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Archive for the ‘Pêssego’ Category

Gosto de gelados de gelo, de pauzinho, de comer às trincas em dias muito quentes, quando nos escorrem pelo pescoço se demoramos mais tempo. Lembro-me regularmente dos Fás, aqueles gelados com sabores muito artificiais, que vinham dentro de tubos de plástico que tínhamos de abrir com os dentes e que se chupássemos muito intensamente ficavam só gelo branco, a saber a nada. Lembro-me de serem os únicos gelados que havia na serra para onde vamos desde os meus 3 anos, na lojinha pequenina no meio do insuportável calor de Agosto.

Entretanto os gelados de gelo mudaram e acompanharam os nossos paladares um bocadinho mais exigentes, que também já não se contentavam com um Fá de coca-cola. Por cá apareceram mais assertivamente os sorvetes, primos finos do gelado de pauzinho. Do outro lado do mar conheci a People’s Pops, que mistura chás e ervas a purés de frutas frescas, com pouco açúcar e muita criatividade. Os maravilhosos picolés da Fer do Chucrute com Salsicha ajudaram a atear o fogo à minha vontade de experimentar.

peach pops 2.

Gelado de pêssegos assados com gengibre

6 gelados pequenos

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Corte a meio 3 pêssegos bem lavados e retire-lhes o caroço. Disponha as metades, lado cortado para cima, num recipiente de forno. Na cavidade de cada um ponha meia colher de chá de açúcar amarelo e meia colher de chá de gengibre fresco ralado. Leve a assar por 30 minutos ou até que os pêssegos estejam macios e levemente caramelizados.

Com a varinha mágica, triture os pêssegos (casca e tudo) e o gengibre (se quiser retire parte do gengibre da cavidade dos pêssegos antes de triturar, para não ficar tão forte). Acrescente mais açúcar amarelo a gosto – lembre-se que ao congelar o doce vai ficar mais suave.

Distribua a mistura pelas formas e leve ao congelador até solidificar.

peach pops 1.

O sabor dos pêssegos, assados e levemente caramelizados, combina na perfeição com o gengibre. Estes levaram uma quantidade significativa de gengibre (aproximadamente 2cm de gengibre fresco), pelo que ficaram fortes e deixam na boca, no fim, um travo picante estranho (para um gelado) mas muito agradável. Têm sido companheiros deliciosos nestas tardes abrasadoras.

As formas não são as mais bonitas, mas são simples, práticas e baratas – encontrei-as no Ikea. Os gelados ficaram a parecer pequenas cenourinhas, imagem que me despertou imediatamente a imaginação, que já fervilha com novas ideias.

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Chove nuns dias, faz sol nos outros. A escola já aperta em trabalho mas a cabeça ainda se sente de férias. Já é Outono ou ainda o fim do Verão?

O fim dos pêssegos à vista fez com que enchesse a minha cesta com mais olhos que barriga e os coitados cá ficaram, a finar-se como o mês de Setembro, tristemente acompanhados de umas ameixas demasiado ácidas para a minha boca. Era urgente não desperdiçar os últimos gomos de Verão, o resto do sumo dourado e doce dos dias que se arrastam em raios de sol. Uma sobremesa com um pé na estação que entra e a saudade na estação que se vai, quente e fria e indecisa como estes últimos e primeiros dias.

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Cobbler de pêssego e ameixa

(imaginado a partir do da Patrícia)

recheio:

  • 90g açúcar branco
  • 2 colheres sopa de farinha de trigo
  • raspa de 1 limão pequeno (usei lima, que era o que tinha em casa)
  • ½ colher chá de gengibre em pó
  • ½ colher chá de canela em pó
  • 1 colher sopa de folhas de tomilho limão, fresco
  • 1kg de pêssegos e ameixas, cortados em gomos

cobertura:

  • 100g farinha de trigo
  • 2 colheres sopa de açúcar branco
  • 1 colher chá de fermento em pó
  • 30g manteiga com sal, gelada e cortada em cubos pequenos
  • 120ml de natas frescas
  • açúcar demerara para polvilhar

Pré-aqueça o forno a 190ºC. Unte com manteiga um recipiente de forno (usei um pirex) e reserve.

Para o recheio: num recipiente grande, misture o açúcar, a farinha, raspas de limão, canela e gengibre. Acrescente os pêssegos e ameixas fatiados e misture cuidadosamente, envolvendo-os bem na mistura de açúcar e especiarias. Disponha a fruta no recipiente de forno previamente untado. Polvilhe com as folhas de tomilho e reserve.

Para a cobertura: numa tigela, misture a farinha, o açúcar e o fermento. Adicione a manteiga e, usando as pontas dos dedos, esfarele-a com a farinha, para obter uma massa semelhante a migalhas. Acrescente as natas e misture com um garfo, até ter uma massa macia – pode precisar de acrescentar mais farinha; se for o caso, faça-o uma colher de sopa de cada vez. Leve ao frigorífico durante 10 minutos.

Retire a massa do frigorífico. Com ajuda de uma colher de sobremesa, faça pequenas bolas de massa e disponha-as sobre a fruta – não se preocupe se não cobrir todo o recheio. Polvilhe com o açúcar demerara e leve a assar, 30-40 minutos ou até que a massa esteja dourada e o recheio esteja a borbulhar. Retire do forno e deixe arrefecer 10 minutos. Sirva simples ou com uma bola de gelado de nata.

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O cobbler foi feito para o almoço e pouco sobrou para a fotografia. Estava em pleno esforço criativo quando vejo uma pata entrar pelo enquadramento – só tive tempo de disparar e dar uma palmadinha no gato atrevido. Salvou-se a última taça, que me fez companhia no sofá, neste domingo dividido entre o descanso e o trabalho de preparação da semana. Parece que chegámos mesmo ao fim das férias.

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Um bolo que passa de mão em mão, que corre cozinhas e pratos e enche de sorrisos gulosos quem o prova. Da Deb para mim, para a Moira e de volta para mim. Farinha, açúcar, frutas pequenas. Manteiga que suja as mãos que untam o prato que recebe o bolo. Alquimia fácil, sem truque de magia, mas que com magia se parece.

Bolo que se faz em 10 minutos, assa em 30 e se come no piscar de um olho. Bolo que se presta a ideias e invenções, a misturas ousadas de sabores ou ao conforto dos velhos conhecidos. Desta vez, pêssegos pequeninos dados pela Senhora Maria, a velhinha simpática da Ponte, que conta na cara as histórias que já viveu. Que nos recebe sempre com um sorriso, um ralhete de quem já não nos vê há quase um ano. E que nos enche as mãos de frutos, de lenha miúda para a fogueira, as idas à água de conversas. Peguei nos pêssegos, últimos cheiros do Verão, e misturei-lhes cheiros quentes de Outono. Um bolo aromático e delicioso, de despedida.

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Bolo de pêssego, cardamomo e tomilho

  • 85g manteiga sem sal, à temperatura ambiente (e mais um bocadinho para untar o prato)
  • 188g farinha
  • 1 ½ colher chá de fermento
  • ½ colher chá de sal
  • 150g + 2 colheres sopa de açúcar branco
  • 40g açúcar mascavado
  • 1 ovo grande (ou 2 pequenos)
  • 118ml leite
  • 1 colher chá de extracto de baunilha
  • 1 pitada de tomilho seco
  • 2 vagens de cardamomo
  • 400g de pêssegos, descascados e cortados ao meio

Pré-aqueça o forno a 165ºC. Unte com manteiga uma forma de tarte ou um prato de pirex.

Num almofariz, moa o tomilho e o conteúdo das 2 vagens de cardamomo.

Num recipiente, misture a farinha, o fermento e o sal. Acrescente 2 pitadas da mistura de tomilho e cardamomo e reserve.

Com a batedeira, bata bem a manteiga com o açúcar, até obter uma massa pálida e fofa. Adicione o ovo, o leite e a baunilha e bata até estar homogéneo.

Acrescente a mistura de farinha gradualmente, e vá misturando com uma colher de pau. Não bata a massa demasiado.

Deite a massa na forma previamente untada. Disponha os pêssegos, com o lado do corte para baixo, enterrando-os ligeiramente na massa. Ponha-os numa só camada. Polvilhe com as restantes 2 colheres de sopa de açúcar e mais uma pitada de tomilho seco e leve ao forno até que um palito saia seco. Isto vai depender muito do forno – no meu demorou 30 minutos.

 

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Este é um bolo diferente, mais apreciado pelos crescidos. Pode ajustar a quantidade de especiarias, caso seja grande apreciador. A massa fica perfumada e, junto aos pêssegos, ligeiramente cremosa. Uma perfeita sobremesa, que comemos ao almoço do último domingo de Agosto.

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adeus aos pêssegos

Eu gosto muito de fruta. Muito mesmo. Tanto que acho que era capaz de viver só de fruta. Até este ano, a única fruta de que não gostava era o figo. Felizmente o Algarve fez-me abrir os olhos e desde lá já devorei alguns quilos deles, deliciada com a descoberta. O paladar também cresce, pois claro.

Gostar tanto de fruta faz com que raramente cozinhe com ela. A verdade é que, para mim,  o resultado final nunca suplanta a maravilha da fruta crua. E é por isso que quase nunca o faço. Os quilos de mirtilos que entraram cá em casa este ano tinham, também, como destino uns muffins e um gelado, mas foram todos comidos crus. Os morangos, os maracujás, as nêsperas, os pêssegos, os figos. Passo o ano à espera deles e sabem-me tão bem ao natural que acabo por ser incapaz de os cozinhar. Mas de vez em quando apetece e lá fujo à regra.

No outro dia tive uma sessão de cozinha cá em casa, com a Cláudia (que viaja amanhã!), e para a sobremesa fizemos a panna cotta do costume, receita da Elvira. Estávamos nós a fazer o coulis de maracujá para acompanhar a panna cotta quando um vizinho fica preso no elevador. Desce escadas liga para o condomínio liga para o apoio sobe escadas… o coullis tinha queimado. Era preciso improvisar.

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Panna cotta com doce de pêssego e tomilho

Ingredientes
(para 4 pessoas)

  • 400ml de natas
  • 1 vagem de baunilha
  • 40g açúcar
  • 3 folhas de gelatina
  • 2 ou 3 pêssegos
  • açúcar a gosto (consoante os pêssegos)
  • tomilho (fresco ou seco)

Comece pela panna cotta, que tem de ir ao frigorífico pelo menos 6 horas.

Num recipiente, hidrate a gelatina num pouco de água e reserve.

Numa panela pequena, misture as natas, o açúcar e as sementes de baunilha (abra a vagem e raspe levemente com o lado rombo da faca para remover as sementes). Junte também a vagem vazia. Leve a fogo brando, mexendo sempre até ferver.

Retire então do fogão e deixe repousar 10 minutos. Retire a fava de baunilha (pode, depois, lavá-la e secá-la e aproveitá-la para fazer açúcar baunilhado ou mesmo extracto de baunilha). Escorra muito bem as folhas de gelatina, retirando-lhes o máximo de água possível. Junte-as às natas, mexendo bem com um batedor de varas (mas sem bater!), para que se dissolva completamente.

Distribua as natas por recipientes individuais e leve ao frigorífico, pelo menos 6 horas.

Corte os pêssegos em pedaços pequenos e coloque numa outra panela. Junte açúcar a gosto (eu juntei 1 colher de sopa mal cheia por cada pêssego) e leve a lume brando para cozinhar, mexendo de vez em quando.

Quando o pêssego já estiver ligeiramente mole, esmague com uma colher, mas sem o desfazer completamente. Junte então o tomilho (se for seco não junte muito, já que o sabor é mais forte) e mexa, envolvendo bem. Deixe cozinhar até obter uma consistência quase de compota.

Sirva frio ou morno, por cima da panna cotta.

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Gosto muito de panna cotta porque se presta a muitas variações. Pode ser aromatizada com sabores que não a baunilha e acompanhada de molhos ou compotas variados. O doce de pêssego foi um contraste perfeito para a panna cotta, com o tomilho a dar um toque especial ao conjunto. Quase apetece agradecer que o vizinho tenha ficado preso no elevador.

Os pêssegos estão a acabar e agora só para o ano. Mas antes ainda vou fazer esta compota, para quando as saudades do Verão me baterem cá dentro.

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Contei aqui que fiz a geléia de pêssego com especiarias da Agdá. Na verdade o que eu fiz foi uma compota de pêssego com especiarias, porque ficou tão espessa que só pode mesmo levar esse nome.

Nunca na vida tinha feito doce. Mas nestas rondas que por agora faço de feira e praça, onde falo com os agricultores e onde contacto mais com os hábitos das diferentes estações do ano, percebi a importância que, há anos, fazer compotas tinha nesta época. As frutas (e alguns legumes) estavam a acabar e ao mesmo tempo havia muitas, tantas que se estragavam antes de ser possível comê-las todas. No Inverno haveria muito menos fruta e o desperdício também era palavra proibida. E então, no fim do Verão, faziam-se compotas.

Não sei se na minha família alguma vez houve tradição de doce. Nunca foi coisa que eu comesse muito e à excepção de uma compota de morango ou framboesa era raro provar. A minha mãe gosta muito de doce de tomate, mas também não é ela que o faz. Por isso este hábito de transformar o fim do Verão nos doces que durariam até ao ano seguinte, mantendo a fruta (e o açúcar) presentes na mesa de Inverno, nunca fez parte da minha vida.

De onde, então, me veio esta quase necessidade de o fazer? Pois não sei. De um qualquer inconsciente colectivo, que todos temos, de saudades de umas raízes que não conheci e de um tempo que não vivi, talvez. Sei que mal vi a receita da Agdá soube que teria de a fazer – porque uma cisma é pior que uma doença. E se a paciência me falta, a teimosia sobra-me.

Comprei os frascos, bonitinhos (mas grandes demais), que esterilizei e guardei. Segui à risca a receita da Agdá, à excepção do gengibre, que não encontrei. Fiz 6 medidas de pêssego e 3 de açúcar. Rendeu-me quase 750ml de compota, três frascos. Um foi-se nas tarteletes, outro dei-o à minha mãe e o terceiro por cá anda, no frigorífico. Tem abrilhantado alguns pequenos-almoços, em que ao iogurte grego junto uma colher de sopa bem cheia do doce (que ficou espesso, espesso), ou a fazer lanches mais coloridos, sobre torradas.

Foi a primeira vez que fiz doce e deixei-o mais grosso do que o queria. Mas a cozinha cheirou a pêssego e a canela e a cravinho durante dias. E a satisfação de fazer doce foi maior do que a chatice que foi estar sobre a panela ao lume durante quase uma hora. Foi a primeira vez, mas não foi a última!

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Todos os dias leio vários blogues. Já não tantos como lia há alguns meses, mas muitos mesmo assim. E vou encontrando muitas ideias interessantes, aqui e ali, que guardo numa caixinha virtual – o del.icio.us.

Dentre os vários blogues que leio todos os dias, há alguns que se destacam pela constante qualidade e criatividade. E para esta receita foram importantes três blogues em particular, todos com donas muito criativas: o Chucrute com Salsicha, o Three Fat Ladies e o Agdá. Estes blogues são dos meus favoritos neste microcosmos culinário da blogosfera e conseguem, constantemente, surpreender e deixar-me a fervilhar de ideias.

Esta receita foi construída aqui e ali. Precisava de um doce para levar para um encontro de amigos e queria fazer algo diferente. Como tinha feito no dia anterior esta maravilhosa compota de pêssego e especiarias da Agdá e como tinha guardado há pouco tempo esta tarte de figo da Fer e esta tarte de figo da Pipoka (que são a mesma tarte, com ligeiras variações), resolvi combinar as três e fazer umas tarteletes. Fiz uma receita e meia de massa e mantive a quantidade original do creme de mascarpone (as quantidades abaixo são as que eu usei).

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Tarteletes de compota de pêssego e mascarpone em massa de farinha de milho e lavanda

Para a massa:

  • 2  ¼ medidas de farinha de trigo
  • ¾ medida de cornmeal (seguindo o conselho da Fer, eu usei a da polenta, que é mais grossa)
  • 1 ½ colher sopa de açúcar
  • ¼ colher chá de sal
  • 170g manteiga sel sal, cortada em cubos
  • 1 ½ colher chá de lavanda
  • 8-10 colheres sopa de água gelada

 

Para o recheio:

  • 200ml de compota de pêssego
  • 1 medida de créme fraiche
  • 250g queijo mascarpone
  • ¼ medida de açúcar
  • 2 colheres chá de raspas de limão

A massa deve ser feita com o mínimo de manipulação possível, para ficar esfarelenta e não dura. No processador, misturar as farinhas, o açúcar, o sal e a lavanda. Juntar a manteiga (quanto mais gelada melhor) e pulsar até obter uma mistura com aparência de migalhas. Colocar água bem gelada aos poucos (2 colheres de cada vez) até a massa estar relativamente consistente. A massa deve dar liga, mas esfarelar facilmente entre os dedos.

Forrar formas de tarteletes individuais com a massa, apertando bem com os dedos até obter a grossura pretendida. Com estas quantidades consegui 24 tarteletes. Levar as formas com a massa ao frigorífico por pelo menos 30 minutos. Assar em forno pré-aquecido a 170ºC durante 20 minutos. Retirar do forno e deixar arrefecer cinco minutos. Retirar depois das formas e deixar arrefecer completamente (de preferência sobre uma grade).

Para preparar o recheio é só misturar bem todos os ingredientes, num recipiente.

Como não iria ter muito tempo, segui os conselhos das meninas e fiz e assei as formas num dia, preparei o creme e guardei-o no frigorífico e no dia seguinte, de manhã, recheei: no fundo de cada tartelete coloquei uma colher de sopa de compota de pêssego. Com a parte de trás de uma colher, gentilmente, espalhei a compota. Por cima o creme, até encher as caixinhas. Decorei com uma fatia de pêssego.

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(chão fotogénico e gata curiosa dá nisto!)

 

As tarteletes foram um sucesso. A delicadeza do creme contrastou na perfeição com o doce da compota, perfumada de especiarias. A massa é menos delicada do que o habitual, pela presença do cornmeal e tem uma crocância diferente que é muito interessante.

Quero ainda agradecer muito à Marizé, sem a qual esta receita não teria sido possível. As flores de lavanda que eu usei vieram directamente do jardim dela, num embrulho muito carinhoso, a acompanhar outras coisas boas! Obrigada, amiga!

Esta receita senti-a como se feita a várias mãos, todas elas de pessoas que me são muito queridas. Obrigada Fer, pipoka, Agdah e Marizé. Esta foi para vocês!

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