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Há dias em que cozinhar, por mais paixão que seja, não apetece. Mas o corpo pede alimento e há que o arrastar até à cozinha, abrir portas e caixas, puxar pela cabeça para fazer algo que alimente e dê o menos trabalho possível. A ideia original desta salada era essa. Depressa escalou para algo mais complexo, como acontece quase sempre que me enfio na cozinha. Mas cozinhar relaxa-me e, como tal, passa-me depressa o cansaço, físico e mental, na perspectiva de um bom prato de qualquer coisa.

 

Ingredientes:

  • 2 latas de atum em azeite (de preferência Bom Petisco, porque é o atum português mais amigo do ambiente e mais protector do ecossistema)
  • 6 batatas médias
  • 2 mãos cheias de folhas de espinafre
  • 2 ovos
  • 1 mão de azeitonas pretas
  • alho
  • azeite
  • alecrim
  • sal

Cozi batatas cortadas em gomos, em água salgada e com alecrim. Cozi também dois ovos. Numa chaleira fervi água, que deitei sobre duas mãos bem cheias de folhas de espinafre (não sobre as mãos, claro!), só para as escaldar brevemente. Salteei então esses espinafres, escorridos, em azeite e alho, rapidamentee. Abri duas latas de atum em azeite, escorri uma delas para uma garrafa (não se deve deitar óleos e azeites pela pia, porque contaminam uma enormidade de litros de água) e reservei a outra sem escorrer. Numa vasilha grande, coloquei as batatas já cozidas mas ainda quentes e reguei com um fio de azeite temperado com alho e alecrim - quentes, as batatas absorvem melhor o molho. Deixei arrefecer. Cortei os ovos e uma mão cheia de azeitonas em pedaços pequenos. Quando as batatas estavam frias, misturei tudo: atum, ovos, espinafres, azeitonas e batatas. Reguei com mais um pouco de azeite temperado com alho e alecrim e servi.

Esta salada serviu, como refeição única, duas pessoas. Abrir uma lata de atum, nesta casa, é o chamariz ideal para os meus dois gatos. De maneira que metade de uma das latas é deles. É um mimo ocasional, que eles adoram. Por isso a quantidade de atum poderá ser ajustada.

Este prato é daqueles que se prestam a todas as variações possíveis. Pode levar feijão ou pasta em vez de batata, maionese em vez de azeite, outras ervas que não o alecrim, outros legumes que não o espinafre. O importante é usar o que há em casa, o que se gosta, o que seja fácil e rápido. E criar à nossa medida!

Uma vez por mês, sempre no mesmo dia, aparecem, em blogs de todo o mundo, os relatos de uma experiência partilhada. É normalmente algo complicado, que requer empenho e dedicação, e é realizado por um enorme número de talentosas pessoas. The Daring Bakers é o seu nome e procuram ir sempre mais além.

O desafio do mês de Junho foi uma trança feita com massa dinamarquesa - a famosa danish pastry. Eu vi imensas experiências, doces e salgadas, com fruta, chocolate, queijo, carne, legumes, nozes e tudo o que a imaginação decidiu. Fiquei curiosa com esta receita e, munida de alguma coragem e de muita ingenuidade relativamente às minhas capacidades, resolvi experimentá-la.

O desafio de Junho teve dois anfitriões: Kelly, do blog Sass & Veracity e Ben, do blog What’s cooking?. Aí encontram a versão original da receita. Eu fiz algumas alterações e a receita que vou colocar aqui é a minha versão - mas aconselho a quem queira experimentar a usar a receita original ou a adaptá-la ao seu gosto.

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Danish Braid

Ingredientes

  • 1 receita de massa Danish (ver abaixo)
  • 1 medida de recheio de maçã, compota ou geléia (ver abaixo)
  • 1 ovo grande

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Massa Danish (Detrempe)
Ingredientes

  • 1 colher sopa de fermento biológico
  • 1/4 medida de leite gordo
  • 1/6 medida de açúcar
  • raspa de 1 limão, ralada fina
  • 1 colher chá de extrato/essência de baunilha
  • 1/2 vagem de baunilha, aberta a meio e raspada
  • 1+1/2+1/8 medidas de farinha
  • 1 ovo grande, frio
  • 1/2 colher chá de sal

 

Butter Block (Beurrage)

Ingredientes

  • 100g manteiga sem sal, fria
  • 1/8 medida de farinha

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Massa

Misture o fermento e o leite (à temperatura ambiente) no recipiente da batedeira, com a pá, e bata em velocidade lenta. Devagar, junte o açúcar, raspa de limão, extracto/essência de baunilha, sementes de baunilha e o ovo. Bata bem. Mude para o gancho de massa e junte o sal e a farinha, meia medida de cada vez, aumentando a velocidade à medida que a farinha é incorporada. Bata a massa por aproximadamente 5 minutos ou até estar macia. Pode ser necessário juntar um pouco mais de farinha, se a massa estiver muito pegajosa. Transfira a massa para um tabuleiro levemente polvilhado com farinha e cubra com película aderente. Leve ao frigorífico por 30 minutos.

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Butter Block

Misture a manteiga e a farinha no recipiente da batedeira, com a pá, e bata em velocidade média durante 1 minuto. Rape os lados do recipiente e bata mais 1 minuto ou até estar macio e sem pedaços. Reserve, à temperatura ambiente.

Depois de a massa ter estado no frigorífico 30 minutos, retire-a para uma superfície polvilhada de farinha. Estenda-a num rectângulo, até que tenha 1/2cm de espessura. A massa estará muito pegajosa, por isso vá polvilhando farinha. Espalhe a manteiga batida homogeneamente, cobrindo os terços central e da direita da massa (ver post original para imagens). Dobre o terço esquerdo para a direita, cobrindo metade da manteiga. Dobre o terço da direita sobre o terço central. Esta foi a primeira volta. Coloque a massa novamente no tabuleiro, cubra com película aderente e leve ao frigorífico mais 30 minutos.

Depois dos 30 minutos, coloque a massa novamente na superfície enfarinhada. Agora, as extremidades abertas devem estar à sua esquerda e direita (a massa deverá ser rodada 90º). Abra novamente em rectângulo, até atingir 1/2cm de espessura. Novamente, dobre o terço da esquerda do rectângulo sobre o terço central e o terço da direita sobre este. Completou a segunda volta. Coloque novamente no tabuleiro, cubra com película aderente e leve ao frigorífico por 30 minutos.

Repita este processo mais duas vezes, num total de quatro voltas. Não se esqueça de, antes de estender a massa, a rodar 90º relativamente à última volta dada. Depois das quatro voltas, guarde a massa novamente no frigorífico, desta vez por um período mínimo de 5 horas ou durante a noite.

A massa Danish está agora pronta a ser usada. Se não a for usar no prazo de 24 horas, congele-a. Para fazer isso, estenda-a até ter aproximadament 2 cm de espessura, envolva-a em película aderente e congele. Descongele lentamente no frigorífico para ser mais fácil de trabalhar. Congelada, a massa Danish aguenta até 1 mês.

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Recheio de maçã
Ingredientes

  • 2 maçãs, descascadas, descaroçadas e cortadas em pedaços de aproximadamente 1/2cm
  • 1/4 medida açúcar
  • 1/2 colher chá canela em pó
  • 1/2 vagem de baunilha, aberta e raspada
  • 1/8 medida de sumo de limão
  • 2 colheres de sopa de manteiga sem sal

Misture todos os ingredientes, excepto a manteiga, numa vasilha. Derreta a manteiga numa frigideira de fundo grosso sobre lume médio até ficar levemente castanha. Adicione, então, a mistura das maçãs e salteie até estas estarem moles e caramelizadas (10 a 15 minutos). Despeje as maçãs sobre uma superfície e estenda-as bem, para que arrefeçam completamente.

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Montagem

Forre um tabuleiro de forno com papel vegetal e unte-o muito ligeiramente com manteiga. Numa superfície enfarinhada, abra a massa num rectângulo, até que tenha 1/2cm de espessura. Se a massa estiver a retrair e encolher quando a estender, deixe-a repousar uns minutos e comece outra vez. Coloque a massa no tabuleiro.

Ao longo dos lados da massa, até cerca de um terço da largura, faça cortes paralelos com uma faca ou roda, com cerca de 2cm de largura. Os cortes devem ser simétricos, de um lado e outro da massa.

Coloque o recheio no terço central. Dobre os extremos superior e inferior do terço central sobre o recheio e comece, então, a entrançar as laterais, alternando um lado e o outro. Apare os excessos.

Misture uma gema com metade da sua clara e pincele a trança ligeiramente. Cubra com película aderente muito levemente untada com óleo (o ideal seria um spray) e coloque sobre a trança. Deixe-a repousar à temperatura ambiente (ideal: aproximadamente 32ºC) durante 2 horas ou até que duplique de volume e esteja leve ao toque.

Quase no final do tempo, pré-aqueça o forno a 180ºC. Coloque o tabuleiro no centro do forno. Asse durante 10 minutos e depois rode o tabuleiro, para que a parte que estava atrás passe a estar à frente. Asse por mais 15-20 minutos ou até dourar. Sirva morna ou à temperatura ambiente.

 

.Esta experiência não foi fácil. A massa é incrivelmente pegajosa e colou-se a tudo - estendê-la foi um pesadelo. Nas últimas voltas já estava ligeiramente melhor, mas mesmo assim continuava a colar. Quando finalmente a vi no forno nem queria acreditar!

Com as aparas, fiz croissants. Tanto a trança como os croissants ficaram bastante morenos porque a camada de ovo torra muito facilmente. Aconselho quem quiser experimentar a não sair da cozinha enquanto esta massa estiver no forno - a minha assou muito mais depressa do que a receita referia. Como consequência, a massa ficou um bocadinho seca. Ou foi isso ou as quantidades industriais de farinha que teve de levar para não se colar até ao tecto da cozinha.

A receita agradou, mas não o suficiente, provavelmente, para justificar a repetição de tanto trabalho. Apesar de não ter levado laranja (que constava da receita original), a massa ganhou um leve sabor a laranja que até hoje não sei de onde veio. A mim não me agradou muito, porque não gosto de massas com laranja (daí ter feito a troca pelo limão).

Apesar destes poréns todos, gostei muito da experiência. A trança era muito saborosa, o recheio ajudava a torná-la mais húmida e o facto de ter feito uma coisa aparentemente tão complicada fez dela uma experiência especial. Aliás, tenho de acrescentar que parece muito mais complicado do que realmente é. Se ignorar a parte de se colar a tudo e a de demorar imenso tempo, posso dizer que foi, na verdade, quase fácil. Qualquer dia arranjo coragem e faço croissants de massa folhada, à francesa. Deixem-me só esquecer como esta colou…

Há uns dias, em conversa com a Cinara por causa deste post que ela escreveu, nasceu a ideia de fazer cookies com aqueles amendoins torrados com mel, que se vendem em pacotinhos. É daquelas coisas que não como durante anos, mas de que gosto muito. E achei que a crocância podia combinar muito bem com uns cookies, daqueles mais chewie, como eu gosto. Passei no supermercado, trouxe os amendoins para casa e fui experimentar.

Como receita base, usei uma da Cinara, modificada. Como a ideia era só experimentar, fiz apenas meia receita. Além disso, quanto menos tentação melhor!

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Cookies de amendoins com mel

Ingredientes:

  • 100g margarina
  • 3/4 medida de açúcar amarelo
  • 1 ovo
  • 1 e 1/4 medida farinha de trigo
  • 1/4 colher chá bicarbonato de sódio
  • 1/2 colher chá extrato/essência de baunilha
  • 1 medida de amendoins torrados com mel (entre 100 e 150g)

Pré-aqueci o forno a 180ºC. Na batedeira, bati a manteiga com o açúcar até obter um creme claro. Acrescentei os ovos e continuei a bater. À parte, misturei a farinha e o bicarbonato e acrescentei a mistura ao creme às colheradas. Bati até ficar liso. Acrescentei a baunilha. Parei de bater e com uma colher de pau envolvi os amendoins na massa.

Com a ajuda de uma colher, coloquei bolas de massa na assadeira, com espaço entre elas. Assei durante 12 minutos. Retirei e deixei-os arrefecer sobre uma grade. Rendeu 12 cookies grandes.

Os cookies eram deliciosos. Desde a massa crua até ao produto final, um enorme sucesso. Até o marido gostou! Não sei bem porquê mas eles esparramaram-se todos, ficando demasiado finos para o meu gosto. Talvez devesse tê-los levado ao frigorífico antes de assar, o que não fiz. O sabor a amendoim ficou como eu queria, mas não sei se notei grande diferença de uns cookies feitos com amendoins normais. Portanto, com estes foi só mais dinheiro e mais calorias? Não sei dizer. Pode ser que o mel tenha ajudado a manter a crocância dos amendoins. Ou lhes tenha dado um sabor mais intenso. Interessante seria fazer uma fornada de uns e outra de outros e ver as diferenças. Talvez um destes dias…

Pizzas de improviso #2

A segunda improvisação de uma pizza aconteceu mais por necessidade de um jantar rápido - super rápido, aliás - do que pelo desejo incontornável de pizza. São menos interessantes que as anteriores, mas prestam-se a mais variações e a uma que quero muito experimentar: pizza na grelha!

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Pita-Pizza

Ingredientes:

  • 1 pão pita por pessoa (usei as com sementes de girassol)
  • chouriço de carne
  • queijo mozzarella
  • azeitonas
  • molho de tomate (uso sempre caseiro, feito por mim)
  • azeite
  • orégãos, folhas de manjericão…

Com cuidado, abrem-se as pitas ao meio, formando dois discos. Em cada um deles, uma colher de sopa não muito cheia de molho de tomate. Por cima, aquilo que se quiser, queijo, orégãos, um fio de azeite e forno.

A ideia não é nova, mas é muito interessante. Podem usar-se os ingredientes que se quiser, fazer pizzas leves, pequenas e muito rápidas. São mais um desenrasca do que uma verdadeira iguaria. Agora na grelha… Na grelha a conversa talvez seja diferente.

 

Pizzas de improviso #1

A vontade de pizza é algo que me acontece muitas vezes. Estar a pensar no jantar e aperceber-me de como me apetece aquela base de massa, um bom e simples molho de tomate, queijo por cima… Quando isto acontece quase em cima da hora de jantar é que é complicado. Normalmente não há massa pronta em casa (desde que me converti à massa caseira), não há tempo de a fazer e não há nenhuma padaria aberta para comprar um bocado.

Nestas alturas há duas opções: ou se desiste da pizza (ha!) ou se improvisa. Eu, teimosa como sou, e já sabendo que, com pizza no pensamento nada mais me deixará satisfeita, improvisei. Duas vezes! Este é, portanto, um post a duas partes.

Da primeira vez tinha um rolo de massa folhada no frigorífico. Pensei que umas calzones de massa folhada talvez funcionassem bem e decidi arriscar.

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Calzones de massa folhada

Ingredientes:

  • 1 rolo de massa folhada
  • 2 a 3 colheres sopa molho de tomate
  • 1 cebola
  • azeitonas pretas
  • cogumelos
  • queijo mozzarella
  • 1 ovo
  • azeite
  • orégãos

Salteei a cebola, em meias luas finas, num fio de azeite, até dourar. Reservei. Abri a massa folhada e cortei o círculo em quatro partes iguais. Em cada uma delas coloquei um pouco de molho de tomate (frio, de preferência), cogumelos em pedaços, um pouco da cebola, pedaços das azeitonas, queijo e orégãos. Fechei com a clara de ovo, pincelei com a gema e levei ao forno a 160ºC até dourar.

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Servi com salada de rúcula, cenoura, pimento vermelho e pepino, temperada com azeite e vinagre balsâmico. A textura ficou muito boa e como a massa folhada que eu uso é muito pouco gordurosa (em comparação com as versões congeladas, que escorrem gordura ao assar) ficou muito sequinha e saborosa. Não era a melhor pizza do mundo. Mas era melhor que nenhuma!

Comer com os olhos faz-me andar semanas com uma receita na cabeça. E só sossegar quando a experimento. Faz-me imaginar a textura, o sabor, o jogo dos vários ingredientes sobre a língua…

Foi o que aconteceu com esta receita. Olhar para aquela fotografia, ver o verde dos pistachios a contrastar com o amarelo do biscoito deixou-me com água na boca. E realmente não descansei enquanto não a provei.


Quadrados de pistachio e chocolate branco
(Garibaldi redux)

Ingredientes:

  • 120g farinha
  • 90g manteiga, cortada em pequenos cubos (usei margarina)
  • 50g açúcar
  • 60g pistachios laminados
  • 60g chocolate branco em pedacinhos (ou gotas de chocolate branco)
  • 1 ovo ligeiramente batido

Coloque a farinha e a manteiga numa vasilha e, com as pontas dos dedos, incorpore uma na outra. Quando quase toda a manteiga tiver sido incorporada, adicione o açúcar e continue. Assim que a mistura tiver o aspecto de migalhas grosseiras, junte o chocolate e os pistachios e envolva-os para ficarem homogeneamente distribuidos. Adicione o ovo, um bocadinho de cada vez, até que se forme uma massa macia mas não pegajosa. Estenda a massa numa forma grande (deve ficar bem fininha, mais ou menos 1/2cm) e pincele com o restante ovo. Leve a assar, em forno pré-aquecido a 180ºC, por aproximadamente 20min ou até dourar. Corte imediatamente em quadrados e deixe arrefecer sobre uma grade.

A receita é muito fácil, leva poucos ingredientes e dá muito pouco trabalho. Mas alguma coisa não correu muito bem. Esfarelou-se muito e o sabor não era nada parecido com o esperado. Pode ter sido a substituição da manteiga por margarina. Pode ter sido a junção do ovo quando, antes dele, a massa já estava macia e não pegajosa e depois dele continuou macia mas muito pegajosa. Pode ter sido o chocolate branco que era estupidamente doce. Ou podem ter sido as expectativas demasiado elevadas.

Não estou a querer dizer que era mau. Era bom. Só não era tão bom como as minhas papilas antecipavam. Mas vou fazer outra vez, com manteiga em vez de margarina e com chocolate negro em vez de branco. Hmmm… lá vou eu passar mais uma semana a sonhar!

Esta receita estava há uns dias no meu del.icio.us quando as meninas do Colher de Tacho anunciaram o Rei da Vez:

Aproveitei um jantar com amigos como desculpa e pus mãos à obra. A receita é do site da Martha Stewart e está aqui.

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Galette de morango com creme de manjericão

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Creme de manjericão

  • 3/4 medida de natas (heavy cream - usei creme fraiche)
  • 1/3 medida de manjericão fresco picado
  • 2 colheres sopa açúcar
  • 3/4 medida de queijo mascarpone

 

Numa vasilha resistente ao calor, em banho-maria, misture as natas, o manjericão e o açúcar. Mexa ligeiramente até que o açúcar dissolva (aproximadamente 4min). Cubra com película aderente e leve ao frigorífico por, pelo menos, 1 hora (ou até 2 horas, para um sabor a manjericão mais pronunciado). Coe num passador de grelha fina. Junte o mascarpone e com um batedor de varas bata até formar picos médios. Cubra e leve ao frigorífico até à hora de servir (até 2 horas).

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Massa:

  • 2 e 1/2 medidas de farinha de trigo (mais para polvilhar as superfícies)
  • 1 e 1/8 colher chá sal
  • 1 colher chá açúcar
  • 1 medida de manteiga sem sal gelada (aproximadamente 110g) cortada em pequenos cubos
  • 1/3 medida + 2 colheres sopa água gelada (eu só usei 1/3 medida)

Num processador, pulse a farinha, o sal e o açúcar, para os misturar bem. Junte a manteiga, bem gelada e em cubos, e pulse até a mistura ter o aspecto de migalhas grosseiras. Adicione a água gelada, aos poucos, e vá pulsando até combinar (a massa deverá manter o aspecto de migalhas). Dê-lhe forma de um disco grosseiro, embrulhe em plástico e leve ao frigorífico por pelo menos 1 hora (ou até durante a noite).

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Galette:

  • 1/2 quilo de morangos
  • 1/4 medida + 1 colher sopa açúcar
  • 2 colheres sopa amido de milho (maizena)
  • 1 gema
  • 1 colher sopa água
  • 1 colher sopa de manteiga sem sal, gelada, cortada em pedacinhos

Estenda a massa, com ajuda de um rolo, numa superfície enfarinhada (se conseguir estendê-la directamente sobre a superfície onde a vai assar, melhor). Dê-lhe uma forma arredondada, sem se preocupar excessivamente com a perfeição (a graça da galette é o seu ar rústico).

Corte os morangos em fatias de 1/2cm de espessura. Quando cortados, misture-os com o 1/4 medida de açúcar e o amido de milho e disponha-os imediatamente, em círculos, ligeiramente sobrepostos, sobre a massa, deixando uma beira de 1 a 2 cm. Depois de todos os morangos estarem arranjados, dobre o excesso de massa sobre a fruta e leve ao frigorífico por 15 minutos (eu não levei).

Misture a gema e a água. Pincele a massa com esta mistura e polvilhe com 1 colher sopa açúcar. Ponha bolinhas de manteiga sobre os morangos. Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC, durante 40 minutos ou até a massa estar dourada. Sirva morno, com o creme de manjericão.

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A galette é muito saborosa, sobretudo feita com morangos bem madurinhos, que lhe acrescentam a doçura que lhe falta, pela pouca quantidade de açúcar que leva. O creme é forte mas com um sabor muito interessante e dividiu as opiniões: houve quem gostasse muito e quem não gostasse nada. Eu, que nem sequer gosto de queijo, gostei muito. Achei a combinação extremamente interessante.

A tradução acima não é exacta. A receita foi retirada do site da Martha Stewart mas seguida sem muita exactidão. Esta foi a que eu fiz e resultou muito bem. Gostei mais desta galette do que desta e acho que para o ano a farei novamente!

 

Comida de Verão

Às vezes, tudo o que apetece é uma comida simples. Simples de fazer, simples de comer. Sem pretensões mas cheia de sabor. Como uns legumes assados e um peixe grelhado.

Os legumes foram temperados com sal grosso, azeite e alecrim e assados no forno bem quente.

O atum fresco foi temperado com especiarias cajun e sal e grelhado na chapa, bem quente também.

Por cima, uma mistura de alho assado (com os legumes), esmagado, e azeite.

Para comer na varanda, a ver a noite chegar. Melhor só se tivesse sido feito sobre brasas!

Comer com os olhos

Às vezes, quando folheio revistas e livros de cozinha, daqueles cheios de fotografias bonitas e coloridas, de fazer crescer água na boca, tenho de lembrar a um qualquer lado guloso do meu cérebro que não, não posso fazer aquela lasanha de espinafres e quatro queijos porque eu não gosto de quatro queijos. Que não, não posso fazer aquela tarte de chocolate com avelãs porque não, eu não gosto de avelãs. E que não posso fazer aquela linda salada de figos e rúcula porque não, eu não gosto de figos.

Educar paladares é tarefa de uma vida. E daquelas para começar desde o berço. Não nascemos a gostar de tudo e muitas vezes temos mesmo formas de reconhecimento biológico de certas substâncias que servem para nos salvaguardar de potenciais perigos. Há pessoas que não gostam de grelos porque os acham demasiado amargos - essas pessoas têm, na língua, sensores mais sensíveis a uma substância amarga que existe nos grelos; para os menos sensíveis, os grelos não são tão amargos. Mas dizia eu, é preciso aprender os sabores. É preciso aprender a gostar. E quando isso não se faz desde o início, as resistências são maiores e é mais difícil lutar contra elas. Mas não impossível.

Eu não gosto de queijo. Ou antes, eu não gosto muito de queijo. Só como daqueles queijos suaves, como mozzarella, ricota, mascarpone, queijo fresco e afins. Ou queijo daquele normal, que não faço a mínima ideia qual seja, que se põe nas sanduíches e tostas mistas e se torra até estar bem derretido. E um bocadinho de cheddar cremoso para os nachos. Mas sou incapaz de comer um naco de queijo, por melhor que ele seja, assim, só ou com pão. E nem sei bem porquê.

A verdade é que nunca gostei - o dia do lanche, no infantário, em que era pão com queijo e em que eu era obrigada a comer, era uma tortura. O meu melhor amigo, nesse dia, era o chá, que eu engolia sofregamente, na esperança de sufocar o sabor do queijo.

Mas sempre tive pena de não gostar de queijo. De não querer aquele queijo de cabra coberto de nozes e especiarias, aquele queijo da Serra muito mal-cheiroso que faz as delícias da minha mãe, os molhos de três, quatro, cinco queijos.

Não sei se há, reconhecidamente, alguma base genética para se gostar ou não de queijo. Mas eu desconfio que talvez haja. Porque na minha família, do lado do meu pai, são mais os que não gostam do que os que gostam. Eu, o meu pai, a minha irmã, dois ou três irmãos do meu pai e uma mão cheia de sobrinhos. Ora, tantos a partilhar sangue e a não gostar de queijo não pode ser coincidência. Ou pode?

Mas mesmo assim eu insisto. E tento educar o meu paladar para ser o mais eclético possível. Não começo pelo queijo da Serra, mas experimento um bocadinho de queijo de cabra aqui, um pedacinho de brie ali… E nada. A única coisa que consegui foi gostar mais dos meus queijos suaves. Mas sempre acompanhados de qualquer outro sabor e quase sempre derretidos.

E eu sei disto. Muito bem. E sei também que cá em casa somos dois a não gostar de queijo. Mas há qualquer truque nas imagens, uma capacidade de amnésia momentânea que atordoa os circuitos e me deixa com vontade daquilo de que não gosto. Às vezes pergunto-me como é que metade do meu cérebro se esquece daquilo que a outra metade sabe tão bem, só porque os olhos se perdem em fotografias de fazer crescer água na boca.

Chilli con carne

Gosto muito de chilli. Mas acho que deve ser um gosto que me ficou nos genes, porque sinceramente não me lembro de o ter comido muitas vezes na minha vida. O meu pai adora - mas também não me lembro de o ter feito em casa alguma vez. Gosto estranho, este, que é gostar (quase) sem ter provado.

Mas a verdade é que há uns dias, ao abrir uma lata de tomate (para preparar um molho de pizza) e ver que me tinha enganado e que em vez de tomate era concentrado de tomate, só consegui pensar numa coisa: chilli. Aquela pasta de tomate espessa ia ficar maravilhosa num chilli! No dia seguinte, sem saber o que fazer para o jantar, acendeu-se novamente a luz e saí para o supermercado, às oito da noite, para comprar carne picada e feijão! E fiz e comemos nós e comeram os meus pais e gostamos todos. Muito.

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Chilli con carne

Ingredientes

  • 500g carne de vaca picada
  • 1 lata grande feijão vermelho (aproximadamente 500g)
  • 1/2 pimento vermelho
  • 1 cebola média
  • 4 dentes de alho
  • 1/2 medida concentrado de tomate
  • 1 medida água morna
  • 1 colher sopa coentros em semente
  • 1 colher sopa cominhos em semente
  • 2 colheres sopa chilli em pó (eu não tinha, usei 4 malaguetas pequeninas trituradas)
  • 1 colher sopa alho em pó
  • 1 colher sopa orégãos
  • sal
  • azeite

 

Comecei por tostar ligeiramente as sementes de coentro e cominhos, numa frigideira seca. Quando começaram a estalar, passei-as para o almofariz e triturei-as até ficarem em pó. Juntei o alho em pó, as malaguetas e os orégãos e misturei bem.

Numa panela grande alourei os dentes de alho picados, em azeite. Juntei a carne e deixei fritar brevemente, mexendo sempre para não colar e ao mesmo tempo para não formar aqueles aglomerados que a carne picada às vezes forma. Juntei o pimento vermelho e a cebola, cortados em cubinhos, e a pasta de tomate dissolvida na água morna (aqui as medidas são meramente indicativas: se quiser mais molho, acrescente mais pasta de tomate e mais água). Adicionei os temperos previamente misturados, sal, tapei e deixei cozinhar em lume brando durante uns 20 minutos (não é preciso muito, uma vez que a carne é picada; o tempo é mais para deixar apurar o sabor).

Quando o molho estava já espesso, acertei os temperos (se quiser mais picante junte mais chilli) e juntei à panela o feijão previamente escorrido e lavado em água fria (convém fazer sempre isto ao feijão em lata). Acrescentei um bocadinho mais de sal, por causa do feijão, e deixei cozinhar mais uns cinco ou dez minutos.

Servi sobre arroz branco e acompanhado de nachos, que o marido adora. Ainda pensei fazer um cornbread, mas não ia ter tempo. O chilli estava muito bom e foi comido à colher, como qualquer boa comfort food deve ser.

Esta receita é suficiente para umas quatro pessoas, pelo menos. Fiz tão grande quantidade para poder levar metade aos meus pais. Eu sei que o meu pai adora chilli e fazer um miminho sabe sempre bem!

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