduzir e caramelizar, mexendo ocasionalmente. Quando tiver a consistência espessa de uma compota, retirar do tacho para um recipiente de vidro e deixar arrefecer à temperatura ambiente.

Antes de servir, acrescentar uma generosa colher de sopa de compota a cada panna cotta e comer, lambendo a colher!

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Confesso que fiquei apreensiva relativamente ao sucesso da compota de toranja. Até à primeira colher. Mesmo com todo aquele açúcar, a compota preservou o amargo da toranja, numa textura caramelizada, que contrastou na perfeição com o doce baunilhado da panna cotta. Rendi-me. O Zé precisou de mais umas colheres para se convencer, mas acabou igualmente rendido. Missão cumprida!

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Mas que me conste também não cai neve em Nova Iorque. O tempo por cá está uma bela porcaria. Nada de praia, nada de passear na rua. Estamos em plena fronteira Outono-Inverno, com o dia cinzento e chuvoso, apesar de mais ou menos quente. Uma tristeza de Verão, portanto.

E para dias como este, em que a praia é para esquecer e se fica em casa a ver a chuva cair, nada como uma coisinha boa para levantar os ânimos. E se for fácil e der pouco trabalho, melhor ainda!

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Strawberry Fool (daqui)

  • 200g de morangos cortados em pedaços
  • açúcar em pó
  • 120ml de natas para bater
  • 120ml de iogurte grego

Ponha os morangos numa taça e polvilhe com açúcar (a quantidade vai depender da doçura dos morangos, mas como estes vão ser misturados a uma série de outras coisas eu aconselho a que os deixe bem docinhos). Deixe macerar uma meia hora, no frigorífico. Depois triture-os com a varinha mágica ou esmague-os com um garfo, até obter um puré. Eu esmaguei os meus com um garfo, para poder ficar com bocadinhos inteiros.

Bata as natas até estarem praticamente em chantili. Acrescente o iogurte e bata novamente, para misturar tudo bem. Junte o puré de morango e misture, deixando o mais homogéneo possível. Distribua por chávenas bonitas e com tons de Verão e leve ao frigorífico umas duas horas. Coma sentado à janela, a ver a chuva cair, com um livro cheio de sol.

Chove chuva, chove sem parar… Strawberry fool anyone?

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Nota: este não é o Strawberry Fool original. Esse é feito só com natas. Esta é uma versão mais leve e menos calórica.

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Esta receita estava há uns dias no meu del.icio.us quando as meninas do Colher de Tacho anunciaram o Rei da Vez:

Aproveitei um jantar com amigos como desculpa e pus mãos à obra. A receita é do site da Martha Stewart e está aqui.

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Galette de morango com creme de manjericão

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Creme de manjericão

  • 3/4 medida de natas (heavy cream – usei creme fraiche)
  • 1/3 medida de manjericão fresco picado
  • 2 colheres sopa açúcar
  • 3/4 medida de queijo mascarpone

 

Numa vasilha resistente ao calor, em banho-maria, misture as natas, o manjericão e o açúcar. Mexa ligeiramente até que o açúcar dissolva (aproximadamente 4min). Cubra com película aderente e leve ao frigorífico por, pelo menos, 1 hora (ou até 2 horas, para um sabor a manjericão mais pronunciado). Coe num passador de grelha fina. Junte o mascarpone e com um batedor de varas bata até formar picos médios. Cubra e leve ao frigorífico até à hora de servir (até 2 horas).

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Massa:

  • 2 e 1/2 medidas de farinha de trigo (mais para polvilhar as superfícies)
  • 1 e 1/8 colher chá sal
  • 1 colher chá açúcar
  • 1 medida de manteiga sem sal gelada (aproximadamente 110g) cortada em pequenos cubos
  • 1/3 medida + 2 colheres sopa água gelada (eu só usei 1/3 medida)

Num processador, pulse a farinha, o sal e o açúcar, para os misturar bem. Junte a manteiga, bem gelada e em cubos, e pulse até a mistura ter o aspecto de migalhas grosseiras. Adicione a água gelada, aos poucos, e vá pulsando até combinar (a massa deverá manter o aspecto de migalhas). Dê-lhe forma de um disco grosseiro, embrulhe em plástico e leve ao frigorífico por pelo menos 1 hora (ou até durante a noite).

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Galette:

  • 1/2 quilo de morangos
  • 1/4 medida + 1 colher sopa açúcar
  • 2 colheres sopa amido de milho (maizena)
  • 1 gema
  • 1 colher sopa água
  • 1 colher sopa de manteiga sem sal, gelada, cortada em pedacinhos

Estenda a massa, com ajuda de um rolo, numa superfície enfarinhada (se conseguir estendê-la directamente sobre a superfície onde a vai assar, melhor). Dê-lhe uma forma arredondada, sem se preocupar excessivamente com a perfeição (a graça da galette é o seu ar rústico).

Corte os morangos em fatias de 1/2cm de espessura. Quando cortados, misture-os com o 1/4 medida de açúcar e o amido de milho e disponha-os imediatamente, em círculos, ligeiramente sobrepostos, sobre a massa, deixando uma beira de 1 a 2 cm. Depois de todos os morangos estarem arranjados, dobre o excesso de massa sobre a fruta e leve ao frigorífico por 15 minutos (eu não levei).

Misture a gema e a água. Pincele a massa com esta mistura e polvilhe com 1 colher sopa açúcar. Ponha bolinhas de manteiga sobre os morangos. Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC, durante 40 minutos ou até a massa estar dourada. Sirva morno, com o creme de manjericão.

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A galette é muito saborosa, sobretudo feita com morangos bem madurinhos, que lhe acrescentam a doçura que lhe falta, pela pouca quantidade de açúcar que leva. O creme é forte mas com um sabor muito interessante e dividiu as opiniões: houve quem gostasse muito e quem não gostasse nada. Eu, que nem sequer gosto de queijo, gostei muito. Achei a combinação extremamente interessante.

A tradução acima não é exacta. A receita foi retirada do site da Martha Stewart mas seguida sem muita exactidão. Esta foi a que eu fiz e resultou muito bem. Gostei mais desta galette do que desta e acho que para o ano a farei novamente!

 

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