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Archive for the ‘Salsa’ Category

Sempre ouvi dizer que a cenoura faz os olhos bonitos. E podia começar a falar da vitamina A, que é realmente benéfica para a visão. Mas é muito mais bonito ignorar estes pormenores técnicos e pensar que as cenouras têm qualquer propriedade mágica que dos nossos olhos faz olhos de gato, capazes de ver no escuro.

Eu sempre gostei muito de cenoura. Crua, principalmente. De a descascar de leve e comer, inteira, à mão, a roer trinca atrás de trinca. E ralada, nas saladas. Apesar de não gostar nada do trabalho de a ralar.

Há uns anos, ainda o blog não era sequer projecto, fiz uma lasanha de bacalhau com molho de cenoura, em vez de tomate. E ficou tão boa, tão boa que nunca mais me esqueci. Ainda era no tempo em que se podia comer bacalhau ou que se comia porque não se sabia que ele estava ameaçado. Nunca mais a repeti, porque agora não compro bacalhau. Mas um dia destes faço Natal antecipado e compro um bocadinho só para refazer a lasanha.

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Nestas férias no Alentejo foi-nos servido, num jantar, uma entradinha de cenoura. Era simples, muito simples, mas tão saborosa, comida com pão alentejano enquanto esperávamos pelo jantar, que eu sabia que tinha de a replicar. Às vezes as coisas mais simples são as mais difíceis de reproduzir. Mas esta não. Esta era fácil. E foi companhia num jantar leve, ainda de férias mas já em casa.

Aperitivo de cenoura

Cortei duas cenouras em pedaços pequenos e não muito grossos, para que cozinhassem depressa. Numa frigideira grande, um gole generoso de bom azeite. Pus as cenouras na frigideira, em lume médio, e deixei cozinhar até que estivessem ligeiramente moles. Acrescentei então dois dentes de alho muito picados e os talos de um ramo de salsa e outro de coentros, picadinhos em rodelas finas. Não usei as folhas, só mesmo os talos, muito bem lavados e picados. Deixei mais uns cinco minutos, em lume baixo. Temperei com sal (não uso pimenta, mas quem quiser esteja à vontade) e servi com torradinhas de pão saloio.

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Estava uma delícia. No fim, o azeite alaranjado do fundo da taça serviu para embeber uns bocadinhos de pão e escorrer por entre os dedos. Além de saborosa, é uma entrada muito fácil e aproveita os talos da salsa e dos coentros, aqueles mais duros, que tantas vezes acabam no lixo.

Foi um bocadinho das férias longe trazido para as férias perto. E que vai aparecer de vez em quando na nossa mesa.

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Já há algum tempo que deixei de cozinhar ao domingo à noite, de duas em duas semanas, a receita de 4 por 6 a ser publicada no dia seguinte. Era sempre uma correria, um stress, um não saber bem que fazer, os dois sentados na cozinha, um de computador, outra de faca. Comecei a guardar receitas que ia fazendo e que me pareciam encaixar-se nos princípios da ideia: receitas simples, baratas, equilibradas.

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Confesso também que tenho tido muito menos tempo do que há umas semanas atrás e que, por causa disso, tenho repescado algumas receitas. Mas faço-o com critério e tento escolher sempre coisas que encaixem em termos da refeição como um todo e que, para além disso, sejam das minhas favoritas. Não há mal nenhum em recordar coisas boas e eu não sou nada apologista de não repetir receitas. Aliás, acho que, mesmo com os milhões de coisas novas que ainda não experimentei e que vou encontrando todos os dias pelo mundo culinário fora, nunca deixarei de comer arroz de atum, sopa de lentilhas ou lasanha de carne.

Para começar, a receita repetida: uma salada de legumes grelhados, fresca e bem temperada, como se querem as saladas. Gosto muito dela – para além de ser muito versátil, pode ser preparada com antecedência. Grelham-se todos os legumes e guardam-se no frigorífico, numa caixa bem fechada, até à altura de usar. Aguentam-se uns dois, três dias assim.

Salada de legumes grelhados II

Salada de legumes grelhados

Ingredientes

  • 1 beringela média
  • 2 courgettes pequenas (são mais saborosas e tenras)
  • 1 pimento vermelho médio
  • 1 alface pequena
  • azeitonas pretas
  • azeite
  • vinagre balsâmico
  • sal
  • alecrim
  • hortelã

Corte a beringela, as courgettes e o pimento em tiras não muito grossas. Coloque-as numa vasilha e regue-as com um duas colheres sopa de azeite, sal grosso e alecrim picado. Envolva bem e grelhe (no forno, no grelhador de fogão ou no das tostas), de ambos os lados, até que estejam tenras mas não completamente cozidas. Retire, deixe arrefecer um pouco e corte em pedaços mais pequenos. Reserve.

Lave bem a alface, seque muito bem e corte em tiras. Coloque nos pratos, fazendo camas para os restantes vegetais.

Faça uma vinagrete com azeite, vinagre balsâmico e acrescente-lhe três ou quatro folhas de hortelã finamente picadas. Coloque então os legumes grelhados sobre a cama de alface, regue com a vinagrete e polvilhe com as azeitonas descaroçadas e cortadas em rodelas finas.

Salada de legumes grelhados I

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Para prato principal, uma receita adaptada, outra vez, da Olive de Maio 2009. Acho que nunca uma revista me prendeu desta forma nem me fez fazer tantas receitas de um só número. Estou rendida.

A receita original usa ovos escalfados, coisa de que não sou muito fã. Então resolvi pegar nos ingredientes e fazer uma espécie de huevos rotos, de que gostamos muito.

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Ovos rotos

Ingredientes:

  • 600g de batatas novas
  • 80g de bom chouriço (usei um de Barrancos muito saboroso)
  • 6 ovos
  • salsa
  • azeite
  • sal

Comece por preparar as batatas: corte-as ao meio e, se muito grandes, em quartos (eu usei batata nova, do género das fingerling). Coza-as então em água temperada com sal, até que estejam tenras mas nã completamente cozidas. Escorra bem e reserve.

Numa frigideira larga, aqueça 3 colheres sopa de azeite e frite as batatas que cozeu, virando para que dourem de todos os lados. Acrescente o chouriço cortado em tiras finas e deixe fritar 1 minuto, mexendo de vez em quando. Abra um espaço no centro, acrescente 1 ou 2 colheres de azeite e estrele os ovos, deixando a clara tostar ligeiramente dos lados, mas sem que a gema fique rígida. Desfaça-os então, com a ajuda de duas colheres de pau, e misture-os com as batatas e o chouriço. Sirva de imediato, polvilhado de salsa picada.

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Não sendo propriamente saudável, deve ser comida em pequenas quantidades (e daí a inclusão de uma salada tão substancial, como entrada). Mas os sabores misturam-se e combinam tão bem que, ocasionalmente, é um pecado perdoável, uma pequena indulgência. Sabe-me sempre a Espanha, a tapas comidas em noite quente.

Para sobremesa, ainda há espaço no orçamento para umas cerejas, nacionais, que já andam por aí, doces e a saber a Verão.

E venham então as contas:

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Não estão incluídos a salsa, o alecrim e a hortelã porque vêm directamente dos vasos na minha varanda. Os ovos incluídos são um pouco mais caros do que os ovos mais baratos do Continente porque são ovos de galinhas criadas em liberdade e ao ar livre. Normalmente compro ovos caseiros aos lavradores que encontro no mercado. Quando, por alguma razão, tenho de os comprar no supermercado, evito sempre os de aviário. Além de não serem tão nutritivos, são postos por galinhas engaioladas, que vivem em condições deploráveis. O sofrimento animal mexe muito comigo e, portanto, prefiro os ovos das galinhas felizes, como diz a Fer.

 

(nota: nas fotografias, a salada de legumes grelhados tem, para além de alface, rúcula. Aqui, por uma questão de preço, omiti a rúcula. Mas se houver espaço no orçamento, poderá incluí-la. Pode, inclusivé, enriquecer a salada, diminuindo a quantidade de alface e misturando outros verdes, como espinafres, canónigos, rúcula ou agriões)

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A primeira ronda 4 por 6 terminou na passada sexta-feira. Olhando para todas as ideias publicadas (podem vê-las aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) e para todos os comentários acho que foi uma primeira volta muito bem sucedida, cheia de ideias interessantes, dicas de poupança importantes e, sobretudo, de pratos saborosos. Meninas, parabéns!

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A segunda volta começa hoje e começa comigo. Como vocês já sabem, cá por casa come-se muito pouca carne. E, portanto, a ideia desta semana reflecte um pouco a nossa alimentação. Para além disso, não há melhor forma de poupar do que fazer algumas refeições vegetarianas: é incrível como o preço por refeição baixa se substituirmos a proteína da carne por uma proteína vegetal. Para além disso, é muito mais sustentável em termos ambientais, já que a produção de carne é muito mais poluente e muito menos eficiente. Se quiserem saber mais sobre dietas menos ricas em carne, espreitem este artigo do NYTimes. É muito interessante.

Mas, dizia eu, a refeição desta semana é vegetariana. Fomos novamente, eu, o Zé e o Excel para a cozinha e de lá saiu isto:

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Falafel & Couscous

Falafel com courgette

(receita daqui)

  • 400g de grão de bico já cozido
  • 200g de courgette ralada
  • 1 cebola
  • ½ colher chá de paprika
  • ½ colher chá de cominhos
  • ½ colher chá de fermento em pó
  • 1 ovo
  • 1 punhado de folhas de salsa (ou coentros)
  • migalhas de pão (2 pães secos finamente picados no processador)
  • sal

Coloque a cebola, a paprika, os cominhos e o fermento no processador e pulse até estar finamente picado. Junte a courgette e o grão-de-bico e pulse novamente para picar tudo grosseiramente. Finalmente, junte uma pitada de sal e a salsa e pulse o suficiente para que a salsa fique bem picada e distribuída (se os quiser mais desfeitos, pode pulsar mais, mas não é necessário).

Passe a mistura para uma tigela e adicione um ovo ligeiramente batido. Misture bem. Como a massa vai, agora, ficar demasiado húmida, acrescente migalhas de pão suficientes para formar uma massa moldável.

Faça bolas com a massa, passe em mais pão picado (ou em pão ralado, se preferir) e frite em óleo bem quente. Pode também congelá-las antes da fritura, como faria com croquetes.

 

Couscous com legumes grelhados
Ingredientes:

  • 1 beringela grande (400g)
  • 1 pimento vermelho grande (250g)
  • 2 tomates médios (300g)
  • 250g de couscous
  • 2g de hortelã
  • 40g de amêndoas com casca
  • sumo de 1 limão pequeno
  • azeite
  • sal

Corte a beringela em rodelas grossas e o pimento em fatias. Grelhe-os num grelhador (o das tostas mistas ou no grelhador de fogão) até estarem tenros (cuidado, a beringela cozinha muito mais depressa que o pimento). Retire-os para um prato, retire a pele ao pimento, corte-os em pedaços, regue com uma colher de sopa de azeite e reserve. Coloque o couscous numa tigela e despeje sobre ele o dobro do volume de água a ferver (1 chávena de couscous = 2 chávenas de água a ferver). Mexa com um garfo e deixe abrir. Corte os tomates em cubos e adicione aos legumes grelhados. Corte as amêndoas em lâminas e torre-as ligeiramente numa frigideira limpa, bem quente. Adicione aos legumes grelhados. Entretanto, faça o molho: pique finamente a hortelã e coloque-a numa tigela. Acrescente uma pitada de sal fino, o sumo de um limão pequeno e o dobro da quantidade em azeite. Bata bem até emulsionar. Entretanto o couscous já abriu. Misture os legumes e as amêndoas ao couscous e envolva bem. Acrescente o molho e misture.

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Cá em casa o couscous é ponto de discórdia: eu adoro, o Zé detesta. Mas ontem lá fez o sacrifício, pelo bem do 4 por 6. Os falafel estavam muito bons, crocantes por fora e húmidos por dentro, e muito saborosos. As amêndoas deram ao couscous um toque crocante e a hortelã um toque aromático. Foi uma refeição leve e completa, que não perdeu em nada pelo facto de não ter proteína animal. Aliás, o grão-de-bico é muito rico em proteínas e pobre em gorduras, sendo as que contém, na sua maioria, polinsaturadas (ao contrário da carne).

Como o prato principal foi leve e barato, sobrou ainda espaço, na barriga e no orçamento, para uma sobremesa mais rica:

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Soufflé de chocolate
(receita daqui)

Ingredientes:

  • 1 colher sopa de manteiga para untar os ramequins
  • 75g de açúcar mais algum para os ramequins
  • 60g de chocolate de boa qualidade, derretido
  • 3 ovos
  • 1 pitada de sal
  • ¼ colher de chá de cremor tártaro (à venda em algumas farmácias; obrigada Marizé!)

Pré-aqueça o forno a 177ºC. Unte 4 ramequins pequenos com manteiga e polvilhe-os com açúcar, removendo o excesso.

Bata as claras com o sal e o cremor tártaro até que formem picos suaves. Continue a bater e adicione, gradualmente, 1 colher sopa de açúcar (retirado às 75g). Bata até que estejam brilhantes e bem duras. Retire para uma tigela, gentilmente para não quebrar, e reserve.

Bata as gemas com o restante açúcar, até obter uma massa leve e espessa. Adicione o chocolate derretido e misture até que esteja homogéneo. Acrescente uma boa colher das claras e bata bem, para aligeirar a mistura de chocolate. Acrescente as restantes claras e, com uma espátula de borracha, envolva-as suavemente, com movimentos redondos, tentanto ao máximo não as quebrar.

Transfira o preparado para os ramequins, enchendo-os até ao topo. Leve ao forno por 12-14 minutos. Sirva de imediato.

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Foi a primeira vez que fiz soufflé. E, claro está, plantei-me, rabo no chão, em frente ao forno a vê-los crescer. E cresceram! Mas minutos depois de os tirar do forno já tinham murchado. Felizmente ainda os consegui apanhar, “suflados” e lindos, para a fotografia. Esta receita faz 4 soufflés pequenos, ideais para uma sobremesa ligeira, e são muito fáceis de fazer. E mesmo que não fiquem bonitos, continuam a ser deliciosos.

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Vamos, então, a contas:

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Na contabilização de preço não estão incluídos o azeite, sal, paprika, fermento e cominhos porque são daquelas coisas que tenho sempre em casa. A salsa não está por esquecimento, mas tenho a certeza que os 0,35€ que sobraram seriam suficientes para colmatar essa falha.

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Era hora de almoço e a barriga a dar horas. Não havia sopa, não havia pão, não havia das tortillas que há sempre. Não me apetecia ter trabalho e o estômago queixava-se.

A cabeça fugiu para uma salada de orzo que tinha visto e as mãos puseram água a ferver. Entretanto, a meio do caminho, lembrei-me que havia arroz no frigorífico, que tinha sobrado e que era preciso comer – detesto deitar comida fora. O orzo transformou-se assim, em arroz, e a salada foi-me saindo das mãos sem a cabeça pensar muito.

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Numa frigideira com um fio de azeite e um dente de alho picado bem fininho, salteei ligeiramente dois corações de couve, comprados na praça, de couves que não tinham crescido e começaram a espigar. Cortei-os em tiras fininhas e passei-os no azeite. Uma cenoura em palitos igualmente finos, diagonais, e uns minutos de calor, não muito para que se mantivessem crocantes. Entrou o arroz, uma medida mal cheia. Pouco tempo na frigideira, só para lhe tirar o frio do frigorífico e o deixar absorver os sabores. Passei tudo para uma taça e reservei. A frigideira voltou ao fogo e nela umas amêndoas, com casca, cortadas em lâminas grosseiras, para que torrassem ligeiramente. Amêndoas para a taça, mais umas quatro azeitonas descaroçadas e picadas. Duas colheres bem cheias de azeite, sumo de meio limão, muita salsa picada (da próxima vez, hortelã em vez de salsa). Bater até emulsionar e deitar sobre a salada. Misturar bem, uma pitada de flor de sal e servir.

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A salada soube-me a sol na pele, a países quentes do médio oriente. Comi sentada ao sol, livro na mão, acompanhada de um sumo de ananás com hortelã, o meu preferido.

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Cá em casa os risottos são sempre aldrabados. Mas são algo a que recorremos com alguma frequência, quando não há nada planeado, quando está frio ou simplesmente quando nos apetece.

Esta receita descobri numa Good Food, revista que compro sempre que encontro. Já o fiz há algum tempo e nunca mais repeti. Mas devia, porque ambos gostámos muito do resultado. Tem a grande vantagem de ser feito no forno e, como tal, não implica que esteja ali, de barriga colada ao fogão, a mexer interminavelmente até que o arroz esteja pronto. Que, vamos concordar, é a parte mais irritante de fazer risotto.

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Risotto de pimento vermelho, feito no forno
(ligeiramente adaptado da revista Good Food)

Ingredientes:

  • 1 colher sopa de azeite
  • 1 cebola picada
  • 300g de arroz para risotto
  • 100ml de vinho branco (opcional, pode usar-se mais caldo)
  • 400g de tomate pelado (de lata)
  • 200g de pimento vermelho assado e pelado
  • 75g bacon cortado em cubinhos
  • 500ml de caldo de legumes
  • salsa picada
  • parmesão para servir (opcional)

Pré-aqueça o forno a 200ºC.

Numa panela que possa ir ao forno (usei uma de ferro), aqueça o azeite e frite a cebola até estar translúcida. Acrescente o bacon e frite mais uns minutos, sem deixar queimar. Acrescente o arroz, misture bem e deixe fritar durante 1 minuto. Acrescente o vinho e mexa até que o líquido seja todo absorvido. Junte então os tomates, pimentos e 400ml do caldo de legumes. Cubra e leve ao forno por 25 minutos, até que o arroz esteja tenro e cremoso.

Antes de servir, misture o restante caldo de legumes e a salsa picada, polvilhe com lascas de parmesão e sirva.

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O nosso arroz não levou parmesão, por razões óbvias. Também não levou salsa porque não havia, mas levou umas (poucas!) folhinhas de manjericão cortadas bem fininho. De tanto esperar e andar, acabou por ficar um pouco seco e na fotografia não parece tão delicioso como estava. Falta-lhe o caldo do risotto. Mas não estava nada empapado e a falta de caldo não diminuiu em nada o prazer com que o comemos.

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Há muitos anos, vi num programa do Rick Stein, nos tempos em que o People&Arts ainda dava programação culinária (e boa!), uma receita de pasta com peixe. Era do mais simples possível e ele fazia-a para alimentar mais de 10 pessoas, numa imensa frigideira, sobre um churrasco ou um fogão de viagem (não me lembro bem). Os ingredientes eram básicos: peixe com boa consistência, alho, malagueta, spaguetti e muita salsa.

Na semana passada, ao folhear um dos livros que o Zé me trouxe de Sydney, encontrei uma receita igualzinha, pela mão do Bill Granger, o chef aussie do momento. Para ajudar à festa, o Rei da Quinzena, esta quinzena, é a pimenta. Estava decidido. É desta que participo e é desta que faço a dita receita.

As coisas começaram a não correr tão bem quando vi que estava um bocado limitada nos ingredientes e que não ia ter tempo de passar no supermercado. Mas tudo bem, a improvisação é mãe da criatividade e por isso decidi ir em frente.

Não segui a receita do Bill Granger à risca. A do Rick Stein menos ainda, uma vez que a memória já lhe deve ter dado tantas voltas que mesmo que quisesse não conseguiria. Mas mantive (quase) todos os ingredientes-base. Digo quase porque não havia salsa. A substituição por manjericão resultou num sabor agradável, mas completamente diferente do esperado. Por isso eu não aconselho a substituição e vou falar da receita sempre com salsa.

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Peixe, pimenta, alho e salsa

Ingredientes

(para duas pessoas)

  • 200g peixe (peixe branco e carnudo: tamboril, cherne, filetes de pescada)
  • 150g camarão descascado (ou miolo de camarão)
  • 2 ou 3 malaguetas (piri-piri)
  • 2 ou 3 dentes de alho
  • 250ml de vinho branco
  • 150ml caldo de legumes
  • 1 colher sopa polpa de tomate
  • azeite
  • sal
  • salsa

Numa panela, aloure um dente de alho e uma malagueta, picados. Junte 150ml de vinho e o peixe e deixe cozinhar. Quando o peixe estiver quase pronto, junte os camarões. Quando ambos estiverem cozinhados mas ainda com boa consistência (o peixe não deve começar a desfazer-se), retire-os com uma escumadeira. Leve a panela novamente ao lume. Junte aos líquidos sobrantes o caldo de legumes e a polpa de tomate. Reduza até ficar com um molho mais espesso (vai obter uma pequena quantidade de molho, mas a ideia é mesmo essa).

À parte, coza a pasta. Deve ser spaguetti ou linguini, massa fina e comprida. Quando esta estiver quase no ponto, leve ao lume uma frigideira com azeite e aloure dois dentes de alho em lâminas muito finas e duas malaguetas em pedaços (estas sem sementes), tendo o cuidado de não deixar queimar o alho. Junte o peixe e os camarões reservados e, em seguida, o restante vinho branco. Deixe apurar, com cuidado para não cozer demasiado. Junte o molho reduzido, a pasta escorrida e misture bem. Deixe que os sabores envolvam a pasta e, quase no fim, junte uma mão bem cheia de salsa picada (de preferência, em chiffonade). Sirva imediatamente.

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Eu, como já disse, não tinha salsa. Mas este prato tem de ser feito com salsa. Além disso, a falta de hábito no uso de malagueta na comida fez com que eu exagerasse um bocadinho e ficássemos com a boca em chamas durante boa parte da noite. Na receita já reduzi a quantidade, mas isto fica, obviamente, ao gosto de cada um. Pode ser feito com peixe fresco ou congelado, o mesmo se aplicando ao camarão. Claro que o uso de produtos frescos é muito melhor para a saúde e garante muito mais sabor, mas isso nem sempre é possível.

Apesar destes pequenos problemas, resultou num prato muito agradável, leve (porque não tem praticamente molho ou gordura) e simples de fazer. Foi a minha primeira participação no Rei da Quinzena, espero que gostem!

Já agora, partilho com vocês o segredo que me ensinou o senhor que me vendeu as malaguetas (que é o mesmo que me vendeu as favas): para as conservar melhor e mais tempo, o ideal não é secá-las. É guardá-las no congelador, na gaveta do gelo. Quando se precisa de uma, é só tirar, sem descongelar nem nada, e usar! Olhem as minhas tão bonitinhas! Até a Nina resolveu ir espreitar!

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Eu queria pedir desculpas à Valentina e à organização do Rei da Quinzena (na pessoa dela e das outras talentosas blogueiras) pelo facto de esta receita ser praticamente igual à contribuição pessoal da Valentina para esta Quinzena. Eu não tinha visto e tratou-se, portanto, de uma enorme coincidência. De qualquer forma, achei que poderia ser uma coincidência desagradável e quis deixar as minhas desculpas.

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