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Archive for the ‘Pesto’ Category

Não gosto de desperdício. O meu frigorífico tem permanentemente caixas e caixinhas com coisas que sobram, para serem aproveitadas em refeições vindouras. Muito pouco se deita fora cá por casa e quando alguma coisa tem mesmo de ir para o lixo a consciência pesa-me. Às vezes isto toma proporções exageradas e um pouco tontas; como nos meses que se seguiram a ter aprendido a confeitar casca de laranja, quando me custava comer uma e deitar as cascas fora. Até a nossa insanidade merece ter limites.

Mas há que admitir: somos, cada vez mais, uma sociedade do desperdício – particularmente no que toca a alimentos. Há números verdadeiramente chocantes: 20% do nosso lixo é comida; 1/3 de toda a comida produzida no mundo acaba no lixo; 50.000 refeições são diariamente deitadas ao lixo, nos restaurantes do nosso país, enquanto 360.000 pessoas passam fome. É urgente mudar isto, pelas pessoas e pelo planeta que habitamos. E esta mudança pode e deve começar nas nossas cozinhas.

pesto de cenoura I

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Legumes assados com pesto de rama de cenoura

pesto

  • 150g rama de cenoura
  • 50g coentros (folhas e talos)
  • 2 dentes de alho
  • 100g amêndoas com pele
  • 150ml azeite
  • sal

legumes

  • 2 cenouras
  • 2 batatas doces
  • azeite
  • sal

Ligue o forno a 180ºC. Descasque os legumes e corte em rodelas de 0,5cm de espessura. Coloque numa assadeira, regue com um fio de azeite e polvilhe com sal grosso. Asse até que os legumes estejam macios, mas não demasiado moles.

Enquanto os legumes assam, prepare o pesto: lave bem a rama de cenoura e retire as extremidades mais grossas e duras dos talos. Coloque todos os ingredientes (menos o azeite e o sal) num processador de alimentos e triture bem. Acrescente uma pitada de sal e triture mais um pouco. Adicione o azeite em fio, com o processador ligado (se possível) e triture até obter uma pasta macia. Prove e acerte o sal. O pesto aguenta muito tempo no frigorífico, guardado em frasco esterilizado, coberto com um filme de azeite.

Quando os legumes estiverem assados, retire para uma travessa e acrescente colheres generosas de pesto, envolvendo bem. Sirva como acompanhamento ou como uma refeição vegetariana leve.

pesto de cenoura II

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Achei que esta receita não ia ser bem recebida, que haveria narizes torcidos e muitas sobras. Enganei-me – o marido adorou e já a repetimos muitas vezes. Fica maravilhosa só assim, com umas espirais de massa e umas folhas de rúcula a acompanhar ou com um peito de frango grelhado para uma refeição mais composta. Nunca mais a rama das cenouras, quando se apresenta verde e fresca, foi parar ao caixote do lixo.

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Pizza, na minha cabeça, é uma base, com molho de tomate, algumas outras coisas e mozzarella. E esta ideia cristalizada foi a única por muito tempo. Sempre torci o nariz àquela ideia das pizzas de sobremesa, com chocolate e frutas e até acho que o senhor que teve a ideia de usar ananás na pizza (na normal, não na de sobremesa – sim, porque esta nem sequer é pizza, digo eu) deveria ser chicoteado em praça pública*. De cada vez que me lembro que um primo meu pedia, quase sempre, a mesma pizza, que além da base-tomate-mozzarella levava ananás, kiwi e banana, o meu estômago prepara-se para uma revolta armada.

Mas às vezes brincamos com os ingredientes na cabeça e perguntamo-nos como é que os mesmos funcionariam, passados à prática. E às vezes – eu digo só às vezes! senão, lembremo-nos outra vez do fiasco do ananás! – as coisas resultam bem.

Foi o caso desta pizza. O Zé está para fora – outra vez. – e eu fiquei com uma quantidade absurda de massa de pizza no frigorífico. A receita é, como quase sempre, a da Cinara, com umas pequenas alterações nos temperos. A massa é deliciosa e tanto fica fofa se deixada alta como fica estaladiça se aberta bem fininha.

Que foi o que eu fiz: abri a massa bem fininha e por cima espalhei duas colheres de sobremesa de pesto de rúcula. Assim, como se fosse o dito molho de tomate. Por cima, um tomate bem maduro cortado em pedacinhos, uma cebola pequena dourada em azeite, mozzarella fresca rasgada à mão e um punhado de pecans em pedacinhos. E orégãos, claro! Foi ao forno a 200º, até estar estaladiça. Antes de servir, uma mão bem cheia de folhas de rúcula e um fio de azeite.

Ficou deliciosa. Fresca, leve e tão boa, foi um jantar solitário rápido e diferente. Acho que vou continuar a experimentar novas formas de fazer e comer pizza. Mas com ananás** é que não!

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*Obviamente, a autora deste post é contra qualquer forma de violência.

**E sim, eu sei que muita gente gosta dessa aberração que é o ananás na pizza.

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Bem… Eu prometi, não foi? Pois é. Mas desta vez é um pesto ligeiramente diferente. Da mesma marca, ainda. Quem me ler ainda pensa que estes senhores me pagam por tanta publicidade. E, embora fosse uma atitude simpática (*hint, hint*), não é o caso. A verdade é que os produtos deles são de excelente qualidade e quando vi mais este, novo, nas prateleiras, não pude resistir. Este, também em frasquinho, é pesto de rúcula. Que, feito em casa, é dos meus favoritos, sobretudo se feito com nozes em vez de pinhões, dos quais, confesso, não sou grande fã. Gosto do azedinho da rúcula, mais suave e subtil que o dominante sabor do manjericão. Estava guardado à espera da experiência.

Em mais um dos meus solitários almoços, então, abro eu o frasco. Como este pesto não é 100% de rúcula, tem também uma percentagem de manjericão (relativamente pequena, mas relevante para o sabor, ainda assim), confesso que me desiludiu. Não como pesto em si, mas como pesto diferente do tradicional. Na verdade, o sabor é praticamente igual ao do outro pesto. Não me lembro se haveria diferença de preço, mas de sabor praticamente não há. Portanto, pesto de rúcula continuarei a fazer o meu, em casa.

Outra experiência falhada foi a pasta usada neste prato. Há uns dias dei por mim sem pasta em casa. Como passei, por esses dias, por um Lidl para ir comprar iogurtes, trouxe de lá uma caixa de tagliatelle para desenrascar. Da primeira vez que a cozinhei o molho era mais forte e não foi tão perceptível o sabor da pasta. Desta vez, com o pesto (e pouco, que eu não gosto da pasta muito encharcada em molho), as azeitonas pretas aos bocadinhos e o parmesão ralado, senti o sabor da pasta perfeitamente. E, sinceramente, julgo que talvez tivesse sido mais saboroso pôr molho na caixa de papelão e comê-la. É verdadeiramente má e não volto, nunca mais, a comprá-la.

Esta refeição foi, portanto, uma desilusão. Salve-se a fotografia e uma ideia que, no futuro, com a pasta certa e o pesto de rúcula caseiro, dará, certamente, um prato delicioso.

E fica escrito, assim, o último post com pesto que tinha em arquivo. Mas prometo voltar à carga em breve. Até porque o Zé viaja amanhã e estará fora a semana toda, o que equivale a cinco almoços e quatro jantares sozinha. Haja pesto! E paciência, aí do vosso lado! 🙂

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Eu sei que parece haver aqui um tema, uma fixação. Qualquer dia pensam que não como mais nada ou que também misturo pesto nos doces. Mas não é nem tema nem fixação e não, não ponho pesto nos bolos. Se bem que até podia dar em algo interessante…

Estas receitas são apenas uma série de coincidências ou de coisas rápidas que faço de vez em quando e que desta vez têm acontecido próximas umas das outras. Posso prometer que esta não é a última, ainda tenho ali em “arquivo” pelo menos mais uma. E se me derem uns dias se calhar mais outra.

Na verdade tudo isto tem uma razão. Cá em casa só eu é que gosto de pasta com pesto. Associando isso ao facto de as fotografias do almoço ficarem muito mais bonitas que as do jantar, por causa da luz, e andarão por aqui coisas simples, rápidas, feitas com os ingredientes que andam cá por casa e que só eu como.

Depois há as receitas que contrariam isto, como esta. Há uns dias não me apetecia mesmo, mesmo nada cozinhar. Mas estávamos os dois com fome. Como a opção de mandar o Zé para a cozinha não é muito viável (porque eu acabo a ter de cozinhar também, nem que seja da bancada, ou porque só jantamos daí a duas horas), resolvi fazer algo rápido e simples, que nos pusesse sentados em frente ao filme, a relaxar, depois de um dia que tinha sido longo e cansativo.

No dia-a-dia sou uma cozinheira de improviso. Raramente tenho tempo ou paciência ou me lembro com a antecedência suficiente para fazer, por exemplo, uma marinada. Ou então faço daquelas em que bastam cinco minutos para estar tudo temperado. Nesse dia tinha uns peitos de frango no frigorífico, que tinha descongelado e que tinha mesmo de usar. Queria uma coisa para petiscar, para comer com as mãos. Cortei-os às tiras e pu-los numa vasilha. Lá para dentro deitei duas colheres de sobremesa de pesto já pronto (o outro, do post anterior). Misturei tudo muito bem para que a carne ficasse bem envolvida e deixei descansar os ditos cinco minutos. Que foi o tempo que o grelhador demorou a aquecer. Quando este estava bem quente, pus lá as tiras de frango. Como eram finas, demoraram muito pouco de cada lado. Tirei-as no ponto, para não ficarem muito secas. Ficaram deliciosas! Não precisaram de mais sal, de alho, de limão, de nada. Aquelas duas colheres de pesto trataram de 3 grandes peitos de frango e deram-lhes um sabor especial, diferente. O Zé, que não gosta de pesto por causa do queijo, adorou!

Quinze minutos depois de ter começado estavamos nós sentados a ver o filme e a petiscar o frango, azeitonas pretas temperadas em casa, cenoura aos palitos, pão e batatas fritas de pacote, daquelas Lays Gourmet, que são deliciosas e parecem mesmo as que a minha avó fazia para levar para a praia, quando eu era pequena. Uns morangos madurinhos, comidos à mão, inteiros e sem açúcar, e a noite foi calma e deliciosa. Ah, o filme também era excelente! Às vezes sabe tão bem manter as coisas simples e rápidas (mas sempre saborosas!) e usar o tempo para outras coisas…

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Cá em casa nunca, mas nunca mesmo, frito batatas. Aliás, cá em casa nunca frito nada de nada. Pronto, nunca, nunca também será exagero, mas os dedos de uma mão chegarão para o número de vezes que faço fritos em casa, num ano. De vez em quando fugimos a esta regra e estas batatas fritas têm sido o pecado-frito de eleição.

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Sinceramente nunca sei que lhe chamar. Não gosto muito de sanduíche, porque me apetece sempre escrever sandwich, e menos ainda porque cá por Portugal esta coisa parece ter género indefinido – ora é o sanduíche, ora a sanduíche. A sande ainda gosto menos, parece-me sempre que lhe falta qualquer coisa. O s, pois. Mas a sandes não melhora. Parece uma coisa plural usada em singular. Enfim, esquisitices minhas. Posso sempre chamar-lhe pão com coisas. Ou não lhe chamar nada, estar caladinha e usar a boca só para a comer. Ou o comer, pois.

Há uns dias o Daniel perguntava no seu Panela de Cobre qual era a nossa preferida (pela sanidade mental de quem vai ler este post, vou optar por me referir à coisa como “a sanduíche”). Eu respondi-lhe. Mas fiquei a pensar.

Ora, eu sou de luas. Ou melhor, de fases. A minha sanduíche preferida vai mudando, não consoante a estação, mas consoante, parece-me, os ingredientes de que mais gosto, a determinado momento. Que não são sempre os mesmos, claro está. Vão mudando com as descobertas, as redescobertas e as luas. A primeira de que me lembro era uma versão da tosta mista (o misto quente do Brasil) com presunto em vez de fiambre, um fio de azeite e orégãos. Uma tosta mista armada em fina, portanto. Mas deliciosa! Entretanto passei por mais dois ou três sanduíches, até chegar à de hoje. Que é muito simples, também.

Porque eu acho que uma sanduíche, a ser para fazer em casa, tem de ser algo simples e rápido, que alimente e seja agradável. Se for para demorar muito tempo, ser muito complexa, levar 26 ingredientes e mais 5 molhos, mais vale ir comê-la fora.

Daí as minhas serem sempre tão básicas. Esta é: pão do que houver (eu prefiro do de sementes: sésamo, linhaça, girassol, …), presunto em fatias finas, rúcula e pesto. Mais nada. O pesto pode ser caseiro, mas eu tenho sempre no frigorífico um frasco de uma excelente marca de que já falei e que uso para estas coisas. Abre-se o pão, barra-se um dos lados com pesto, põe-se o presunto por cima, a rúcula, fecha-se e come-se. Também se pode fazer a versão quente, com mozzarella entre o presunto e o pesto, levar à torradeira e só depois de derretido o queijo acrescentar a rúcula (que a rúcula na torradeira murcha e fica horrível). É tão bom! E fácil e rápido e nutritivo. Faz um almoço rápido, um lanchinho reforçado, um petisco. Dá pouco trabalho e muito prazer. Seja feminino ou masculino!

 

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